James Cameron obteve o maior sucesso financeiro da história do cinema com o recente Avatar, defenestrado neste blog (texto aqui) por diversos motivos. Não irei relembrá-los agora mas, por ocasião da visita deste cineasta ao Fórum Internacional de Sustentabilidade, que acontece por esses dias em Manaus, convém fazer algumas observações. Criticando o governo Lula e sua intenção de construir uma hidrelétrica em Belomonte (obra que desalojaria uma população ribeirinha) Cameron disse: "A barragem vai destruir a vida das populações ribeirinhas. Eles são povos ameaçados como os Navi, mas não tem aquelas criaturas aladas para ajudar na luta" (reportagem aqui). Ou seja, Cameron confirma a tese que afirma ser Avatar um libelo anti-desenvolvimentista. Afinal, a história deste filme sataniza quaisquer intentos progressistas com sua simbologia primária: os nativos são povos bonzinhos que vivem em relação de harmonia com a natureza enquanto tudo o que a civilização quer é destruir e matar.
Oras, se o que falta aos ribeirinhos de Belomonte, primos distantes dos Na'vi de Avatar é um modo para se defender, não custaria Cameron dar uma mãozinha, não é? Já que répteis alados estão instintos a milhares de anos, este cineasta poderia comprar-lhes armamentos pesados com os quais poderão se defender da ira positivista da sociedade brasileira, que precisa de energia elétrica para continuar suas práticas "imperialistas". Afinal, por que é que os brasileiros precisam de energia elétrica? Deveriam, segundo Cameron, abandonar as cidades e se converter às religiões que pregam a harmonia com Gaia, a mãe Terra ancestral. A energia elétrica deve ser algo que afasta o homem da realidade encantada da natureza fantástica, fechando-o em um modo de vida artificial e infeliz. Caso a hidrelétrica de Belomonte não fosse construída a harmonia no relacionamento com a natureza não seria abalada.
Mas eu descobri o problema com estes seres artificiais da cidade. Depois de "iluminado" pela tremenda inteligência de Cameron já sei o que há de errado com eles: falta-lhes o rabo. Isso mesmo. Se tivessem a longa cauda presa ao quadril de todo Na'vi eles então poderiam sentir Gaia com toda a sua força ancestral. A ausência de cauda no ser humano condena-o à diferença com as espécies que tratam Gaia com todo o amor. Tivessemos um rabo para manifestar alegria, medo e raiva seríamos puros e lindos como os Na'vi ancestrais. Por isso os ribeirinhos de Belomonte estão condenados à destruição capitalista insensível: falta-lhes a energia animal para se rebelerem, afinal, sem uma vistosa cauda para experimentar a maravilhosa natureza como poderão erguer-se em sua defesa? Acabam sendo apenas o triste retrato de qualquer outra população ribeirinha: analfabetismo, violência doméstica, estupro incestuoso, verminoses, prostituição infantil, etc.
Assim é a maioria dos movimentos eco-chatos: pretendem convencer a opinião pública de que o progresso é nefasto com argumentos que engariam somente crianças de 5 anos de idade. Na falta de crianças que se interessem por este tema, acabam acreditando nas suas lorotas os jovens com idade mental equivalente. Ao contrário do que sugere Cameron com Avatar, o progresso sempre eleva a humanidade. As grandes realizações técnicas do séc. XX levaram a uma melhora incomparável em nosso padrão de vida. Não pretendo, com isso, justificar que se destrua a natureza indiscriminadamente. O correto é avaliar todas essas variáveis com justiça. Deve-se equacionar, a um só tempo, um uso moderado das nossas capacidades naturais às nossas necessidades. Não podemos deixar de investir na produção de energia mais eficaz (a hídrica) porque não se pode mover pobres ribeirinhos de lugar.
Portanto, deve-se sim movê-los de lugar no interesse da amplíssima maioria de brasileiros. Que o governo dê moradia a todos num lugar mais alto. E que a bendita hidrelétrica seja construída! Nosso destino não é ser um lugar atrasado como Cuba. Temos vocação para muito mais que isso. Devemos incentivar um uso equilibrado dos recursos naturais, mas nunca podemos perder de vista as razões pelas quais podemos fazê-lo: para nosso bem e progresso, para que, cada dia mais, possamos evoluir como povo e nação. O controle dos nossos bens naturais por estrangeiros é só mais uma forma cruel de imperialismo e exploração. Cameron é porta-voz daqueles que já destruiram complemente sua natureza e tornaram-se, assim, os mais ricos do mundo. Temos, portanto, uma chance sem-igual: progredir através de um uso racional dos recursos naturais. Não devemos dar atenção a estes que querem nos ver como a Cuba atrasada e autoritária.
sábado, 27 de março de 2010
O rabo vistoso do Na'vi inocente e feliz
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2 comentários:
"estão instintos a milhares de anos"
Preciso tirar esta dúvida com um prof. de português. O certo seria "extintos há milhares de anos"? Me parece tão esquisito..
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