sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Lula que tão bem conhecemos

Sabe o Lula? Pois é, no fundo nós o conhecemos. Só não gostaríamos de atribuir a ele coisas que lhe caem tão bem, não é verdade? Pois hoje o Reinaldo Azevedo colocou, em seu blog, um trecho de uma entrevista de um antigo militante do PT. Como é por demais importante o texto como um todo, reproduzo-o inteiramente aqui. Vocês precisam saber quem é o Lula - aliás, precisamos compreender a dimensão do atos de sua personalidade deformada - ele mesmo já estamos cansados de saber quem é.

DIAS SÓRDIDOS

É, meus caros leitores… Encarem este post até o fim!!!

Permito-me abrir este post verdadeiramente espantoso com algo que escrevi aqui há menos de uma semana: não me interessa a vida privada de homens públicos, a menos que ela esteja em contradição com a sua pregação e com as escolhas políticas que anunciam. Dito isso, adiante.

Vocês sabem quem é César Benjamin? Então começo por sua biografia sintetizada hoje na Folha de S. Paulo:
CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

Como se nota por sua biografia, Benjamin — conhecido por Cesinha — não é alguém por quem eu nutra qualquer simpatia ideológica. No arquivo, vocês encontrarão várias referências a ele e também à sua editora, que publica bons livros. À diferença do que dizem, sei manter divergências civilizadas com civilizados. Adiante.

A Folha publica hoje alguns textos sobre o filme hagiográfico “Lula, O Filho do Brasil”. Benjamin escreve um longo depoimento — íntegra aqui — em que narra todos os horrores que sofreu na cadeia, preso que foi aos 17 anos. Entre outras coisas, e sabemos que isto é tragicamente comum nas cadeias brasileiras até hoje, foi entregue para “ser usado” pelos presos comuns, o que, escreve ele, não aconteceu. E faz um texto que chega a ser comovido sobre o respeito que lhe dispensaram na cadeia.

Depois de narrar suas agruras, interrompe o fluxo da memória daquele passado mais distante para se fixar num mais recente, 1994, quando integrava a equipe que cuidava da campanha eleitoral de Lula na TV — no grupo, estava um marqueteiro americano importado por alguns petistas. E, agora, segue o texto estarrecedor de Benjamin sobre uma reunião.

(…)
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem b*****”, (omiti o termo obsceno).

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.


Num outro ponto se seu longo texto, Benjamin comenta o filme sobre a vida de Lula e lembra aqueles que não o molestaram na cadeia:

(…)
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.


Voltei
Peço-lhes prudência nos comentários — mesmo! A política, no ritmo em que vai, está palmilhando todos os caminhos da sordidez, da abjeção, da absoluta falta de limites. Que alguém tenha notado que certas visões de mundo são úteis para vender papel higiênico expõe de modo galhofeiro e trágico o triunfo da vulgaridade: ancha, arrogante, bravateira.

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Assim age uma pessoa com a personalidade do Lula, que tal?

10 comentários:

intelektus disse...

Cara isso é serio hem?
Mas ate que se prove, não da pra ter certeza da veracidade de tal relato!

abraços!

Alan disse...

Acho que a verdadeira sordidez está no autor do blog, que reproduz uma baixaria dessas.
Até pra quem não gosta do Lula, é baixaria demais.

Henrique Rossi disse...

Pois é, não dá..

O que nos surpreende é a coerência do relato como um todo e a incrível correspondência que se pode fazer com a personalidade de Lula. Essa história combina com ele, e não combinaria com FHC, por exemplo.

Henrique Rossi disse...

Você tem razão. Omiti o termo obsceno. O resto é bom que se saiba. De qualquer forma, acho que a Folha fez bem em publicar o texto na íntegra.

Anônimo disse...

A imprensa é considerada o 4º poder ela transforma pessoas em zumbi – mata moralmente, pois acusa julga e determina à pena.
Vcs são muitos inocentes esse tipo de noticia baixa sem escrúpulo são plantadas em todo período eleitoral.
Quem viveu a primeira eleição presidencial lembra muito bem no dia em que a Globo e o Collor transformaram o lula num capeta de rabo.
Que comia criancinhas em rituais satânicos, uma filha virtual que nunca apareceu arrumada de ultima hora – e deu certo
Agora esse lunático com essa historia fabricada em redação de um jornal falido mais que se uniu ao demônio que quer ser presidente a qualquer preço.
Ou gênios – Pesquisem, procurem conhecer esse tipo de mercenário da imprensa marrom e vai descobrir que ele é bancado pelo governo de SP.
O ET DO SERRA tem esses picaretas da imprensa compradora de opinião na sua folha de pagamento.
O ET do Serra é capaz de tudo pra chegar à presidência – ele não tem limites e vale tudo até transformar a principal autoridade do país num estuprador
Ele é muito baixo, eu realmente fico enojando com esse tipo de ficção absurda pra denegrir a imagem de uma pessoa.
É muito surreal. A que ponto chegamos, vale tudo em uma corrida presidencial, até transformam pessoas em monstros.

Att: Rainon Kahuna

Henrique Rossi disse...

Rainon,

Em resposta ao que você disse e também complementando os desdobramentos que essa história teve até agora vale relembrar uma coisa e enumerar outras:

1 - César Benjamin é militante histórico da esquerda brasileira, tendo passado por diversos partidos. O seu texto, contudo, dá a entender que hoje ele trabalha para o Serra, o que é pouco crível.

2 - O publicitário , dono da agência , confirma o almoço, não nega a presença de Benjamin e afirma que o tom era mesmo de grande informalidade, apesar dele não se lembrar da colocação polêmica.

3 - O cineasta Silvio Tendler, diretor dos filmes publicitários, confirma o almoço, a presença de Benjamin e, atenção!, a frase! Contudo, ele diz que Benjamin está equivocado pois tudo não teria passado de uma brincadeira.

4 - A Folha entrevistou os companheiros de cela de Lula naquele mês de 1981. Todos confirmam a presença do rapaz do MEP, que se chama João Batista dos Santos.

5 - A história como um todo é crível desde o primeiro instante pois alinha-se perfeitamente à personalidade do presidente. Eu já havia chamado a atenção para o fato de que uma história como essa não se poderia atribuir a FHC, por exemplo. Imagino bem qual seja a diferença entre Lula e FHC. O primeiro deve fazer troca-troca até hoje, enquanto o segundo, desde a mais tenra infância, gosta de estudar. Não obstante, com o pouco de pesquisa que se seguiu à publicação do texto de Benjamin muito já se confirmou. Se a imprensa devesse ser silenciada para defender a honra das pessoas, como você propõe, praticamente nada poderia ser publicado.

6 - Já se tentou inclusive entrevistar o "Menino do MEP", mas ele afirmou que a política hoje em dia é um "mar de lama" e que o acusador comprove a sua denúncia.

O único juízo possível é que a história é crível: muito provavelmente aconteceu, o que não significa que, de fato, aconteceu, pois pode mesmo se tratar de uma brincadeira. O problema é justamente a indefinição - que os órgãos de imprensa procurem a verdade dos fatos. Por que o Lula agravado já disse ontem mesmo que tudo não passa de obra da mente de um psicopata e que, apesar disso, não iria processá-lo?

Wagner Moura disse...

Agora só João Batista dos Santos para confirmar ou não o que afirmou Lula, em 1994. Ô clima tenso.

Henrique Rossi disse...

O Reinaldo, o mesmo que escreveu este texto, colocou em seu blog outros artigos em que comenta os desdobramentos deste ocorrido. Ainda que não se confirme a tentativa de estupro, as pessoas decentes têm cada vez mais razões para repudiar Lula.

Deh disse...

Henrique, olha. Então. Você afirma que "Imagino bem qual seja a diferença entre Lula e FHC. O primeiro deve fazer troca-troca até hoje, enquanto o segundo, desde a mais tenra infância, gosta de estudar." FHC gosta de estudar e de fazer filho fora do casamento com jornalista. A diferença é que ele recebeu uma excelente blindagem da grande mídia e foi celebrado como homem decente quando resolveu reconhecer publicamente o filho, um ano (ou nem isso?) após a morte da esposa. Sabia-se do filho dele há muito tempo, e nós conhecemos bem o que houve no "caso Miriam Cordeiro" do Lula.
Acho que com relação ao caso do "menino do MEP" não se pode dizer nada a favor e nem contra Lula. Não temos prova ainda. Sordidez é comprarmos de cara a história. Não sejamos ingênuos. Conhecemos bem aquilo de que a mídia é capaz (alguém mais ouviu falar do Aécio e do caso da porrada na namorada, um mês e pouco atrás?) e não podemos cair nesse oba-oba porque querem que nos horrorizemos.
Em tempo: sou apartidária. Já votei no Serra (na época me pareceu a melhor opção para o Senado, mas como funcionária do Estado de SP sofro ao pensar nisso), já andei de estrelinha vermelha no peito.

Um abraço!

Henrique Rossi disse...

Olha Dê,

Mais uma vez não discordo de ti. Essa história já teve vários "updates" desde a primeira denúncia e, infelizmente para Lula e nós, foi repetidamente confirmada por outras pessoas - o que, não custa relembrar mais uma vez, não comprova nada.

Diante das suas colocações preciso ser mais preciso: não disse que FHC é perfeito. Apenas penso que ele é mais civilizado que Lula, que gosta de agir como um selvagem (vai ver leu Rousseau e gostou). Eu acredito na civilização, e imagino que FHC seja um melhor defensor de suas conquistas.