quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A estúpida presunção de um psicólogo determinista

Ouvi algumas vezes de um psicólogo que grande parte dos homens que frequentam seu consultório o fazem em razão de traumas ligados a abuso sexual. Para ele, recém-formado, aquilo era uma grande surpresa, pois nunca imaginou que as queixas de pacientes corriqueiros seriam tão dramáticas. Tivesse ele me dito apenas isso, ainda que muito tristes as razões que levam vários homens ao psicológo, suas frases não seriam mais que produto de uma óbvias constatações. Ocorre que geralmente os psicólogos gostam de exceder o óbvio, emitindo juízos espetaculares sobre a alma humana.

Pois aconteceu, alguns meses depois, de o mesmo profissional me dizer, desta vez de modo bastante apaixonado, que toda a vítima se torna agressor. E que a primeira fonte formadora de abusadores sexuais é o abuso na infância. Ainda que psicólogo, ele demonstra com essas afirmações ser adepto de uma matemática psiquíca um tanto simplista. Como pode um profissional que atende várias vítimas de abuso sexual na infância considerar que todos os abusados se tornam abusadores? Por acaso todos os seus pacientes estupram crianças e ele se esqueceu de me contar? Como é que pode um psicólogo não perceber o imenso absurdo destas afirmações? É óbvio que isso é verdade ainda que todos os abusadores tenham sido abusados, pois nem todos os abusados desenvolvem atração pela maldade. Ou seja, ainda que seja fundamental um histórico de violência sexual na criação de um abusador, nem todas as pessoas abusadas são más ao ponto de se permitirem realizar uma crueldade dessas quando adulto - tanto é assim que procuraram o auxílio de um psicólogo.

Imaginem a falta de generosidade, o raciocínio turvo, estúpido, de um psicólogo que, mesmo tendo vários clientes abusados, se permite a conclusão absurda de que todos os estuprados tornam-se estupradores. Não é de se surpreender que profissionais bem estabelecidos no mercado sejam capazes de dizer absurdos deste tamanho? Pior. Este profissional que estou mencionado é indicado por vários de seus ex-professores. Tivesse sido meu aluno, esse infeliz não receberia uma só indicação de clientes de mim.

Portanto, tomem muito cuidado com psicólogos. Esta história é só para demonstrar o grau de absurdo de que são capazes. Duvide, sim, do seu psicólogo. Questione-o. Procure saber as coisas nas quais ele acredita. Ponha-o à prova. É você que está pagando. Não tenha receio de procurar outro profissional se o que te atende no momento é estúpido. Não se sinta preso às opiniões de uma só pessoa. Quando efetivamente não estão comprometidos com o melhor dos seus pacientes, preocupando-se antes com as próprias opiniões, os psicólogos são capazes dos maiores absurdos. Não seja você vítima da falta de profissionalismo destes covardes que se aproveitam das fragilidades alheias.

1 comentários:

Henrique Rossi disse...

Anônimo,

Escrevi o texto por suspeitar que o caso em que me baseei não é isolado. Infelizmente, parece-me que a maioria dos psicólogos é medíocre e estúpida.
Sou contrário às propostas do ato médico em relação aos dentistas e aos fisioterapeutas, mas sou totalmente favorável às propostas do mesmo projeto de lei em relação à saúde mental, pois é preciso tirar dos psicólogos o primeiro atendimento nesta área, senão psicólogos medíocres ficarão enganando pessoas doentes que poderiam se tratar de modo muito mais adequado com medicamentos.

Sinto muito.