Estive afastado do blog nos últimos dias por motivos muito nobres. O mais especial deles é minha vida pessoal. Mas li uma notícia interessantíssima que gostaria de compartilhar com vocês. Cientistas britânicos desenvolveram um sistema para conversar com pessoas em coma. Enquanto monitoravam o cérebro dos pacientes, eles lhes pediam que respondessem "sim" ou "não" à diversas perguntas como, por exemplo, se tinham filhos ou se eram casados. A reportagem da BBC (original aqui) termina constatando que a descoberta pode levar a diversos impedimentos éticos. Como se poderia desligar os aparelhos de alguém que pode tomar decisões por si própria? Mas essa é uma falsa questão, pois quem respeita a vida humana jamais desligaria os aparelhos. Evidentemente, isso não significa manter artificialmente viva uma pessoa exposta à tratamentos caríssimos e/ou muito penosos. Neste caso, não há problema algum em reconhecer que não se pode fazer mais nada para ajudá-la. Coisa absolutamente diversa desta é negar comida a alguém, deixando-o morrer por inanição, como no caso absurdo da americana Terry Schiavo, condenada à morte pelo próprio marido com o apoio da justiça.
De fato, é muito injusta a justiça humana que condena à morte seres humanos indefesos e frágeis. Parece que se foi o tempo em que se defendiam os necessitados. A regra da modernidade é aniquilá-los covardemente, como se dissesse: "Eles são um peso para a sociedade. Melhor que morram". Assim dizia o primeiro esboço do projeto de lei de reforma da saúde pública americana de Barack Obama. Sua rival na campanha presidencial, Sarah Palin, disse, com muita propriedade, que aquela lei, se aprovada, daria ao Estado o poder de condenar inválidos à morte, como a sua filha com síndrome de Down. Rapidamente os democratas retiraram aquela cláusula do projeto e começaram a mentir escandalosamente, afirmando que os republicanos estavam fazendo uma análise exagerada da questão. Diferentemente do Brasil, onde se aceitam quaisquer desmandos absurdos das autoridades, os americanos foram às câmaras municipais de suas cidades para protestar. Portanto, não foi surpresa nenhuma para mim quando em pouco menos de um mês a popularidade do presidente desabou de mais de 75% para menos de 50%.
Certamente haverá quem considere esse recuo democrata um lamentável retrocesso. Só posso sentir pena de quem pense assim. Trata-se de alguém que relativiza a importância da vida humana que, para mim e para a maioria, é um bem absoluto, sobre o qual não se pode transigir. Foi com o advento das ideias de Thomas Malthus que se começou a se difundir a crença de que o melhor que se pode fazer para os miseráveis é matá-los. Se a criança vai ser um estorvo para a mãe e, por consequência disso, não receberá o amor necessário para se desenvolver com saúde, é melhor que seja morta. O malthusianismo trata o ser humano como coisa da qual se pode dispor conforme a conveniência, conforme o entedimento de uma minoria. Não é à toa, portanto, que se seguiram a ele os regimes mais genocidas da história. Os assassinos admiradores das ideias pseudo-científicas de Thomas Malthus viam uma grande ameaça em certos grupos étnicos. E, já que estavam convencidos de que o ser humano não é lá grande coisa, afinal, segundo vários cientistas somos somente animais, acreditaram que podiam aniquilá-los pois assim lhes parecia mais conveniente e adequado.
Notem que nos regimes políticos, aqueles onde se exercia a democracia, nunca ocorreram desgraças minimamente comparáveis àquelas acontecidas nos regimes científicos, onde um "sábio" autoritário decidia quem viveria (aqueles com as melhores características) e quem morreria (aqueles com traços genéticos inferiores). Vale lembrar que Darwin sugeriu explicitamente que tais práticas não seriam negativas, pois ele acreditava na seleção artificial dos melhores espécimes humanos. Quando viajou pela costa africana à bordo do HMS Beagle, Darwin ficou horrorizado com a cultura africana. Portanto, foram lágrimas de crocodilo que ele derramou sobre os escravos brasileiros quando esteve no Rio de Janeiro. De fato, ele odiava os negros. Por tudo isso, não é surpreendente que os ditadores científicos não tenham matado apenas judeus e búlgaros, mas também crianças defeituosas e doentes. Qual não foi a surpresa de Adolf Hitler quando o negro Jesse Owens venceu a medalha de ouro em sua presença durante as Olímpiadas de Berlim, em 1936? Se a raça ariana era superior, como poderia ele ser tão bem sucedido? Começou-se, então, a se dizer que os negros são bons fisicamente mas ruins de intelecto.
Alguém pode arguir dizendo que não são os cientistas que pensam assim. Errado! James Watson, um dos maiores cientistas da história, vencedor do prêmio Nobel de medicina de 1962 por ter descoberto a molécula de DNA, afirmou diversas vezes que os negros são inferiores e que isso era nítido. Segundo ele, todos aqueles que já conviveram com um negro sabem perfeitamente como a inteligência deles é inferior a dos brancos. Não se trata, pois, de fantasia de um blogueiro atormentado. Podem procurar no Google o nome James Watson e vocês verão com seus próprios olhos. À época daquelas declarações quem saiu em sua defesa? Ganha uma bala quem disser Richard Dawkins. Este notável biológo procurou diminuir o impacto das declarações absurdas de Watson quando o correto seria lançar uma moção de censura a ele (artigos que comprovam esta afirmação aqui). Que mal haveria em condenar-lhe aquela absurda declaração? Não será porque, no fundo, Dawkins concorda com ela? Ou talvez ele deve pensar que o correto é disfarçar as tolices dos seus amigos, enquanto que, para denegrir os adversários, não seria incorreto até mesmo atribuir-lhes tolices que nunca disseram. Assim é a moral de Richard Dawkins. Seria melhor o mundo que o seguisse?
Não, seria monstruoso um mundo onde Richard Dawkins tivesse poder de decisão. Não apenas ele, mas todos os que acham que se pode dispor do ser humano como qualquer coisa. Por isso a democracia representativa é tão importante. Quando ela é substituída por um regime onde somente a opinião de poucos é levada em consideração, o resultado sempre foi desastroso. É que a maioria repele genocídios. O mundo ocidental sempre assistiu horrorizado às monstruosidades científicas perpetradas por Stalin, Mao e companhia. É preciso combater duramente o avanço dessas ideologias genocidas no Ocidente. Infelizmente parece que muitos não se têm dado conta de que este é um processo em avançado estágio de evolução. Que é o aborto senão a licensa para matar um ser humano indefeso conforme a conveniência de alguém? A civilização que abraça o aborto flerta com o autortarismo científico. Pergunte a qualquer professor de geografia se o controle da população através do aborto não é positivo. Se você obtiver uma resposta negativa saiba que está diante de uma excessão. Não se pode tolerar afrontas à dignidade humana. O próximo passo dos apologetas do aborto quando este se instala é o genocídio de viés científico.
ATUALIZAÇÃO: Não apenas eu considerei esta notícia fantástica. Também pensou assim a editoria do Jornal Nacional, que tratou sobre o mesmo assunto na primeira reportagem do programa de hoje. Também ali se mencionou a dramática questão ética a respeito da eutásia.
A desumanização do homem (Richard Dawkins de novo)
Marcadores: Ciência, Liberdades individuais, Medicina/saúde mental, Política, Processo social do saber, Richard DawkinsPostado por Henrique Rossi às 15:12
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3 comentários:
Eis um post magnífico! Parabéns.
A tempos não comento aqui (aliás, comentei uma vez só), mas leio teus posts sempre que posso.
Voltando ao assunto dawkins, concordo totalmente contigo. Dawkins e companhia estão, ao que me parece, tentando nos tornar inferiores. Lembro de uma parte em que ele diz em deus um delírio que 'os embriões ou fetos que são abortados, possívelmente, sofrem menos que um bezerro num abatedouro'.
Bem, particularmente fiquei chocado. Perdi o respeito por ele no momento em que li isso (aliás, não tenho mais respeito por neo-ateístas).
Apesar de ateu, os valores humanos da religião cristã na qual fui criado, permanecem em mim. Quando vejo afirmações que desumanizam o ser humano, não consigo ficar quieto.
A ciência pode avançar, mas acho que os valores éticos deveriam ser conservados, e não é o que está acontecendo.
Muito obrigado pelo elogio, Fobeo.
É mesmo uma pena que não poderei continuar o blog. Se ao menos eu recebesse algum "dim-dim" por ele quem sabe não conseguiria? Infelizmente não poderei dedicar-me aqui sem algum tipo de contrapartida financeira.
PHD Ziriguidum, Pá:
Quem sabe conseguiremos resgatar o Fobeo de novo...
Mais um que vai pra minha lista de orações.
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