terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Leucemia e células-tronco - revolução na medicina

Já estive diante de uma pessoa agonizando de leucemia. Era um rapaz de uns 22 anos, amante do futebol, morador de uma favela de Niterói. Quando o vi deitado no leito, auxiliado por uma prima, imaginei que estivesse com lepra. Toda a sua pele estava uma chaga viva, aberta, como se a sua camada mais superficial tivesse sido removida. Infelizmente não estou exagerando. Como ainda não estou fazendo medicina não sei porque a leucemia causa este efeito desastroso. Só não tenho dúvida alguma de que este é um tipo de cancêr crudelíssimo, que destrói a pessoa viva. Uma semana depois o rapaz havia morrido. Foi mesmo muito triste.

Mas existe algo para qual não há cura? O Jornal Nacional noticia que pesquisadores americanos desenvolveram um tratamento revolucionário no tratamento da leucemia através de células-tronco obtidas do cordão umbilical de recém-nascidos, tornando obsoleta a espera por um transplante de medula óssea. Apoio incondicionalmente este tipo de revolução, realmente capaz de transformar a vida das pessoas, e refuto falsas revoluções cujo único intento verdadeiro é fazer pilhas de cadáveres.

Alguns de vocês devem estar se perguntando: "Mas o Henrique é tão católico. Como pode estar aprovando o uso de células-tronco em pesquisas?" É que existe uma diferença fundamental entre células-tronco adultas, como estas obtidas a partir do cordão umbilical de recém-nascidos, e as chamadas células-tronco embrionárias, que não passam de seres vivos como nós, que merecem todo o nosso respeito. Por sinal que chamar embriões de "células-tronco" é um dos eufemismos mais cafagestes que existem. Procura-se, assim, retirar do embrião plenamente humano a sua dignidade própria, reduzindo-o à condição de mera célula. Os cafagestes que assim agem, fazem-no para distrair a opinião pública, afinal, quem é a favor do extermínio de seres humanos para fins científicos? Ninguém. No entanto, quem se opõe ao uso de meras células em pesquisas? Trata-se de um ato imoral, com o qual muitas vezes jornalistas irresponsáveis têm corroborado.

Não há problema algum em se trabalhar com células-tronco, qualquer que seja a sua procedência. A imoralidade está em se pretender reduzir um embrião humano, cujo código genético já contém toda as especifidades de qualquer pessoa adulta, em mera célula, como se fosse coisa da qual se pode dispor ao bel-prazer conforme as conveniências. Testemunhamos uma profunda involução nos valores humanos da sociedade contemporânea. Aos poucos reduz-se a noção da dignidade humana, transformando-se o homem em objeto de comércio. Como podem as pessoas não perceber que agindo de modo indiferente estão colaborando com este projeto nazista de coisificação do ser humano?

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