O que foi que eu disse a respeito do filme 2012?

Em um post de junho, o primeiro deste blog, vaticinei: "Mexer com a Igreja é como mexer com o assunto mais sério disponível - tudo o mais é inscontante e passageiro. Num mundo onde tudo derrete, onde tudo é efêmero, a solidez reluz como o cristal mais precioso. (...) Quer destruir o mundo? Já sabe por onde começar. Ou você vai confiar no pajé? Roland Emmerich já fez a sua escolha: vai colher um sucesso de bilheteria." O post tratava das cenas do trailer do filme 2012 que mencionam o catolicismo. Não é apenas o Cristo Redentor que vem abaixo neste filme, não! A Basílica de São Pedro inteira desaba sobre a praça onde os fiéis estavam em oração, mandando todos eles pro beleléu. Enquanto isso um cardeal testemunhava o afresco da criação do mundo de Michelangelo, na Capela Sistina. A medida que os tremores aumentavam ele viu uma rachadura separando o dedo de Deus da mão de Adão, ou seja, a harmonia que sustentava o mundo estava desfeita - o fim havia chegado! (veja este post aqui).

Pois então, em um mundo onde homens se sujeitam a deitar-se com bonecas de plástico a solidez da Igreja impressiona. Enquantos todos gaguejam atordoados a última novidade de algum obscuro "filósofo" pós-moderno, a Igreja reina soberana sobre o caos, sempre apontando o caminho. Repetindo o texto anterior: "Destruí-la tem, portanto, mais efeito que estourar o planeta inteiro com todo o arsenal atômico disponível." Era garantia de um estrondoso sucesso de bilheteria. O que eu me perguntava, todavia, era a que ponto chegaria esse sucesso. Oras, este foi o fim de semana da estreia mundial do filme, e já no meio do domingo os executivos de cinema fazem projeções bem precisas sobre o resultado que, no caso em questão, foram absolutamente fabulosos. 2012 é simplesmente a maior estreia da história do cinema de filme não baseado em heróis em quadrinho ou franquia já estabelecida (veja reportagem aqui). Ou seja, fora os Homens-Aranha e os Harry Potters da vida, 2012 chegou ao topo, ao ápice.

Quando isto ocorre, os executivos correm pedir mais cópias do filme aos laboratórios. Afinal, sabem que se seguirá uma vigorosa carreira nas salas de exibição. Verifica-se o fim da relutância de Hollywood em falar no catolicismo, bem o confirma o atual 2012 e também os filmes baseados nos livros de Dan Brown. Será que os executivos estão cansados de resultados pífios de bilheteria? Porque, convenhamos, fora os filmezinhos de heróis em quadrinho e Harry Potter, Hollywood não está dando uma dentro. É fracasso atrás de fracasso. O último sucesso estrondoso havia sido, muito ironicamente, A Paixão de Cristo. Será que essa gente não se cansa de jogar dinheiro fora não? Pelo visto estão começando a se cansar e, ainda que a contragosto, parecem estar se rendendo à eterna mina de ouro: Roma. Não há produto que se tenha alinhado ao catolicismo que não tenha sido bem-sucedido.

A religião católica estava afastada da mídia por puro ódio da parte dos executivos de comunicação que, ao contrário de muitos leitores desse blog, sabem muito bem que falar em alguma coisa é o mesmo que a colocar em evidência. Por horror ao catolicismo evitavam ao máximo mencioná-lo. Pelo visto, as dificuldades econômicas sofridas pela indústria cinematográfica com a crise financeira internacional fizeram acender a luz vermelha: "Parem de fazer propaganda ideológica e comecem a vender!" O resultado está aí: o maior sucesso da história recente do cinema. Mas sei que não devo me empolgar. Tão logo capitalizem-se, voltarão a apostar nos produtos de sempre: propagandas vagabundas das ideologias da nova-era (marxismo, hedonismo, abortismo e, mais recentemente, ateísmo). Em tempos de crise, recorrem ao que é líquido e certo. Quando voltar a bonança, retornarão ao autoritarismo ideológico de sempre.

24 comentários:

Eu disse...

Jesus não nasceu em Roma, o catolicismo sim.

Henrique Rossi disse...

hehehe Os seus comentários são legais. Bastante intrigantes, isso sim. Estou curioso para entendê-los melhor.

Se ao dizer que Jesus não nasceu em Roma, mas o catolicismo sim, você deseja indicar que entre o primeiro cristianismo e a religião romana há uma descontinuidade você está seriamente equivocado. Não há descontinuidade nenhuma. Os primeiros cristãos são os católicos.

Eu disse...

Jesus puro é uma coisa, Igreja + Roma é outra, outras convenções, outras vestimentas, cerimônias...

Henrique Rossi disse...

Então, por isso que é ruim conversar sem referências bibliográficas. Note bem o que eu te respondi anteriormente: "Se ao dizer que Jesus não nasceu em Roma, mas o catolicismo sim, você deseja indicar que entre o primeiro cristianismo e a religião romana há uma descontinuidade você está seriamente equivocado."

Por quê? Porque Roma é a continuidade direta da herança dos apóstolos. Não estou escrevendo ficção. Mas hoje em dia parecem muito populares as teorias da conspiração que querem ver no catolicismo a traição do cristianismo original quando, na verdade, essa história está fartamente documentada e demonstra o exato contrário!

Esse seu último comentário está muito pobre e equivocado.

FelKan disse...

Eu quero ir ver... mas filme pra mim só tem um propósito: diversão! Nada mais...

Henrique Rossi disse...

Felkan,

Lembrei-me do próximo grande sucesso de Hollywood (ao menos assim espero): Avatar. Bastou o James Cameron perder a preguiça de trabalhar para este filmaço entrar em produção.

Eu disse...

"Porque Roma é a continuidade direta da herança dos apóstolos."

Roma é a continuidade não se tem dúvida disso. Assim como existe a continuidade do Highlander 1 que são duas belas porcarias porque não fazem jus ao original.

Compreendeu?

Não estou dizendo que a Igreja de Roma é de todo mal, mas é visível que a Filosofia Cristã não é 100% a representação do Catolicismo Romano. Existe muita coisa que foi modificada em Concílios, como se o Cristianismo puro pudesse ser modificado. Não pode. Aquilo que é perfeito não precisa de modificação.

Henrique Rossi disse...

Concílios? Sei... Os concílios reafirmaram as verdades da doutrina cristã contra as heresias! Ou você preferia que a Igreja tivesse se calado diante do monofisismo, por exemplo? Que afirmava que Cristo fez um teatrinho na Cruz porque, sendo excluisavemente divino, não poderia ter sofrido fisicamente?? Oras, foi um concílio que refutou essa bobajada.. Essa e muitas outras...

Eu disse...

Não critico que você queira defender a sua fé católica apostólica romana, mas isso não significa que ela seja 100% Cristã.

Henrique Rossi disse...

É pelos frutos que se conhece a árvore. Ou você acha que o Espírito Santo é um espírito de desunião e desordem?

Eu disse...

Se é pelos frutos que se conhece a árvore, passagem que se lê muito no Bíblia, todas as pisadas de bola da Igreja de Roma (frutos podres?) seriam a comprovação de que ela é apenas uma versão do cristianismo, mas não o cristianismo em si, que foi o próprio cristo.

Henrique Rossi disse...

Mais um leitor a quem tenho de ensinar o bê-a-bá... Cadê as referências bibliográficas, Eu? A Igreja inventou o mundo ocidental, desenvolvendo o saber e a caridade. Tudo o que se tem por bom hoje em dia foi ela que, com muito custo, implementou. Tanto é assim que, para reinventar um outro mundo, é preciso destruí-la antes, razão pela qual seus inimigos atacam-na por todos os lados.

Eu disse...

Porque você me pede referências bibliográficas se você nunca as cita? A igreja inventou o mundo ocidental? Você se orgulha do Mundo Ocidental? Eu não. E outra. A Igreja enquanto “organizadora da humanidade” só o fez por conta do poder, da intimidação, da utilização da idéia de que detém o poder divino, como se deus não tivesse feito as suas leis muito antes do planeta Terra existir. O mundo precisa ser reinventado, reconstruído. Tanto tempo de igreja católica e o mundo continua preconceituoso, burro, hipócrita e ignorante. Sou pela reinvenção da sociedade.

Anônimo disse...

É A MARIANA!

Acho que Titanic ganha fácil em matéria de bilheteria (e em filme também, aliás).

Eu disse...

Com quem você está falando?

Henrique Rossi disse...

"Eu",

Veja bem, não havia publicado antes o seu comentário porque no momento em que o li tive o desejo de responder direito, como que numa tentativa de esclarecer a questão. Mas, hoje, sei lá, chego à conclusão que não preciso perder meu tempo com este tipo de discussão. Porém, fique sabendo, você está errado(a), e eu certo. Quanto a liberar ou não comentários a questão é simplérrima: o blog é meu - publico aqui somente o que eu quiser.

Henrique Rossi disse...

"Eu",

Veja bem, não havia publicado antes o seu comentário porque no momento em que o li tive o desejo de responder direito, como que numa tentativa de esclarecer a questão. Mas, hoje, sei lá, chego à conclusão que não preciso perder meu tempo com este tipo de discussão. Porém, fique sabendo, você está errado(a), e eu certo. Você pede fontes bibliográficas.. No meu caso é simples: todas... Ou seja, qualquer livro sério de história.. Você não sabe do assunto...

Quanto a liberar ou não comentários a questão é simplérrima: o blog é meu - publico aqui somente o que eu quiser.

Henrique Rossi disse...

"Eu",

Quando você tiver argumentos eu publico os seus comentários, ok? Se vai ficar só na agressão gratuita e despropositada irei bloqueá-los.

Eu disse...

Aí é que está, você está apenas querendo se enganar. Seus artigos nunca apresentam referência bibliográfica. E outra, do que adianta a referência bibliográfica se a obra não sintetiza a verdade? Garanto que em se tratando de Igreja, você não vê um único defeito nela. Você já está tão envolvido pelo sistema católico que não consegue perceber nenhuma contradição que se mostre a sua volta. Não te chamaria de caso perdido, porque acredito que as pessoas podem se modificar a qualquer momento, mas você está quase lá. E em nennum momento eu te agredi. Você é que agride os seus leitores ao ignorar o que eles pensam. Totalitário. Sinto muito, mas é a sua maneira de agir. Parece até um comunista.

Deh disse...

Henrique, só gostaria de intervir pra comentar algo com que discordo. Dizer que "todo livro sério de História" sabe que "a Igreja inventou o mundo ocidental, desenvolvendo saber e caridade", é ignorar o desenvolvimento do conhecimento dos gregos e romanos. Você poderia afirmar, sem prejuízo algum à correção histórica, que a Igreja criou o mundo judaico-cristão ocidental como se conheceu do final do Império Romano pra frente. Mas, por favor, não ignore gregos e romanos (estamos falando de mundo ocidental, então não ouso mencionar árabes, por exemplo). Também há que se mencionar toda a restrição ao conhecimento operada pela Igreja Católica em um momento em que a ciência se desenvolvia fortemente fora da Europa. Então a Igreja Católica desenvolve um saber mais circunscrito a seus princípios do que "amplo" ou "universal".
Um abraço!

OBS: Antes que você me questione: sou historiadora, professora de História e bibliotecária. Lido bastante com história do conhecimento, educação, cultura e arte, são minhas áreas de trabalho preferenciais desde a primeira graduação (História).

Henrique Rossi disse...

Deh e "Eu",

Não tenho entrado muito no blog, por isso a demora em aprovar os comentários.

Deh,

Gostei muito do seu comentário. Você está coberta de razão em tudo o que disse! Sendo historiadora, confirmou meus pontos de vista. Veja, não nego a fortíssima influência greco-romana no Ocidente. O único porém é que, conforme já escrevi uma vez para o André T., a Igreja fez a "seleção artificial" da herança antiga. Se puder usar as teorias darwinianas como metáfora para o mundo das ideias acho que a coisa aconteceu da seguinte forma: com o advento do cristianismo e seu posterior fortalecimento, assim que se tornou a força preponderante, ele selecionou artificialmente o quê do mundo greco-romano poderia continuar. As termas, por exemplo, foram extintas.

Quanto ao momento em que outras civilizações estiveram tecnologicamente acima do Ocidente mais uma vez você está certa. Mas isso não ocorreu por uma intervenção negativa da Igreja. Durante aquele momento histórico (alta idade média), havia o sério risco de desintegração do Ocidente, que era continuamente atacado pelos árabes ao sul, e pelos bárbaros não-cristianizados ao norte. Durante este período extremamente sombrio o analfabetismo dominou. Foram raríssimos os mosteiros que conservaram os livros da antiguidade (momento da seleção artificial). Sabemos que a Igreja sempre fomentou o saber, a pesquisa, etc. Assim que uma região atingia a estabilidade política a Igreja logo abria seminários, faculdades, etc. Não podemos, portanto, esquecer a belicosidade do período, senão ficamos com nosso entendimento prejudicado. Obrigado pelo excelente comentário.

"Eu",

comentário publicado, satisfeito(a)?


Faltou responder à Mariana! :)

Sim, Titanic é um fenômeno! Pena que filmes como ele não se repitam...

Henrique Rossi disse...

Atualização:

Nunca subestime o poder dos vampiros: Lua Nova acaba de bater o recorde de estreia!

FelKan disse...

Pois é... Esse filme de vampiro aí é até legal, mas estou impressionado com o rumo que tomou...
Só na banca de jornal tem umas 10 revistas (no mínimo) sobre o assunto, e já faz um tempo isso...

Henrique Rossi disse...

Eu só me esqueci que este é o segundo filme da saga. Ou seja, escapa ao padrão que eu quis comentar: filmes que não sejam baseados em heróis em quadrinho nem continuação de franquias.. rs..