Onde foi parar Gregory House?

Sabem o Dr. House, aquele da famosa série de TV? Eu o conheci em Niterói, no curso de psicologia da Universidade Federal Fluminense, no tempo em que ele era somente professor universitário. Sabem o famoso estilo desafiador, sem papas na língua? Exatamente. Aquele mesmo que, quando desafiado por uma ideia equivocada, destruia o infeliz que a havia pronunciado sem dó nem piedade. Esse! E o fazia com que intenção? A melhor de todas, a mais libertadora: a cura! Para House, o que importava mesmo era curar as pessoas, ainda que isso levasse a maus-entendidos, ainda que o paciente reclamasse do "remédio" ou das dores. Curar alguém não equivaleria, segundo House, a adulá-lo, encher-se de compaixão por ele. Curar um doente significava, necessariamente, a máxima impiedade com a doença, que, para o bem do doente, precisa ser radicalmente extirparda, ainda que a sua extração cause dor. A impiedade de House era, portanto, um tanto falsa, pois ele sempre a utilizava com a melhor das intenções, ou seja, para além das aparência, ele se movia sempre por motivos "piedosos".

Já viram a tal bengala? Farsa. Enquanto House lecionava em Niterói ele nunca precisou de uma. Sua necessidade era outra: um daqueles chapeuzinhos tortos dos franceses que eu não conheço o nome, coisa de gente alternativa - que bobeira. Seu nome em terras fluminenses era outro: ele se chamava Clauze antes de atuar nos EUA. Então, quando Niterói não já poderia mais satisfazer sua inquietação, ele inventou outra farsa (uma doença incurável) e resolvir "partir". Mas eu sei que ele só mudou de endereço. O estilo continua o mesmo. A impiedade com o erro continua igual. House sempre foi um tipo meio misterioso, do qual pouco se conhece. Mal consigo imaginar as razões que o levaram a se mudar para os EUA. (Melhores salários?) Nos seus alunos ficou uma saudade avassaladora. Depois que ele se mudou, liguei várias vezes para o seu telefone, só para ouvir o recado que ele deixou gravado na secretária eletrônica da operadora.

Por bastante tempo aquela gravação esteve lá, intacta, com o mesmo estilo inconfundível. A operadora de telefonia recentemente deletou a mensagem do sistema. Quando disco aquele número não caio mais na gravação. Tampouco alguém atende. Acho que dá uma mensagem de número inexistente. Por quê? Custava tanto manter o recado lá, intacto? Se o número não foi vendido, se não está sendo utilizado por ninguém, por que apagar a humilde mensagem, jogando-a no nada? Que resta do Clauze, digo, House? Será que dele só terão ficado lembranças? Todas aquelas aulas fantásticas hoje existem apenas na mente dos seus ex-alunos? É tão pouco, é tão rarefeito. Tivesse ele ficado um pouco mais entre nós eu ainda poderia brigar com ele (sempre fui corajoso), questioná-lo, enfrentá-lo e (suma coragem) contrariá-lo! Não mais. Hoje, alguns anos após sua partida, só ficou dele uma névoa difusa e persistente.

2 comentários:

João Paulo disse...

caro amigo,
julia, minha namorada, conhece uma garota muito fã do clauze,jenifer de paula. acho q a jenifer teve aula contigo no ichf
aliás, a própria julia tb!
espero q o salgueiro conquiste seu segundo bicampeonato
abração

Henrique Rossi disse...

Grande João Paulo!
Olha, você viu meu texto sobre os sambas? Acho que o Salgueiro vem forte! :) Como ninguém fez este enredo antes???

A Julia e a Jenifer eram alunas de psicologia?

Obrigado pelo comentário e Feliz Ano-Novo!