Jamais pensei que teria um blog. Quando essa onda começou eu havia abandonado completamente meu interesse por novidades tecnológicas. Estava cursando comunicação social - cinema na Universidade Federal Fluminense, a melhor do Brasil na área. Durante aqueles anos dediquei-me exclusivamente ao estudo. Arrisco dizer que fui o melhor aluno do departamento de cinema. Não tive apenas notas espetaculares. Todos os bons professores me convidaram ao mestrado e alguns até mesmo ao doutorado, negligenciando, assim, a etapa intermediária. Mas eu queria ser cineasta. Todas as vezes que aqueles excelentes mestres me procuravam com o intuito de fazer de mim um acadêmico eu pensava que não havia procurado aquele curso para dar aula. Cinema era algo que eu queria vivenciar no set de filmagens.
Depois de formado procurei instalar-me no mercado. Não demorou para descobrir que, ao contrário da Academia, o mercado não privilegia o talento nem o mérito. Antes move-se ao sabor de mexericos e politicagens. Eu não podia acreditar, afinal, não estaria o mercado obrigado ao lucro? Essa necessidade de primeira grandeza não o acabaria forçando a procurar com afinco redobrado os melhores profissionais? Foi então que pude ver na prática o desastre causado pelas leis de incentivo. Já que o dinheiro vem fácil, ele é gasto sem maiores preocupações. De fato, quando foi que os cineastas brasileiros começaram a se preocupar com o público? Somente de uns poucos anos para cá. A maioria deles, porém, continua presa ao passado, àquela necessidade retrógrada de fazer filmes de arte. O que, na maioria dos casos, significa fazer filmes que promovam a revolução socialista.
Portanto, ao contrário da Academia, onde me adaptei com perfeição, não me entrosei com os colegas profissionais. A simpatia com que todos me tratavam na Universidade tornou-se pouco caso no mercado. Não adiantava insistir, além do mais, não sou desses tipos que gostam de dar murro em ponta de faca. Escolhi a medicina dentre as profissões conservadoras por ser, de fato, a que mais me agrada. Retardei, assim, o desejo de ser cineasta. Preciso de uma profissão que ponha o pão na mesa. Depois disso, quem sabe?, poderei retomar o sonho juvenil. O blog surgiu, ano passado, como reflexo involuntário da minha intensa vida intelectual pregressa que estava sendo massacrada pela imbecilidade geral. Fiquei escandalizado com a postura indecente dos professores do Anglo Taubaté (que havia procurado para me preparar para o vestibular de medicina). Isso motivou-me a criticar todos os radicalismos e intolerâncias da vida contemporânea.
Hoje não tenho a menor dúvida de que seria capaz de escrever uns três textos de alta qualidade diariamente. Ainda tenho muito a dizer, mas a necessidade de protestar contra tudo de errado que acontece no mundo passou. Além do mais, tenho que levar minha vida adiante. Não posso dedicar duas horas do meu dia ao blog. Ocorre que isto me dói o coração pois me sinto um privilegiado pela enorme audiência que consegui agregar nestas páginas. Nunca imaginei que teria tantos leitores diários, gente que dia após dia retorna a este espaço para ver meu último protesto contra as ideologias que desumanizam a humanidade. Não sei, portanto, o que ocorrerá nos próximos dias. Gostaria muito de poder voltar aqui para um texto ou outro, mas essa possibilidade se torna cada vez menos provável.
Fica, então, o meu agradecimento pela sua visita. Convido-o à leitura dos textos anteriores do blog. Pretendo publicar uma lista dos meus favoritos com a justificativa que me levaram a escolhê-los. Se você não lê este blog desde o seu início, é certo que irá encontrar muita coisa interessante publicada antes da sua visita. Ainda que isto se pareça uma despedida, tenho mais uma coisa a pedir-lhe: se você gosta deste blog não fique mais de uma semana sem visitá-lo. Como já disse, não sei se publicarei sempre, mas seria estranho que eu não tivesse um texto novo ao menos uma vez a cada semana. Ainda que você seja um leitor silencioso (pois assim é a maioria que já esteve aqui), a sua visita é importante para mim, pois sempre me recorda um talento especial que eu possuo e do qual jamais gostaria de esquecer.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Este blog, o futuro e você
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2 comentários:
Oi Henrique, queria te perguntar uma coisa..duas, na verdade.
1) Como anda o lance da faculdade de medicina?
2) O que vc quer dizer com a postura indecente dos professores do Anglo? Fiquei curiosa. :)
Vou começar pela segunda pergunta:
Não tratei dos vários problemas do Anglo Taubaté no blog. Esse é um assunto muito extenso porque esta instituição é muito imoral. O que ocorre entre aquelas paredes pode ser qualificado, sem exagero algum, como bárbaro.
Digamos que há alguma crítica ao Anglo Taubaté em cada texto contra as ideologias contemporâneas que eu escrevi. Lá ensina-se toda sorte de inverdade moderna. Jamais esperei encontrar numa instituição da minha cidade o método de proselitismo esquerdista mais agressivo que já conheci. Hoje compreendo porque alguns alunos de instituições universitárias públicas ocupam a reitoria e infernizam a vida de seus colegas. Aprenderam a ideologia absurda que motiva estes radicalismos no Ensino Médio.
Nunca, em momento algum da minha vida, testemunhei cafajestagem maior. A maioria dos professores do Anglo Taubaté é cafajeste. Sempre há para toda regra nefasta honrosas exceções.
Quanto ao lance da faculdade de Medicina vai muito bem. Na verdade, melhor impossível.
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