quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Obama, o semi-deus, vive seu inferno astral

"Quanto mais alta a subida, maior a queda", ou ainda: "Pra baixo, todo santo ajuda", já diziam os antigos. O processo de divinização de Barack Obama está ruindo. Todos podemos imaginar as contrariedades que um presidente dos EUA têm de resolver. Este trabalho diário, essa labuta suada, esse contato dramático com a realidade está fazendo mal para a imagem de Barack Obama. Sua taxa de aprovação continua caindo vertiginosamente (veja reportagem aqui). Em pouco tempo de governo, Obama está atravessando dificuldades colossais e, principalmente, graves disputas político-ideológicas. Ele foi eleito por ter sido considerado o canditato mais apto a conduzir a economia em frangalhos, apesar disso, sua primeira atitude após o juramento foi desfazer o decreto de Bush que proibia ajuda internacional à programas que estimulavam o aborto. Não farei juízo disso agora, mas reparem que as pessoas não o elegeram para isso.

Essa atitude dura e enfática veio em um momento no qual a opinião americana está mudando a respeito do aborto. Pela primeira vez na história recente dos EUA, a maioria dos cidadãos considera-se pró-vida (vejam reportagem do instituto Gallup aqui). Além disso, Obama enfrenta dura oposição ao seu projeto de reforma do sistema de saúde, que incluia, em sua primeira versão, a criação de um órgão que decidiria quem deveria viver e quem deveria sofrer eutanásia forçada. Isso mesmo, eutanásia forçada. Sarah Palin, derrotada na disputa à vice-presidência, incendiou o debate dizendo que os burocratas de Obama poderiam decretar a morte de seu filho com síndrome de Down "por seu nível de produtividade na sociedade" (veja reportagem aqui). Depois dos diversos fracassos nas acaloradas disputas (onde o partido democrata precisou recuar da polêmica proposta), Obama gravou um discurso destinado às crianças de até 10 anos de idade, onde perguntava-lhes o que elas poderiam fazer para ajudá-lo. A campanha inclui material didático a ser distribuído nas escolas.

Qual foi a reação dos americanos? Escândalo generalizado! Lá o povo é mais politizado que aqui, e detesta que o governo fique tentando dizer-lhes o que fazer ou como viver suas vidas (se quiserem ter ideia da bagunça, leiam este artigo). O fato do presidente dirigir-se diretamente às crianças foi encarado como parte do projeto de culto à sua personalidade. Além disso, o discurso mencionava apenas a sua pessoa e, em momento algum, lembrava às crianças que elas tinham pais ou professores. A mídia esquerdista (lá há também a direitista) tentou fazer a reação das pessoas parecer manifestação da extrema direita, ridicularizando a revolta que, na minha opinião, é plenamente legítima e válida. Repare no desenho abaixo. É hilário, mas está eivado de preconceito contra a classe média americana do meio-oeste. Obama, mantendo aquela cara de santo que lhe é tão peculiar, diz: "Trabalhem bastante e permaneçam na escola." A professora, sustendo o dizer "direita radical" nos fartos seios de mulher obesa, grita às crianças: "Abaixem-se e cubram-se!"

Vejam bem: eu não torço contra a administração Obama por um motivo muito simples: eu gosto dos EUA. Morei lá por aproximadamente 10 meses e sei, por experiência própria, que o povo americano é amistoso e simpático (pelo menos na porção norte de Illinois). Portanto, não caio nesse anti-americanismo barato de sul-americanos ranzinzas com complexo de inferioridade. Mas comemoro a queda de Obama nas pesquisas de opinião. Pelo menos, até agora ele tem feito um governo excessivamente esquerdista para os padrões americanos. Apesar do farto apoio da mídia democrata, ele não está conseguindo manter a sua imagem intocável ao meio de tantas brigas horríveis que ele próprio está estimulando! Espero que o seu pessoal de marketing mande ele baixar um pouco a bola e governar mais ao centro. Quem sabe ele até consegue promover uma bela reforma no sistema de saúde? Tomara que isso seja possível. Todavia, enquanto sua proposta contiver absurdos como o extermínio de inválidos, tomara que sua popularidade continue despencando.

0 comentários: