Ligue para a redação da Folha de S. Paulo e pergunte: "o seu jornal é isento?" O jornalista vai jurar de pés juntos que sim, e, para prová-lo, vai dizer: "Expressamos nossa isenção publicando textos de articulistas das mais diferentes correntes ideológicas." Pronto. Segundo o jornalista, a publicação onde trabalha é isenta porque publica opiniões muito diferentes entre si. O Estado de S. Paulo já se permitiu até mesmo texto de prof. da USP elogiando o terrorismo como alternativa política viável (artigo aqui). Em nome da diversidade, é certo. Vocês acreditam nisso? Não será que há uma linha editoral norteando uma certa visão institucional? Ou seja, não será que, independentemente dos textos dos articulistas, o jornal, por si só, não tem uma opinião muito própria, ainda que se proponha 100% isento?
Estou dizendo que desconfio muito desse papo de isenção. Acho que isso simplesmente não existe. Querer mascarar a linha editorial é um recurso muito discutível, porque esconde algo que deveria estar explícito. Pensem bem. Vocês acham legal pagar pela assinatura de um jornal para descobrir somente após vários meses que, no fundo, o jornal tem sim opinião e toma partido sim senhor? Não é muito mais honesto que o jornal se apresente simplesmente como seu dono quer que ele seje? Por tudo isso, prefiro muito mais a polêmica Fox News, que não tem medo nenhum de tomar partido, à CNN, que, em nome da tal isenção, esconde do assinante a sua profunda ideologia marxista, conforme várias vezes descaradamente demonstrado por seu dono, Ted Turner, que duvida que o regime de Fidel Castro tenha mesmo executado dissidentes conforme o próprio governo cubano noticiou.
Da forma como vejo, trata-se de uma questão de honestidade. Se um meio de comunicação não é honesto com quem paga pelo serviço prestado com quem mais ele o será? Ou seja, se um jornal esconde daqueles que pagam pela sua assinatura o fato de que possui sim linha editorial é de se imaginar o mau-caratismo com que é gerido. O melhor é ser simplesmente honesto: "Aqui no veículo X norteamos o nosso trabalho segundo a ideologia Y, pois assim manda o patrão, e eu, que sou empregado, simplesmente obedeço porque preciso do emprego para pagar minhas contas." Simples, verdadeiro, honesto e objetivo, como todo jornal deveria ser.
Isenção: história pra boi dormir
Marcadores: Jornalismo irresponsável, TelevisãoPostado por Henrique Rossi às 12:31
Assinar:
Postar comentários (Atom)
4 comentários:
Jornalista tem que noticiar, comentarista, colunista, articulista é diferente de jornalismo.
Não é isso.. Assim pensam os ideólogos do PT que imaginam a mídia como um serviço de notícias.
Sempre que uma notícia é dada outras são colocadas de lado. Só no escolher qual notícia será veiculada já há ideologia.
Que dirá então na notícia em si.
Besteira completa isso que você falou...
Defina mídia.
Defina jornalismo.
Defina colunista.
Compre o Aurélio.
Postar um comentário