terça-feira, 3 de novembro de 2009

A justa medida das coisas

O pensamento não é um dado natural. Não se pode aferi-lo. Sabemos que sinapses ocorrem em nosso cérebro, mas, como estas mesmas se dão no cérebro de um cachorro, por que é que nós compomos sinfonias e eles não? Os animais agem por instinto. Todavia, o homem, apesar de ter instintos, possui a faculdade da razão, o pensar, que o diferencia sobremaneira. Um cão é sempre o mesmo, não pode ser um mau cachorro, porque, por definição, ele não é capaz de realizar escolhas. Nós, pelo contrário, ao tomarmos decisões, lançamos nosso ponto de vista sobre o mundo. Com base em nossos valores, classificamos as coisas em boas ou más. Há quem diga que, objetivamente falando, bem e mal inexistem. Será correta essa afirmação?

Oras, qualquer um que dissesse não conhecer uma atitude má em si mesma está mentindo. E se achamos que algumas coisas podem ser verdadeiramente más, é porque, em contraposição a elas, existem coisas que são boas. De modo muito resumido, pode-se dizer que quando o homem se desvia da sua real natureza ele comete os atos que chamamos maus. Quando está próximo de si, da sua realidade objetiva, o homem é capaz do bem. Reforçando mais uma vez a idéia de que o homem é radicalmente diferente dos outros seres: não há sobre a terra outro animal que possa fazer esse tipo de escolha. O homem é capaz do bem em todas as culturas do mundo.

Porém, assim como podemos afirmar que determinadas ações são superioras a outras, também podemos presumir que certas culturas são superioras a outras. Ou será que podemos achar o nazismo uma coisa linda só porque "tudo é relativo"? Ou o que dizer diante do genocídio promovido por Stálin, Mao, Pol Pot e outros? Oras, assim como cada pessoa é capaz de ser objetivamente boa ou má em uma ação, também uma sociedade ou ideologia é capaz de ser objetivamente boa ou má. Ou ainda, podemos considerá-la melhor ou pior ao compará-la a uma outra sociedade ou ideologia. Oras, dito isso, disse-se tudo.

Escolha o leitor aquela ideologia que mais lhe agrada. Só não pode negar que certas culturas são superiores a outras pois, assim, estaria negando o fundamento sobre o qual se sustenta toda a semântica: promover o bem comum. Senão, para que se fala? Oras, fala-se para construir um mundo mais justo. Os que cometem o mal estao persuadidos de que fazem o bem. Os grandes genocidas consideravam-se grandes benfeitores. Aliás, não só eles. Todos nós achamos que fazemos o bem. Forçoso nos é reconhecer que, estivéssemos mesmo todos empenhados num bem verdadeiro, o mundo nao teria tanta violencia e desamor. O problema é que as pessoas fogem da verdade.

3 comentários:

Mariana. disse...

assim como podemos afirmar que determinadas ações são superioras a outras, também podemos presumir que certas culturas são superioras a outras.

Isso é que é nexo causal exemplar. ¬¬

Não acho que existam culturas superiores. Existem sim tecnologia superior, ensino de qualidade, um proteccionismo doentio, um domínio de massas invejável... Culturas superiores, não. Assim como não existe religião mais evoluída que a outra.

Bondade e maldade nada tem a ver com superioridade, no sentido que você aborda. Ser bom, no sentido de moralidade e decência, é ser superior (embora o conceito de bom, ao contrário do que você diz, pode ser sim relativizado em muitos aspectos). Entende?

Acho também que algumas culturas inferiores não estariam em situação tão precária caso não tivessem sido tão exploradas no passado. Inclusive muitas foram exterminadas.

PS: só posso rir de você citar vários nomes de genocidas teoricamente de esquerda e se esquecer do principal, hitler.

JrezIN disse...

...ou de genocídios cometidos durante as cruzadas? milhares de inocentes queimados sob acusação de bruxaria?

...recentemente milhares de mulheres que sofrem risco de contrair AIDS por são enganadas ao serem informadas que camisinhas não ajudam a evitar contrair o vírus... outras milhares que são mutiladas (comumente conhecido como circuncisão feminina) para que não sintam prazer algum durante qualquer relação em sua vida...

...ou então milhares de casais que não podem se casar legalmente pois as massas seguidoras de certas ideologias fazem questão de impor suas próprias ideologias sobre todos a sua volta...

como vc disse, todos acham que fazem o bem... é tudo uma questão de ponto de vista. O ponto, é que não devemos reger nossa sociedade sob ideologias de grupelhos, ordas e etc, e sim baseada na razão ('pensamento lógico' para evitar interpretações erradas da palavra), justiça e busca da felicidade para todos (...cada um cuidando da sua vida no que diz respeito a crenças e filosofias).

Henrique Rossi disse...

Mariana,

Então vamos rir juntos... Olha o que eu disse:

Ou será que podemos achar o nazismo uma coisa linda só porque "tudo é relativo"? Ou o que dizer diante do genocídio promovido por Stálin, Mao, Pol Pot e outros?

Bem, Hitler não estava citado nominalmente mas, uma vez que o nazismo havia sido mencionado, por motivo literário julguei não ser necessário fazer duas menções tão diretas ao mesmo regime.

Muito me espanta uma futura advogada tão relativista. Oras, é evidente que você considera certas coisas boas e outras más, ainda que prefira dizer que não. Ao longo do dia quantas vezes você não pensa nesses termos: "Isso é legal!" Ou ainda: "Que chato!"?

Citei o nazismo para explicitar o lado cultural da questão. É evidente que há culturas superiores àquela: a contemporânea brasileira, por exemplo. Ou será que em nome da diversidade o regime Talibã deveria ser restaurado no Afeganistão? Oras, o que nos diferencia desses regimes de horror é justamente a lei: a civilização e suas instituições, senão temos a mais simples barbárie. Não concorda comigo? Tudo bem. Apenas contradiga o que acabei de dizer.

JrezIN,

Se ainda acreditássemos que bruxas existissem e que eram seres cruéis que, associando-se ao demônio, seriam capazes de nos enlouquecer ou de nos controlar ainda as estaríamos queimando - simples assim.

A questão da camisinha já foi debatida em algum dos posts pelo
Ariel e pelo Bandeirantes e Pioneiros. Ainda não trouxe esse assunto diretamente ao blog mas, pelo que li, estou convencido de que a melhor solução é sim recomendar a abstinência.

Já quanto às mulheres mutiladas serve apenas para demonstrar, mais uma vez, como há culturas superiores a outras.

A questão da homossexualidade você tem razão parcial. A questão não é proibir gays de se unirem (até mesmo porque seria praticamente inevitável), mas sim a definição do que é um matrimônio entre pessoas.

Quanto à razão, basta dizer que a noção que fazemos desse termo hoje em dia foi cunhada pela Igreja. Tanto é assim que a filosofia contemporânea precisa destruir tudo o que teve a influência eclesiástica: é, portanto, irracionalista. Leia o post sobre Nietzsche que você vai ter uma ideia.

http://www.polimatico.com.br/2009/09/friedrich-nietzsche-o-avesso-do-homem-e.html