Os muitos leitores quotidianos deste blog sabem que tenho escrito bem menos que o de costume. Hoje, porém, este já é o segunto texto que escrevo. Sim, há outro texto novo abaixo deste. Mas não se trata de ataque criativo. O texto anterior a este foi escrito porque considerei um tanto hipócrita a tentativa do Conar de bloquear a propaganda da cerveja Devassa Bem Loura, recém-lançada. Acho que no dia em que esse pessoal do Conar resolver combater indecências na publicidade de cerveja deveriam censurar a infinidade de moças de biquínis, bem menos pudicas que a Paris Hilton de vestidinho preto que estão criticando.
O problema de se criticar quaisquer tentativas de moralização na sociedade contemporânea é que logo você se vê forçado a defendê-las, pois o mundo atual sabe como nenhum outro adulterar os reais valores humanos. Ou seja, mal estava eu falando do Conar criticando vestidinhos curtos soube de uma campanha publicitária altamente indecente. Por certo esta vida é algo um tanto irônico, pois bastou o "moralista" aqui criticar uma tentativa desnecessária de censura para outra um tanto necessária chegar ao meu conhecimento. A publicidade em questão é de uma tal forma grosseira e baixa que não vou sequer dizer de que país ela vem, não é do Brasil.
Um órgão de combate ao fumo elaborou uma campanha para revistas que compara o hábito de fumar à escravidão sexual. Para tanto, ela faz uma montagem que sobrepõe um fumante com cigarro na boca ao quadril de um senhor em pé, de modo que se subentenda um ato sexual. Isto foi notícia em alguns telejornais. Um ministro do país em questão entrou imediatamente na luta pela retirada de circulação da campanha. Achei isto muito triste. Além de não dizer de qual país se trata (pois ainda que vocês sejam adultos não desejo que vejam algo tão degradante), também não publico a reportagem que assisti (pois contém imagens da campanha).
É simples o estado de nossa situação: a desesperada necessidade de lucro apela para nossos mais vis impulsos como retórica da qual não se pode escapar. Que órgãos como o Conar estejam desempenhando com cuidado um excelente trabalho de auto-regulamentação é algo de se elogiar, não criticar, ainda que pequenas imperfeições possam ocorrer enquanto a sociedade como um todo estiver desajustada de valores humanos em favor de valores financeiros. De fato, é a sociedade que sobrepõe sua humanidade pelo gosto das riquezas materiais que realmente escraviza, desvirtuando qualquer beleza e decoro.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Escravos da imoralidade capitalista
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