Alguns leitores deste blog ficaram intrigados com minhas conclusões a respeito da pesquisa sobre o que pensam os jovens de hoje realizada pela UFPE. Dei-me a liberdade de estender os resultados daquela pesquisa à todos jovens brasileiros e o fiz por uma razão: sinto que reflete a verdade do momento válida não só no nordeste, mas também no eixo Rio-São Paulo (onde resido), a parte mais moderna do país. A pesquisa menciona como a religião está influenciando um comportamento mais comedido e ético da parte dos entrevistados, sugerindo que a "rebeldia" e a "indignação" estão um pouco fora de moda.
Não sei se todos têm essa mesma impressão. Penso que comparando o momento atual com a realidade de uns 10 anos atrás, as coisas parecem um pouco mais ordenadas do ponto de vista moral. A situação mudou muito. As pessoas de minha idade (na faixa dos 30 anos hoje) são filhos de uma geração de adultos que aceitava assistir O Dono do Mundo diariamente. A atual geração de jovens recebeu dos pais uma educaçao diferente daquela. Será que a novela citada faria sucesso hoje em dia? Desconfio que seria um tanto pesada para o paladar mais sensível dos nossos tempos.
Para dificultar o correto entendimento da questão que levantada, eu me associei aos jovens da tal pesquisa e, ao mesmo tempo, afirmei que estou isolado ideologicamente. Alguns não entederam isso, pois os jovens que a pesquisa demonstrou serem mais conservadores são também a ampla maioria percentual. Como então poderia eu dizer que estou isolado ideologicamente se, paralelamente a isso, alinho meu pensamento ao da maioria de jovens? Parece um tanto paradoxal - o problema é que não é nada paradoxal.
A esquerda domina a Academia no Brasil. Mesmo acadêmicos de grosso calibre sentem-se pouco à vontade para contrariar a corrente dominante de pensamento. Prestem bastante atenção: o fato da maioria dos jovens ser conservadora não indica que os seus professores o sejam. Vou ser ainda mais claro: enquanto cursei comunicação social na Universidade Federal Fluminense, pude ver com meus próprios olhos a dominação quase completa da dialética marxista no pensamento acadêmico.
Sei que não é fantasia do Olavo Carvalho quando ele fala na relevância do pensamento de Antonio Gramsci no meio universitário brasileiro, pois eu, quando estudante, tive de aprender porquê o aparelhamento discreto da sociedade é o melhor caminho para a instalação de um regime socialista. Como a imensa maioria dos marxistas é idiota, muitos não têm inteligência suficiente para aprender porque Gramsci está certo: o modo mais eficaz para se tomar o poder é fazê-lo na surdina, sem que ninguém perceba.
Esses infelizes que não tem sequer capacidade intelectual para compreender a obra gramsciniana acabam se tornando rebeldes do megafone, contrariando tudo o que este socialista italiano ensinou. Chego a um detalhe nada irrelevante: aqueles de inteligência suficiente para aprender Gramsci conseguiram se instalar nas redações de todos os principais jornais deste país. Como que eu sei disso? Porque consigo ler as entrelinhas da notícia. Os jornais estão aparelhados por profissionais de comunicação que utilizam de sua posição para promover a revolução socialista no Brasil, distorcendo todas as notícias e favorecendo amplamente o (des)governo Lula.
Meus caros, espero que vocês estejam sendo capazes de perceber que, para mim, de nada adianta pensar como a maioria dos jovens brasileiros já que não somos aceitos no debate. A maioria das mentes "pensantes" desse país não reconheceria a legitimidade da minha opinião. O termo tem de ir entre aspas porque não se trata, efetivamente, de gente que pensa, pois liberdade para pensar é uma das coisas que eles mais temem. Esse é o politicamente correto: exige que você concorde com a maioria "pensante" em tudo, senão tudo que você acredita é desmerecido.
Ou seja, apesar de eu pensar como a maioria, estou isolado ideologicamente, porque a ideologia dominante rejeita o pensamento da maioria - logo, apesar de associar-me ao pensamento da maioria numérica, isso nada significa, porque essa opinião é refutada sem ser discutida. Será que posso ser mais claro que isso? Evidente que há uma infinitude de matizes de opinião entre as diferentes pessoas e, justamente por isso, é vergonhoso que o pensamento seja reduzido a um mínimo denominador comum. Portanto, assim como é ridículo impor o pensamento de uma minoria à maioria, também seria lastimável pretender impor à minoria o pensamento da maioria.
Por isso a crítica ao politicamente correto: ele não reconhece essa multiplicidade de saberes. Antes, deseja reduzir tudo à sua categoria de coisas aceitáveis, excluindo todo o resto. Oras, se é a sua categoria é porque não se lha aplica aos demais. E por que chegou-se a esse estado de tamanha dominação ideológica e patrulha do pensamento? Porque a esquerda tem feito o aparelhamento discreto de toda a sociedade ao longo das últimas quatro décadas, a ponto de muitos terem um pensamento verdadeiramente revolucionário e nem se darem conta disso.
É verdadeiramente uma surpresa que muitos jovens não se estejam alinhando à esse saber obrigatório. A razão pela qual não fazem mais barulho é porque têm medo. Como ainda são muito jovens não se permitem dizer o que lhes dá na veneta. Têm o receio de serem vistos como retrógrados e obscurantistas. É tanto medo que acabam não sendo voz ativa no debate, pois o politicamente correto decretou-se vencedor sem sequer disputar! Nada disso se deu por acaso: é tudo parte do plano maior gramsciniano.
Portanto, são pouquíssimos os "conservadores" que ousam desafiar o pensamento da... "maioria", composta por esquerdistas! Essa é a atual situação de intimidação intelectual que se verifica no Brasil: o pensamento da maioria numérica é defendido por uma minúscula minoria de intelectuais, pois a imensidão de debatedores pensa praticamente o mesmo, com pouco espaço para divergências. É uma verdadeira ditadura do pensamento que impõe uma uniformização da opinião.
Porém, se é verdade que a atual geração de universitários é mais conservadora, esse processo tende a sofrer reformas. Assim que amadurecem suas opiniões, firmando-as sobre sólidas bases intelectuais, esses jovens virão assumir a parte que lhes cabe no debate. Deixarão de ser espectadores e começarão a influenciar a sociedade como um todo. Ainda que surjam poucos nomes de peso nos próximos anos, qualquer mudança no absurdo padrão momentâneo será saudável - um meio social que seja verdadeiramente plural e tolerante exige a superação desse modelo excludente e autoritário.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A maioria de poucos homens
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10 comentários:
Dessa vez sinceramente perdi a paciência.
Não consigo entender como na maior cara lavada o O. de C. e você, entre outros, dizem que a mídia é socialista e quer a revolução. Abre a folha de são paulo e veja o tratamento que dão pro Chavez. Não precisa acreditar em mim, leia. Sério. Vai lá. Não tem condição, dá vontade de chorar ler uma besteira desse naipe.
Eu também não gosto do Chavez, eu também não gosto do Lula. Mas estou longe, longe, longe, longe, mas muito longe mesmo de afirmar que 'a grande mídia defende com unhas e dentes qualquer porcaria que o lula faça'. Pra mim essa afirmação é no mínimo categórica demais e precisaria de centenas de exemplos antes de ser afirmada - até porque existem centenas de outros exemplos em contrário. Você está dando a sua opinião, assim como eu dei a minha sobre o acordo com o vaticano no meu blog, e a meu ver essa sua opinião em específico é absolutamente descartável.
A notícia sobre conservadorismo também é um ótimo exemplo. Quer dizer que a mídia socialista-marxista adorou publicar uma notícia falando que os jovens brasileiros estão mais conservadores, claramente distorcendo o que a pesquisa afirmava para o lado da direita???? hmmmm. Estranho não? Será parte do plano mirabolante que só o O. de C. consegue ver??? Coooom certeza. Faz parte da conspiração falar bem da direita.
Acorda.
Outra coisa é a questão da 'ditadura da maioria'. Onde está a ditadura? Ditadura até onde eu sei existiu no Brasil em 1964, por pessoas que defendem uma linha de pensamento parecida com a sua. Mas essa ditadura de 1964 você e o O. de C. defendem - talvez porque fosse uma ditadura de verdade, mas alinhada com o que vocês acreditam. Onde está a censura? O Olavo de Carvalho adora dizer que os cristãos estão sendo perseguidos.
Onde?? Quando alguém fala a favor do aborto, é perseguição religiosa?
Aliás, os cristãos estão sendo tãão perseguidos pelo Estado que agora vai ter até aula de ensino religioso em escola pública. País do atraso.
O problema, na verdade, é que ele (e pelo pouco que eu vejo, você também) se sentem incomodados por não poder censurar (sem aspas) as pessoas com as quais vocês não concordam. Isso realmente deve ser incômodo pra um grupo que estava acostumado a esse tipo de atividade.
Se eu pudesse colocar uma coisa na sua cabeça, uma só, seria o fato de que não é porque você está em minoria que você esteja certo.
Afinal, todo mundo é minoria se você examinar de perto o suficiente.
E não se sinta martirizado por nada disso. Estou discordando plenamente de você e não estou te perseguindo. No post sobre o Codigo da Vinci você foi atacado porque simplesmente estava retumbantemente incoerente, assim como está agora. E outra: defina melhor o que é o 'politicamente correto'. Agora 'politicamente correto' também abarca 'não censurar filmes que agridam uma religião'? Pois isso pra mim me parece o contrário do que é politicamente correto.
PC não é uma caixa pra você colocar as ideias com as quais não simpatiza.
Mais um adendo: politicamente correto seria reclamar do título do seu post, já que claramente você quer dizer 'maioria de poucas pessoas' e colocou 'maioria de poucos homens', subliminarmente dando a entender que mulheres não pensam.
As feministas ficariam ofendidas, mas você pode falar isso porque não existe censura institucionalizada no Brasil.
Calma André!
Então, acho que agora você me entendeu melhor (por incrível que pareça). Vamos por partes.
A minha tese central se deve a algo que, admito, não falei de modo completo: os ensinamentos de Antonio Gramsci.
O problema é que, se o fizesse, o texto ficaria muito maior do que ficou. Seria sim mais preciso, mas poucas pessoas leriam. Infelizmente, resumir o assunto é um preço caro que eu tenho que pagar para diminuir a quantidade do que escrevo.
Chegamos, nessa questão, a um ponto onde somente a leitura de Antonio Gramsci elucidaria definitavamente o assunto.
Note bem, Gramsci fala descaradamente em aparelhamento discreto da sociedade. É para poucos ficarem sabendo mesmo. Sei perfeitamente que parece teoria da conspiração, mas não posso evitar, pois é assim que eles agem.
Agora está super tarde, mas amanhã, se for do seu interese, terei imenso prazer em rever os textos indicados pelo prof. de sociologia e comunicação enquanto eu estava na UFF - e dizer-te os seus nomes.
Não digo isto para me vangloriar, mas graduei-me com média final de 9,2 - o que dá uma idéia da minha dedição acadêmica. Respeito sua impaciência. Acho que se estivesse na sua posição, teria a mesma reação. "Donde diabos esse maluco está tirando essas maluquices?"
Pois é, se não fosse algo feito na surdina seria um pouco mais fácil demonstrar. O triste foi que eu vi e ouvi, com esses meus olhos e ouvidos, como se deve proceder na surdina para se implantar o socialismo em um determinado país, minando todas as suas bases morais por dentro, sem que ninguém se dê conta disso.
Gramsci gasta toda sua saliva para convencer seus pares a abandonar a luta armada e abraçar a luta ideológica. O Reinaldo Azevedo tem um texto bem interessante na sua página principal onde ele tenta fazer uma breve introdução ao tema:
http://veja.abril.com.br/160507/p_100.shtml
Veja bem, esse é um assunto muito extenso: discutido exaustivamente no meio acadêmico. Não dá mesmo pra resumir em poucas linhas. Gosto do texto do Reinaldo devido à brevidade.
A bem da verdade, Gramsci já tem até que adapte suas idéias à situação atual. Isso eu posso verificar e trazer amanhã.
Só peço que você não se assuste. Espero que já tenha percebido que não sou papagaio nem do Olavo, nem do Reinaldo, pois discordo deles em vários aspectos.
Ainda teremos ocasião para falarmos do politicamente correto. Quanto às mulheres você descambou para paixão. É lógico que mulher pensa. Não é apenas porque acho que elas devam ser delicadas e bem cuidadas que eu sou machista.
Não disse que você era machista, disse que o 'politicamente correto' cortaria a sua frase por soar machista.
Eu sei quem foi Gramsci, sei o que ele disse, conheço suas ideias e mesmo assim acho que afirmar que a Globo é comunista é uma asneira sem tamanho.
Você está procurando por UFOS. 'Aqui no livro do Ashtar está escrito que eles se escondem e só aparecem beeeem de vez em quando. Então, por que os relatos são esparsos e eles só aparecem beeem de vez em quando, logicamente UFOS existem.'
André, jamais disse que a Globo é comunista. Porém, você já leu o jornal O Globo e a revista Época?
Se você conhece Gramsci, então sabe que a destruição de todo e qualquer padrão moral da sociedade contemporânea é o item mais importante de sua ideologia.
Os dois meios de comunicação citados são, sem a menor sombra de dúvida, operados por gramscinianos. O que não significa que eles estejam querendo construir amanhã uma estátua para Stálin no aterro do Flamengo.
O que eles querem (e também é central na doutrina de Gramsci) é minar os fundamentos da sociedade aos poucos. Gramsci gasta bastante saliva nisso: "Quer o serviço bem feito? Então não tenha pressa".
A TV Globo, porém, não é gramsciana. Por quê? Não faço a menor ideia. Só mesmo se estando dentro da cabeça dos Marinho para entender.
A revista Veja também não é gramsciniana (deve ser por isso que eles a odeiam tanto). Ela apenas sofre, de vez em quando, de uma ligeira crise de identidade.
Não estou caçando UFOs. Você está irritado só por que eu me recuso a caçar as borboletas que o politicamente correto (adaptação da doutrina gramsciniana) obriga que eu cace?
Se você conhece Gramsci, então sabe que a destruição de todo e qualquer padrão moral da sociedade contemporânea é o item mais importante de sua ideologia.
Err... achei que a TV Globo, que é por sinal a maior empresa de mídia do país, fosse também a normalmente mais 'culpada' por essa 'erosão de valores'. E até agora, depois de anos e anos e anos, nada de um beijo entre homens na novela das oito.
O que eles querem (e também é central na doutrina de Gramsci) é minar os fundamentos da sociedade aos poucos.
Onde você lê erosão de valores eu leio respeito à diversidade. Você pode ter a opinião que quiser sobre homossexualismo, feminismo, racismo, etc. Esses grupos tem uma opinião muito diferente da sua e tem direito a serem ouvidos, assim como você também tem.
Você pode até citar como indício a mania de criação de novos tipos penais contra homofobia e racismo. Mas a legislação brasileira também já está atrasada na direção contrária, impedindo o casamento entre homossexuais e a adoção de crianças por esses mesmos casais, por exemplo.
Não consigo, não consigo mesmo entender (muito provavelmente porque é uma afirmação totalmente absurda) como é que você afirma que um governo que faz um acordo ridículo com o vaticano está tentando a revolução socialista. Que piada.
Eu citei a história dos UFOS pq a evidência é exatamente a mesma. Se você considera a 'falta de evidência' como evidência, então qualquer coisa vira verdade.
André,
Minar os fundamentos da sociedade não é apenas justificar o homossexualismo. Isso é problema xinfrim. No Brasil não se tem problema algum em relação ao homossexualismo. Todo que é viado pode sê-lo sem se preocupar com ninguém. Se alguém que ouviu falar de um grupinho de carecas que matou um gay na periferia de SP, ainda que seja verdade, é um caso isoladíssimo. Talvez não haja no mundo país mais liberal no assunto do que o Brasil. Note bem (peço que você seja razoável): não estou me referindo ao sistema legal - estou falando da cultura nacional extremamente permissiva nessa questão.
O buraco é muito mais embaixo. O problema nunca foi o homossexualismo. A esquerda sempre se aproveita desses coitados e, quando assume o poder, manda-os para campos de concentração para serem "corrigidos". A degradação de valores a que me refiro é muito mais profunda: estou falando das instituições, da visão sobre o ser humano, dos códigos de conduta.
Os esquerdistas sempre procuram criar na população a ilusão de que toda a política é impura. Melhor mesmo é substituí-la por completo, colocando em seu lugar o regime de maravilhas que é o socialismo.
Em relação à moral cristã, propriamente dita, acaba sendo atacada por tabela. Gramsci a menciona diversas vezes como grande inimiga, pois as pessoas precisam perder completamente a referência do que é certo e do que é errado para então acreditarem no socialismo.
De qualquer forma, já estamos mudando de assunto, não acha? Será que já não deu para perceber que, apesar de eu estar alinhado com a maioria, estou isolado ideologicamente?
realmente é impossivel entender sua logica. É obvio, ela inexiste na sua cabeça mesmo voce acreditando que voce esta correto. Seu texto é compleamente sem nexo, nem vou perder meu tempo mostrando os pontos contraditorios.
Henrique
Noto que nos editoriais e colunas da mídia existe algum espaço para o pensamento não marxista.
Mas as notícias são bastate distorcidas em favor das esquerdas. E isso não é um fenômeno novo. Produzir a quantidade de cadáveres e escravos que o socialismo produziu, quase sem sofrer critica, não podeira ser feito sem extrema ajuda da classe intelectual em geral e dos jornalistas em particular.
Quanto às críticas à esquerda, a FSP e o Estadão perderiam quase todos os leitores se não batessem em Chavez, de vez em quando, uma vez que não podem bloquear totalmente as notícias contra ele. Quanto ao lula, bloqueiam sim a maior parte das notícias contra, ou as minimizam. Se outro presidente tivesse cometido um décimo do que ele cometeu, teria caído há muito tempo.
Mas na academia, a hegemonia esquerdista reina suprema. Nem informações nem análises são sceitas contra a esquerda.
Anônimo,
Acho que você está certíssimo!
Mas será que no pouco espaço dado para as outras ideologias eles não querem justamente nos convencer de que todos os grupos estão bem representados? Ou seja, será que não deixam o "nosso lado" (se é que isso existe) falar um pouco só para que tenhamos a ilusão de que tudo vai bem?
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