O episódio da Uniban não foi notícia no Jornal Nacional mas ganhou a boca do povo nos últimos dias. A Mariana, leitora do blog, logo questionou quando eu faria um texto sobre o assunto. Pensei comigo: "Assim que o assunto estiver afiado", ou seja, quando pudesse traduzir em palavras o pensamento que tive. Ocorreu que muitas pessoas desembestaram a dar uma opinião apressada. Poucas vezes vi um assunto despertar tantas paixões. Porém, assim como no caso das Olimpíadas, só me arrisco a escrever sobre algum assunto quando sinto que tenho a algo a dizer, senão prefiro silenciar-me. Agora que a inspiração bateu, vamos lá.
O que achei do incidente? Uma tremenda barbaridade! Pelo que vi no YouTube não tenho a menor dúvida do que faria naquela situação: mal conseguiria conter minha surpresa diante de tamanha loucura. Alunos saindo da aula para xingarem uma moça de puta?! Ainda que ela estivesse nua isso não era válido! Tornou-se nítida a diferença entre os alunos de universidades públicas e particulares. Aparecesse na Federal Fluminense uma moça com os mesmo trajes jamais isso teria ocorrido. O que se testemunhou ali foi um irracionalismo absurdo, uma violência estúpida, um fascismo debiloide - uma verdadeira multidão unida contra uma só mulher acuada e indefesa!?
Este foi o mal maior. Porém posso (devo) afirmar que ela não estava vestida de uma forma adequada ao ambiente frequentado, tanto que desviou a atenção do assunto real: ensino e aprendizagem! Sim, ela vestiu-se como uma protistuta (os que procurarem vídeos que mostram como ela estava vestida verão por si próprios). "E as mulheres de bikíni, vestem-se como?" Oras, uma mulher de bikíni também está trajada como uma prostituta, mas há uma diferença importante: no caso da estudante da Uniban, a vestimenta é como que a embalagem com a qual as putas se vendem (somente se entrevê o "produto"); no caso do bikíni, é vestimenta de trabalho mesmo, se é que vocês me entendem.
"Ah! Assim você nunca vai arrumar qualquer mulher!" Justamente! Nunca disse que estou procurando qualquer mulher. Procuro a mãe dos meus filhos, o que é bastante diferente. Estou me lixando para os consensos sociais, sejam eles esquerdistas ("tudo é relativo") ou fascistas ("essa p*&@ tem mais é que se f*^&%"). Não me avalio pela opinião alheia. Pauto minhas decisões baseando-me tão somente na minha própria opinião. É isso que irrita muitas pessoas: enquanto permito-me ser eu mesmo, elas, que se esforçam dia e noite para agradar os outros, ficam revoltadas quando encontram alguém que faz tão somente o que quer. É a diferença entre a liberdade e a escravidão: alguns gostam dos grilhões.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A minisaia da Uniban e o bikíni
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O tipo de homem que as mulheres preferem
Ou seja, generalizações são necessárias para simplicar a comunicação, ainda que contenham afirmações perigosas e imprecisas. Feita esta ressalva, arrisco-me a fazer a seguinte generalização: os maiores partidos são os homens de direita. É simples entender porquê - direitistas são fiéis, se a namorada engravidar ele não vai forçá-la a um aborto, quando casam é porque realmente gostam da mulher e querem passar a vida inteira ao seu lado, valorizam a família - gostam de proporcionar uma boa condição de vida para sua esposa e filhos - por isso são excelentes trabalhadores, são firmes, decididos e corajosos. E os homens esquerdistas, como são? Depois de escrever o texto em que satirizo o modo das mulheres esquerdistas se vestirem, perguntou-me a amável Dê o modo como se vestem os homens dessa mesma ideologia. Respondi-lhe: "Sei lá. Nunca reparei como se vestem os homens esquerdistas. Deve ser algo meio Caetano, uma coisa... assim, profunda, sabe?" Pois é claro: esquerdistas se borram de cocô diante da paternidade, como são mais "sensíveis" tendem a ter mais conflitos existenciais, são mais hesitantes e, por isso, mal-sucedidos, não valorizam o sucesso pessoal - vivem de utopias, sabem reclamar do FMI mas não gostam de trabalhar, inseguros - gostam de experimentar "coisas novas" - uma lástima! São, como tantas vezes disse a anônima do post das mulheres esquerdistas, projetos de homem, loosers!
Parece-me que sempre consigo ser mais politicamente incorreto que antes, e isso é muito bom para incitá-los a pensar - levá-los ao sadio questionamento das verdades que foram para vocês preparadas. Não há problema em aderir a qualquer verdade que se deseje, mas que o façamos com consciência! O problema é que sempre caímos na malha do politicamente correto por desejo de aceitação. Não nos lembramos que, para sermos felizes, precisamos ser nós mesmos, pessoas autênticas e verdadeiras, íntegras!, de uma cara só. A esquerda, fã da modernidade, odeia esses valores "burgueses". Para eles vale só o relativismo absoluto, um paradoxo infinito! Se é relativo não pode ser absoluto, mas é assim que essa gente pensa! Não é à toa que são péssimos pais: lenientes, despreocupados - para eles família é uma constituição burguesa. Casar pra quê? Compromisso pra quê? Nada contra curtir, mas fazer da própria vida uma eterna curtição é uma estupidez que só levará à uma profunda infelicidade, pois a realização não está em satisfazer o estômago, mas a alma!, ou, àqueles que preferem termos com menos conotações religiosas, o interior! Quem vive da opinião dos outros não é livre, é escravo! É um desgraçado que quanto mais se esforça por agradar outrem mais miserável é. Acordem pra vida! Ainda que eu só escrevesse "besteiras" (o que não me parece ser o caso), se pudesse ferir a consciência de vocês, forçando-os a uma auto-crítica que nunca se fizeram, teria plenamente realizado os meus mais altos objetivos.
Fumar crack deve ser uma delícia!
Sou um sujeito de poucas certezas - dentre elas poderia mencionar a seguinte: sem sombra de dúvidas o samba-enredo é o maior gênero musical já criado pela humanidade. Outra que estou desenvolvendo é esta: fumar crack deve ser uma delícia incomparável! As pessoas que já experimentaram as tais pedrinhas falam dela com respeito religioso! Deve dar um curto-circuito no cérebro equivalente a conquistar a pessoa amada no mesmo dia que ganhar na Mega-Sena. Afastem-se delas!
O Jornal Nacional tem feito essa semana uma série reportagens sobre a seriíssima condição dos doentes mentais no Brasil. Tudo após o infeliz assassinato de uma jovem de 18 anos por seu namorado fumante de crack. Que dizer? Em nosso país a saúde mental está completamente abandonada! Se o sujeito precisa de um transplanta de coração ótimo! Basta entrar na fila e esperar. Mas se precisar de uma simples internação psiquiátrica ele não a terá, pois o SUS não as oferece em lugar nenhum!
É uma situação absolutamente vergonhosa. Somente os ricos tem acesso a um tratamento normal. Aos pobres são relegados medicamentos forte e ultrapassados, cheios de efeitos colaterais. Nos casos mais sérios, estamos cansados de saber que os parentes acabam precisando trancar os doentes como bichos! Fico com a garganta embargada só de pensar no desespero de quem precisa tomar essa atitude extrema! O pior é que se não há tratamento adequado isso se faz efetivamente necessário!
Em uma das reportagens, o Jornal Nacional confrontou um prof. doutor da Unifesp com o responsável pela saúde mental do Ministério do débil José Gomes Temporão, que só quer falar de camisinha, putaria e aborto. Se seguiu Fernando Henrique na economia (inclusive dando rios de dinheiro público para banqueiros), na saúde Lula resolveu fazer as coisas de um jeito próprio, o que não certamente não poderia terminar bem! Assistam vocês mesmos e tirem suas próprias conclusões sobre quem está com a razão.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Quero morar na propaganda do Governo da Bahia!
Mal vejo a carranca feiosa do Jaques Wagner, Governador petista do Estado da Bahia, já sinto os pés fugindo-me ao controle. Um ritmo mais contagiante que os lerelês de Ivete Sangalo vai tomando conta da minha imaginação. É uma sensação tão intensa que o mais agitado carnaval soteropolitano não lhe faz par! Vou logo imaginando umas crianças sorridentes, em belas escolas, cheias de livros de mecânica quântica cantarolando alegremente. Ou talvez ainda o sorriso brilhante e perfeito de vários ex-mendigos de Salvador a anunciar o alvorecer de uma nova era de prosperidade e benfazejo! É uma melodia tão alegre e contagiante que mal posso conter o meu grito de ansiedade: Quero morar na propaganda do Governo da Bahia!
terça-feira, 27 de outubro de 2009
O sovaco peludo da moça esquerdista e a modernidade
Não me perguntem porque, mas as moças esquerdistas não raspam os pelos do sovaco. Acho que consideram este ato uma imposição burguesa. Como também não é muito próprio de esquerdistas a amizade com o sabonete, elas todas orgulhosamente sofrem de seborreia no couro cabeludo, que fica emplastado. Geralmente não capricham nos penduricalhos - quando o fazem jamais ostentam algo brilhante (outro capricho burguês). No esforço de valorizar a nacionalidade, elas utilizam colares de temas indígenas, geralmente de grandes contas, que mais parecem um rosário hipertrofiado. Para vestir preferem grandes saiões com temas tropicais - parecem tiazonas solteiras da década de 50. Roupa elegante segundo as convenções sociais? Nunca!
Aqui no interior de São Paulo é difícil encontrar um tipo desses, mas no Rio é comum: onde quer que se olhe lá vai a esquerdista sujismunda. No meu exagero caricato, consigo ver até os piolhos pululando mundo afora enquanto ela desfila alegremente nas proximidades da Lapa. "Henrique, dessa vez você se superou! Nunca antes você havia sido tão preconceituoso!" Vejam bem, não estou sugerindo que essas moças esquerdistas sejam assassinadas, nem imagino que devam ser proibidas de viver o estilo porquinho que ostentam. Acho que é só uma questão de Gillette e sabonete mesmo. Ao longo dos seis anos em que morei no Rio, como não me ressenti quando vi moças lindas escondidas atrás de sovacos peludos!
Não quero impor minha visão de mundo aos outros, é sério! Mas como acredito em bem e mal objetivos, tendo a ver os hábitos das moças esquerditas como negativos. Sei bem que não invadem o meu espaço pessoal, somente acho que o mundo seria um lugar mais bonito se todos os sovacos femininos estivessem bem aparadinhos. Sou mesmo um sujeito bastante esquisito: gosto de mulheres femininas e estranho as moças masculinizadas. Gosto de mulheres com longos brincos dourados e desconfio dos tererês fedorentos. Sem sombra alguma de dúvida, a beleza é uma coisa exageradamente reacionária! Modernos mesmo são os sovacos peludos e fedorentos - ali está o futuro da humanidade. Salve o grande sovaco mãe da pátria!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O desastre da conivência com as drogas
Diz um famoso especialista no tratamento dos viciados em drogas que as famílias deles, no esforço de ajudá-los, acabam muitas vezes prejudicando o tratamento, pois cercam os doentes de cuidados, tentando impedir que nada de ruim lhes aconteça. Todavia, a verdade é que, uma vez usuários frequentes de drogas, a pessoa perde a liberdade para o vício - torna-se refém das sensações de prazer que os narcóticos oferecem - então, o melhor que a família deles pode fazer é procurar conscientizá-los com a dura realidade que eles não querem enfrentar.
Terminou em desastre o vício em crack do músico carioca Bruno Kligierman de Melo: em meio ao estado de torpor proporcionado pela droga, ele estrangulou à morte a sua namorada, Bárbara Calazans, de 18 anos, durante uma discussão em que ela exigiu-lhe parar o uso da droga. Seu pai contou em entrevista ao RJTV como fez para entregar o filho à polícia assim que soube do ocorrido. É um relato emocionado e emociante: um retrato do desastre que o usuário de droga causa aos seus familiares, à sociedade e, principalmente, a si próprio.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Qual é a cara da modernidade?
Já comentei algumas vezes neste blog vários processos em curso na sociedade contemporânea. Algumas vezes pareci otimista, outras vezes pessimista. Todavia, creio que, na verdade, o mundo torna-se sempre um lugar muito melhor do que já foi. Se algumas vezes soei como alguém que espera pelo pior foi por vontade de comentar ocorrências em si negativas. O que importa é que todas elas estão com seus dias contados! Hoje gostaria de exemplificar um pouco isto. Um dos assuntos que a intelectualidade contemporânea mais gosta de comentar é a visão atual do corpo humano na sociedade ocidental. Como indício de vitória do pós-modernismo, eles citam os diversos indivíduos que transformam seus corpos com piercings e cirurgias plásticas. Para esses estudiosos, dar aparência monstruosa ao corpo nada mais é que verbalizar o que ocorre no plano das idéias, ou seja, uma sociedade monstruosa dá origem a corpos que a simbolizam.
Por outro lado, esses mesmos intelectuais vêem na idolatração da beleza apolínea um resquício de conservadorismo estético e moral. O apogeu de Gisele Bundchen, por exemplo, é indício da sociedade de controle sobre os corpos, que tem na saúde o seu ideal mais alto. Portanto, para eles, a desvalorização da doença é sinal de uma sociedade doente e falsa. Por mais esquisito que isso soe, é assim que eles pensam (os que tiverem curiosidade de checar um pouco mais sobre este assunto, recomendo a leitura desse texto). Qual o erro fundamental desse raciocínio? Simples, no anseio desesperado pela vitória da modernidade eles não conseguem deixar de ver com maus olhos tudo que indica a supremacia dos adversários. A percepção de que o ideal apolíneo de beleza nunca foi tão admirado e exaltado gera neles dor mortal. O fantástico é isso: eles sabem que o bem venceu, por isso lutam desesperadamente a favor de tudo o que lhe é contrário.
Várias filosofias absurdas surgiram desse esforço enlouquecido, do qual se pode pelo menos admirar a tenacidade. É todo um mar de insanidade que foi criado para justificar atitudes como a da socialite Jocelyn Wildenstein (retratada acima ao lado da beldade brasileira). Para sustentarem a lógica absurda de seus argumentos precisam exaltar a doença e criticar a medicina (o texto do link acima comenta esses aspectos também). Para eles a psiquiatria é uma ciência que precisa ser destruída pois, ao medicar os corpos, reintroduzindo os doentes mentais na sociedade, os médicos estariam acabando com a modernidade, impedindo o seu desenvolvimento natural. Por terem autoridade para eleger padrões de certo e errado, os psiquiatras quebram com o relativismo total que os modernos reivindicam como regra geral e, estranhamente, absoluta. Não é um paradoxo que alguém advogando à favor do relativismo completo queira fazer do mesmo uma coisa absoluta?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Ateísmo - o pai de todos os males
Gostaria de terminar essa recente leva de textos sobre ateísmo fazendo menção à uma ideia que tive e mencionei às pessoas daqui de casa. Sem dúvida alguma é uma opinião chocante: o ateísmo transforma as pessoas em monstros. Isso mesmo, e não tenho a menor dúvida disso. Não pensei assim dos meus professores ateus enquanto estava na universidade, mas eles são exceção. A regra é claríssima. Basta declarar-se ateia para a pessoa enfeiar, deixar de sorrir alegremente, viver com leveza! Não! A maioria dos ateus é ranzinza, rabugenta, irônica. Claro que são capazes de atos nobres, isso é óbvio. Mas no geral odeiam a liberdade humana, desconsideram a pessoa ao lado e suas opiniões. Não tenho a menor dúvida do caráter genocida da maioria deles. Basta que subam ao poder e a morte ceifa vidas aos bilhões. Depois de ter refletido muito sobre o assunto, chego à conclusão de que o ateísmo é o mal fundamental: aquele que mais desumaniza as pessoas pois, descrentes de Deus, são vítimas de qualquer ideologia que soe bem aos ouvidos. Como a moda atual é o pseudo-marxismo individualista logo acham que são o centro do mundo e que podem tudo: expor crianças à pornografia, apologia das drogas, do aborto, um sem fim de maldades.
Claro que há pessoas religiosas reféns dessa mesma ideologia, mas é porque não percebem a evidente contradição entre ela e a fé que professam. Acredito que a maioria das pessoas religiosas não tem gana genocida. Podem falar o quanto quiserem de todos os erros da Igreja que seus professores de história lhes contaram. Só discuto esse assunto com referência bibliográfica. Quer conversar comigo sobre os "crimes dos papas"? Qual o livro no qual você baseou esta opinião? Como já disse, não darei atenção às falácias dos professores de cursinho. O que escandaliza a todos é que alguém da minha estatura intelectual ouse dizer que a Igreja é santa e que toda a sua história é gloriosa e imaculada. Como o sol, ela resplandece sobre a terra, nutrindo os homens sedentes da verdade. Ao contrário de todas as mentiras que são proferidas contra ela, a Igreja é a instituição que mais preza liberdade humana. Enquanto todos se calam diante do genocídio de milhões de inocentes pelos estados ateus (como no recente caso da intervenção chinesa no Sudão), ela não receia erguer a sua voz em favor de todos os povos, de todas as nacionalidades, de quaisquer religiões.
Não sei porque sinistra razão o ateísmo leva ao absolutismo de ideias. A pessoa fica inflexível e, portanto, frágil. Vou citar uma metáfora um tanto batida, mas talvez ajude a clarificar minha ideia: quando exposto a fortes nevascas o imenso carvalho perde muitos galhos em função do peso da neve. Já o bambu dobra-se e. com isso, elimina o peso excessivo, voltando confortavelmente à posição inicial. As pessoas religiosas tem Deus a guiá-las nessa estrada da formação humana. É evidente que há religiosos que são pessoas más, mas dizer isso é inútil pois evidentemente contrariam em ações o que com a boca professam. Já os ateus não! A "liberdade" que professam, um estranho sentimento que lhes outorgam em juízes do próximo, permite-lhes viver um completo vácuo moral: um engano trágico e lamentável que poderia ser evitado com um mínimo de estudo filosófico, pois somos morais em quaisquer coisas feitas por nós. Nunca tardam em atribuir ao "inimigo", o religioso, as características das quais estão cheios: "São vocês que não respeitam as liberdades alheias e ficam impondo a sua religião os outros!" Mentira! Nenhum ateu é capaz de provar que esta frase está correta.
No Brasil, então, nem se fala! Deem-me um só caso de violência contra um ateu pela sua ausência de convicção religiosa. Já posso até imaginar o skinhead da zona leste caçando ateus com pedaços de pau no centro de São Paulo: "Ali, um ateu! Corre, corre!" Se porventura pegarem-no não tenho a menor dúvida do que fariam com ele: "Beije este crucifixo! Repita comigo - 'Crux sacra set mihi lux!'" Qualquer um convencido de que corre um verdadeiro risco em professar-se ateu é um completo idiota. Ninguém dá menor bola pra isso. Qualquer um pode fazer-se ateu sem qualquer dificuldade. Honestamente, não faço a menor ideia porque eles sofrem tantos delírios de perseguição. Só posso concluir que ser ateu é uma doença que precisa ser catalogada no DSM-V, que está para sair. Infelizmente, acho que não vai dar tempo de submeter a sua inclusão. Qual o problema em pensar assim? Nenhum! Os ateus não podem suportá-lo porque são eles que querem controlar o que os outros pensam. São eles que se acham no direito de editar a opinião alheia, intrometendo-se em questões às quais não foram chamados.
"Ah! Mas e os protestantes?" Boa colocação! E daí? Tem algum protestante sequestrando ateus? Se algum pentecostal resolver me exorcizar no meio da rua vou ficar muito feliz, pois entrarei com processo por danos morais e ganharei. À Justiça com as disputas! Alguém aí está incomodado com o som da igreja evangélica que acabou de abrir do lado da sua casa? O que está esperando para ingressar no judiciário? Meu ouvido não é penico para ficar ouvindo choramingo dos outros. Se algum protestante malvado está te incomodando acho que já está na hora de você aprender a se defender sozinho, como um adulto. Os ateus podem e devem viver sua vida calma e pacificamente, sem que ninguém lhes incomode. Mas isso vale para todos! Como sentem-se perseguidos o tempo todo pelos malvados religiosos é evidente que não terão paz enquanto não ultrapassarem este trauma infundado. Não tenho como evitar a constatação da sua grande insegurança. Se estivessem firmes em sua convicção não dariam a menor bola ao que outros dissessem. Claro que há ateus assim! Pessoas maduras e bem constituidas. Espero que sejam a maioria, mas receio que não são. Uma pena para eles, pois são os que mais perdem.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Publicidade - a ciência do efêmero a serviço do ateísmo
Qual o trabalho do publicitário? Vender! Os que preferirem terminologia um pouco mais sofisticada poderão dizer convencer, mas dá no mesmo: o cliente chega com um produto na agência e o publicitário tem que estudar a melhor forma de anunciá-lo. Primeiro tem de estabelecer a quem se dirige aquele produto: quais as pessoas que podem ter maior interesse nele. Então o publicitário cria uma campanha voltada a um público específico, procurando fazer a imagem do produto colar a algo que essa audiência valoriza. Então temos comerciais que associam perfumes à beleza; sabão à limpeza; computador à eficiência; atacado à preços baixos, e por aí vai. É uma verdadeira lei.
Em toda a minha vida vi só uma exceção: Omo - se sujar faz bem. Olhem que ousadia! Propaganda de sabão vendendo sujeira! Só foi possível porque a marca Omo já era a mais lembrada pelo público de tv brasileiro quando questionado por sabão em pó. A campanha focava nas mães das classes altas, que recentemete, com a chegada de mulheres de pensamento menos conservador à maternidade, começaram a valorizar mais a vida ao ar livre, as brincadeiras das crianças, etc. Então considerou-se viável unir a marca Omo à ideia de liberdade para se sujar pois, já que Omo lava mais branco, não há porque se preocupar: a mãe moderna já tem em que confiar.
Tudo isso por quê? Por causa do post de ontem (logo abaixo deste). Nele afirmo que a propaganda ateia vende Deus e é a mais pura verdade. Ciosos da dificuldade do "produto" (o ateísmo), os publicitários não tiveram medo de encarar de frente o desafio, a começar pela chamada principal: Provavelmente não há Deus. Ou seja, não empurraram diretamente a ideia de que não há divindidade; antes procuraram facilitar a disposição de quem já não se preocupa muito com o assunto em declarar-se ateu pois, como o anúncio continua (pare de se preocupar e curta a vida), procurou-se associar o ateísmo a um estilo de livre mais leve, onde supostamente há menos preocupações e mais curtição.
Bem, como já afirmei, acho que a campanha faz só colocar Deus em pauta - isso caso seja eficaz. Seu maior efeito prático é iniciar um movimento gregário dos ateus, que tanto se dizem vítimas de preconceito: unidos eles sem dúvida poderão mais. Então eu pergunto: por que os ateus querem ter poder? Com que intuito? Tenho cá minha opinião, mas, ainda que alguns leitores se aventurem a imaginá-la, neste momento creio que importa mais a opinião de vocês. Não estou pedindo que vocês deixem comentários: peço que pensem no assunto. Se os ateus fossem o segmento mais substancial da sociedade como seria o mundo? Seria um lugar melhor para se viver conforme afirmam alguns?
A publicidade tem dessas coisas: será mesmo que é Omo o sabão que lava mais branco? Será que é ético vendê-lo dessa forma caso não seja ele a lavar melhor as roupas? Gostaria de discutir mais publicidade neste blog mas, infelizmente, os publicitários brasileiros parecem não ter descoberto o YouTube. Na maioria das vezes que vejo uma propaganda interessante não a encontro por lá. É uma pena pois, como já disse algumas vezes, a publicidade é uma janela para o mundo real: publicitário que não fala de assunto pertinente e atual perde o prestígio e o emprego. Que a maioria das agências brasileiras não dê ao YouTube a importância que este meio já possui é uma contradição vergonhosa.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
"Não quero crer": uma frase impossível
Já falei vez ou outra no Clauze, meu falecido professor de psicologia. O homem era (é) idolatrado pelos humanistas do Gragoatá, principal campus da Federal Fluminense em Niterói. Sem sombra alguma de dúvida ele foi a pessoa que mais influenciou meu pensamento: cortou de alto a baixo todos os meus preconceitos e fez-me pensar a respeito de tudo. Pois bem, esse homem extraordinário, apesar de não ter deixado um só escrito significativo (fato do qual uma verdadeira multidão se ressente), tinha várias tiradas inacreditáveis. A que gostaria de relembrar hoje é a seguinte: "Não existe não! Quando alguém diz 'não quero comer' está na verdade se dizendo o contrário. No dia em que estiver efetivamente persuadida pelo desejo de emagrecer ela dirá 'Quero emagrecer'." Por que digo isso? Acho que todos estão familiarizados com a atual campanha de ateísmo cientificista vigente no mundo. Pois bem, gostem ou não de saber essa verdade, tudo o que os ateus fazem quando vociferam contra as crenças é gritar bem alto: "Deus! Deus! Deus!"
Antes de pedirem mais uma vez a minha crucifixão, gostaria de deixar bem claro que esta análise ocorre no plano do discuso, e não ao nível da simples comunicação inter-pessoal, que é mais imediata e simples (aos que desejarem compreender melhor o que é o discurso, recomendo a leitura deste texto). É óbvio que utilizamos várias vezes o advérbio de negação. Na maioria delas, penso eu, estamos fazendo um uso verdadeiro dele: realmente estamos querendo dizer não. Em outras, porém, quando dizemos não, apesar de dizermos não, ainda que digamos não, estamos reforçando o objeto negado! Ainda que não seja o mesmo que dizer sim, tem-se o efeito contrário! Ou seja, tudo o que os ateus estão conseguindo com essa barulheira que têm promovido é levar as pessoas a pensar sobre Deus. Alguns despreocupados com esta questão até passarão a se declarar ateus, no entanto, outros se questionarão se estão em dívida com o Deus no qual creem tão pouco ou de modo tão superficial.
O pessoal do Vaticano sabe disso. Psicologia é um saber muito prezado entre os clérigos. O pregador pessoal do papa (aquele que cuida da formação espiritual do Sumo Pontífice), disse na homilia de Natal, em plena Basílica Vaticana, que a campanha inglesa do ônibus ateu chamou à consciência muitos crentes que viviam despreocupados. Isso mesmo. Ao pregarem contra a crença em Deus nos ônibus de Londres, os ateus trabalharam a favor da crença religiosa, pois fizeram um convite à reflexão àquelas pessoas que há muito tempo não refletiam sobre Deus. Tanto é assim que depois da barulhada inicial não se falou mais nisso. Desconfio que descobriram a ineficácia da campanha e retiraram-na dos veículos. Se não for isso, querem saber a verdade?, melhor! Digo do fundo do coração: quanto mais alto gritarem os ateus, melhor! Estão pautando Deus como assunto dos mais importantes. Assim como o diabo que, conforme já disse aqui no blog, quanto mais trabalha contra Deus mais ajuda o projeto divino a se realizar.
Agora ao título: se os gordos, para emagrecer, devem afirmar seu desejo de uma forma positiva ("Quero emagrecer"), que deverão dizer os ateus para reafirmarem sua descrença em Deus? Pois, por tudo que já foi dito, quando dizem "Não creio" estão dizendo na verdade... Melhor nem dizer! É claro que os que estão doidinhos para pescar falhas na minha argumentação poderão dizer: "Os ateus não precisam dizer nada, pois simplesmente não creem". Mas aí que está o problema! Pois não há quem não precise dizer nada! Quem já estudou psicanálise sabe como sempre somos ativos em todos os processos dos quais participamos. "Não quero dizer" ou "Não quero crer" são frases que inconscientemente afirmam o contrário. É cômica a situação dos ateus. O máximo que podem dizer é "Quero duvidar", mas o verbo duvidar já pressupõe um algo ao qual se deve ser crítico. É um ciclo sem fim pelo qual se nota a constante situação desesperada dos ateus, manifesta no contínuo desejo de brigar e dar chilique.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A nova face da esquerda mundial
No mundo todo verifica-se uma profunda incaracterização das esquerdas, especialmente no Ocidente industrializado. Se ela está para dominar o mundo (e está mesmo) teve de mudar muito antes de chegar ao poder pela via democrática. Não é mais a mesma esquerda, ainda que, nos bastidores, continue a manifestar a mesma gana sanguinária de sempre. O problema, para eles, é que o mundo mudou. O poder descentralizou-se. A comunicação é imediata e global. Essa gente teve que por tantas máscaras que, penso eu, nem mesmo eles conseguem mais saber exatamente quem são. Gabeira soando razoável? Aquele Gabeira guerrilheiro? Definitivamente o mundo mudou.
Para ser eleito presidente, Lula empreendeu uma das mais profundas mudanças de imagem, ao custo de muitos milhões de reais em publicidade. Penso que seu interior não mudou muito, aliás, não mudou quase nada. Mas o que o sustenta no cargo são as políticas econômicas rigorosas: nada que lembre as loucuras pregadas pelo PT antes da sua eleição. Ele não pode fazer o que quer enquanto mandatário da nação; está preso à muitas responsabilidades e instituições. O grande mal de Lula é que, conhecedor desses fatos, faz a revolução possível: trabalha para fazer minguar as instituições que Fernando Henrique tanto trabalhou para solidificar, ainda que seu projeto demore mais do que desejasse.
A descaracterização das esquerdas é tanta que o presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sairá candidato ao Governo do Estado de São Paulo pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro). Sim, burguês representando o proletariado. Alguma coisa está estranha aí, não acham? Não estou negando que a esquerda venceu o debate ideológico. Sob a falsa afirmação de serem os únicos preocupados com o bem verdadeiro e universal impuseram-se discretamente através de uma ardilosa campanha que envolveu toda a máquina de comunicação do Ocidente. Mas em todos os lugares onde chegou ao poder ela precisou associar-se ao que de mais sujo havia na política dita tradicional.
No Brasil, por exemplo, Sarney foi o pedágio que Lula teve que pagar para governar, tanto que lutou arduamente para mantê-lo na Presidência do Senado. Essa mistura toda, aliada ao imediatismo que a comunicação impôs ao saber, levou a um amaciamento do discurso esquerdista. Notem bem: eles se mantém sanguinários potenciais mas, como bem demonstra Barack Obama, nunca antes se esforçaram tanto em parecer que usam sabonete diariamente. Sabem como é? Esquerdista que vive na prática os "ideais" acha chuveiro um luxo burguês. Então, o sabonete mudou para sempre a cara da esquerda: tirou-lhe o ranço imundo, ainda que debaixo da maquiagem seja a mesma selvagem de sempre.
Mas o hábito faz o monge. Vou tentar materializar esta argumentação com uma imagem. Tentem imaginar o radical esquerdista clássico, tipo o Lula de 1989. Pois bem, esse cara teve de se transformar para chegar o poder. Imagine agora o Lula em 2002. Toda a metamorfose sofrida obrigou-o a reaprender a viver. Teve de reajustar toda a postura, todos os modos. Saiu do processo transformado. Ainda que em seu inconsciente profundo haja sede de sangue, esse desejo vai sendo aos poucos reprimido pelo sujeito civilizado que tomou o lugar do bárbaro. À ida ao shopping fez bem às esquerdas! Especialmente quando o publicitário recomendou uma longa parada na perfumaria!
Porém, que fique bastante claro: a esquerda é menos má hoje não por virtude própria, mas em função das exigências dos que se confiaram a ela! O mundo da esquerda clássica seria terrível. Aliás, esse mundo já existiu e foi terrível! Nos poucos lugares onde as comunicações ainda são controladas por um Estado autoritário é terrível! Foi a civilidade dos eleitores que a transformou. O mérito é das pessoas que sistematicamente se recusaram a eleger trogloditas, como o Lula de 1989. Por isso os radicais de esquerda que restam odeiam tanto a democracia e a liberdade de imprensa: eles sabem muito bem que esses são os seus maiores inimigos, pois promovem a justiça e a liberdade, coisas que eles odeiam.
domingo, 18 de outubro de 2009
As ideias decrépitas de José Saramago
No livro do Gênesis, o primeiro da Bíblia, após o relato da Queda do homem segue-se a narração da história dos filhos de Adão e Eva: os conhecidos irmãos Caim e Abel. Enquanto o segundo ofereceu a Deus em sacrifício o melhor que tinha, o primeiro tentou enganar o Criador oferecendo-lhe os restos de suas coisas. Então Deus se alegrou diante da oferta sincera de Abel, e menosprezou as de Caim que, invejoso, matou o irmão. O que esta singela história já produziu de altíssima literatura não é algo que se pretende discutir neste post. As Escrituras forneceram ao longo dos milênios inspiração a milhares de escritores. Nesta semana passada, o escritor de origem judaica Moacyr Scliar lançou o livro Manual da Paixão Solitária, que comenta a história bíblica de Onam, também do livro do Gênesis.
Infelizmente, há no mundo muitas pessoas incapazes de poesia: tomam por literais histórias que são somente simbólicas, o que, de fato, destrói por completo o real sentido das mesmas. Refiro-me às correntes protestantes que exigem uma interpretação ao pé da letra das Escrituras: é um verdadeiro desastre pois, com esta visão, demonstram somente o profundo desconhecimento que têm dos livros sagrados. Como é essa gente que domina o uso religioso da televisão, não são poucas as pessoas que acham que todos os cristãos leem a Bíblia de forma literal. Mais uma tragédia! Tantas pessoas inteligentes acabam desenvolvendo preconceito religioso baseando-se no que esses lunáticos ensinam. Triste mesmo é que não somente os depressivos que assistem sessões noturnas da Igreja Universal se deixam levar por essa interpretação estúpida da Bíblia.
Gente da pretensa alta intelectualidade também é capaz de verdadeiras burrices. José Saramago, o escritor português ganhador do Prêmio Nobel, lançou esta semana o livro Caim onde responsabiliza a Deus pelo assassinato de Abel. Entenderam? É isso mesmo! Segundo Saramago, por ter Deus dado a liberdade ao homem Ele é o responsável pelas tragédias que nós cometemos. Se Ele fosse bom, impediria-nos de fazer o mal. Mas isso é de uma boçalidade filósofica tremenda! Felizmente a comissão do Prêmio Nobel premiou por esses dias o Barack Obama, o que bem dá a dimensão atual de seu valor. Tivesse Deus nos feito incapazes do mal não teriamos liberdade nenhuma! É exatamente porque podemos pegar no machado e decapitar violentamente o nosso irmão que somos livres, senão seríamos robôs sem iniciativa.
Não vejo complexidade alguma nesta questão que a outros parece desafio dos mais complicados. As pessoas que acham que Deus não é bom porque permite a existência do mal não compreendem nada da vida. Têm uma noção muito superficial do que seja o bem. Confundem-no com prazer, como se pensassem como uma criança de 5 anos. Porém, o bem, para ser verdadeiramente positivo, precisa ser capaz de atos de heroismo, gestos de entrega total. O mal, gostem ou não, obriga ao bem. Aos que não duvidam da existência do demônio fica o recado: o maior ódio que Satanás sente por Deus é que, através de suas maldades terríveis, o Criador é capaz de gerar bens tremendos. Já escrevi nestas páginas que o mal, de fato, não existe: ele é tão somente o afastar-se do bem.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
O que faz o mundo girar
O céu estrelado é bonito? Eu acho que sim. Mas, enquanto tenho cá meus pensamentos, o céu pouco se importa com eles. A geografia do Rio de Janeiro é magnífica? Penso que sim, mas os átomos de silício que compõem o Pão de Açúcar jamais responderão alegremente ao modo como aprecio a montanha que eles formam. A beleza não está nas coisas. Goste-se ou não deste antigo ditado popular, mas, sim, a beleza está nos olhos de quem vê. É uma propriedade do olhar, e não do objeto. Quem aprecia ou rejeita alguma coisa é a mente, que é sempre ativa nesse processo. Pouco importa que os vários pedaços da Santa Cruz venerados pelos católicos sejam fruto de simonia, pois é o símbolo por detrás dos pedaços fajutos que fascina. Os átomos de carbono que compõem a cruz original não são mais que os átomos de carbono que compõem os pedaços falsos.Por isso o efeito placebo. Pra quem não sabe, chama-se efeito placebo àquele produzido por medicamentos inócuos, ou seja, sem eficácia. Está cientificamente comprovado que, se persuadida que está tomando um medicamente eficaz, a pessoa fica fortalecida: seu organismo se recupera mais rápido. Por isso o sucesso da homeopatia que, convenhamos, não teria tantos adeptos se não produzisse efeito algum. É a crença de que ela é capaz de curar que efetivamente cura o doente. Da mesma forma, há pacientes tratados com a medicina tradicional que morrem de problemas pequenos, não é verdade? Porque aqueles tratamentos nada sigficavam para ela. Todos sabemos que não são poucas as pessoas que rejeitam ser tratadas por médicos. O que move o mundo é o símbolo, é o pensamento. Tudo é ideologia. Não existe nada no mundo que não seja construção do nosso psiquismo.
A beleza que atribuímos ao céu, às montanhas, ao mar não é propriedade do céu, das montanhas ou do mar. É antes uma propriedade nossa. Aquele que mais vê beleza nas coisas é porque mais beleza carrega dentro de si. Aquele que mais tragédias vê no mundo é porque mais tragédia carrega dentro de si. A pessoa que mais celebra o amor (acho que vocês já estão entendendo) é aquele que mais amor têm. O mundo enquanto tal é algo que nunca poderemos compreender. O mundo que construímos ativamente com o nosso pensamento é o mundo no qual vivemos. Portanto, se o seu mundo é alegre e feliz, parabéns! Se o seu mundo é triste, turvo, sorry, é porque você é dominado por sentimentos negativos. Por isso o inferno, ou o céu, é aquele criado pela pessoa, pois vivemos sempre no espaço que construímos ativamente.
Não somos como passarinhos, que sempre farão seus ninhos de uma tal maneira. Ou como marmotas, que são capazes de represar rios por puro instinto. Vivemos no mundo real, mas só conhecemos o mundo da imaginação. Qual deles é o melhor? Vejamos. O mundo real é o da ciência, onde a água ferve à 100 graus centígrados à pressão de uma atmosfera. Esse é o mundo dos passarinhos e das marmotas. O mundo humano é completamente diferente deste: é o mundo dos poetas, dos músicos, dos pintores, dos filósofos, dos pensadores. O humano não é dado pela ciência, pois ele se faz como bem entender: é um processo ininterrupto, pois nossa consciência é constante. Até mesmo enquanto estamos dormindo vivemos a nossa vida intelectual e simbólica. Tentar reduzir o homem a um punhado de átomos é coisa de quem ainda não recebeu um mínimo de formação humanista.
A cusparada de Maitê Proença e a brasilidade
Gostamos os brasileiros de nos queixar dos americanos. Dizemos que são arrogantes, que se acham seres de outra natureza, pretensamente superior. Outro alvo frequente do nosso mal-dizer são os irmãos portugueses. Contra estes, por absoluta falta de assunto, chamamo-os burros. É claro que uma piadinha ou outra de vez em quando não faz mal, mas se alguém acredita mesmo que os portugueses são menos dotados de inteligência este é que é burro mesmo! Como somos praticamente insuperáveis em incivilidade, é sempre interessante saber que algum brasileiro rico e famoso andou barbarizando no estrangeiro. A bola da vez é Maitê Proença. Em entrevista ao canal pago GNT ela ficou dizendo uma bobajada sem fim sobre os portugueses, em solo lusitano! Até aí tudo bem. Ninguém é obrigado a sempre fazer colocações brilhantes. Mas Maitê soube honrar a pátria! Diante de uma fonte do Mosteiro dos Jerónimos, Patrimônio da Humanidade, sabem qual foi a gracinha que ela protagonizou diante das câmeras? Uma senhora cusparada! É o que afirmam estas duas fontes: link 1, link 2.
O que dizer diante de tamanha incivilidade? Os que olharam as notícias viram que o ocorrido deu-se em 2007, mas só agora chegou ao conhecimento dos portugueses. Eles, que são um povo muito mais afeito a cultura que nós, não se fizeram de rogados: escreveram cartas mil para a Embaixada Brasileira e ao retransmissor do GNT por lá. Maitê Proença decidiu gravar um vídeo de desculpas, mas não acho que deveria tê-lo feito. Por quê? Oras, porque ela contrariou a brasilidade ao fazê-lo! Nós nos orgulhamos de nossa incivilidade. Sentimo-nos superiores aos outros povos porque temos jeitinho, molejo e malandragem. Os outros são tontos porque desconhecem a "maravilha" do nosso jeito de ser. Ao pedir desculpas, Maitê agiu contra esses princípios régios da Pátria! Ela nos envergonhou! Antes, deveria ter assumido a presepada e proclamado com orgulho a nossa superioridade. Realmente, só nos faltavam as Olimpíadas para que nos sentíssemos a maior nação da Terra! Agora, não nos faltam mais! Sentimo-nos plenamente justificados em nossa farta incivilidade!
Sim, em nome da nossa irreverência podemos tudo! Afinal, somos um povo jovem, em formação. Temos direito à rebeldia. Não somos capitalistas como os americanos, nem comedidos como os europeus. Gostamos de exibir as fartas banhas nas praias e ouvir som alto nos automóveis. Somos o país do futuro. Meu receio é que para sempre o sejamos! Podemos dizer com Paty Quebra-Barraco que somos feios, mas estamos na moda. O mundo começa a admirar essas nossas "qualidades". Parece que a descontração e a malemolência são o último grito da moda. Para mim, esse recente aparecimento do Brasil no cenário internacional está mais para o famoso quadro de Edvard Munch. Não poderia ser diferente. À medida que a humanidade começou a flertar com o irracionalismo, o imediatismo, o hedonismo seria natural que um país com essas características emergisse. Sim, vamos dominar o mundo com nossas maravilhas. Já consigo ver a baiana do acarajé em Times Square, os lutadores de capoeira no Big Ben, as passistas de escola de samba no portal de Brandemburgo e o Boi-bumbá nos Champs-Élisée. A Maitê Proença a gente deixa em Portugal mesmo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A tentação de ser dono do outro e a Internet
Este é um tema fantástico, tão amplo quanto a própria humanidade. Toda a psicologia estuda-o à exaustão, pois é por conta dele que os homens se matam, se unem, festejam e choram: o desejo de serem donos uns dos outros. É uma natural tendência de desrespeito e de desconsideração que impera entre os homens. Ao invés de deixarem o próximo ser do jeito que é, do jeito que ele quer ser, pretendem possuir a sua mente, o seu pensamento, introjetando nele as próprias ideias, tornando-o nada menos que um escravo. É o que faz ruir os casamentos: quando um conjuge quer fazer do outro seu títere. É o que faz ruir governos: quando as autoridades pretendem controlar as atitudes do povo, geralmente à custa de muitas vidas.
O único remédio contra esse mal é a civilização e suas instituições. É à justiça que os ofendidos recorrem. Se não houver essa instância de reclamação tudo está perdido: não há mais o que se fazer por um determinado povo. Pois é a justiça a reparadora dos danos que os homens se infligem uns aos outros. Antes do surgimento das leis escritas, resolviam-se as pendências entre as pessoas por via de testes religiosos, os conhecidos juramentos, segundo os quais, se alguém agisse de modo ilícito, atraía sobre si a ira dos deuses. Era um procedimente exclusivamente oral, pois as leis ainda não haviam sido escritas por nenhum povo ocidental. Foi o tirano Drácon que redigiu o primeiro código de leis do Ocidente.
Aos poucos foi surgindo a noção de verdade que conhecemos hoje. No caso das disputas litigiosas, entrega-se o juízo sobre quem tem razão à uma pessoa independente, o juiz, que, após averiguar as evidências do caso, determina quem tem razão e merece, portanto, reparo. Mas nada disso seria necessário se cada um respeitasse o espaço do outro, não acham? É justamente porque alguns "espertos" resolvem tomar para si o que não é seu que surgem as dispustas. E qual o bem mais precioso para um homem que a liberdade de sua consciência? Pois é justamente nesse bem de valor incalculável que a contemporaneidade pretende fincar suas garras. Qual a maior exigência dos nossos tempos? Que não se acredite em nada de modo absoluto.
Segundo os ideólogos modernos está decretada a proibição de se acreditar em algo de modo enfático. As pessoas brilhantes são somente aquelas que relativizam absolutamente tudo. Ter certezas é politicamente incorreto. Se você, caro leitor, quer posar de chic no próximo encontro com seus amigos, tem de demonstrar descaso para com tudo o que é líquido e certo. "Não há nada sobre o que não se possa lançar dúvidas!" grita a modernidade com estardalhaço, esquecendo-se que, assim, mata por completo o direito individual. É que a noção de indivíduo está mesmo um pouco fora de moda. No seu lugar pretende-se erigir a noção de proletariado, minorias, sei lá mais o quê. Indivíduos pensando por si próprios? Nada mais démodé!
É que a ideologia contemporânea é também uma sequestradora da liberdade alheia. Assim como a mulher que controla o marido, ela pretende que todos se anulem diante do processo revolucionário que pretende imprimir. A primeira coisa que seus adeptos promovem é a difamação pura e simples de todos os que lhe impedem o desenvolvimento, lançando assim toda sorte de mentiras e calúnias aos que defendem a individualidade e a livre iniciativa. Por isso não serão bem sucedidos. Ainda que muitos tenham a sua sã razão efetivamente sequestrada por esses vampiros, a independência e a liberdade são imprecindíveis ao ser humano. Assim que os homens de nosso tempo começarem a sentir o cabresto no pescoço irão se rebelar.
O homem será eternamente um rebelde. Só por ignorância ele aceita regimes autoritários. Mais cedo ou mais tarde, sua ânsia de liberdade se manifesta, e ele estoura os grilhões que lhe impedem de agir como bem entende. Apesar de estar em franca gestação um modelo de governo autoritário de esquerda em escala planetária, acho, assim como o Gabeira, que a Internet libertou o homem dessas ameaças. Aos poucos o poder volta à esfera individual, com cada um sendo dono do próprio nariz. Que as esquerdas não consigam ver isso e continuem com seus intentos autoritários serve apenas para demonstrar quão desatualizadas estão. Mesmo eles odiando as liberdades individuais, a descentralização já é completa. Ainda bem!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Agostinho revoltado!
Cada dia que passa fico ainda mais fã de Pedro Cardoso. O cara está se revelando um verdadeiro gênio. Além de trabalhos absolutamente brilhantes como Redentor, ele não se furta aos deveres da civilidade: quando se sente atingido pelos discutibilíssimos consensos sociais, Cardoso não tem o medo de botar a boca no trombone. Anteriormente já havia comprado uma briga enorme ao dizer que os atores não deveriam ficar nus ao desempenhar seus trabalhos. Como o mundo de hoje só pensa em putaria, logo ele foi chamado de reacionário ou outras coisas carinhosas. Acabo de ver um vídeo no YouTube onde ele discute os 5 processos que move contra paparazzi que invadiram sua privacidade. Caros leitores: pessoas inteligentes são assim: não aceitam as verdades que foram preparadas para elas por outros. Pelo contrário, pessoas inteligentes tomam a sua parte no debate e lutam para tornar o mundo um lugar melhor.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Crescemos para a luz!
Sempre crescemos para a luz! Todos nós! Não há sobre a terra homem ou mulher que não cresça na direção da luz. Tal qual os feijoezinhos do experimento da câmara parcialmente iluminada, ainda que precisemos nos entortar, crescemos na direção da luz. Claro que quando isso ocorre, não se tem a situação ideal. No melhor dos mundos, todos os nascidos teriam o seu "lugar ao sol". Infelizmente, nós bem sabemos, não é assim na realidade. Então, no esforço por crescerem na direção da luz, muitos se entortam seriamente. Alguns ficam bastante comprometidos, outros menos. De qualquer forma, estavam dando tudo de si para crescer, e o crescimento é sempre positivo, para cima!
Portanto, muitos têm a culpa bastante atenuada diante do grande mal que por ventura venham a causar. Penso especificamente nestes grandes criminosos que o populacho adoraria linchar. Querem extrair a laranja podre? Cuidem bem das suas crianças! Não há receita fácil. Esse desejo de eliminar o mal completamente, a quaisquer custos, também pode esconder um espírito nada bem-intencionado. O mal é uma propriedade do mundo - qualquer um pode a ele aderir conforme a intenção pessoal. Estou falando de pessoas que nasceram sãs, firmes e fortes e, no entanto, descabam para a criminalidade. A responsabilidade destas é muito maior daquela dos coitados que só conheceram o mundo cão.
O peso das nossas ações é medido somente em função daquilo que recebemos. Aqueles mais afortunados merecem ser mais cobrados, não acham? Quem teve de camelar na vida certamente será menos cobrado. Apesar de todos esses raciocínios, de modo algum estou excluindo a responsabilidade pessoal de cada um. Pelo contrário: cada um é responsável pelas suas atitudes, afinal, há muitas pessoas que amargaram uma vida extremamente difícil e, apesar disso, são boníssimas e estão sempre sorrindo. Ainda que se excluam mutuamente, as dificuldades não eximem ninguém das responsabilidades. Sem dúvida alguma, o mundo da luz é aquele onde cada um responde pelos seus atos.
Dedicado a Denise Rossi.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Futebol: a maior força civilizatória brasileira
É certo que ainda se desconhecem por completo as reais potencialidades do ser humano. Apesar disso, já são sabidas algumas coisas a nosso respeito, por exemplo, a facilidade com que nos entregamos à violência. São tantas as razões que nos levam à esse agir animalesco que nem convém começar a enumerá-las. Mas é certo que somos capazes de muitos atos de profunda iniquidade e desrespeito. Parece que temos uma tendência irrefreável para o mal. No meu entendimento, tudo o que nos afasta dessa tendência terrível é positivo: ajuda a construir um mundo melhor, mais humano. O próprio uso desse termo (humano) já demonstra que, apesar dos nossos problemas, ainda esperamos ser um pouco melhor que dois machos babuínos lutando por uma fêmea. A maior força civilizatória, domadora do id, são as letras. Onde há literatura, há civilidade. Ler e escrever são as mais nobres faculdades que um ser humano pode desempenhar. Através delas viaja-se o mundo inteiro sem precisar sair de Königsberg, por exemplo, como fez Kant.
Por certo há inúmeras outras forças civilizatórias. Ocorre que todas elas demandam muito esforço por serem aprendidas, o que sempre dificulta a sua difusão. O melhor seria que tivéssemos uma que fosse simples, mas isso não existe: de fato, é muito difícil extrair o homem do animal. Acredito que ainda não se desenvolveu no meio cultural o justo juízo a respeito do nosso desenvolvimento como civilização - ainda persiste uma certa tentação em ver o homem "original", aquele despido de sua humanidade. É um contrassenso evidente, pois uma vez despido do que o qualifica como homem, ele não pode mais ser chamado assim.
Seria de se imaginar que tanto mais forte seria uma força civilizatória quanto mais fácil fosse o seu aprendizado. Ledo engano. Como já disse, não existe uma que seja fácil. Por certo há muitas que são dificílimas, como a música, e outras menos complexas, mas todas se irmanam quando o que se busca é a excelência - não há fator humanizante que seja fácil de se aprender. O que determina o sucesso de uma força civilizatória é o consenso cultural: o patrimônio do inconsciente coletivo. Ou seja, vai prosperar aquela que for eleita pelos membros de uma determinada sociedade como a mais divertida. Infelizmente, os brasileiros não se cansam de demonstrar seu descaso com as letras: dificilmente se consegue alfabetizá-los com propriedade. Pelo menos não se esqueceram de eleger uma força civilizatória, e a escolhida por eles chama-se futebol.
Futebol? Sim. Eis a maior força civilizatória da nossa pátria. Vocês acham futebol simples? Só pode ser porque ressentem-se de não serem bons jogadores. Isso mesmo, vocês não gostam de futebol porque invejam os que são capazes de jogá-lo bem. Futebol é um negócio complicadíssimo: necessita uma visão espacial tremenda, uma enorme habilidade com as pernas. Como todo esporte, tem regras, mas as suas são esquisitíssimas. Que história é essa de impedimento? Eu sei muito bem o que é. Só não entendo o porquê. É uma regrinha tão ridícula que não há jogo amador que a considere. Apesar dos pesares, o povão ama o futebol.
Já sei, alguns de vocês estão surpresos com este texto. "O Henrique elogiando o futebol?" Por que não não poderia? "Como assim? Futebol é um negócio abominável. Somente pessoas de baixíssima escolaridade se interessam por ele". Sei... Na verdade esse pensamento não resiste à mais simples lógica. Todos sabemos que há pessoas em todas as classes sociais, de todos os níveis culturais, que gostam de futebol. O surpreendente talvez esteja no fato de eu estar dizendo que o futebol é uma força civilizatória capaz de transformar o animal em homem, afinal, muitos dos fanáticos por esse esporte não são exatamente modelos de civilidade. Aqui a questão começa a ficar gostosamente complexa. Infelizmente tenho de resumir muito o que gostaria de dizer, senão escreveria um tratado sociológico. Muitos torcedores são incivilizados? São. Agora tentem imaginar a mesma energia que esses sujeitos gastam com o futebol investidas no tráfico de drogas, por exemplo. Ou ainda na mais simples marginalidade. "Mas muitos torcedores são marginais!" Porém a ampla maioria deixa de sê-lo por causa do futebol.
Vejam, só temos uma real força civilizatória quando notamos a capacidade de uma determinada propriedade em tornar mais humano o animal. O futebol faz isso à perfeição. Pessoas que estariam largadas à vagabundagem têm neste esporte um veículo para suas paixões. Uma força civilizatória é isso: uma domadora das paixões. Quando vemos essas brigas de torcidas temos que ter em mente que, como nação, ainda há muitos problemas a resolver. Será que a educação pública no Brasil tem o mesmo nível daquela dos países europeus? É de se imaginar que caso nossos jovens tenham uma educação de maior qualidade, quando se tornarem adultos e se filiarem à alguma torcida, terão um comportamento mais civilizado. No entanto, na Inglaterra da extrema pontualidade existe o caso dos hooligans. É sem dúvida uma questão complexa. Só não se pode negar que o futebol é uma excelente ferramenta na criação dos jovens, pois através dele podem ser trabalhadas as responsabilidades, o aprendizado de regras, o desenvolvimento da noção de respeito, a ética pessoal, o coleguismo, etc.
Somente o preconceito mais superficial, provavelmente motivado pela inaptidão ao futebol, pode levar alguém a considerá-lo uma coisa abominável. Futebol é energia, vibração e alegria. É fonte de educação, disciplina e auto-controle. Não posso negar suas inúmeras qualidades, apesar de ser um grandíssimo perna-de-pau!
sábado, 10 de outubro de 2009
A triste realidade dos escravos do tabaco
Todos sabemos que fumar não é um hábito saudável. Apesar disso, são muitos os fumantes. Como ninguém é capaz de fazer um mal desse tamanho a si próprio sem se justificar, são muitas as desculpas fajutas que as pessoas inventam para explicar porque mantém um hábitão tão perigoso à saúde. Alguns dizem que o cigarro tira a ansiedade e o stress. Outros falam que emagrece. A maioria diz que, uma vez iniciado, é dificílimo combater esse vício. Mas o que está por trás dessas histórias da carochinha que os fumantes contam? Se todos sabem que faz um mal danado, por que simplesmente não se esforçam ao máximo por conseguir parar? Afinal, há quem tenha conseguido.
Mais uma vez o problema reside nas mentiras que as pessoas se contam. Já falei várias vezes nesse blog das minhas sérias restrições à psicanálise, sempre lembrando alguns dos seus aspectos positivos. Então, recorro mais uma vez à essa senhorinha desconjuntada para ver se ainda é de alguma utilidade (aos que têm dificuldades com o vocabulário psicanalítico básico, recomendo a leitura deste texto antes). Vamos logo ao que interessa: fuma-se para agradar o ego ferido. Goste-se ou não da sempre feita analogia à fase oral, importa que é verdadeira: a pessoa tem que ficar enfiando um troço na boca para se satisfazer do desejo não plenamente saciado pelo seio materno.
É uma afirmação duríssima, eu sei! Parece uma esquisitice completa a quem não está habituado à psicanálise, mas quê fazer? É assim com a chupeta das crianças, por exemplo. Elas ficam muito irritadas com a perda do seio. O desejo que surge aí é driblado com o objeto que simula o peito materno. Bem, a verdade é que o cigarro é uma chupeta para os adultos. É um derivativo, algo usado para se esquecer dos problemas reais, assim como as drogas. Quando se é muito difícil lançar sobre a própria vida um olhar franco e objetivo, procura-se fugir dela, e o artifício mais comum é o cigarro. Notem bem: não estou condenando que se fume, essa é apenas a visão psicanalítica do processo.
As desculpas esfarradas que os fumantes dão surgem da necessidade de justificar um ato tão danoso. É que o superego de quem fuma fica envergonhado diante do superego de quem não fuma, então ele inventa explicações mirabolantes, e muitas vezes entristecidas, para explicar porque permite ao ego que faça tamanha maldade ao id. Porque o maior prejudicado nessa história toda é o organismo da pessoa: sua constituição biológica, o id. A instância superior, o superego, perdida em meio às exigências terríveis do ego, acaba cedendo ao vício ainda que esteja plenamente ciente de todos os malefícios trazidos pelo cigarro. O que poderia ser uma solução?
Sugiro o que me parece mais óbvio: que o superego negocie com o ego ferido, oferecendo-lhe outros prazeres, outras recompensas, que não o cigarro. Trabalhar as questões pessoais mais pertinentes também é de tremenda ajuda pois, uma vez equacionados os principais problemas da personalidade, a pessoa sente-se mais dona de si. Quem quer ser escravo de uma mimada criança interior? Para deixar de fumar é preciso crescer, tornar-se plenamente adulto, ciente das dificuldades, mas maduro o suficiente para não se adular com um mecanismo tão maléfico ao bem-estar geral do corpo. É preciso aceitar as dores normais da vida. Quem não o faz vai sempre sofrer duplamente.
A questão fica dramática porque a contemporaneidade exige que se faça somente o que dá na telha. O pensamento contemporâneo rejeita completamente a dor. Ainda que seja muito difícil encará-la, se a pessoa não o fizer, vocês não concordam que ela estará mentindo a si própria? Alguém aí conhece coisa mais miserável para se fazer? Ainda que custe muito, é necessário olhar-se de frente no espelho, completamente nu. Quem é você para ser refém de um enroladinho de tabaco que causa trocentas doenças? Tenho certeza que não é um pobre coitadinho. Não era você que seria capaz de grandes feitos? Pois saiba que o maior de todos eles é dominar-se a si mesmo.
Não se permitir essa auto-análise radical é negar a simples razão. É impedir o superego de falar. É calar uma parte importantíssima da personalidade: aquela responsável pelo nosso são juízo sobre as coisas. Arrisco dizer que toda pessoa dependente tem seu raciocínio turvado pelo vício. Só é livre quem não precisa de nada. O mundo sempre nos traz exigências dos mais diversos tipos. A pessoa livre escolhe para si somente aquilo que é interessante, que importa. A liberdade está aí: na capacidade de escolher por si próprio, sem se preocupar com a opinião alheia. A maturidade exige uma análise constante do eu e a perda completa do medo de olhar para si de um modo verdadeiramente radical.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A eficácia da homeopatia em questão
A medicina é uma das carreiras mais curiosas que existem. Seu objetivo é cuidar das pessoas, mas as dificuldades que os doentes lhe impõem são tremendas! Quantos problemas não surgem porque os pacientes se negam a participar ativamente do tratamento? A mente é deveras potente! Grande parte da "arte médica" consiste em convencer as pessoas a seguir as prescrições do tratamento com rigor, o que coloca no centro da questão o conceito que cada doente faz da medicina pois, se ele não acreditar na eficácia da metodologia proposta, dificilmente se curará. E as pessoas, nós bem sabemos, adoram preterir sólidas evidências favorecendo o charme pessoal de um charlatão qualquer. Mas já que estou criticando os tratamentos alternativos, será que entre eles se inclui a homeopatia? Afinal, até o sistema público de saúde do Estado de São Paulo oferece esse tipo de tratamento. Qual é exatamente o conceito que a classe médica tem dessa especialidade?
Não sei a opinião de todos os profissionais, mas é certo que goza de algum prestígio. E a razão é simples: quando um paciente se nega a receber o tratamento convencional em favor da homeopatia, ainda que esta lhe ofereça apenas pílulas com efeito placebo, se ele está mesmo convencido da eficácia desse tipo de tratamento, todo o seu sistema imunológico fica fortalecido - e a cura torna-se muitas vezes bastante concreta. Não é esse justamente o objetivo da medicina? Aliviar as dores dos homens? Se o que vai lhes curar são bolinhas de açúcar com água, por que não dar-lhes isso? Já ouvi pessoas muito inteligentes afirmarem categoricamente que foram curadas por homeopatia após anos de tratamento ineficaz com a medicina tradicional. Acredito que foram honestas comigo. Apesar de saber que a homeopatia não satifaz as exigências científicas se, estaticamente falando, ela é capaz de curar, por que não continuar oferecendo-a como alternativa real de tratamento?
Uma semana atrás teve fim um processo dramático que envolvia a negligência de um homeopata contra a própria filha. Um juiz australiano condenou a 6 anos de prisão um homeapata que se negou a tratar a filha com a medicina tradicional por omissão de socorro (veja reportagem aqui). A menina morreu tragicamente. Em sua súmula, o juiz argumentou que, ao negar o tratamento convencional, o pai da menina contribuiu diretamente para a sua morte. Então a coisa fica complicada não é? Será mesmo que a homeopatia deveria gozar do privilégio de ser considerada uma especialidade médica? Sei lá. Pelas razões que enumerei nos primeiros parágrafos talvez deva lhe ser permitido um estado de exceção: contanto que sempre encaminhe o paciente ao tratamento convencional, o homeopata pode tratar quem se dispuser a consultá-lo. Ou então seria o caso de entregar os hospitais aos cromoterapeutas!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O inferno pessoal de cada um
Como será o inferno? Do que ele é feito? Será um lago de fogo e enxonfre onde as almas acorrentadas gritam de dor por toda a eternidade? Será um quarto escuro onde a pessoa passará sozinha o resto dos seus dias? Será um lugar deserto onde esquálidas figuras arrastam-se lentamente de um lado para o outro, numa melancólica viagem sem sentido e sem rumo? Se apenas os cristãos creem na sua existência, por que é que as pessoas que não professam essa fé têm tanto fascínio por este lugar? Não seria mais sensato que, ao invés de tecerem mil juízos ou hipóteses sobre o infernal destino, elas tratassem mais uma vez de ridicularizar os cristãos desprezando tudo o que eles ensinam? Por que com o inferno a reação delas é tão diferente? Querem saber se o demônio tem os cornos entortados para trás, se tem pernas de cabrito, se tem rabo retorcido, se tem olhos profundos, se tem garras nas mãos, se suas asas assemelham-se às de um morcego. Pra quê? Não seria mais lógico se dissessem que essa é só mais uma fantasia dos cristãos obscurantistas?
O pior inferno, caro leitor, é o que você inventou para si! Lógico! Pouco importa o que o imaginário medieval construiu. Não é a idade média a era das trevas? Pra que então se preocupar com o que eles pensavam? O inferno real é aquele que você construiu com seus próprios pesadelos. Se você, após morrer, vier a merecê-lo, não se preocupe com o lago de fogo, não! Preocupe-se com aquilo que você mais teme hoje porque, asseguro-lhe, é exatamente isso que você encontrará por lá: aquela coisa que te embrulha o estômago e convulsiona as ideias. Pensem bem se não é isto o que faz mais sentido. Oras, de que adianta assustar com um gato alguém que tem medo de cachorro? Ou expor uma lagartixa a quem não tem medo dela? Se você, após muito esforço, estiver destinado ao inferno melhor saber destas coisas desde já. O inferno (ou o paraíso) que você encontrará é aquele no qual você já está vivendo hoje!. Sim, já dá pra saber. Não disse em um dos campos de comentários que Deus não te impedirá de realizar a sua própria vontade?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
As opiniões variadas e o totalitarismo ideológico
Qual a imagem de um pensamento? Será que os fenômenos que ocorrem em nossa mente são tão reais quanto os da realidade que nos cercam? Será que conseguimos separar com perfeita exatidão os acontecimentos externos dos internos? A filosofia debate esses temas há muito tempo e, desde que esse debate existe, tem-se chegado à diversas conclusões, algumas delas conflitantes entre si. Para que possamos entender minimamente esta questão precisamos ir àquele que é o eixo central de qualquer enunciado: o pensamento. Que é exatamente o pensamento? Eu não faço a menor ideia! Eis uma coisa que eu jamais vi: um pensamento. Eis uma coisa que não pode ser comprovada segundo o nosso conhecimento atual das leis da física e da química: o pensamento. Nada menos palpável e mais abstrato que a simples afirmação de que 2 + 2 = 4! Ganha o Nobel quem demonstrar a existência do número 2. Sabe por quê? Porque o número 2 simplesmente não existe. Senão, mostre-me!
Que dirá então uma palavra! Sei lá! Liquidificador, por exemplo. Quem me mostrar um liquidificador ganha uma bala. "Ah! Como o Henrique é bobo! Só na minha casa tem 2 liquidificadores!" Ainda bem que é na sua casa, porque na minha, graças a Deus, não tem nenhum. Dentro da minha casa só se encontram coisas que existem e, felizmente, liquidificador não é uma delas. "Ué?! E o que é aquele equipamento que tritura as coisas?" Oras: é um amontoado de polímeros e metais dispostos de modo a desempenhar uma função. Só. Liquidificador é uma palavra. E palavras, como já disse, não existem: são tão abstratas como o número 2 ou qualquer outro pensamento - não fazem parte da existência material das coisas. Essas letras mesmas que vocês veem neste momento: são eletronzinhos excitados, só. Serem vocês capazes de reconhecer sentido neles, conforme os padrões como estão dispostos, é algo estupendo e inexplicável.
Resumindo: pensamentos são amontoados de símbolos, sejam eles palavras, números ou imagens. No geral, enquanto estamos acordados, pensamos com palavras: é mais simples e rápido. Porém, em nossos dias atuais ocorrem confusões sem fim quando um ser humano fala com o outro. No passado, a comunicação era bem mais simples: compartilhavam-se todos os códigos. A maioria das pessoas pensava de modo muito semelhante e, por conta disso, falar era simplérrimo. Celebravam-se as mesmas coisas, chorava-se pelas mesmas razões. Então, surgiu a noção de indivíduo, e as coisas começaram a complicar. O idioma perdeu a eficácia imediata que tinha: falar com alguém ao seu lado começava a se tornar tão difícil quanto falar com alguém de outra nação. Pouco importa que existam outros veículos eficazes, como a música, por exemplo. Pois se não são úteis na linguagem cotidiana servem apenas para tipos de comunicação abstratos.
Para a comunicação do dia a dia precisamos de algo mais rápido e eficaz que, como já disse, são as palavras. E aqui chegamos ao segundo nível do nosso problema. Como é que para as pessoas de um determinado país, falantes de um só idioma, a comunicação se torna cada dia mais complicada? Parece que conforme os anos vão passando ela vai ficando cada vez mais truncada, como se o código padrão estivesse ramificando-se em variáveis que impedem a troca de ideias entre pessoas de diferentes procedências. O que ocorreu? É simples: com o surgimento do indivíduo diversificaram-se as ideias. Não que antes todos pensassem literalmente as mesmas coisas. Claro que não. Mas o código existente entre as pessoas era muito mais simplificado. A cada um desses grandes grupos de ideias chama-se discurso. Vou exemplificar: a pessoa que fala o discurso cientificista, por exemplo, tem dificuldade de conversar com alguém que esteja habituado ao discurso religioso.
Mesmo que não haja grandes discordâncias entre essas pessoas pode ocorrer uma desavença! É que a diferença entre as formas semânticas mais utilizadas por cada uma delas trunca o sentido dos termos, impossibilitando o reconhecimento pleno do que é dito. Recentemente, tive aqui no blog um grave disparidade nesse sentido e ninguém me chamou a atenção. Pouco mais de uma semana atrás, disse que os brasileiros eram bons porque mantém-se católicos apesar do recente avanço das ideologias modernas em nosso país. Alguns dias depois, disse que os brasileiro eram péssimos porquem incivilizados: gostam de funk, participam de corrupção nas mais diversas formas, odeiam o conhecimento, etc. No entanto ninguém me questionou: "Como você pode acreditar em duas coisas tão contraditórias ao mesmo tempo?" Aí que está o interessante. Dentro do discurso religioso opinei ser o Brasil um país evoluído por causa da piedade católica do seu povo. Já comentando o nosso desenvolvimento enquanto civilização, havia entrado em outro campo do discurso, onde os brasileiros destacam-se por serem atrasados.
Do ponto de vista científico teríamos que trabalhar com estatítica para aferirmos a verdade numérica dos fatos! Teríamos que fazer aos brasileiros de diversas regiões perguntas como estas: você se declara religioso? Quantas vezes no mês você frequenta a Igreja? Você ouve funk? Com que frequência? Você se orgulha de não ter estudado? Você considera o conhecimento uma coisa supérflua e desnecessário? Então, com base nas respostas obtidas, faríamos um gráfico que determinaria a expressão matemática por detrás das minhas afirmações. Todavia, não precisei de nada disso para me fazer compreender nos dois assuntos completamente diferentes entre si: vocês entenderam que se tratavam de discussões que ocorriam diferentes discursos. Não cabia cruzá-los, ao menos enquanto debatia cada assunto separadamente. Todavia, o esforço por maior cooperação e compreensão mútuos da contemporâneidade passa pelo cruzamento dos saberes, pela valorização das diferenças e respeito verdadeiro pela liberdade. O saber do séc. XXI não é somente interdisciplinar, é também supradisciplinar.
Qual não é a nossa tristeza ao perceber que há muitos que ainda preferem arguir sobre as poucas diferenças que existem ao invés de focar no que já é patrimônio comum? "Eu li isso isso direito, Henrique? Poucas diferenças?" Claro que sim! Quem acha que ditaduras totalitárias são coisas boas? Quem concorda com a escravidão? Alguém aí consegue mover multidões com a defesa apaixonada do terrorismo internacional? No ocidente, pelo menos, ninguém. Todos consideram o progresso econômico uma coisa positiva. Também é bom o combate à pobreza, à ignorância, à corrupção. Enfim, praticamente uma infinidade de coisas une todos os homens. Mas aqueles que querem resumir a opinião geral ao próprio discurso querem ressaltar somente as diferenças, pregando constantemente o ódio entre as pessoas de diferentes opiniões. O problema de quem rejeita o discurso alheio é o descaso completo para com o outro! Para essas pessoas, o outro não pode existir: antes, precisa ser combatido, erradicado, eliminado, exterminado!
No geral, quem são essas pessoas intolerantes? São aquelas que ainda não estão plenamente convencidas pelos argumentos que defendem. Onde há dúvida, há a luta pela manutenção daquela verdade. Qualquer saber que lhe seja oposto atiça os ânimos. Claro! Se eu luto por defender uma ideologia da qual eu mesmo não estou 100% persuadido, é evidente que caso alguém se manifeste diante de mim com uma opinião contrária eu ficarei irritado, porque aquela opinião diferente enfraquece a defesa que eu mesmo faço da ideia que quero defender. Uma pessoa com fortes convicções não é assim. Podem bater contra ela terríveis ventanias da adversidade que ela mantém-se firme na sua posição, sem precisar irritar-se em momento algum. Claro! Afinal, ela está verdadeiramente persuadida daquela ideia que professa. Quem é mais inseguro: o cientista que professa um conhecimento clássico ou aquele que ainda não comprovou sua hipótese?
O que sem dúvida alguma tornou-se tarefa muito nobre em nossos dias é o desmascaramento dos grupos intolerantes: aqueles que pretendem impor aos outros o seu discurso - justamente aquele do qual estão pobremente convencidos. É evidente que todos os que querem colaborar com uma sociedade mais igualitária e tolerante são bem-vindos nessa luta. Os que quiserem sofrer com suas ideologias tristes e derrotistas que o façam sem procurar contaminar os outros com seus lamentos depressivos e decadentes. Precisamos verdadeiramente de mais respeito pela diversidade de opinião em todas as áreas. Somente assim teremos um futuro civilizado de fato, onde todos serão bem-vindos, sem exceções de espécie alguma.
O pequeno herói que entregou a vida para salvar um amigo
Em Belém do Pará, o jovem Emerson Gomes, de 12 anos de idade, foi enterrado no último dia 5 de agosto. Portanto, a notícia não é nova. Mas a compartilho com vocês porque me emocionou ao ponto de marejar meus olhos (o que não é nada fácil de se fazer). Durante um tiroteio, Emerson cobriu o corpo de um menino de 6 anos de idade - tomou um tiro no quadril e morreu horas depois no hospital.
Atos desse estilo eram desconhecidos dos pagãos. Sacríficio de si mesmo em benefício de outros, para eles, era loucura. Havia apenas o egoísmo superficial que levava às constantes guerras tribais. No caso romano, mais especificamente, à destruição de grandes e prósperas cidades por puro interesse financeiro. Apesar do enorme progresso havido, ainda há os que condenam essas grandes conquistas civilizatórias do Ocidente.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A bela Malu Mader e o demônio
Malu Mader é uma grande fofa: bonita, inteligente, articulada, carinhosa, etc. Não à toa foi várias vezes escolhida para vender sabonete. "Ela é a delicadeza em pessoa", devem pensar os diretores de marketing da Unilever. Tive a oportunidade de conhecê-la enquanto trabalhei numa empresa de finalização de cinema. Posso assegurar a vocês: ela é muito gentil pessoalmente. Malu estava lá para concluir um documentário a respeito de crianças pobres esforçando-se por tornar músicos eruditos - um belo filme que ela própria dirigiu. Além desse trabalho (que já está concluido), ela está atuando na produção de Bellini e a esfinge, um filme baseado no romance homônimo escrito pelo seu marido, o músico Tony Belloto. Um talento a moça, mas a julgar pelas informações difusas da internet ela é ateia.
Oras, qual o problema em sê-lo? Se a pessoa não for um genocida em potencial, nenhum. Porém, reservo-me o direito de considerar essa opção ideológica uma tolice sem paralelo - uma enorme ingratidão para com o grande Deus que constantemente nos abençoa. De qualquer forma, esse tipo de rebeldia não é novidade: já nas escrituras antigas o rei Davi menciona-a. Um leitor impaciente talvez já esteja se perguntando: "Por que ele está comentando tudo isso?" Porque durante as filmagens do filme supramencionado, Malu Mader viu-se envolvida com estranhos fenômenos sobrenaturais (veja reportagem aqui).
"Ah! Mas talvez seja somente ação de marketing!" É verdade. Talvez o seja, afinal os brasileiros adoram qualquer história de fundo sobrenatural: elas sempre vão bem nos nossos cinemas - inclusive, é uma grande pena que esse filão de mercado tão amplo não seja corretamente explorado pelos cineastas. Porém, se os fatos que a reportagem menciona são inverídicos seria uma grande pena! O ator Nill Marcondes relatou que, após alguém da produção ter acendido um círculo de fogo no chão, apareceu uma grande labareda - fato que teria assustado a todos. Talvez fosse algo previsto pelo diretor, sei lá. Mas se a história fosse só isso não me daria ao trabalho de escrever este texto; foi com a própria Malu que se deu o mais estranho: uma cópia do roteiro do filme recebido por ela teve todas as palavras demônio misteriosamente suprimidas.
Talvez seja mentira, mas não me pareceu o caso. De qualquer forma, o desaparecimento da palavra demônio não ocorreu apenas no roteiro de Malu, mas também nos roteiros de outros membros da equipe. Oras, se isto se deu como afirmado pela reportagem tem-se uma verdadeira ocorrência sobrenatural: algo que foge à nossa explicação. Talvez o rabudo não tenha gostado de ver-se tão comentado. Dizem que ele não gosta de ser lembrado pois, caso as pessoas duvidem de sua existência, seu trabalho se torna muito mais fácil. Ou seja, entre aqueles que creem na sua existência ele não consegue ser tão influente quanto no meio daqueles que dele duvidam. Será que não valeria a pena tentar entrar em contato com ela para verificar se essa história é real?
Um leitor habitual dessas páginas, o Ariel Wollinger, tem meios para fazê-lo. Além do mais, ele tem certo talento para a reportagem. Uma vez houve uma batida de carro na frente da empresa onde ele era meu supervisor e, apesar da grande improvisação, ele entrevistou os envolvidos com desenvoltura. Que tal, Ariel? Se eu tentar contatá-la terei um pouco mais de trabalho. Você resolve a parada com dois telefonemas. Seria a primeira entrevista do blog. Usando uma linha paralela você até poderia gravar a conversa (com a óbvia autorização dela), depois eu poderia trancrevê-la aqui. É provável que ela aceite porque, além de divulgar o filme, é também uma oportunidade para expor o ponto de vista ateu dela. O que você acha? Penso que nossos leitores habituais estão curiosos para saber a verdade dessa história.
domingo, 4 de outubro de 2009
Quais são os nossos heróis?
Até mesmo eu estou de saco cheio de tanto falar a respeito de coisas negativas! É certo que estamos cercados por muitíssimas delas, mas nem só de fracassos caminha a humanidade (mesmo a tupiniquim). Apesar de ter dito uma série de verdades no post abaixo, ficou um gosto ruim na minha boca por ter afirmado que nossa contribuição à humanidade, em 500 anos de existência, foi "ZERO". Bem, sem dúvida alguma, há vários modos diferentes de olharmos esta questão. Essa multiplicidade de fatores que envolvem qualquer análise ainda será tema para um post que não tardará. Por hora, quero fazer um humilde esforço para elencarmos os vários notáveis que participaram ativamente no enriquecimento desta nossa grande nação. Conto com a colaboração de todos os leitores para que meus esquecimentos sejam supridos! Então vamos lá! Vou citar de cabeça aqueles que, na minha opinião, foram (ou são) os maiores homens e mulheres da pátria, com uma única regra: precisam ser brasileiros natos. Será que esquecerei alguém importante?
Oswaldo Cruz, Cartola, Heitor Villa-Lobos, Aleijadinho, Barão do Rio Branco, Santos Dumont, José do Patrocínio, Machado de Assis, Castro Alves, Frei Galvão, José de Alencar, D. Pedro II, Princesa Isabel, Pixinguinha, Mário Covas, Pelé, Luiz Gonzaga, César Lattes, Victor Brecheret, Tiradentes (incorporo-o à lista porque foi o único que se recusou a negar o movimento pela independência, pagando com a própria vida por esta convicção), Duque de Caxias, Tom Jobim, Ayrton Senna, Carlos Chagas, Elis Regina, Pedro Américo, Victor Meireles, Ivo Pitanguy, Nelson Freire, Maurício de Souza e... putz! Só? Acho que estão faltando muitos nomes. Apenas duas mulheres?? Isso não pode estar certo! Claro que me lembrei de outros nomes, mas não os considerei aptos à lista. Domingo à noite não parece ser o melhor dia para a minha memória. Tem muitos músicos e literatos nessa lista. Será que vocês me ajudam a melhorá-la? À medida que os comentários forem caindo vou atualizando-a. Será que desta vez vocês se manifestam? Por favor, percam a timidez!
sábado, 3 de outubro de 2009
Os macaquinhos olímpicos
Durante meus anos universitários, foquei os estudos em compreender o que somos como sociedade, em como se teria formado o que hoje poderíamos chamar de brasilidade. Não à toa fico aborrecido com nossa realidade cinematográfica pois, além de serem incapazes de pensar, os cineastas reproduzem o ideário esquerdista sem submetê-lo à menor crítica - é uma realidade que não inspira utopias. Nesse afã de compreender o que somos frequentei diversas aulas de psicologia e literatura, onde muitos professores constantemente se queixavam de ser o brasileiro muito avesso (e até mesmo contrário) à inteligência. É uma afirmação muito forte - será que está correta?
Oras, não apenas são avessos à inteligência como também são-lhes contrários. Os brasileiros têm alergia ao pensamento, mas não a bundas, carnaval, bebedeiras, futebol, funk, etc. Não existe classe intelectual brasileira - a maioria dos que se esforçam nesse sentido reproduzem a agenda esquerdista europeia, sem se darem conta que esta é só mais uma imposição externa e colonizatória, que não somente ignora por completo o que momentâneamente somos, como também impede o florescimento de uma intelectualidade verdadeiramente original.
A "inculta e bela" nunca foi tão inculta quanto em solo tupiniquim. O uso do idioma pátrio no Brasil está mais para interjeições selvagens do que para efêmero meio de comunicação: aqui não se fala, grunhe-se! A pequena civilização que existe aqui está cercada pelos grunhidos de bestas selvagens, de seres das trevas que odeiam o progresso civilizatório e seus nobres frutos. Uma farsa, uma mentira, um escarnecedor riso de satânica hiena: eis o Brasil. Os que estudaram a primeira literatura pátria, aquela feita ainda no séc. XVI, em pleno intercâmbio com Portugal, sabem que os homens de letras ainda não se tinham decidido se éramos paraíso ou inferno.
Essa dúvida está completamente dissipada hoje: não somente o Brasil é um inferno como está no quinto deles (conforme afirmou a Carlota Joaquina). São praticamente infinitas as razões para isso, porém, arrisco afirmar com grande certeza, a mais importante delas é o descaso pelo idioma! Quem não fala direito, não pensa direito, a psicologia ensina, pois pensa-se com palavras. O pensamento de quem grunhe não pode ir além do créu. A ficção descobriu um novo grau de profundidade quando o Brasil surgiu. Seus habitantes são, na grande maioria, bestas-feras selvagens: não há lugar algum para delicadezas abaixo do Equador.
Poesia, aqui, é coisa de viado, já repararam? Conheço pouquíssimos professores de portuquês que não são bichonas escandalosas. No Brasil, macho que é macho cospe no chão, coça o saco, pega todas, enche a cara, arrota e peida em público. Quem sofre com isso? Todos. Em primeiro lugar as moças, que não encontram um homem direito e, quando o fazem, não o compreendem: "Que diabo de homem é esse?" Acabam todas se adequando ao infernal padrão nacional: shorts apertadíssimos, reboladas que fazem o ânus ciscar o chão, doação generalizada de genitália e, depois, uma ressaca moral surpreendente: não são felizes - só fazem reclamar.
Tudo isso porque não respeitamos o idioma? Sim. Quem não fala direito, pensa errado. O primeiro degrau que se precisa subir para que o pensamento exista é o conhecimento da língua local. Bicho, aquele que grunhe, não pensa. Razão e lógica são coisas de seres elevados, de seres humanos - coisa praticamente inexistente no Brasil. E, no entanto, esses macacos pelados, os brasileiros, sediarão os jogos olímpicos na sua capital cultural. O que terão a dizer de si na cerimônia de abertura dos jogos? Em 2004 os gregos relembraram a sua milenar civilização, assim também fizeram os chineses quatro anos depois. E os brasileiros, esses seres da profundezas infernais, que farão?
Apostam quanto que acabarão colocando funk já na cerimônia de abertura? Consigo até imaginar o seríssimo Rogue, presidente do Comitê Olímpico Internacional, requebrando ao lado da Lacraia. Assim é o Brasil: contamina o mundo com sua incivilidade, com sua bestialidade. Nossa contribuição à humanidade em 500 anos de existência é ZERO! Bulhufas! Tentou-se de tudo durante o séc. XX para que surgisse uma cultura local: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Villa-Lobos e mais um grande número de intelectuais devotaram completamente a própria existência à esta árdua tarefa. Apesar do hérculeo esforço, vemos hoje que a nave não decolou.
E por que deu-se esta verdadeira tragédia? Porque para perdurar no tempo, o pensamento precisa ser escrito: é necessário a existência de uma ampla classe intelectual capaz de ler para que se mantenham as conquistas civilizatórias, senão tudo se desfaz em efêmeras nuvens de gases. Os jogos de 2016 flutuarão sobre as ilusões de uma classe-média bestial que mal sabe falar. Às pessoas inteligentes bem-intencionadas, só resta o silêncio. Enquanto os outros grunhem, o cortejo civilizatório procura passar sem ser notado: é parte de seu esforço para não ser atacado pelas feras.
No Brasil contemporâneo, a vida intelectual é idêntica àquela praticada nos mosteiros medievais durante a era das invasões bárbaras: uma atividade de resistência de uns poucos iluminados - um esforço sem medida pela preservação das poucas conquistas havidas. Essa é uma visão honesta e realista. Apesar dela, estou bastante otimista em relação aos efeitos dos jogos para esses macaquinhos funkeiros que são os brasileiros: já tenho farto material para o blog durante as próximas semanas. O mundo virá para cá, e trará-nos a sua iluminação civilizatória.
Se pessoas inteligentes estiverem a cargo da cerimônia de abertura poderemos respirar aliviados: não aparecerá uma gota de Brasil, afinal, para os macacos, bananas. Se houver a real disposição para o renascimento literário em terras brasileiras, a cerimônia versará sobre as conquistas dos outros povos. Os macacos, como bons alunos, sentar-se-ão quietinhos para aprender o que é importante de verdade e, portanto, merece ser valorado. Se tivermos mesmo muita sorte, podemos até mesmo imaginar os funkeiros sendo chibatados no tronco, no meio do Maracanã,
Ou vocês acham que Roma foi construída em um só dia? O Rio de Janeiro tem, com as olimpíadas, a sua chance de ouro: poderão escolher entre o elogio da incivilidade brasileira, ou o enaltecimento da humanidade que verdadeiramente o merece. A esses macaquinhos fedorentos bem cabe um cabresto. Se a abertura estiver a seu encargo, só veremos macaquices. As olímpiadas serão um episódio central na imagem que os brasileiros farão de si pelas décadas seguintes aos jogos. A salvação, infelizmente, não está nas suas próprias mãos. Somente se o Comitê Olímpico Internacional intervir diretamente assistiremos uma cerimônia com um mínino de dignidade.