Haiti - desastre inenarrável

Amontoam-se corpos nas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, devastada ontem por um terremoto de 7 graus na escala Hischter. Estimam-se mais de 100 mil mortos. Dentre eles há vários brasileiros, especialmente militares, que trabalhavam na campanha de paz da ONU. Faleceu também a criadora da Pastoral da Criança, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns. Estou extremamente consternado pela dimensão da tragédia e, especialmente, pelo que toca a nós, brasileiros. Tanto os militares quanto a dra. Zilda morreram enquanto trabalhavam pelo povo paupérrimo do Haiti, a maior vítima da enorme tragédia. Enquanto esquerdopatas profissionais tramam a revolução nos seus confortáveis gabinetes, brasileiros como estes que morreram no terremoto deram suas vidas à causas reais que efetivamente revolucionavam a sociedade. Quantos não terão sido salvos pela Pastoral da Criança de Zilda Arns? E quantos não têm as suas vidas em perigo pela contínua ameaça de implantação do aborto no Brasil pelo PT? De que adiantam, pois, as notas de pesar do presidente e do ministro da saúde pela morte da dra. Zilda? Sabemos que ela, fiel católica coerente, era uma das maiores opositoras ao aborto. Que tipo cruel de aproveitamento político não farão os petistas da morte dessa grande mulher? Falta-me palavras para descrever o que estou sentindo com esta tragédia e com o uso absurdo que os petistas já demonstraram que farão da morte da dra. Zilda. Resta-me apegar-me às palavras do seu irmão, arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns, que lamentou a morte da irmã, louvando seu trabalho e sua bela morte, ao lado dos pobres que ela sempre defendeu. Enquanto nós morreremos de forma patética, cercados de cuidados hospitalares, com tubos nas nossas narinas, alimentação intra-venosa, acesso à uma infinidade de medicamentos, e imensas fraldas geriátricas nos quadris, dra. Zilda Arns teve a morte da gente gloriosa, junto ao seu trabalho, à sua causa, junto aos pobres pelos quais continuamente lutava. Tomara, caro leitor, que eu esteja errado, e que tenhamos ambos uma morte heróica como a da dra. Zilda, com as mãos na enchada, os pés na estrada e os olhos no horizonte longínquo.

5 comentários:

Anônimo disse...

Paguem por seus pecados! Aceitem a palavra como a única salvação.

Meu colega pensa do mesmo jeito:
http://www.youtube.com/watch?v=f5TE99sAbwM e que há salvação se aceitar a palavra!

Henrique Rossi disse...

Este seu comentário está mais para ateu do que para evangélico, ainda que esteja citando um pastor.

E o tal Pat faz uma comparação bem amalucada. Segundo ele, o Haiti vive mergulhado em desgraças porque no passado, para se libertar do conquistador francês, fez pacto com o diabo. Com um conhecimento geográfico invejável para um americano, Pat compara o Haiti à Rep. Dominicana - os dois países estão sobre a mesma ilha, só que o segundo é próspero e.. normal, enquanto o primeiro vive mergulhado em desgraças.

Eu sei lá. Não dou muita atenção a este tipo de colocação..

Henrique Rossi disse...

Ah sim, só uma coisa: de modo algum concordo com Pat Robertson. Apenas acho que ele está abusando da boa-sorte. Acho que ele fez esta interpretação porque o processo de independência do Haiti foi o mais sanguinolento da história. Os haitianos degolaram todos os franceses com fúria implacável.

Dã.. Também me ocorreu outra coisa.. É óbvio que os haitianos se apoiaram na sua própria religião de origem africana. O tal Pat só está fazendo como os evangélicos brasileiros, que consideram religiões de origem africana coisa do capeta.

Na verdade essa história me inspira uma série toda de ideias..

De qualquer forma, se a "matemática espiritual" de Roberson estiver correta deveriam haver calamidades naturais na Bahia também, né?

André T. disse...

Na verdade, Henrique, esse pessoal como o Pat Robertson só se guia pelos 'acertos' e ignora (ou descarta) os exemplos onde a teoria deles não funciona.

Quanto ao seu post, eu pensei a mesma coisa sobre a forma com que ela morreu. Com todos os limites que se possa colocar sobre ser desejável morrer, eu acho até que foi de certa forma invejável. Se fosse acontecer comigo, eu iria querer que fosse assim, também.

Henrique Rossi disse...

Você acreditaria se eu te dissesse que pensei que você seria uma das pessoas a preferir uma morte deste tipo?

[odeio estar quase sempre certo]Está sabendo que o Lula reservou lugar de honra no velório e enterro de Zilda Arns?[/odeio estar quase sempre certo]

Será que o anônimo acima revelaria ser verdadeiro ou brincadeira o que disse? Na primeira hipótese ele se revelaria evangélico, na segunda provavelmente um ateu brincalhão. Fiquei verdadeiramente curioso porque não consegui entender de qual das duas opções se trata.