Um excelente programa da GloboNews força a interrupção do meu prazeroso silêncio. Não me entendam mal. Amei cada segundo em que estive trabalhando em textos para o blog. Mas estava aplicando muita energia pessoal aqui. Até voltaria a escrever com regularidade, contanto que houvesse uma contrapartida financeira. Se você conhece o dono de algum portal que pudesse se interessar pelo blog avise-o: estou disponível. De fato, tive várias ideias interessantes todos estes dias em que estive afastado. Anotei breves rascunhos que poderão algum dia ser trabalhados, mas de graça não o farei. Só venho aqui hoje porque tenho que compartilhar o programa com vocês. Ele por demais corrobora com tudo o que já escrevi nestas páginas.
Lembram-se como eu gostava de dizer que os estudos de história não mais confirmam as verdades fáceis propagadas pelos professores de cursinho? Lembram-se que sempre pedi referências bibliográficas quando alguém vinha falar de história comigo? Oras, tudo isso porque dos anos 70 para cá o estudo de história vem se tornando cada vez mais científico e menos ideológico. Ou seja, os departamentos de história das grandes universidades estão sendo desaparelhados pela antiga escola esquerdista, cujos representantes estão literalmente morrendo de velhice, enquanto empossam jovens estudiosos mais críticos e menos afeitos à mera reprodução de chavões partidários.
O estado anterior que aos poucos está sendo superado sempre foi marcado por notórias injustiças. Imaginem vocês que o atual presidente da UNE é militante do PC do B desde a adolescência e só entrou na Universidade para que o partido o colocasse na presidência da instituição. Qual a representatividade estudantil disso? Pode-se falar com toda a razão que isso é um excelente exemplo de traição, pois aviltou-se com a omissão deste fato escandaloso a confiança de todos aqueles que votaram nesse sujeito. É certo que quanto menos dependente de partidos políticos fosse o estudo de história melhor seria sua qualidade.
Pois então constatamos com muita alegria que as gerações futuras de professores de história serão mais justas e imparciais que as atuais. No meu modo de ver as coisas é a sociedade inteira que ganha com isso, porque conhece-se a si mesma com mais propriedade e pode, assim, combater os erros que levaram às injustiças atuais. A complacência passiva com professores guiados não pelo conhecimento mas por ideais partidários já arrasou mais de uma geração de brasileiros. O vídeo é fantástico porque revela a maravilhosa transformação em curso. Foi por causa dele que quebrei meu delicioso silêncio. Não deixem de assisti-lo.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A nova geração de professores de história
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2 comentários:
Partidos políticos não são instituições sérias, a UNE não é um órgão sério, o Brasil não é um país sério.
Infelizmente o que vemos no país é uma legião de conformados que têm como único objetivo o lucro. Esse extenso contingente é o pertencente à chamada classe média da qual provavelmente estamos enquadrados.
Dizer que professores de história estão aprendendo a ser imparciais é bobagem.
A realidade é que os ditos "esquerdistas que estão morrendo de velhice" estão dando lugar aos pobres conformados que o sistema insere no mercado anualmente e, estes, estão passando a visão conformista da história.
Respeito o seu ponto de vista, Henrique, quanto a quem está certo e quem está errado caberá ao tempo nos dizer, se é que saberemos um dia. Então peço respeito quanto ao meu. Nossas visões e ideologias político-sociais podem ser completamente diferentes e contrastantes, mas o mundo em que vivemos é o mesmo.
Não se preocupe Alexandre.
Há casos em que de fato me zango com comentários. Geralmente isto ocorre quando o leitor atribui a mim algo que considero indevido e injusto. Mas não há nada disso na sua opinião que é, aliás, muito justa. Não acho que você esteja de todo errado. Entretanto, gostaria de provocá-lo um pouquinho: se a lógica por detrás dos professores de história "amaciados" é consequência da vitória de uma ideologia de mercado, notadamente capitalista, e se partidos políticos, juntamente com a UNE, não são instituições sérias, resta exatamente o quê? O desespero?
Eu me alegro não em notar a imposição "forçada" de um capitalismo desumanizante, mas em perceber que as futuras gerações terão uma educação mais imparcial, o que, como eu afirmei no texto, facilitará o processo de transformação da realidade. Foi isso o que quis dizer quando afirmei que "é a sociedade inteira que ganha com isso, porque conhece-se a si mesma com mais propriedade e pode, assim, combater os erros que levaram às injustiças atuais."
Não há como não reconhecer no absurdo partidarismo de vários professores de história um amargo ranso esquerdista. Como o prof. da UFSCar diz na entrevista, esses malucos consideram Palmares e Canudos sociedades comunistas. Isto é simplesmente ridículo. Não é à toa, portanto, que quando ampliam sua visão de mundo os alunos que em sua adolescência foram forçados a acreditar nessas bobagens acabam descartando por completo qualquer iniciativa de cárater social. Ou seja, o ensino de imbecilidades favorece a falta de politização no futuro. Creio que se a história for ensinada de uma forma mais verossímil e verdadeira haverá maior interesse pela realidade efetiva dos acontecimentos.
Sua opinião é extremamente bem-vinda.
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