Já não é de hoje que eu tenho a opinião de que a virgindade continua popular entre as mulheres, não entre todas é certo. Mas para uma percentagem considerável das damas chegar virgem ao matrimônio é importante. Volta e meia sinto-me equivocado. Outras vezes acho-me correto. Vejamos em qual estado me encontro hoje.
Acabo de ler um texto no blog de um articulista do Estadão, Marcelo Rubens Paiva, no qual ele comenta o fenômeno Crepúsculo (original aqui). Assim como eu, ele desconhecia as razões do sucesso destes livros e filmes. Todavia, se Paiva estiver certo, a saga faz sucesso por um motivo muito nobre: seus heróis são virgens e esperam o casamento para maiores aventuras. Para ele os jovens da atual geração são mais conservadores do que no passado, por isso identificam-se com produtos menos liberais em matéria sexual. Como não conheço ninguém que tenha lido um livro desta série restam-me somente as colocações dele.
O que me impressionou no texto foi a sua demonstração de profunda ignorância em matéria moral. Vejam esta pérola: "O livro-filme é adotado pela onda conservadora que varre a nova geração, que retoma o tabu da virgindade." Tabu? Ele escreveu mesmo isso? Desde quando virgindade é tabu? Se ele não sabe vale relembrar, tabu são temas proibidos, como, por exemplo, o incesto. Lembro-me agora da minha professora de antropologia que tão insistentemente chamava nossa atenção à universalidade desta característica: todos os povos tem proibições sexuais, geralmente baseadas em graus de parentesco, sem exceção. Isso é tabu: a proibição de se tocar em determinado assunto. Virgindade é o oposto disso: fala-se sobre ela o tempo todo. Apesar da pretensa liberalidade ocidental em matéria de sexo, a castidade é admirada em todos os lugares. Quem não se surpreende diante de uma pessoa verdadeiramente pura? Ainda que a virgindade não seja algo que venha escrito na testa de ninguém, ela não é algo que se consegue esconder completamente - a pessoa traz no olhar a inocência e a falta de malícia. Esse desejo muito forte que alguns sentem em zombar dessas pessoas demonstra a sua visão de mundo destorcida: já que elas próprias não são puras, precisam comprovar que todos os outros compartilham da mesma imundície que ela.
É como o petista que acha que todos são corruptos. Ou seja, já que ele próprio está sujo, para sentir-se bem tem de apontar a impureza alheia a todo tempo e, caso encontre alguém surpreendentemente limpo, fica logo ardendo de desejo de descobrir a verdade oculta: "Aquela pessoa tão digna é só uma falsa pudica, uma hipócrita, uma recalcada, afinal, todos tem de ser tão sujos quanto eu!" Não consigo acreditar que uma pessoa que pense assim verdadeiramente preza pela diversidade de modos. No fundo, todos aqueles que desejam ser os outros iguais a ela são totalitários. Pessoas verdadeiramente tolerantes aceitam as diferenças: suas únicas restrições são justamente àquelas pessoas que não admitem a variedade de opiniões. Que os mais jovens estejam menos safados ao ponto da indústria cultural estar aproveitando essa característica como filão de mercado não deixa de surpreender. Depois de tantas décadas com a televisão educando as crianças seria de se esperar menos inocência e mais safadeza. Não é incrível que o ser humano ainda possa surpreender?
Para concluir, vejam como o autor do Estadão finaliza seu texto: "Ainda bem que vim de outra geração." Não poderia discordar mais dele. Penso o exato oposto: pena que vim de outra geração - esta atual será mais feliz.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
As jovens virgens e os velhos tarados
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12 comentários:
Porque o sexo é impuro?
Porque o casamento católico é divisor de águas entre sexo puro e sexo impuro?
As pessoas que não são católicas sempre que fazem sexo estão fazendo safadeza?
Porque as damas tem que chegar "puras" ao casamento católico e os homens não?
Você está mais certa do que imagina.
Ao questionar estas coisas você as está colocando em dúvida. Pois bem, você faz muito bem em colocar essas coisas em dúvida porque, de fato, nenhuma delas está correta.
O matrimônio cristão nunca foi divisor de águas de coisa nenhuma. Tanto é assim que, durante a tremenda expansão em África do catolicismo, João Paulo II teve de lidar com a questão dos casamentos multigâmicos. Decidiu-se que o homem casado com mais de uma mulher tinha de se ater à primeira esposa e continuar colaborando com a subsistência das demais e, obviamente, cuidar de todos os filhos.
Além do mais, é claro que a mesma severidade de princípios se aplica aos homens! hehehe Coisa que muito marmanjo por aí preferiria nem imaginar. Essa falsa licenciosidade masculina é fruto de uma sociedade machista, que considera a mulher uma posse do homem. Isso é ridículo, precisa acabar o quanto antes.
hahaha Nunca ia publicar uma coisa daquelas, Ariel...
e viva a ditadura e a censura crista.
Eu estava esperando que você dissesse isso mais uma vez. Mas ocorre o seguinte: você não está censurado a escrever o que bem entender. Além do mais, não há nenhuma ditadura que te impeça de escrever o que você bem quer. O que eu acredito que ocorre contigo é uma confusão de espaços. Cada um tem direito ao seu espaço, onde é livre para permitir nele o que bem entender.
O catolicismo não condena a poligamia?
Como não sei exatamente o que você entende por "condena" acho melhor dizer que o catolicismo proibe a poligamia aos seus fiéis. Como consequência da conversão de vários polígamos ao catolicismo a Santa Sé precisou estudar qual a melhor resposta às necessidades espirituais daqueles povos. Evidentemente os homens casados com várias mulheres não puderam dar continuidade aos diversos relacionamentos mas, até onde eu sei, a Igreja exigiu que eles cuidassem dos diversos filhos.
acho que a visão sobre o filme está distorcida, henrique: a garota é virgem sim, mas ela passa a imagem de que está completamente louca pra acabar com isso. O vampiro é quem não quer.
Bom, você disse que o casamento não é o divisor de águas entre o sexo impuro e o puro. Mas isso é meio contraditório, já que a Igreja proibe relações sexuais entre solteiros, não é? O que pra mim também é uma falácia, já que o que deveria ser valorizado é o amor existente entre as pessoas, independente de elas estarem casadas ou não. Até porque, antigamente (ainda ocorre, mas antes era mais comum), muitas pessoas se casavam por uniões arranjadas muito antes delas nascerem, ou ainda os noivos se conheciam na véspera do casamento. O que significa que de nenhum modo eles estavam apaixonados ou tinham qualquer expectativa de se amarem.
E mesmo assim, sem amor ou intimidade, eles faziam sexo, por obrigação.
Se deus existe mesmo, acho que ele não se deixaria enganar desse modo.
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Quanto a valorização da virgindade, devo discordar no que tange aos homens. Enquanto as mulheres devem permanecer 'puras' e são valorizadas por isso, o mesmo não se aplica ao sexo masculino, não com a mesma intensidade (as vezes é bem o contrário, pra falar a verdade). Pelo menos na prática não é assim, não se iluda.
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Por fim, nem preciso dizer o quanto discordo da associação entre virgindade e pureza. Acho que pureza deveria ser ligado ao caráter, aos valores morais de alguém. Não ao hímen. Sei lá.
mas também sou contra aqueles que ridicularizam alguém só por conta da sua opção pela virgindade. Acho realmente que cada um deve ter seus espaços respeitados.
Mariana,
Achei legal o seu comentário. Você não está errada não.. Da forma como você colocou está tudo certo. Quanto à visão católica do matrimônio, extremamente vinculada à mesma ideia de amor que você invocou, o melhor mesmo não é confiar neste textinho minúsculo. rs.. O catecismo oficial explica direitinho, tim-tim por tim-tim. rss.. Se te interessar, aqui vai o link:
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap3_1533-1666_po.html#ARTIGO_7_
já aviso: é grandinho, hehehe
catecismo é idiota.
been there , done that.
assim como qualquer ritual religioso.
mas valem duas maos trabalhando que duas mil rezando.
Você não passa sem uma provacaçãozinha né, Ariel? rs..
realmente concordo com a mariana
pureza tem tudo a ver com carater e poder de escolha.
escolher sabiamente o que e certo e nao prejulgar ninguem por suas escolhas pessoais respeitando as diferenças.
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