Doxa, a grande inimiga da verdade

Já ouviu o termo doxa? É o grego antigo para "opinião". Os filósofos antigos questionavam a validade da opinião das pessoas. Será mesmo que só porque a maioria acredita em alguma coisa isso está correto? Não nos esqueçamos que filósofo é o grego antigo para "amante do saber". A eles contrapunham-se os sofistas, burocratas profissionais que acreditavam ser tudo relativo. Parece-me que esta briga tão antiga, do séc. IV antes de Cristo!, de filósofos contra sofistas nunca foi tão atual. O problema é que os grandes sofistas de hoje são professores doutores de filosofia das grandes universidades. Saber separar um do outro é tarefa fundamental para a compreensão do que se passa na contemporaneidade.

Os sofistas de hoje acreditam que a verdade, ao invés de universal e, portanto, aplicável a todos, é particular. Cada um pode, segundo eles, construir a sua própria verdade, como se, assim, a verdade em si não fosse vilipendiada. Oras, não há verdade alguma se qualquer coisa pode estar certa. Esse raciocínio não é complicado. Dois pensamentos contrários entre si não podem estar certos ao mesmo tempo. É evidente que há verdades universais, imutáveis, que dizem respeito à natureza humana. O problema é que a crença em verdades é a maior inimiga da particularização de verdades, ou seja, da opinião, a tal doxa com a qual eu comecei o texto.

Se podemos ter certezas a respeito das coisas, então a doxa, caso seja contrária à verdade, ainda que compartilhada por muitas pessoas, está errada. Em consequência disso, precisa ser combatida, caso contrário, poderá persistir, levando os homens ao erro e à injustiça. Por sinal que, se não há verdade, também não há justiça. Sendo tudo relativo, o sistema judiciário como um todo pode deixar de existir. Deve ser substítuido por um sistema de juízo tribal, onde a vontade do chefe, ou da maioria, é suficiente para lidar com as disputas. Seria um retrocesso de mais de dois mil anos. E para que isso ocorra trabalham ativamente os sofistas de hoje, que tão ardentemente desejam substituir o sistema legal vigente por um conselho revolucionário, tão autoritário quanto anti-democrático.

É praticamente infinito o imbrólio mental que o homem ocidental está criando com esta relativização absurda. Sem certeza nenhuma em que acreditar, ele fica correndo atrás do próprio rabo como um cão desnorteado - é patético. É este tipo de gente que divulga os sofismos que tenho combatido. O pior é que essas falsas verdades, posto que relativas, dominam o imaginário contemporâneo dado o enorme deserviço prestado pela maioria dos meios de comunicação, totalmente dominados por essas filosofias contemporâneas que de filosofia não mereciam nem o nome. São sofismas, relativizações baratas de princípios eternos, que precisam ser desmascaradas e combatidas uma a uma.

As pessoas de bem não podem concordar com a destruição da verdade. Aos poucos isso fará ruir todo o enorme edifício legal construído ao longo de milênios. Por isso é tão importante lutar pelos direitos universais do homem. Parte do plano dos sofistas é substituir a carta promulgada pela ONU em 1948 por uma que relativize todos os princípios. Poderemos assistir abusos desse tipo calados? Afinal, são poucas as vozes na imprensa e nas universidades que os têm combatido. A verdade precisa ser sempre difundida. A tentação sofista parece ser inerente à condição humana - quantas vezes tentou-se, ao longo da História, substituir a noção de verdade por sofismos atormentados e indecisos? Ergamos, portanto, nossa voz contra o engano e a mentira.

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