A importância das imagens está continuamente em discussão. Argumentam alguns que se trata de coisa muito relevante, de enorme influência sobre as pessoas. Outros dizem que não é bem assim. Estes últimos sustentam que a força dos estímulos visuais é muito superestimada. Essa é uma discussão tão profunda que ainda não é a hora de analisá-la. Gostaria apenas de destacar alguns aspectos das diferenças entre ideia visual e ideia literária. Pensemos, por exemplo, em uma flor. Algo em nossa mente responde rapidamente com uma espécie de imagem mental do mínimo múltipo comum de todas as flores. Coisa muito diversa disto são cada uma das flores individualmente, pois nenhuma dessas se encaixa na imagem oferecida por nosso intelecto. Portanto, quando vemos a reprodução da imagem de uma flor, como, por exemplo, em um retrato, contemplamos uma coisa que existe (ou que pelo menos existiu) na realidade. A flor do nosso pensamento existe de forma radicalmente diferente desta.
Já podemos intuir algumas das diferenças que existem entre uma flor projetada na tela de um cinema e a leitura do termo "flor" em um romance. A flor do cinema tem cor, tamanho (se comparada a alguma coisa) e anatomia bem definidas. A flor do pensamento pode ser mais viva que aquela exibida no telão, mas geralmente é muito mais frágil que a reprodução do objeto real. Ou seja, a flor do pensamento é mais livre que o retrato de uma flor, pois consegue ser até mesmo mais viva que uma flor real. Imaginemos, por exemplo, um sujeito que delira todas as pedras serem flores, e todas as flores serem pedras. Quando seus olhos veem uma pedra, sua mente aciona a emoção despertada por uma flor. O sujeito pode, então, sentir-se fortemente atraído pela pedra. Sua atração, porém, está completamente voltada para a ideia de uma flor, ou seja, algo muito particular. A flor que o encanta é a flor do seu pensamento. Se diante do mesmo sujeito for colocada uma flor real, ele a desprezará como todos fazemos com a grande maioria das pedras.
Se vocês prestaram atenção puderam perceber que a flor mais real que existe é uma que não possui existência material; ela existe somente em nossa mente. Porém, na grande maioria dos casos, a flor do pensamento, aquela despertada pela leitura do termo "flor" em um romance, é mais frágil que a flor real, que tem a própria existência material a seu favor. Este simples exemplo talvez nos ajude a compreender porque a leitura exercita mais a imaginação que o cinema. As palavras são menos completas que a reprodução das imagens e precisam, portanto, de uma maior participação do seu observador. Essa percepção simples já levou a equívocos colossais. Muitos imaginaram que o cinema teria um poder avassalador sobre a mente das pessoas. Tanto é assim que todos os governos totalitários do séc. XX procuraram se apropriar dele com o claro intuito de dominar as pessoas mentalmente. O estudioso de cinema sabe que todas essas tentativas foram ineficazes. É grande a dificuldade em se tentar hierarquizar corretamente os valores envolvidos nesta questão.
Ao mesmo tempo em que assistir um filme demanda menos energia mental que ler um livro, o entendimento de ambos precisa da correspondência dos consumidores. Desde muito cedo psicólogos propuseram que um filme só pode ser compreendido à medida que o intelecto dos espectadores consiga recriar mentalmente as imagens que são projetadas na tela. É fácil demonstrar que o entendimento de um filme passa pela imagem mental que ele provoca. Peça a um exímio desenhista que reproduza em papel uma tomada do meio de um filme ao fim da sessão. Dificilmente ele conseguirá reproduzir fielmente a imagem que foi projetada, porque a imagem da qual ele se recorda foi aquela projetada em sua mente. Ou seja, a imagem projetada na tela foi interpretada por ele, de modo que a imagem real tem importância menos objetiva que a imagem que seu intelecto criou, afinal, a imagem que ele carrega consigo é aquela criada em seu interior.
E se os espectadores de um filme não conseguirem recriar mentalmente as imagens de um filme? Você já teve essa experiência. Todos nós já assistimos um trecho de filme onde se acelera o corte entre as imagens. No fim do processo, cada fotograma possui uma imagem que não corresponde ao fotograma interior. Cada um deles é projetado sobre a tela, mas nossa mente não consegue capturar cada imagem isoladamente. O efeito que esse processo causa em nossa mente é o de confusão. Ou seja, só conseguimos entender um filme quando somos capazes de assimilar mentalmente as imagens que ele contém. De certa forma, todos nós somos diretores de cinema, pois o E.T. de Steven Spielberg não nos interessa. O E.T. do qual nos recordamos é aquele que nossa mente construiu em nossa lembrança enquanto asssitiamos o filme de Spielberg.
Notem que a arte tanto do filme quanto do livro se resume a capacidade do artista em conduzir o pensamento dos consumidores. Será mais eficaz aquele que melhor seduzir ou instigar as pessoas que se aproximarem de sua obra. Mas se no entendimento de um filme a mente é tão ativa quanto no entendimento de um livro, como se pode dizer, como já afirmado, que a leitura exercita mais a imaginação (ou a mente como um todo) do que o cinema? É que nada pode ser compreendido sem a participação ativa da mente. Entender um filme a que se assiste demanda a nossa partipação, caso contrário, não poderemos compreender coisa alguma dele. Apesar disso, acho que todos compreenderão que, ainda que assistir a um filme exija o nosso pensamento, a leitura de um romance necessita de esforço maior. Talvez possamos enunciar o seguinte: o processo de construção mental das imagens que nos permitem compreender tanto o romance quanto o filme é maior no primeiro, o que não significa que não exista no segundo.
É que nossa mente cria mais facilmente a imagem mental de uma flor vendo a reprodução da imagem de uma flor real do que lendo a sua descrição. Afinal, o que é mais material, a imagem de uma flor ou as palavras que se poderiam utilizar para descrevê-la? Ainda que a imagem da flor não seja a própria, ela é mais imediata para nossa mente do que várias palavrinhas dispostas uma após a outra. Portanto, não é à toa que um povo tão pouco dedicado à leitura e ao saber como o brasileiro se interesse tanto por obras audio-visuais. Sua sede de sentido é satisfeita mais facilmente pelo drama veiculado em produtos audio-visuais do que em publicações literárias. Contudo, se fossemos falar dos processos mentais da criação de sentido através dos diferentes meios verificaríamos que requintes de sofisticação essa questão é capaz de atingir. Convém parar agora. A "digestão" mental do que já foi escrito até aqui o exige.
Diferentes processos de criação de imagens mentais
Marcadores: Arte, Cinema, Individualidade, Processo social do saber 3 comentáriosPostado por Henrique Rossi às 19:56
Se os seus genes falassem...
Marcadores: Ciência, Individualidade, Medicina/saúde mental 4 comentários
Que recado seus genes dariam se falassem? Será que diriam algo como "gosto de comida gordurosa?" Ou ainda: "Não estou nem aí pra sua dieta ridícula." Ou ainda: "Gosto muito de sombra, comida e água-fresca". Essa é uma questão pertinente. A todo tempo os meios de comunicação noticiam uma nova pesquisa espetacular segundo a qual nossos genes determinam isso ou aquilo no nosso comportamento. Concluo que, se eles falassem, teriam de corroborar os resultados dessas pesquisas. Mas, infelizmente, isso não aconteceu nem jamais acontecerá. Genes não falam. Eles apenas exalam o perfume que roubam de ti, ah! Sim, os genes manifestam característas do psiquismo e, ainda que o contrário também seja verdadeiro (pois o psiquismo manifesta características genéticas) parece que a influência da mente sobre o corpo é maior. Como se pode afirmá-lo?
Quem sobe a montanha é o corpo, mas quem a conhece é a mente. Quem entra no carro é o corpo, mas quem consegue visualizá-lo (e operá-lo) é a mente. De fato, é a mente quem confere existência às coisas que, embora estejam lá, só te tornam efetivamente presentes quando alguém se põe a analisá-las. É o pensamento que constrói o mundo. Não há razão para supor que os nossos corpos seriam capazes das mesmas peripécias que fazemos sem a nossa mente. Parece que, sem o psiquismo, nossas populações seriam somente mais um agrupamento animal, incapazes de plantar uma semente, sem inteligência para se abrigarem das intempéries. Com a mente, porém, apesar da nossa imensa fragilidade física, conseguimos dominar o planeta e usá-lo a nosso favor. O psiquismo pode fazer uma pessoa sem genes cancerígenos desenvolver um tumor. Da mesma forma, ele é capaz de fazer com que uma pessoa com genes cancerígenos não desenvolva um tumor. Ou seja, sem grande esforço podemos demonstrar que a mente é muito mais relevante para o homem que o seu corpo.
Apesar disso, parece que a tendência em despersonalizar o homem avança a cada dia. Ao invés de procurarmos entender o homem em sua totalidade, ou seja, estudando-se todos os fenômenos objetivos que o compõem, avançam a largos passos ideologias que procuram negá-lo em suas especificidades como que tentando reduzi-lo. Logo, ao invés de se procurar explicar o ser humano a partir de todas as coisas que o compõem, há em curso um projeto que procura despersonalizá-lo, reduzindo-o da condição de ser existente, capaz de interferir na história, à triste condição de marionete da natureza, ou seja, de um reles animal. O que é o logos que diferencia o homem do animal? Eu não sei ao certo. Só que, ao contrário dos moderninhos, eu não irei negá-lo apenas porque não consigo descrevê-lo com exatidão.
É, no fundo, uma questão de sinceridade. O homem é ou não capaz de pensar? É. Então acabou: é capaz de pensar e ponto final. Os animais são capazes de pensar? Não. Então acabou: não são capazes de pensar e ponto final. Não estou dizendo que os bichinhos não sejam capazes de truques engraçadinhos, nem que o homem seja incapaz de bestialidades. Estou apenas afirmando com simplicidade o que constitui a ambos. Para se incutir ideias falsas na opinião pública é preciso enganá-la sistematicamente. A ideia de que o homem é um animal como outro qualquer só porque possui mitocôndrias não é atual. E é por isso que o estrago que ela tem feito aumenta exponencialmente, pois a mentira acaba se reforçando a si mesma enquanto não for combatida. No meu ponto de vista, basta que algumas pessoas aprendam a verdade (ainda que ela não seja fácil) e, aos poucos, os enganos serão esvaziados.
O que não se pode admitir é que, pelo fato da consciência e do psiquismo ainda serem grande incógnitas, os mesmos sejam covardemente descartados como objetos de análise. Qual o efeito disso? Constróem-se falsos saberes sobre as baboseiras que são de fácil compreensão como, por exemplo, as organelas, os hormônios, os sistemas, essas bobagens de açougueiro que qualquer idiota com um microscópio e um bisturi consegue aprender. Não podemos permitir que os idiotas determinem o que é o ser humano, ainda mais porque já deram provas diversas que não acreditam na humanidade enquanto tal. Para essa gente, o homem do futuro é tal e qual um porco no chiqueiro. Devem pensá-lo assim porque, por algum estranho motivo, veem no suíno um reflexo do seu eu perturbado e distorcido.
Postado por Henrique Rossi às 09:57
Onde foi parar Gregory House?
Marcadores: Individualidade, Medicina/saúde mental, Televisão 2 comentários
Sabem o Dr. House, aquele da famosa série de TV? Eu o conheci em Niterói, no curso de psicologia da Universidade Federal Fluminense, no tempo em que ele era somente professor universitário. Sabem o famoso estilo desafiador, sem papas na língua? Exatamente. Aquele mesmo que, quando desafiado por uma ideia equivocada, destruia o infeliz que a havia pronunciado sem dó nem piedade. Esse! E o fazia com que intenção? A melhor de todas, a mais libertadora: a cura! Para House, o que importava mesmo era curar as pessoas, ainda que isso levasse a maus-entendidos, ainda que o paciente reclamasse do "remédio" ou das dores. Curar alguém não equivaleria, segundo House, a adulá-lo, encher-se de compaixão por ele. Curar um doente significava, necessariamente, a máxima impiedade com a doença, que, para o bem do doente, precisa ser radicalmente extirparda, ainda que a sua extração cause dor. A impiedade de House era, portanto, um tanto falsa, pois ele sempre a utilizava com a melhor das intenções, ou seja, para além das aparência, ele se movia sempre por motivos "piedosos".
Já viram a tal bengala? Farsa. Enquanto House lecionava em Niterói ele nunca precisou de uma. Sua necessidade era outra: um daqueles chapeuzinhos tortos dos franceses que eu não conheço o nome, coisa de gente alternativa - que bobeira. Seu nome em terras fluminenses era outro: ele se chamava Clauze antes de atuar nos EUA. Então, quando Niterói não já poderia mais satisfazer sua inquietação, ele inventou outra farsa (uma doença incurável) e resolvir "partir". Mas eu sei que ele só mudou de endereço. O estilo continua o mesmo. A impiedade com o erro continua igual. House sempre foi um tipo meio misterioso, do qual pouco se conhece. Mal consigo imaginar as razões que o levaram a se mudar para os EUA. (Melhores salários?) Nos seus alunos ficou uma saudade avassaladora. Depois que ele se mudou, liguei várias vezes para o seu telefone, só para ouvir o recado que ele deixou gravado na secretária eletrônica da operadora.
Por bastante tempo aquela gravação esteve lá, intacta, com o mesmo estilo inconfundível. A operadora de telefonia recentemente deletou a mensagem do sistema. Quando disco aquele número não caio mais na gravação. Tampouco alguém atende. Acho que dá uma mensagem de número inexistente. Por quê? Custava tanto manter o recado lá, intacto? Se o número não foi vendido, se não está sendo utilizado por ninguém, por que apagar a humilde mensagem, jogando-a no nada? Que resta do Clauze, digo, House? Será que dele só terão ficado lembranças? Todas aquelas aulas fantásticas hoje existem apenas na mente dos seus ex-alunos? É tão pouco, é tão rarefeito. Tivesse ele ficado um pouco mais entre nós eu ainda poderia brigar com ele (sempre fui corajoso), questioná-lo, enfrentá-lo e (suma coragem) contrariá-lo! Não mais. Hoje, alguns anos após sua partida, só ficou dele uma névoa difusa e persistente.
Postado por Henrique Rossi às 17:48
O Natal dos pobres quando o Governo faz seu trabalho direito
Marcadores: Criminalidade, Política 0 comentários
Nunca ouviram falar na polícia pacificadora? É uma inicitiva do capitão do Bope que dirige a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro aceita e implementada pelo Governador Sérgio Cabral. Já tive outras ocasiões em que quis mencioná-la, mas essa é perfeita. Pela primeira vez na história, diversas comunidades do Rio tiveram um Natal normal, com panetone, churrascada na lage e Papai Noel. Como esse feito incrível foi realizado? Fazendo a polícia subir o morro, ocupando-os e expulsando os traficantes. É possível combater os bandidos do Rio de Janeiro e vencê-los? Sim, basta tomar a eles o que não lhes pertence. Só assim o povo honesto e trabalhador, a grande maioria dos favelados, terá a paz tão necessária para conquistarem o progresso pessoal tão almejado e justo.
Os que se interessaram por esta iniciativa tão nobre e necessária poderão assistir este outro vídeo que explica como se dá o processo de ocupação policial dos morros.
Postado por Henrique Rossi às 01:46
O banco Itaú avisa: o perdão foi feito pra você
Marcadores: Individualidade, Publicidade, Religião 0 comentários
Os homens auto-suficientes julgam-se libertos da necessidade do perdão. Do ponto de vista simbólico, eles vivem unicamente do seu próprio universo psíquico. Bastam-lhes as suas resoluções e determinações internas. Eles não se veem parte do todo. Portanto, ainda que sintam falta de uma correspondência externa ao modo como vivem, preferem este isolamento auto-imposto a se abrir. Como consequência, carregam dentro de si um peso emotivo desproporcionalmente grande; uma carga que os escraviza da própria vontade, tornando-os cada vez mais dependentes da própria auto-suficiência, aprofundando-se, assim, no egoísmo e na arrogância. Sem grandes dificuldades, essas pessoas chegam à conclusão de que os outros são mesmo um inferno pois, como existem de maneira necessariamente diferente, revelam ao egoísta que ele mesmo possui compaixão; um sentimento que ele preferiria esconder de si e, principalmente, dos outros. Ou seja, compartilho da ideia de que não há ninguém que seja 100% mau. O que existem são pessoas 100% determinadas a apagarem de si qualquer resquício de bondade. São essas as pessoas que se irritam profundamente com o proceder das pessoas amorosas, pois estas denunciam-lhes a maldade que praticam não com palavras, mas com o comportamento. O egoísta sente-se arrasado em notar que a sua maldade não lhe é própria. É antes um desejo que ele quotidianamente se impõe, e ao qual só consegue ser fiel com muito esforço e dedicação.
O perdão existe para todos, mas só o aceitam as pessoas que se sabem imperfeitas, que admitem terem sido muitas vezes seduzidas por essa maldade que as pessoas egoístas procuram de modo tão apaixonado. A pessoa boa se entristece pelo consentimento que deu ao ato malvado e procura o perdão. Todas as religiões de alguma forma auxiliam o processo de libertação dos seus seguidores desse sentimento. Sou da opinião de que algumas religiões são mais bem-sucedidas que outras nessa tarefa. O que inexiste é uma religião que aconselhe seus adeptos a persistirem nas más intenções. De fato, o que existe para defender o mal são doutrinas anti-religiosas que sempre incitam seus seguidores à práticas nefastas. Todas as pessoas de reta intenção estão iniciadas na prática de procurarem o perdão. O desejo de perdão é um sentimento universalizado, comum a todos. Como já afirmado negam-no algumas pessoas pela prepotência com a qual estão comprometidas, ainda que isto não signifique, em hipótese alguma, que tenham sido plenamente cegadas pelo mal que procuram. Essas pessoas fogem da própria consciência, negando-se a escutar todos os desesperados apelos que se dão a si mesmas sobre a doutrina maléfica que seguem. Ainda que o perdão também tenha sido feito para elas, recusam-se a recebê-lo, que dirá admitir o sentimento de que o necessitam. Só a pessoa humilde está aberta para o duro reconhecimento da própria imperfeição, ou mais, do próprio mal. Somente a pessoa aberta para um juízo muito frio e honesto de si consegue-se perceber na necessidade irrefreável de ser perdoada.
Por que nossa consciência age assim? Não sei. Muitos dos que creem em Deus afirmam que o maior agravado com suas más atitudes é a própria divindade. Solicitar o perdão do alto é como que procurar fazer as pazes com um amigo contra o qual se cometeu alguma ofensa. Ou seja, as pessoas que creem em Deus geralmente o veem como um amigo e, quando fazem alguma coisa contra ele, procuram restabelecer a amizade através de um sincero pedido de desculpas. Por sua vez, a pessoa que não crê em Deus têm fortes motivos para considerar o perdão um sentimento que possuímos para garantir a continuidade e saúde da sociedade institucionalizada. As pessoas que creem em Deus se equivocariam, segundo este modo de pensar, apenas por estenderem a verdadeira necessidade de perdão que possuem em seu coração a um ser inexistente. De qualquer forma, como a maioria das pessoas crê em Deus, pedem-lhe o seu perdão das mais variadas formas. Ainda que o perdão divino venha de formas diversas segundo as diferentes religiões, a necessidade de recebê-lo parece tão universal quanto a própria crença num ente superior. Para os cristãos, o Natal é a festa mais radicalmente próxima ao perdão porque o seu Deus faz-se presente da forma mais frágil conhecida: um simples recém-nascido. Quem já teve a oportunidade de segurar em seus braços um bebê nascido há pouco sabe do que estou falando. Para os cristãos, o Deus criador do universo fez-se pequeno ao ponto de encarnar no ventre de uma mulher só para estar mais próximo de nós. Para que o seu perdão fosse o mais humano possível.
Para demonstrar como estou correto em tudo o que disse, vou apelar a um comercial de TV. Como já afirmei diversas vezes neste blog, se há uma instituição da sociedade contemporânea onde não se permitem mentiras é a publicidade, pois sua urgência máxima é atingir as pessoas convencendo-as de que o produto anunciado por ela é o melhor. Para tanto, a publicidade recorre ao patrimônio ideológico comum a todos, o tal inconsciente coletivo, pois anunciar um produto de modo a atingir particularmente cada indivíduo seria extremamente dispendioso (ainda que esta seja, de fato, a publicidade mais eficaz que existe). A campanha de Natal do Itaú demonstrou com clareza a nossa urgente necessidade de perdão afirmando sem meias palavras: "O perdão foi feito pra você." É até assombroso que os publicitários tenham decidido incluir este termo na propaganda, mas puderam fazê-lo com segurança porque, em verdade, como já afirmei, todos têm este desejo em seu coração. Só podemos repeti-lo com os nossos votos de um Feliz Natal. Eu sei, e você também, que o meu coração, e o seu, precisam sentir-se perdoados. Recorramos ao Deus-menino, reclinado sobre a miserável mangedoura, e peçamo-lhe aquilo que ele possui de melhor para nos dar: o seu perdão, feito pra você, e pra mim também.
Postado por Henrique Rossi às 16:03
A alma assassina do PT claramente demonstrada
Marcadores: Combate à causa revolucionária, Criminalidade, Política, Retrocessos morais 1 comentários
Será mesmo que eu estou exagerando quando digo que falta pouco para o regime petista começar a matar pessoas no Brasil? "O Henrique está fora de si." Será mesmo? A Folha Online noticia que o governador do estado Colombiano de Caquetá, Luis Francisco Cuéllar, foi morto degolado pelas FARC (reportagem aqui). Seria de se imaginar que o governo "democrático" do PT condenasse tal ato, certo? Isso se estivessemos em um mundo normal. O problema é que estamos no mundo do PT, e o PT apoia esse tipo de iniciativa. O partido que governa o Brasil é conivente com assassinatos sumários quando realizados por razão revolucionária. Vejamos o que disse o Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, sobre as FARC, em entrevista de 2008 ao jornal francês Le Figaro (original em francês aqui):
LE FIGARO - Que impacto terá a morte de Raúl Reyes para a libertação dos refèns ?
MARCO AURÉLIO GARCIA - De imediato, fiquei bastante apreensivo, mas as Farc disseram que sua morte não criará obstáculos à busca de um acordo humanitário. Tecnicamente, ela [a morte] pode criar alguns problemas: eu mesmo estava no terreno [de batalha], no fim de dezembro, quando as Farc retardaram a primeira libertação de reféns por causa da operação militar das Forças Armadas colombianas. Eu lhes lembro que o Brasil tem uma posição neutra sobre as Farc: nós não as qualificamos nem de grupo terrorista nem de força beligerante. Acusá-las de terrorismo não serve pra nada quando a gente quer negociar. A Colômbia expressa o desejo de não querer internacionalizar seu conflito com as Farc, mas, de fato, ele já tem repercussão internacional. Há a mediação do presidente Hugo Chávez da liberação de reféns, a vontade declarada da França de se engajar. No fim do ano passado, o presidente Uribe aceitou a atuação de um grupo de países amigos, especialmente o Brasil.
Está aí: o PT é conivente com o assassinato de pessoas por motivos políticos, contanto que seja para benefício da revolução de esquerda, é claro. O que falta para eles fazerem o mesmo no Brasil? Não falta nada. Basta começar a degola aqui também. Só não o fazem porque a repercussão internacional seria enorme. Mas eu garanto, é o que eles gostariam de fazer, é o que fariam caso estivessem imunes a consequências. Matar inocentes está na alma do PT. Que o diga a guerrilheira Dilma Rousseff. Quantos não terá ela covardemente assassinado pela concretização do seu projeto político? O Brasil, como sempre, deitado eternamente em berço esplêndido. Será que algum dia ele acorda?
Postado por Henrique Rossi às 15:21
Isenção: história pra boi dormir
Marcadores: Jornalismo irresponsável, Televisão 4 comentários
Ligue para a redação da Folha de S. Paulo e pergunte: "o seu jornal é isento?" O jornalista vai jurar de pés juntos que sim, e, para prová-lo, vai dizer: "Expressamos nossa isenção publicando textos de articulistas das mais diferentes correntes ideológicas." Pronto. Segundo o jornalista, a publicação onde trabalha é isenta porque publica opiniões muito diferentes entre si. O Estado de S. Paulo já se permitiu até mesmo texto de prof. da USP elogiando o terrorismo como alternativa política viável (artigo aqui). Em nome da diversidade, é certo. Vocês acreditam nisso? Não será que há uma linha editoral norteando uma certa visão institucional? Ou seja, não será que, independentemente dos textos dos articulistas, o jornal, por si só, não tem uma opinião muito própria, ainda que se proponha 100% isento?
Estou dizendo que desconfio muito desse papo de isenção. Acho que isso simplesmente não existe. Querer mascarar a linha editorial é um recurso muito discutível, porque esconde algo que deveria estar explícito. Pensem bem. Vocês acham legal pagar pela assinatura de um jornal para descobrir somente após vários meses que, no fundo, o jornal tem sim opinião e toma partido sim senhor? Não é muito mais honesto que o jornal se apresente simplesmente como seu dono quer que ele seje? Por tudo isso, prefiro muito mais a polêmica Fox News, que não tem medo nenhum de tomar partido, à CNN, que, em nome da tal isenção, esconde do assinante a sua profunda ideologia marxista, conforme várias vezes descaradamente demonstrado por seu dono, Ted Turner, que duvida que o regime de Fidel Castro tenha mesmo executado dissidentes conforme o próprio governo cubano noticiou.
Da forma como vejo, trata-se de uma questão de honestidade. Se um meio de comunicação não é honesto com quem paga pelo serviço prestado com quem mais ele o será? Ou seja, se um jornal esconde daqueles que pagam pela sua assinatura o fato de que possui sim linha editorial é de se imaginar o mau-caratismo com que é gerido. O melhor é ser simplesmente honesto: "Aqui no veículo X norteamos o nosso trabalho segundo a ideologia Y, pois assim manda o patrão, e eu, que sou empregado, simplesmente obedeço porque preciso do emprego para pagar minhas contas." Simples, verdadeiro, honesto e objetivo, como todo jornal deveria ser.
Postado por Henrique Rossi às 12:31
Homofobia e o politicamente correto
Marcadores: Combate ao politicamente correto, Individualidade, Liberdades individuais, Sexo bizarro da modernidade 13 comentários
O politicamente correto dos nossos dias nos impõe várias obrigações ridículas. Mas nenhuma é pior do que a obrigação de achar a homossexualidade uma coisa linda. Isso é uma coisa tão séria, que está tão arraigada na cabeça da pessoas que, basta dizer uma coisa dessas, e vão logo te tachando de homofóbico: "Você é ridículo! Você odeia gays!" Eu?! Vamos fazer o exercício de prestar atenção ao que eu verdadeiramente disse: "Nenhuma imposição do politicamente correto é tão ridícula quanto a obrigação de achar a homossexualidade uma coisa linda." Está aí a frase. Agora eu pergunto - onde está a homofobia nela? Analisem a frase de todas os lados, olhem contra a luz, esfreguem no tanque, mergulhem em água sanitária. Façam tudo isso eternamente que não sairá uma gotinha de homofobia dela. Todo o seu esforço terá sido em vão.
O que ela de fato está dizendo? Oras, que existe uma obrigação em achar lindo a homossexualidade, e quem não o faz é logo tachado de sei-lá-eu-o-quê . Ou seja, se você não é escancaradamente a favor do homossexualismo você é um pulha, um pária, um maldito. Oras! Isso é uma estupidez, uma burrice. Eu não sou um grande admirador do Corinthians, mas isso não significa que eu o odeie. Não acho o Lula um bom presidente, mas isso não significa que eu queira matá-lo. Não me dei ao trabalho de assisitir Brokeback Mountain, mas isso não significa que eu odeie gays. Tudo isso que estou dizendo é lógica elementar, coisa que uma criança do pré consegue entender. O problema é que o politicamente correto emburrece as pessoas ao ponto delas não conseguirem mais acompanhar o raciocínio da criancinha do pré.
Então, que acho eu do homossexualismo? Simplesmente nada. "Nada?!", reage o leitor indignado. Acho rigorosamente nada. Não vejo nada de mais no homossexualismo. Considero-o coisa muito normal, comum e corriqueira. Ah! Mas vai aparecer alguém que me considera homofóbico só porque penso isso do homossexualismo! Como já disse, não criticar a homossexualidade não é suficiente para não ser considerado homofóbico. Se alguém tiver verdadeiro horror à ideia de ser tachado dessa forma será preciso apoiar a causa gay com unhas, dentes e sabe-se-lá-mais-o-quê. Para ser admitido à turma dos modernos você precisa de piercings, adidas e um amor grande, muito grande pela causa gay. Senão você é retrógrado, reacionário, atrasado, machista, paternalista, em suma: a escória!
É isso que eu odeio no politicamente correto: ele te impede de pensar! Ele rouba o seu direito de achar o que bem entender. Em sua função, criam-se categorias de correção. Se você tiver uma opinião que não se enquadre dentro dos rígidos limites do aceitável, você é um pária, um maldito. Se quiser ser aceito como mero interlocutor terá que ceder e muito, pois, em pensamento, ceder pouco já é ceder tudo! Não se permitir a sadia liberdade de pensar de modo independente já é tornar-se escravo da opinião alheia. Recusar-se a desafiar os padrões sociais é um modo de anular-se, de deixar de existir como indivíduo. Aceitar tudo o que os outros impõem é uma forma de suicídio; uma cruel maneira de deixar de existir. Senão, digam-me: qual é efetivamente a existência de um sujeito que em tudo se guia pela opinião alheia? Ele simplesmente não existe.
Um verme é mais honesto e verdadeiro que a pessoa que não pensa por si própria, pois o anelídeo não ignora nenhuma faculdade sua, entenderam? O verme faz tudo o que está em seu poder. A pessoa que não pensa está abandonando a sua mais nobre faculdade, tornando-se assim pior que o verme, que nunca deixa de fazer tudo o que está ao seu alcance. É isso mesmo que você leu. Um verme rastejante é melhor, mais útil e verdadeiro que a pessoa que não pensa. É esse o plano do politicamente correto para você: torná-lo mais insignificante, reles e desprezível que um verme. Contrariar essa expectativa absurda é o mínimo que você pode fazer para provar que é humano. Ou você assume a própria humanidade ou será escravo da maioria. A decisão é sua, as consequências também.
Postado por Henrique Rossi às 11:06
A grande ameaça gramsciana à civilização e à verdade
Marcadores: Combate à causa revolucionária, Criminalidade, Política, Retrocessos morais 1 comentários
Já escrevi algumas vezes neste blog denunciando a existência de uma ideologia marxista que visa a implantação do comunismo no Ocidente através do aparelhamenbto discreto dos meios de comunicação e dos órgãos estatais. As bases desta doutrina foram dadas por um ideológo marxista do início do séc. XX, Antonio Gramsci. Informei naqueles textos que Gramsci é o mais influente pensador marxista da contemporaneidade. Todavia, não é sempre que ouvimos o seu nome, posto que ações subreptícias estão na gênese das suas ideias. Portanto, não é útil para os seus seguidores torná-lo conhecido. Bom mesmo é ensinar a sua doutrina somente para as pessoas certas, os camaradas de partido.
Então, como conheço eu a obra de Gramsci? Ela foi-me apresentada enquanto cursei comunicação social na Universidade Federal Fluminense, na disciplina Sociologia e Comunicação. Tive de ler textos de Gramsci. Quando mais jovem tudo me fez enorme sentido. Tornar o mundo um lugar melhor é atividade quase impossível, já que a imensa maioria de pessoas se opõe ao projeto revolucionário. Que tal infundir nelas as ideologias revolucionárias sem que elas percebam? Em pouco tempo serão agentes da revolução sem o saber!!! A vertente principal do Gramscianismo é a revolução cultural dos costumes. Para tornar a sociedade revolucionária, é preciso estirpar dela a moral cristã, que é o último bastião de defesa contra-revolucionária.
Mas qualquer um que denuncie o gramscianismo incorre no grande risco de parecer ridículo, pois está denunciando uma coisa muito difícil de se verificar. Será mesmo que os jornais e os órgãos do Estado estão verdadeiramente aparelhados por comunistas que desejam inocular na sociedade o vírus marxista? Não sem muita razão, pode-se alegar que se trata de delírio persecutório da nossa parte; estaríamos vendo coisas que não existem. Alguns meses atrás uma frase de Ciro Gomes ajudou-me a provar que Gramsci ao menos existe e é lido e seguido por esquerdistas. Faltava demonstrar que esses vermes estão promovendo a revolução comunista de modo discreto e sub-reptício. Não falta mais!
Um promotor de Justiça do Estado de São Paulo revelou à Folha de São Paulo como se aproveita do seu emprego em cargo de destacada importância para inocular na sociedade a ideologia da revolução comunista. Isso mesmo, o promotor Marcelo Goulart, de Riberão Preto (o sujeito acima retratado), contou tudinho. Deve ser um desses tipos meio lerdos. Talvez estivesse em delírio de grandeza quando deu a entrevista, pois disse efetivamente tudo. Infelizmente, o conteúdo não está disponível online, mas os que têm acesso a Folha de S. Paulo poderão verificá-lo. Vejamos trechos da entrevista.
FOLHA - Gramsci, a quem o sr. admira, atribui a força unificadora da sociedade, que Maquiavel atribuía ao Príncipe, a um partido. Por isso ele chamava o partido - no caso, o comunista - de “Moderno Príncipe”. Que partido, na sua opinião, ocupa a função de Moderno Príncipe no Brasil?
GOULART - Hoje não faz sentido pensar em partido político. São as forças democráticas que cumprem uma função hegemônica e que, articuladas, logo avançam a batalha das idéias, na imprensa, no Ministério Público, nas instituições. E criam a base cultural para as mudanças políticas e econômicas. Esse é o caminho democrático da construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
Prestem bastante atenção à frase "logo avançam a batalha das idéias, na imprensa, no Ministério Público, nas instituições". Qual a consequência desse aparelhamento ideológico do Estado segundo Goulart? Na mesma frase, ele responde: "criam a base cultural para as mudanças políticas e econômicas." Segundo ele, aparelhar ideologicamente o Estado é prática democrática. Como se alguém estivesse consentido com isso? Como será que a maioria da população reagiria se soubesse que agentes comunistas estão se infiltrando no Estado sem o seu conhecimento com a intenção deliberada de promover a revolução política e econômica? É uma pena muito grande que eu esteja certo. A revolução comunista está em avançado estágio de desenvolvilmento no Brasil. Continuemos com mais detalhes desse projeto sórdido.
FOLHA - O senhor é conhecido por atuar ao lado do MST e de entidades ambientais. Esse é o papel de um promotor?
MARCELO GOULART - A visão do Ministério Público como mero agente processual está superada desde a promulgação da Constituição de 1988. O membro do Ministério Público é agente político e, hoje, tem a incumbência constitucional de defender o regime democrático e implementar a estratégia institucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária.
Notaram bem, né? Um promotor do Ministério Público não é mais, segundo Goulart, um agente processual. Pelo contrário, ele não está no cargo público para a defesa das leis e das instituições. Goulart deixa claríssimo: "O membro do Ministério Público é agente político". E deve sê-lo para "construir uma sociedade livre, justa e solidária". Por que será que a população não tem o direito de votar nele, então? Não seria muito mais democrático se pudessem fazê-lo? Ele se coloca como agente político do bem, mas não julgou necessário ser eleito por ninguém antes. Basta-lhe o que ele quer fazer. Por que a opinião dos outros seria necessária para a concretização do seu projeto?
FOLHA - O senhor é socialista?
GOULART - Como promotor de Justiça, sou defensor da Constituição, do projeto democrático.Essa é a minha missão. Minhas convicções pessoais são só isso: minhas convicções pessoais.
FOLHA - Quais convicções?
GOULART - Utopicamente? Acredito na possibilidade de construir uma sociedade socialista. Sob um ponto de vista gramsciano, se avançarmos na linha da Constituição, vamos dar grandes passos para, no futuro, caminhar para uma sociedade socialista.
FOLHA - Como é que isso ocorreria?
GOULART - A partir do momento em que os princípios sociais da Constituição forem sendo efetivamente conquistados, não só no papel, mas na realidade, haverá um choque lá na frente. Teremos de discutir, por exemplo, como é que a dignidade da pessoa humana pode conviver com o direito de propriedade. E assim por diante.
Pronto. Está tudo aí. Método gramsciano, revolução cultural, revisão do direito de propriedade. E, o que é mais lindo, tudo muito democrático. Quem foi que disse que para se realizar a democracia a opinião da maioria precisa ser ouvida? Basta que o Estado esteja aparelhado e que a vontade política esquerdista esteja sendo realizada sem o consentimento ou o conhecimento da população! Como isto se traduz em dados concretos? Oras, ele processa todas as pessoas que aparecem no meio do seu projeto político. Ele torna um inferno a vida de trabalhadores honestos porque, para ele, só importa as suas "convicções pessoais".
FOLHA - O senhor parece não gostar de grandes propriedades rurais.
GOULART - No meu horizonte utópico não está presente um grande número de usinas de açúcar e álcool, por exemplo. No meu horizonte utópico estão a policultura, a geração de postos de trabalho no campo e a agricultura orgânica. Está o acesso do povo à terra, que é um direito fundamental negado desde o descobrimento. A estrutura fundiária brasileira é uma das principais razões de nosso subdesenvolvimento.
Ou seja, você tem propriedade privada rural? O Goulart vai te processar. Vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que sua terra seja doada para o MST. É ele que está dizendo. A função do seu trabalho muito democrático é distribuir terra para o MST, ainda que a amplíssima maioria de brasileiros não esteja ciente de que o Estado esteja realizando tarefas com as quais ninguém corrobora.
FOLHA - O senhor tem chefe?
GOULART - Não existe hierarquia funcional no Ministério Público. Um de nossos princípios é o da independência funcional, que ganhou força com a Constituição de 1988. Esse princípio serve para proteger o membro do Ministério Público das pressões do poder político, econômico e interno.
Está aí. O gramsciano faz o que quer, a hora que quer, e não precisa do consentimento de ninguém. Bastam-lhe as suas convicções pessoais. Espero poder demonstrar que pessoas de método absolutamente igual ao deste sr. estão na chefia das redações dos principais jornais e veículos de comunicação do país. O problema é que eu dependo do vazamento dessas informações. Só consegue diagnosticar a influência da ideologia comunista gramsciana num texto quem já estudou a obra de Gramsci, então é bastante complicado demonstrá-lo. O chato de estar sempre certo é isto: a gente acaba se sentindo sozinho em meio a um infinito mar de ignorância e mistificação.
Postado por Henrique Rossi às 19:38
Há utilidade em se ensinar ciência na televisão?
Marcadores: Ciência, Jornalismo irresponsável, Medicina/saúde mental, Processo social do saber, Televisão 6 comentários
Há, em ciência, uma questão fundamental: a correta descrição dos processos naturais. Quem já leu um texto verdadeiramente científico sabe do que estou falando. Ao contrário das várias coisas que são ditas nos meios de comunicação em nome da ciência, um texto que descreve um fenômeno natural é necessariamente exaustivo, pois descreve com grandes requintes de minúcias os assuntos mais complexos e delicados. Ou seja, há um abismo entre a ciência verdadeira e o que se diz a seu respeito. Na ciência propriamente dita não há problema algum. Que há de errado em descrever a composição química das rochas basálticas da bacia sedimentar do Vale do Paraíba paulista? O problema está no uso, muitas vezes incorreto, que se faz das descrições científicas.
Os próprios cientistas não estão imunes a este grave perigo. Isto já foi ponto de partida para muitos textos importantes deste blog. Quem teve a oportunidade de folhear os escritos de Charles Darwin notou as minúcias a que ele chegava em sua argumentação. O mesmo Darwin, homem profundamente sábio, não foi poupado do vexame de utilizar de maneira dramaticamente equivocada as suas descobertas. Justo ele, um grande abolicionista, que ficou profundamente enojado com a sociedade brasileira quando parou por aqui na famosa viagem a bordo do HMS Beagle, considerava negros tipos inferiores de ser humano, como se neles o processo evolutivo não tivesse chegado ao fim verdadeiro. Para Darwin os negros são involuídos, primitivos e bestiais por natureza. Um equívoco fenomenal que, infelizmente, serviu para fundamentar os preconceitos difundidos pela "ciência" nazista.
Por isso é fundamental saber separar corretamente os elementos em questão. Uma coisa é a ciência e a descrição pormenorizada dos fenômenos naturais. Outra, muito diferente, é o uso que se pode dar às descobertas científicas. Como já disse, geralmente as descrições científicas costumam ser muito minuciosas e detalhistas. Por uma questão evidentemente didática, os textos que informam as descobertas científicas são necessariamente simplificações muito grandes dos fenômenos reais. Uma coisa é o relatório feito por Francis Collins ao concluir o Projeto Genoma, que descreveu uma a uma a disposição das bases nitrogenadas do nosso DNA. Outra, completamente diferente, foram as reportagens que procuraram fazer o cidadão comum entender, ainda que minimamente, as conquistas do maior projeto científico até então.
Escrevo estas coisas inspirado por uma breve reportagem veiculada ontem no Fantástico. No quadro Neuro Lógica!, Suzana Herculano-Houzel, apresentada como neurocientista, menciona aos telespectadores que o campo cerebral responsável pela localização espacial chama-se hipocampo. Só. Apesar dos três minutos de que o quadro dispunha, a única informação relevante foi essa: "O hipocampo é a estrutura neurológica onde se processa a localização espacial" (vídeo disponível aqui). O que me causou inquietação não foi esse enunciado extremamente simples; foi o tom definitivo dado à questão. Notem, ainda que o cérebro humano se utilize unicamente do hipocampo para o processo de localização espacial, isso não significa que outras operações, de outras funções cerebrais estejam ocorrendo ao mesmo tempo, pois o cérebro não desempenha uma única função de cada vez. Pelo contrário, utilizamos zilhões de funções cerebrais diferentes a todo instante. O simples ato de admirar uma flor envolve praticamente uma infinidade processos diferentes, ainda que a região do cérebro responsável pela visão seja apenas uma.
Para mim, há um problema grave escondido nesta questão aparentemente boba. Qual o custo envolvido em comunicar às pessoas leigas as descobertas científicas? É certo que não haveria problema algum em instruí-las na nobre ciência do prof. Angelo Machado da UFMG, autor de Neuroanatomia Funcional, amplamente difundida entre os cursos de medicina e psicologia do país. O problema é que, para tornar a informação inteligível aos leigos, mutila-se o assunto real. Como não são capazes de compreender o fato científico, pois faltam-lhes uma imensa bagagem cultural para que possam apreender minimamente qualquer questão mais aprofundada, simplifica-se a ciência ao ponto de deformá-la! Qual a ciência em dizer que o hipocampo é a estrutura neurológica responsável pela localização espacial? Para um leigo essa informação é tão relevante quanto à narração do último escândalo de Lady Gaga.
Há, portanto, um custo gravíssimo embutido na ambição aparentemente inofensiva de levar a ciência às multidões, pois isto é impossível!, a menos que a população inteira dispusesse de repertório que a tornasse capaz de compreender as questões levantadas. Acredito que a maior prejudicada nesse processo é a própria ciência, a qual se passa a atribuir, erroneamente, poderes que ela não possui. Qual o mérito em difundir na população uma expectativa que nada é capaz de suprir? Nenhum. Prejudica-se a população, que passa a acreditar em idiotices, e prejudica-se a ciência, à qual se deveria recorrer para a solução de questões que ela pode responder.
Compreendo que muitas dessas tentativas de levar conhecimento científico para a população seja fruto de sentimentos nobres e justos. Não duvido das boas intenções de ninguém que acredita na educação. O problema é, infelizmente, uma questão prática. É possível se ensinar funções neurológicas para a população brasileira em três minutos a cada domingo? Não. Então por que isso é feito? Porque as pessoas são curiosas e sentem-se satisfeitas por saber que o hipocampo seja responsável pela localização espacial, ainda que essa informação não lhe tenha absolutamente nenhuma serventia. Essa não é uma questão científica. Essa é uma questão comunicacional televisiva. O quadro está lá porque as pessoas consideram-no interessante: dá audiência. A ciência, infelizmente, está sendo utilizada de uma maneira pouco nobre.
É como eu já havia mencionado: o problema não está na descrição dos fenômenos naturais. O problema está no uso que se faz dessas informações. Eu não acho minimamente útil para a população receber pílulas de pseudo-ciência. Muito mais proveitoso seria um quadro que incitasse à leitura. Ou outro que levantasse a questão da violência em sala de aula. Ou outro que discutisse a questão profissional dos professores. Ou outro que discutisse a questão do ensino no Brasil. Ou qualquer outra coisa que incitasse os brasileiros ao hábito do estudo. Esses são assuntos pertinentes! Como se vai construir uma população mais bem educada? Com pílulas dominicais de três minutos de neurociência ou discutindo o problema da educação no país? Não é difícil perceber que as questões pertinentes e necessárias são bem menos atraentes.
O povo quer mesmo é se esquecer dos problemas e ter a ilusão de que assistindo televisão poderá aprender alguma coisa. Será que incentivá-lo nessa ilusão é algo positivo? Como já demonstrado, não há ciência alguma nas reportagens aparentemente bem-intencionadas de divulgação científica. Não posso acreditar em uma ciência que se satisfaça em enganar a população dessa forma. Ciência tem necessariamente de promover o saber verdadeiro: a descrição exaustiva e pormenorizada dos fenômenos físico-químicos, senão, ela não apenas não instrui como até mesmo colabora na percepção erradíssima de que se pode aprender alguma coisa verdadeiramente útil a seu respeito com pílulas dominicais de três minutos. Infelizmente, até mesmo quando levanta questões científicas, tudo o que a TV faz é alienar e emburrecer.
Postado por Henrique Rossi às 05:27
Avatar, de James Cameron: um elogio à delinquência
Marcadores: Arte, Cinema, Combate ao politicamente correto, Combate à causa revolucionária, Criminalidade, Jornalismo irresponsável, Política, Processo social do saber, Retrocessos morais 40 comentários
James Cameron transportou o mundo para a tragédia do Titanic em 1997. Desta vez, com o novo Avatar, que entrou ontem em cartaz, ele nos convida a uma viagem à incrível Pandora, planeta longínquo ameaçado pela gana colonizatória humana. Os generais desta era futura infiltram um soldado entre os alienígenas locais (os tais seres azuis) para que seja estudada uma forma melhor de aniquilá-los por completo. O problema é que o tal avatar se apaixona pelo povo colonizado e passa a lutar contra o Império. Moral da história: é preciso fazer todo o possível para que a sanha imperialista dos Estados Unidos seja destruída por completo. Ou seja, para conhecer a fantástica Pandora e suas paisagens fantásticas você precisa dar dinheiro para o projeto de destruição do Ocidente de James Cameron. Peraí! DESTRUIÇÃO DO OCIDENTE?!?! Alguém traga a camisa-de-força para o Henrique! Agora ele está dizendo que um dos maiores cineastas em atividade do mundo tem planos para destruir o Ocidente? Sente-se na cadeira amável leitor: sim, eu estou dizendo exatamente isto, E VOU PROVAR! Seu papel, hoje, é aplaudir-me: estou inspiradíssimo.
James Cameron age como um canalha de maior espécie. O grau de distorção da verdade a que este senhor chegou desta vez passou todos os limites aceitáveis. Vejam bem, segundo Avatar, bom mesmo são os autóctones bárbaros que comem seus inimigos e espetam agulhas em suas crianças. Os que lutam pela civilização são bandidos do pior tipo: assassinos sanguinários que desejam somente capitalizar. A disputa que os humanos travam em Pandora visa a obtenção de um minério raro e valiosíssimo. Cameron deliberadamente trabalha pela manutenção do tipo mais raso e estúpido de estereótipo possível com seu retrato mesquinho dos generais humanos do futuro - é o que está dizendo a mídia especializada. Avatar é, enfim, uma metáfora daquilo que os esquerdistas chamam de Império estado-unidense. Tal e qual os generais do futuro, os generais de hoje lutam somente pela expansão do pior tipo de barbárie que existe: o capitalismo. O metal preciosíssimo de Pandora chama-se petróleo. Vamos destrinchar então as mentiras sombrias desse enredo infernal?
Primeiro de tudo: os EUA contribuem para um mundo melhor? Sem a resposta certa a esta pergunta não se entenderá coisa alguma do que este texto vai dizer. Se a sua opinião é a de que os EUA são a pior coisa que jamais existiu você deve não apenas parar de ler este texto: deve também nunca mais visitar este blog - você é um idiota, e idiotas não são bem-vindos aqui. Se, no entanto, você tem um pensamento um pouco mais sofisticado (nem precisa achar que os EUA são lá grandes coisas) então vamos conversar. Sou da opinião de que os EUA são uma das melhores coisas que jamais existiram. Retratá-los como imperialistas sanguinários desalmados é artimanha canalha, para a qual somente o inferno será capaz de responder corretamente. Isso não significa que os americanos estejam certos em tudo o que fazem. Por isso, infelizmente, a inteligência é algo que se faz necessário para a reta compreensão do assunto. Então vejamos, o que será mesmo que os EUA defendem?
A civilização, eis o que os americanos defendem. Onde houver barbárie e crianças sendo espetadas com alfinetes lá estarão os americanos defendendo o bem e a verdade (venham logo para cá! Pedi antes e o repito). Saddam Hussein tinha um dos piores regimes de todos os tempos? Ainda bem que foi retirado do poder pelos americanos. Sim, o mundo está mais seguro sem canalhas como Saddam Hussein governando nações. O que não foi correto na guerra do Iraque foi sua justificação: armas de destruição em massa que todos sabiam que não existiam? Essa foi uma das grandes patetadas do maior pateta de todos os tempos: George W. Bush. Bem feito que tenha sido escurraçado como cão sarnento do poder. O fantástico é que, apesar dele, as coisas certas foram feitas no Iraque. Gostem os obamistas ou não, é certo que toda a gana anti-ocidente de Barack Obama não irá para frente, ao menos não enquanto ele for o presidente dos EUA.
Será que a guerra do Iraque terá mesmo ocorrido em função do petróleo? É isso que todo esquerdista quer que você pense. Será que podemos acreditar em esquerdistas? Jamais afirmaria que o petróleo não importava nesta questão. Importava sim, mas não era o mais importante. O mais importante era tornar o mundo um lugar mais seguro, e isto foi feita à custa de muitas vidas de americanos. Foi assim em 6 de junho de 1944, e é assim hoje. Os franceses sitiados por um dos maiores loucos da história começaram a ser libertos graças a coragem e bravura americanas. Não fossem eles o mundo mergulharia na triste barbárie de loucos que espetam crianças em rituais satânicos. O que os esquerdistas dizem disto? Oras!!! Os esquerdistas dizem a este respeito o mesmo que dizem a respeito dos índios desgraçados que enterram crianças vivas porque nascem com defeitos congênitos: "É a cultura deles. Não podemos interferir!" Duvida?
Pausa para o leitor desavisado. Ignorância não é nada bonito, ainda mais em relação aos temas candentes da contemporaneidade, de qualquer forma, é perdoável. Alguns devem estar se perguntando: "De que diabos ele está falando? Bárbaros espetando crianças com alfinetes? Índios que enterram crianças vivas?" Estou falando do seu país: a grande nação tupiniquim, a República das Bananas, onde, decerto, os notáveis não podem ser muito mais que macacos, que também têm nos pés o polegar opositor. Estão presos na Bahia os lunáticos que espetaram com 48 agulhas o corpo de uma criança de dois anos de idade! (Reportagem aqui). Por que o fizeram? Oras! Fizeram-no pelas coisas de sempre: infertilidade masculina, trazer a pessoa amada, afastar maldições, etc. Cá pra nós, o pessoal da "Igreja" Universal do Reino de Deus faz o mesmo sem precisar espetar agulha alguma em ninguém. Apesar das loucuras que cometem, estão vários graus acima na escala de civilidade em relação aos infelizes que cometem crueldades como essas. E os índios? Oras, você não sabe? É prática corrente entre os nativos do Brasil enterrar vivas crianças defeituosas pois, segundo suas crenças, elas atraem maldições.
É isso que ocorre por não se estudar história: desconhece-se o mundo. Não basta decorar formulazinhas matemáticas estúpidas e inócuas para se tornar gente. Para se entender o mundo precisa-se estudar história. Vocês não sabiam que os índios comeram o primeiro bispo enviado ao Brasil? Foi considerado "digno" do ritual antropofágico: somente os grandes inimigos recebiam tal "honraria". Ironicamente, o sobrenome do Bispo era Sardinha. No Brasil as piadas vêm prontas. Missionários protestantes fizeram um documentário sobre o ritual indígena de enterrar vivas as crianças com má formação congênita. Chama-se Hakani. Você encontra uma amostra dele no vídeo abaixo.
Assim é a Pandora que James Cameron está exaltando: um lugar bárbaro onde algumas crianças indefesas e defeituosas são enterradas vivas enquanto outras são espetadas com agulhas em rituais satânicos. Outras? Ah, vocês não sabiam? Agora que essa história ocorrida na Bahia vazou, a imprensa levantou ocorrido semelhante no Maranhão (reportagem aqui). Na macumba, pelo visto, a agulha é o último grito da moda. A barbárie é assim: estica os seus tentáculos até o limite de seu alcance, destruindo tudo o que encontra pelo caminho. Onde diabos estão os americanos que ainda não invadiram este país?! Vocês ainda não estão entendendo? O processo civilizatório brasileiro ainda não se concretizou. Os americanos precisam tomar esta terra e colonizá-la! O Brasil não se tornará um lugar melhor enquanto os americanos não nos estiverem ensinando a organizar as festinhas de prom e a jogar futebol com aquela bola tão esquisita para nós.
Porém, pergunta muito mais dura precisa ser feita: onde diabos estão os americanos que não proibem a exibição de Avatar? A barbárie, tal qual no Brasil ou no Iraque, precisa ser combatida. Promovê-la precisa ser criminalizado. Um apologeta da barbárie como James Cameron precisa ser silenciado em nome da civilização. Ou seja, a civilização não pode permitir que seja gestada a barbárie no seu ventre. Não se deve poder elogiá-la, seja em filmes, programas de tvs, livros, etc. Isso tem que dar cadeia. O que se está procurando fazer nos EUA é envenená-lo por dentro. O filme de James Cameron descreve com perfeição o processo oposto. São avatares do esquerdismo disfarçados de amigos da civilização que estão sitiados nas redações dos maiores meios de comunicação americanos. São eles que estão ensinando o povo mais sábio do mundo que é feio ser civilizado. Pra essa gente, bom mesmo é ser selvagem ao ponto de espetar agulha em crianças. Bem o demonstra o deputado petista que acha que os índios devem poder enterrar suas crianças vivas. (Pode-se ouvi-lo defender esta barbaridade na versão completa do documentário).
Este filmeco de James Cameron simboliza o amplo avanço do processo de bestificação que EUA estão sofrendo, cujo efeito mais notável foi a eleição de um imbecil só porque era negro. Quem não votasse em Obama o fazia por preconceito, disseram os bárbaros. Então quer dizer que não votar em Obama por convicção simplesmente não existia? São energúmenos desse tipo os avatares que dirigem a CNN e o New York Times. É preciso combatê-los, desmacará-los. Estas verdades precisam chegar ao entendimento da opinião pública. Cientes dos absurdos que se defendem em Avatar ninguém, em sã consciência, colaboraria em torná-lo o sucesso de bilheteria que ele será. Muito menos doariam dinheiro para um canalha desgraçado como James Cameron. Pergunta o leitor desavisado: "Defendem-se práticas satânicas como espetar agulhas em crianças no filme Avatar?"
Pelo Amor de Deus! É claro que não! Assim como o humano fantasia-se de nativo para enganá-los, James Cameron retrata a barbárie como a coisa mais linda do Universo. Somente desgraçados imperialistas como os americanos procurariam destruir a beleza magnífica de um lugar esplêndido como o Iraque digo, Pandora. Para se convencer a opinião pública americana de que belo mesmo é a barbárie, esconde-se tudo de feio que ela tem. Mascara-se a barbárie para que ela pareça belíssima. Esse é o grande atrativo de Avatar: a mais fantástica criação de um lugar fantasioso. A Pandora do filme é certamente a coisa mais linda, fascinante e exótica que você já viu - tal e qual as radiografias da pobre criança espetada com 48 agulhas.
Como sou cineasta, estou sentindo-me fortemente tentado a assistir Avatar por seus inegáveis méritos cinematográficos. Já estou avisando: Avatar é certamente a coisa mais fantástica que você já viu, mas é o endeusamento da barbárie disfarçado. Através da incrível beleza artística construída para descrever a Pandora fictícia, no plano ideológico, o filme só faz elogiar atitudes como a do padrastro que enfiou uma a uma aquelas 48 agulhas numa criança indefesa, ainda que James Cameron jure de pés juntos que eu sou louco. É que ele desconhece a barbárie porque foi protegido dela pelos fantásticos soldados que está satanizando com seu brinquedinho de muitos milhões de dólares. Entenderam? O povo no qual ele cospe covardemente é o mesmo que o defende dos insanos que ele elogia. Assim é o flerte com a barbárie: coisa de gente covarde que ignora as consequências funestas que ela traz consigo.
Está aí. O polimático não tinha por onde ficar melhor, mas ficou. Sinto-me honrado em poder servi-los de forma tão impecavelmente magnífica.
Postado por Henrique Rossi às 02:28
O cachorro descanino de Richard Dawkins
Marcadores: Criminalidade, Individualidade, Liberdades individuais, Processo social do saber, Religião, Richard Dawkins 19 comentários
Não posso deixar o marcador Richard Dawkins cair para a última posição! Seria fazer pouco caso do tema que gerou os comentários mais furiosos, digo, curiosos deste blog. Essa calamidade não pode acontecer, então, vamos arrumar um pretexto para comentar mais uma vez algumas das ideias deste controverso biólogo. Selecionei trechos de um comentário do post sobre o escândalo da música do Roupa Nova nas missas católicas para fazer algumas considerações. Vejam o que disse um anônimo:
Mas eu quero que você aprenda uma coisa, estou sendo sincero, EU QUERO que você saiba de uma coisa, em relação a acreditar em Deus, eu tentei, realmente tentei, tentei mesmo. Eu tentei acreditar que existe um Deus, que criou cada um de nós a sua imagem e semelhança, ama cada um de nós e fica observando tudo 24 horas, eu realmente tentei acreditar nisso, mas eu preciso ser sincero, quanto mais você vive, mais você olha em volta e mais você se da conta... tem alguma coisa errada. (...) Guerra, doenças, mortes, destruição, fome, sujeira, pobreza, torturas, crimes, corrupção e até a p**** da camada de ozônio. Definitivamente tem alguma coisa errada. Isso não é um bom trabalho. Se isso é o melhor que um Deus pode fazer, eu não estou impressionado. Resultados como esse não devem pertencer a um currículo de um ser supremo. Isso é o tipo de trabalho que você espera de um estagiário de uma agencia de publicidade.
Respondi a este comentário naquele espaço, mas gostaria de discorrer mais longamente sobre essas colocações. Como argumentei no texto sobre o novo livro de José Saramago, Caim, se Deus não nos tivesse tornado capazes de cometer loucuras não seríamos verdadeiramente livres. Saramago acha que o verdadeiro assassino do inocente Abel é Deus, porque deu liberdade a Caim. A mim parece uma tolice fenomenal atribuir a Deus a responsabilidade por nossas atitudes. Será que o anônimo mencionado concordaria com este tipo de raciossímio?
Numa aparente digressão gostaria de fazer algumas observações que considero muito pertinentes. Atribui-se aos homens a capacidade de se desviar daquele que seria o seu caminho natural, o caminho humano, realizando assim atos que não correspondem à sua natureza. Não sem razão, chamamos estes atos de desumanos que, como o próprio nome diz, indicam um desvio daquela que seria a verdadeira natureza do homem. Agora eu me pergunto: será que existe algum cachorro que seja capaz de algum ato descanino? Eu desconheço. Só vi cães 100% caninos. Em momento algum da minha vida testemunhei um cachorro fazer algo que contradissesse a sua natureza. Ou seja, um cachorro é algo perfeitamente canino, tanto que o termo descanino não se faz necessário; ele sequer existe.
Todavia, o homem, como já mencionado, é capaz de contradizer a sua natureza com atos cruéis. É parte constituinte do homem ser capaz de contradizer-se. Um homem incapaz de contradizer à própria natureza certamente não existe. Ser livre para fazer o mal deliberadamente é um dos elementos que separa a humanidade dos animais, que só podem ser eles próprios. Pensem no sentido do termo "deliberado". Pois é, será que existe algum animal dado a deliberações? Não há.
Esse texto não se pretende muito longo, mas não posso deixar de mencionar o consenso científico de que o pensamento não pode ser verificado. Isso não é minha opinião. Sabe-se que impulsos nervosos comandam nossas operações físicas. Mas as coisas que se passam em nossa mente quando estamos em silêncio não podem ser comprovadas. Notem bem, não se trabalha com a hipótese de que pensamentos sejam impulsos nervosos, mesmo que dependam deles. Carros precisam de rodovias, mas não são rodovias. Nesta metáfora simplista o pensamento nem poderia ser os carros, mas as coisas que os carros transportam. Não estou dizendo que não se poderá descobrir mais a fundo nossas operações mentais, mas não é em função disso que os cientistas do comportamento trabalham. O pensamento já é dado como imaterial. O pensamento é transportado por sinapses, mas não são sinapses! As únicas coisas que podem ser aferidas são os comportamentos que podem ser medidos. Ou seja, alguém com muita dor pode ter um comportamento comedido enquanto alguém com pouca dor pode ter comportamento exagerado, porque nunca é um dado objetivo o que determina o que as pessoas farão; é o que elas pensam que o determinam!
Contradizer este fato é tarefa impossível. Existe de fato um televisor nos produtos fabricados pela Philips? Se aquele objeto for completamente desmontado cada uma das suas partes poderá ter outra utilidade. Ou seja, os átomos que compõem o aparelho não estão preocupados com a utilidade que têm. Notem as consequências tremendas desta afirmação: não há nada nos átomos de um televisor que o constituam verdadeiramente num televisor. É o pensamento que aprende a reconhecer aquela forma e aquela utilidade, chamando-as televisor. Portanto, aparelhos de televisão não existem na natureza e existem no pensamento. O homem deforma os metais da natureza para, com eles, dar materialidade ao pensamento. Uma materialidade que o pensamento não possuia antes.
O mesmo ocorre com uma cadeira de madeira. Assim como a televisão, ela não existe no mundo natural, mas o homem, contrariamente ao cachorro, procura deformar o mundo ao seu redor para tornar sua vida mais confortável. Derrubamos árvores e com a madeira criamos coisas, como as cadeiras, para que nossa vida fique facilitada. Pensem que a mesma madeira da cadeira e o mesmo metal do televisor podem dar origem a um violino. Fricciona-se contra esse instrumento uma tira com pêlos da crina de cavalos de modo que o metal vibre em determinadas frequências conforme treino que o músico recebeu previamente. Não posso evitar chamar a atenção de vocês para a extrema artificialidade de uma tal coisa. Para tornar a coisa ainda mais assombrosa, outros homens, geralmente incapazes de fazer a mesma peripécia, pagam para ver os músicos apresentando sua arte dificílima.
O homem, ao contrário de todos os outros seres vivos, não está determinado pelos seus genes. Não é o genoma dos seres humanos que determina o que eles serão. O código genético para um sujeito africano não impede seu portador de se tornar o presidente de uma das nações mais ativamente brancas que existe. O DNA asiático não impede nenhum japonês de admirar as escolas de samba brasileiríssimas, tanto é assim que o segundo país do mundo em número de escolas de samba é o Japão. Ainda que o material genético influencie bastante certas tendências de personalidade, ele não as determina. Não é porque alguém tem disposição para ser irritadiço que isso efetivamente acontecerá. Nem mesmo a tendência para desenvolver cancêr se manifesta em todos os membros de uma mesma família portadora do DNA defeituoso. Alguns indivíduos escapam ilesos mesmo possuindo os genes que causam a doença.
Não estou afirmando que Dawkins discordaria de mim, mas ele certamente não percebe que o é o pensamento quem organiza o mundo pois, como já escrevi um milhão de vezes, a natureza que vemos com nossos olhos já é uma construção do pensamento, assim como o carro que julgamos existir. Para se ver a natureza com olhos puramente neutros não poderia haver um olhar. Se vocês estiverem acompanhando o raciocínio verão que somente um ser incapaz de pensar olha para a natureza tal qual ela é. O ser humano nunca conseguiu fazer isso, tampouco conseguirá. A natureza para nós é sempre percebida através do pensamento, pois não conseguimos olhar para o mundo sem um olhar que é anterior às percepções sensoriais.
Dawkins se equivoca gravemente porque escreve sobre filosofia sem ter uma mínima instrução na área. Ele não consegue separar ocorrências naturais de ocorrências do pensamento. Tudo o que passa pelo pensamento recebe como que um tratamento. A compreensão de qualquer fato se dá através de uma determinada ótica. Por isso estudar história não é o mesmo que decorar ocorrências anteriores ao momento atual. Para se compreender a história de um determinado período é preciso compreender como se pensava então. Não basta olharmos para o séc. IV a.C. para compreender automaticamente a Grécia clássica. É preciso estudar os conflitos sociais de então para podermos lançar um enunciado o mais neutro possível. Se escrevermos um texto sobre tal período sem procurar neutralizar nossas próprias opiniões nosso arrazoado será completamente ignorado pelos estudiosos de história.
A compreensão do que é o homem passa, portanto, a um nível de questionamento praticamente infinito pois, ainda que nossa natureza aponte uma única direção, podemos avançar para qualquer lado dada a maleabilidade do pensamento. Afirmo que as ocorrências terríveis deste mundo se dão quando o homem se desumaniza, ou seja, quando se afasta de sua real natureza. É através do pecado que o homem deforma a si mesmo trazendo a destruição para o mundo. Deus o permite porque nos quer seus filhos e não seus escravos. O filho, ainda que transtorne muito o seu pai por agir mal, é livre para desobedecer. Um cachorro, um passarinho, uma minhoca não podem desobecer a Deus; eles são perfeitamente obedientes. É através da liberdade que nos é dada que deliberadamente negamos o bem, a intenção original de Deus para este mundo.
As desgraças que quotidianamente testemunhamos são, portanto, obra nossa. Somos nós que a praticamos deliberadamente. Impedir-nos de fazê-lo seria reduzir-nos ao nada. Nossa liberdade existe para que possamos fazer o mal e, parece-me, é precisamente porque ela existe que o praticamos. Tirasse-nos Deus esta qualidade, atos desumanos não mais seriam possíveis, porque não mais haveria o homem. Parece que não é esta a Sua vontade.
Postado por Henrique Rossi às 16:13
O excelente programa australiano de regulamentação da internet
Marcadores: Combate ao politicamente correto, Combate à causa revolucionária, Criminalidade, Jornalismo irresponsável, Política, Processo social do saber, Retrocessos morais, Sexo bizarro da modernidade 17 comentários
Escrevi há alguns meses um texto sobre a absurda liberalidade do Google. Tudo quanto é lixo e imundície da pior espécie estão disponíveis livremente em todos os seus sites: Google Videos, YouTube, Google Images e, é claro, no próprio Google que, sem o menor pudor, oferece-nos tudo o que de pior o ser humano é capaz de produzir quotidianamente. Naquele mesmo texto menciono a tentativa australiana em lançar uma legislação de controle da internet baseada no modelo chinês. Faltou uma referência jornalistica. Daquela vez fiquei com um pouco de preguiça de correr atrás de uma reportagem, pois sabia muito bem que iniciativas como esta não são publicadas pelos veículos de informação internacionais. E por que isto ocorre?
É muito simples. Eles não querem que voce saiba que uma grande e rica nação está promovendo o controle sobre a internet. E por que eles não querem que você saiba disso? Para que você jamais tenha a ideia de que isso é possivel. Eles querem que você e todos os seus familiares sejam expostos a todo tipo de lixo para que, aos poucos, todas as suas opiniões morais sejam deformadas pela falsa impressão de que o ser humano é mesmo podre e não tem jeito. É parte do projeto gramsciniano deles, que visa destruir todas as bases morais do ocidente para, sobre os escombros da civilização, construir a sociedade comunista. Já afirmei que as organizaçõs Globo são gramscinianas em outro texto e ninguém teve coragem de me contrariar. Também eles não querem que você saiba que a decência é possivel, vide suas telenovelas e aquela famosa frase de Roberto Marinho ao governo militar: "Nos meus comunistas ninguém toca". Eles querem que você pense que decência é coisa de gente ultrapassada e obscurantista.
Para eles o ser humano do novo milênio é amoral, comunista e hedonista. Eles sabem muito bem que os valores cristãos são os maiores inimigos da implantação da Nova Era nos países ocidentais. Por isso essa situação absurda de sequer ser noticiado essa maravilhosa tentativa da grande nação australiana de botar alguma ordem no pardieiro que a internet se tornou. Segundo a brevíssima (por que será?) reportagem da Veja On-line (veja texto aqui), a intenção do órgão regulador australiano é desenvolver "um pacote que equilibra segurança para as famílias e os benefícios da revolução digital". Não se trata de censura a conteúdos de natureza ideologica. É só impedir que loucos neo-nazistas e terroristas fiquem ensinando como fazer bombas e porque destruir Israel, entusiastas da pedofilia fiquem recrutando criancas para estupro, etc.
Nao é difícil entender essa questão: quem é contra a moralização da internet é co-responsável pelas loucuras que lá se veiculam. Não é assim na vida real? Uma pessoa que anulou o voto em 2006 é co-responsável pela re-eleição de Lula. Por que na internet seria diferente? Simplesmente não é. Quem se opõe à regulamentação da internet é conivente com os absurdos que lá estão. Ou seja, flerta deliberadamente com o totalitarismo de extrema esquerda e direita, com a difusão da pedofilia e da pornografia, e também com a comunicação entre os terroristas das mais diversas facções. Isso tudo é simplesmente óbvio. Só não vê quem não quer, quem já foi cegado pelo consenso de que já que não se pode saber verdadeiramente coisa alguma, tudo é permitido. Ou seja, é o relativismo absoluto que colabora com esta absurda deformação do ser humano que se chama internet sem regulamentação.
Postado por Henrique Rossi às 13:32
Aleluia!
Marcadores: Arte, Cinema 7 comentários
Depois do ridículo episódio de demonstração de anti-semitismo quando abordado por policiais enquanto dirigia alcoolizado, Mel Gibson irá dirigir outro filme. Naquela ocasião, o lançamento do excelente Apocalypto, uma verdadeira obra-prima, foi seriamente prejudicado, pois houve uma grande repercussão negativa. Esperamos que, com o próximo filme, recém-anunciado, sobre a cultura Viking, não haja mais confusões de natureza etílica (reportagem da Folha aqui). Com isso poderemos apreciar todo o imenso talento de Gibson na direção cinematográfica.
O protagonista do novo filme, ainda não nomeado, será Leonardo diCaprio. A julgar pelos dois últimos trabalhos de Gibson, teremos mais uma super produção falada em língua morta, com grandes requintes de direção de arte. As reconstituições de A Paixão de Cristo e Apocalypto foram realmente coisas de outro mundo. Cinema é justamente isso: uma janela para outras realidades. Grande parte do prazer que existe em ir ao cinema é vermos coisas absolutamente diferentes das que estamos acostumados. Tomara que, desta vez, não haja mais sobressaltos.
Postado por Henrique Rossi às 12:35
Aquecimento global: fato gravíssimo!
Marcadores: Ciência, Combate à causa revolucionária, Jornalismo irresponsável, Retrocessos morais 4 comentáriosVocês precisam ouvir o alerta deste prof. de meteorologia da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, sobre a questão do aquecimento global. O problema é muito mais grave do que vocês imaginam! A situação é extremamente alarmante!
Postado por Henrique Rossi às 17:14
Divagações sobre a vontade
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Minha intenção original com o penúltimo texto, o da menina que nasceu causando (é melhor lê-lo antes de prosseguir este aqui), era elogiar a atitude da jovem mãe que estava presa em trabalho de parto no engarrafamento recorde de ontem em São Paulo. A tremenda chuva que caiu fez o rio Tietê transbordar causando 70 pontos de alagamento na cidade. Imagine-se nessa situação terrível! O marido dela abandonou-a no congestionamento e foi pedir socorro num posto da polícia civil. Em cinco minutos chegava um helicóptero para resgatá-la daquela loucura. Sã e salva, ela deu a luz à uma menina saudável no hospital. Chamou-me a atenção a chamada à reportagem que narra sua história: "Minha filha nasceu arrasando!" Não deixa de ser verdade, mas não seria equivocado pensar que é uma colocação exagerada. O que eu queria mesmo é colocar esta fala em perspectiva pois, parece-me, ela revela muitas coisas interessantes.
O mais óbvio desta fala é o prestígio conferido ao lado positivo do acontecimento. A mãe não apenas comemora que tudo tenha acabado bem: ela significa o desfecho feliz do infortúnio na perspectiva da filha, como se a mesma estivesse destinada a um futuro maravilhoso pois têm um imenso poder de chamar a atenção, demonstrado por todo o efetivo que ela deslocou para conseguir nascer. Ela não é uma pobre coitada que nasceu dentro de um carro preso em um congestionamento. Ela é um ser diferenciado que conseguiu deslocar à sua causa um distrito policial, um helicóptero e duas avenidas centrais da maior megalópole brasileira. Todavia, a conclusão de que isso é "causar" não é fantástica, mas ordinária, pois a maioria das mulhers que passassem por esta experiência pensariam coisa semelhante. O que não significa que, diante das mesmas circunstâncias, outra mãe não pudesse ter uma reação completamente diferente.
Imagino as reclamações de minha mãe caso fosse ela a supliciada. Mesmo que tudo tivesse ocorrido de uma maneira positiva como neste caso, ela reclamaria de modo extremo das terríveis dificuldades. Ou seja, privilegiaria, na sua fala, o desconforto, o transtorno, e não daria ao desfecho feliz um reconhecimento sadio: não teria por ele gratidão ou, se o tivesse, não o manifestaria com a mesma liberalidade com que reclamou do infortúnio pois, para uma pessoa como ela, a menor ocorrência negativa tem peso muito maior que o mais maravilhoso acontecido. Ou seja, por uma variante psicológica o transtorno receberia muito mais atenção e energia emocional do que o desfecho sem maiores problemas.
E por que isto ocorre? Por questões como esta insisto tanto neste blog que não se negligencie o poder da mente, pois é com o pensamento condicionado a operar de uma determinada forma que se determina quem será feliz e quem será miserável. Serei mais literal ainda, preste atenção: a pessoa feliz o é porque procura sê-lo ativamente. A pessoa triste e depressiva é reclamona e infeliz porque ativamente colabora com este plano de tornar-se a si mesma miserável e decadente. Ou seja, é com o pensamento que se constrói o que se é. Através de determinações que a pessoa se faz será selado o seu destino: se ela será triste ou feliz. Esta é a equação simplificada do problema. Há, porém, a equação completa do problema, que envolve mais variáveis e, infelizmente, parece complicar-se ao infinito.
É simples entender porquê. Se apenas uma simples "programação mental" resolvesse qualquer problema não haveria miseráveis, ninguém fumaria, todos seriam atraentes e simpáticos, ninguém reclamaria, etc. Há, porém, um grande charme em ser decadente. Muitas pessoas inconscitentemente consideram belo ser lânguido, arrastado, melancólico. E isso não é uma mania atual da tribo emo. Penso, por exemplo, nos fenômenos de James Dean e Marlon Brando: os heróis tristes. Para essa gente, a maior desgraça é ser radiante, feliz, sorridente como Will Smith, o boa-praça que adora zombar do tristonho (e sempre reclamão) Eminem. Pode-se voltar ainda mais no tempo: lembram-se dos românticos das aulas de literatura? Pois é, eles achavam lindo morrer de tuberculose com 30 anos de idade. Como se vê, há gosto pra tudo.
Muitas pessoas desejariam ser felizes, mas flertam o tempo todo com a tristeza e com a melancolia. Mas não é só isso. Certamente há pessoas que querem abandonar a própria miséria que não se sentem atraídas pela decadência. Como podem ser tristes? Se o único foco dessa gente é vencer o monstro, a tristeza, acabam perdendo o rumo, pois marinheiro que só olha para as pedras não consegue enxergar o atracadouro. A pessoa acaba dando contra as pedras com o barco da sua vida. Ainda que rejeitem a tristeza com todo o coração, tudo o que essas pessoas fazem é reforçar este comportamento. Para atracarem com segurança, precisam olhar para o porto, para o atracadouro, para a meta real, que não se limita a não ser triste, mas a ser feliz. Ou seja, inverte a questão a seu favor.
Há ainda a questão do merecimento que a pessoa se permite. Ainda que queiram ser felizes e odeiem a tristeza, certas pessoas não conseguem ser positivas porque, no fundo, acham que não merecem. Por mais estranho que pareça, isso é bastante comum. E é fácil perceber pois, caso se julgassem merecedoras da felicidade elas certamente seriam felizes. Talvez já esteja dando para perceber que todas essas forças lutam no interior de cada um de nós ao mesmo tempo. Arrisco dizer que ainda há muito mais variáveis. Não é, portanto, como já disse, questão das mais simples. Por isso falei antes em equação reduzida pois, ainda que a fórmula "É feliz quem trabalha para isso" resuma bem a questão, não estão anuladas as dificuldades verdadeiras em toda a sua desconcertande profundidade.
Não creio haver exagero em dizer que a questão da felicidade é uma questão de crença, de fé em si mesmo, pois, como demonstrado, é uma impressão ou ideia muito simples e (creio ser possível afirmá-lo) fundamental que determina uma coisa tão importante quanto a auto-realização. Vejam bem, para ser feliz não é preciso ter uma fortuna, nem uma namorada belíssima. Querer estas coisas é querer a coisa errada, é dar murro em ponta de faca, é procurar ser infeliz deliberadamente. Portanto, procurar qualquer felicidade que esteja fora de si é agir como um derrotado. A pessoa feliz o é consigo mesma. Não é em coisas externas a si que ela encontra os motivos para viver. Como tenho continuamente insistido, é o pensamento que determina quem é feliz e quem não é, não as circunstãncias naturais. Há muitos pobres que são felizes e muitos ricos que são miseráveis. Em outros casos é o contrário. Nunca se foge, porém, desta determinação de que a felicidade é algo que depende das pessoas e não das circunstãncias.
Tentando achar alguma simplicidade nesta complexa questão creio ser possível afirmar que ser feliz depende apenas da atitude interna, ou seja, da veracidade do compromisso que a pessoa assume consigo para superar os desafios. Ou seja, aquela pessoa que deseja verdadeiramente o bem atua com todas as suas forças para que ele aconteça. É evidente que ela irá aprender muitas coisas no caminho. Também terá que se adaptar às lições adquiridas. Mas se a determinação de prosseguir para além das dificuldades for verdadeira e tenaz é razoável supor que ela conseguirá superar quaisquer desafios. Ainda que ela sofra de terríveis contrariedades, como uma indefectível doença genética, se ela der tudo de si na busca de uma solução encontrará alguma resposta satisfatória, ainda que dolorosamente incompleta. O que ocorre em muitos dos casos de insucesso é a arrogância. A pessoa fica bloqueada pela sensação de ser capaz de resolver problemas terríveis sozinha. É mesmo um pouco contraditório pois, ao mesmo tempo em que a felicidade depende apenas dela própria, se a pessoa não for humilde para reconhecer suas limitações ela nunca se abrirá a um axílio externo necessário na grande maioria dos casos.
Como grande amante da saúde mental não consigo deixar de mencionar a extrema necessidade da psicoterapia em casos de depressão e/ou crises pessoais. Através do auxílio externo torna-se mais fácil reparar as próprias deficiências, ou seja, naqueles incômodos pontos que o doente reluta em corrigir. Ou seja, a pessoa determinada a ser feliz não se importa em abrir mão de antigos caprichos caso isso colabore com a melhoria de sua qualidade de vida. A pessoa determinada não é orgulhosa e caprichosa. Pelo contrário: ciente de que precisa melhorar e mudar não se constrange em aceitar opiniões de pessoas mais experientes que ela, ou seja, não é cabeça-dura! Ela não sequestra secretamente seus planos de ser feliz com neuroses infantis; ela as rejeita e procura soluções externas ao problema. Claro! Se até ali ela não soube lidar com a situação é razoável supor que sozinha ela não conseguirá resolvê-lo.
Portanto, nota-se que a pessoa verdadeiramente disposta a progredir não receia procurar ajuda. Como ela é humilde para reconhecer sua incapacidade momentânea de lidar com todos os problemas de sua vida, ela procura pessoas mais experientes ou profissionais da área de saúde mental. Não acredito que o trabalho da psicologia ou da psiquiatria se limite a apagar incêndios. Digo que a função principal das mesmas é evitá-los. Mas como a saúde mental depende tanto da determinação individual, infelizmente, por ser caprichosa e arrogante, a maioria das pessoas só procura auxílio profissional quando já é tarde demais: suas neuroses são transformadas aos poucos e o organismo acaba somatizando-as em francos desequilíbrios na química cerebral. Nestes casos mais sérios melhora não é possível sem se recorrer ao psiquiatra.
Ou seja, não bastassem todas as dificuldades mencionadas até agora, nota-se que a atitude interna verdadeiramente disposta à felicidade é também humilde, sincera e simples. Pelas minhas leituras de semiologia dos transtornos psiquiátricos e minha experiência com psicologia na faculdade afirmo categoricamente que a pessoa arrogante e prepotente terá muito maior dificuldade em ser feliz do que a pessoa humilde e simples, que não receia em admitir-se necessitada de ajuda. Notem bem: quanto mais auto-suficiente alguém se considerar, mais fechado estará à felicidade porque menos aberto a considerar humildemente o que os outros dizem. Ser feliz é reconhecer no próximo o auxílio necessário e verdadeiro. Quem vê o inferno no vizinho será necessariamente infeliz e miserável. É terrível perceber que praticamente todas as filosofias modernas e contemporâneas são negativas e nocivas à uma eficaz higiene de pensamentos. Ao invés disso, elas parecem empurrar seus adeptos ao abismo da tristeza e da auto-suficiência.
Infelizmente o texto vai ficando excessivamente longo: sem sombra de dúvida é mérito da questão fabulosa. Agradeço os que chegaram até aqui. Esse não é mesmo um assunto que se limita a um texto de blog, ainda que três vezes maior que este. Aos poucos chegamos lá, como em tudo o mais em nossas vidas. Que o leitor tenha ao menos percebido que, apesar da questão não ser simples, uma atitude alegre e jocosa sobre os acontecimentos quotidianos, como a da mãe que piorou ainda mais a situação da São Paulo em caos para ter seu bebê, ajuda a tornar a vida mais leve e feliz. Espero ter lançado a semente que me permitirá concluir em outros textos que essa atitude positiva vai, aos poucos, somando-se de forma cumulativa, tal que, quando menos esperar, a pessoa adepta dessa simples filosofia se encontrará feliz e plenamente realizada.
Postado por Henrique Rossi às 01:11
Essa tirada merece menção
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Vanderley Luxemburgo (mamãe criativa, hein?) sentou o pau no presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, enquanto assumia a cadeira de técnico do Atlético Mineiro. Segundo Luxemburgo, o fato de Belluzzo ser egresso de escola de economia não significa que ele, necessariamente, seria um melhor administrador de clube de Futebol. Para piorar a situação, Belluzzo revelou-se um dirigente ultrapassado que, segundo Luxemburgo, é totalmente responsável pela dificuldade que o Palmeiras enfrentou no fim do Campeonato Brasileiro. Luxemburgo conseguiu sintetizar todas essas ideias numa frase genial, que talvez somente aqueles que já frequentaram cursos de administração poderão compreender em sua totalidade:
"Professor de Economia dando aula em faculdade, nenhuma empresa quebra. É tudo muito bonito. Mas vai montar uma padaria para ver como é."
Postado por Henrique Rossi às 21:45
A menininha que nasceu causando
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Se você é mulher imagine-se grávida em trabalho de parto. Que sufoco, não? Vamos piorar um pouco a situação. Imagine-se presa no trânsito de ontem na avenida da marginal Tietê em São Paulo a caminho do hospital. A cidade parou com o transbordamento do rio e de mais de 70 pontos de alagamento. Então seu marido se desespera com os seus gritos de dor. Ele avista ao longe um posto da polícia civil e pede-lhe que espere pelo seu retorno. Você grita para que ele não vá, mas que mais poderia ele fazer? Em meio a uma das maiores tempestades testemunhadas pelos paulistano ele te larga sozinha num carro preso em um congestionamento. Você grita e chora, mas ele se vai. A sua angústia é, agora, dobrada pela circunstâncias duplamente terríveis. Não bastasse o horror de ver-se presa naquele trânsito insólito, com a saída de seu marido não há mais a quem recorrer. Você saberá depois que os oficiais do distrito policial se sensibilizaram imediatamente com a sua história. Somente mais tarde, quando a dor tiver passado o limite do suportável, você ouvirá o zunido do helicóptero da polícia, que eles imediatamente chamaram.
Foram poucos minutos abandonada naquele carro, em meio ao maior dilúvio que os seus olhos já viram, mas com eles certarmente terá cumprido a sua dose de sofrimentos para esta vida. Qual não foi o seu alívio quando seu marido voltou do posto policial com a informação de que um helicóptero estava a caminho. O quê? Um helicóptero? E junto dele estavam dois policiais que trataram de taxear o carro onde você estava para mais perto do local onde a aeronave pousaria. Mas você não pôde pensar naquelas coisas: bastavam-lhe as contrações que, a cada instante, se tornavam mais próximas umas das outras. Mais alguns poucos minutos e você estava ouvindo o zunido inconfundível do helicóptero. E agora, como seria? Apoiando-se nos ombros do seu marido e de um policial você sai na chuva. Essa seria uma história na qual ninguém acreditaria depois. Você naquela chuva, o helicóptero, a bolsa vazando continuamente o líquido amniótico, as contrações, ai! Outro policial te ajuda a entrar na aeronave. Seu marido embarca logo após você. Mal se fecha a porta, as pesadas hélices iniciam seu giro. Cada vez rodopiam mais alto e mais forte. Até que o bicho todo alça vôo.
Deu para você ver, pela janela, os carros tornando-se tão rapidamente pequeninos. Era a primeira vez que você voava, e que circunstâncias! Pena que, do helicóptero, toda grande distância se faz pequena - em poucos minutos vocês haviam chegado ao hospital. Onde estávamos? Ah, sim! O bebê! Ai! Como você se esqueceria? Em poucos instantes nascia a sua menininha, seu primeiro filho. Que alívio quando a puseram no seu colo. Será que ela acreditaria quando você lhe contasse como ela nasceu? Fora o engarrafamento infinito tudo naquele dia foi rápido. Agora você não mais duvida do que o seu coração de mãe já te aconselhara: sua filha tem mesmo alma de artista - já nasceu causando! (Relato original aqui).
Postado por Henrique Rossi às 15:12
As jovens virgens e os velhos tarados
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Já não é de hoje que eu tenho a opinião de que a virgindade continua popular entre as mulheres, não entre todas é certo. Mas para uma percentagem considerável das damas chegar virgem ao matrimônio é importante. Volta e meia sinto-me equivocado. Outras vezes acho-me correto. Vejamos em qual estado me encontro hoje.
Acabo de ler um texto no blog de um articulista do Estadão, Marcelo Rubens Paiva, no qual ele comenta o fenômeno Crepúsculo (original aqui). Assim como eu, ele desconhecia as razões do sucesso destes livros e filmes. Todavia, se Paiva estiver certo, a saga faz sucesso por um motivo muito nobre: seus heróis são virgens e esperam o casamento para maiores aventuras. Para ele os jovens da atual geração são mais conservadores do que no passado, por isso identificam-se com produtos menos liberais em matéria sexual. Como não conheço ninguém que tenha lido um livro desta série restam-me somente as colocações dele.
O que me impressionou no texto foi a sua demonstração de profunda ignorância em matéria moral. Vejam esta pérola: "O livro-filme é adotado pela onda conservadora que varre a nova geração, que retoma o tabu da virgindade." Tabu? Ele escreveu mesmo isso? Desde quando virgindade é tabu? Se ele não sabe vale relembrar, tabu são temas proibidos, como, por exemplo, o incesto. Lembro-me agora da minha professora de antropologia que tão insistentemente chamava nossa atenção à universalidade desta característica: todos os povos tem proibições sexuais, geralmente baseadas em graus de parentesco, sem exceção. Isso é tabu: a proibição de não se tocar em determinado assunto. Virgindade é o oposto disso: fala-se sobre ela o tempo todo. Apesar da pretensa liberalidade ocidental em matéria de sexo, a castidade é admirada em todos os lugares. Quem não se surpreende diante de uma pessoa verdadeiramente pura? Ainda que a virgindade não seja algo que venha escrito na testa de ninguém, ela não é algo que se consegue esconder completamente - a pessoa traz no olhar a inocência e a falta de malícia. Esse desejo muito forte que alguns sentem em zombar dessas pessoas demonstra a sua visão de mundo destorcida: já que elas próprias não são puras, precisam comprovar que todos os outros compartilham da mesma imundície que ela.
É como o petista que acha que todos são corruptos. Ou seja, já que ele próprio está sujo, para sentir-se bem tem de apontar a impureza alheia a todo tempo e, caso encontre alguém surpreendentemente limpo, fica logo ardendo de desejo em descobrir a verdade oculta: "Aquela pessoa tão digna é só uma falsa pudica, uma hipócrita, uma recalcada, afinal, todos tem de ser tão sujos quanto eu!" Não consigo acreditar que uma pessoa que pense assim verdadeiramente preza pela diversidade de modos. No fundo, todos aqueles que desejam ser os outros iguais a ela são totalitários. Pessoas verdadeiramente tolerantes aceitam as diferenças: suas únicas restrições são justamente àquelas pessoas que não admitem a variedade de opiniões. Que os mais jovens estejam menos safados ao ponto da indústria cultural estar aproveitando essa característica como filão de mercado não deixa de surpreender. Depois de tantas décadas com a televisão educando as crianças seria de se esperar menos inocência e mais safadeza. Não é incrível que o ser humano ainda possa surpreender?
Para concluir, vejam como o autor do Estadão finaliza seu texto: "Ainda bem que vim de outra geração." Não poderia discordar mais dele. Penso o exato oposto: pena que vim de outra geração - esta atual será mais feliz.
Postado por Henrique Rossi às 10:41