segunda-feira, 26 de abril de 2010

Abaixo o pensamento pseudo-científico!

Já escrevi muitos textos que versam sobre os processos científicos. Percebo hoje que mesmo leitores quotidianos do blog não entenderam questões fundamentais, de primeira grandeza, sem as quais o entedimento das verdadeiras questões, bastante complexas, fica absolutamente comprometido. Há, pois, um princípio fundamental, que enuncia de modo bastante claro o objeto de estudo dos cientistas: a ciência estuda os fenômenos naturais. Se você não entende exatamente o que são fenômenos naturais você jamais entenderá o que é a ciência. Fenômenos naturais são as ocorrências da natureza, ou seja, tudo aquilo que acontece e que pode ser medido, descrito, analisado ou quantificado. Note que se deve concluir que nada que não possa ser medido, descrito, analisado ou quantificado pode ser objeto de estudo da ciência. A demonstração de que se compreendeu um fenômeno natural se dá pela descrição de padrões de comportamento, o que geralmente ocorre por meio de enunciados matemáticos. Utiliza-se a matemática pelo seu caráter universal. Através do recurso matemático demonstra-se o que se pretende explicar de modo que a experiência possa ser comprovada por cientistas de todos os lugares. Se não se puder verificar os resultados de uma experiência, então as proposições feitas não podem ser consideradas científicas. Não se pode, por exemplo, afirmar que glândula pineal é um instrumento de comunicação com o além sem que isto seja comprovado através de uma análise científica meticulosa e séria. Notem que é urgente a comprovação de um fenômeno por um cientista para que as suas proposições sejam aceitas por seus colegas.

Coisa absolutamente diversa da ciência são os estudos das humanidades. Como já demonstrei em muitos textos, as humanidades estudam e descrevem os fenômenos que não podem ser comprovados cientificamente. Ou seja, tudo aquilo que não pode ser descrito matematicamente. Ocorrências como dor, medo, alegria, entusiasmo, fé, coerência, lógica, razão, ódio, etc. são do campo de estudo das humanidades justamente porque não se pode medi-las, descrevê-las, analisá-las ou quantificá-las. Elas ocorrem em um não-lugar. Uma pessoa que esteja assistindo uma aula de bioquímica, por exemplo, pode ter seu pensamento voltado para a namorada. Um cachorro não faz isso. Ele simplesmente está onde está, não tem capacidade de criar nada. Se estivéssemos por necessidade presos somente às coisas que têm uma existência material jamais inventariamos qualquer instrumento. Instrumentos são, por definição, pensamentos aplicados sobre à natureza. Já escrevi, por exemplo, que a grama não existe. É o pensamento que manipula o mato, mantendo-o num tamanho contrário a sua natureza, dado que deveria crescer muito mais. Outro exemplo que dei foi que se não fossêmos capazes de pensar não existiria o concreto, pois o concreto existiu antes no pensamento do engenheiro-cientista do que na natureza. Foi através da manipulação ativa de componentes químicos que se desenvolveu uma fórmula que transformava materiais A, B e C em concreto, coisa que, de fato, não existe. Quando vemos uma barra de concreto ela não está ali. Os átomos que a compõem não estão preocupados se formam componente A, B, C ou concreto. É o pensamento que vê uma barra de concreto naquele objeto.

Oras, não é difícil perceber que o concreto que tem existência material é objeto de estudo da ciência. A equipe de engenheiros e químicos que o desenvolveu estudou cada um de seus componentes e procurou, assim, montar a melhor relação quantitativa entre eles de modo que fosse possível o surgimento de um material com as características procuradas. Eles já tinham em mente o que queriam antes de vê-lo pronto. Ou seja, antes de existir materialmente, antes de existir em uma forma que pudesse ser medida, descrita, analisada ou quantificada, o concreto existia enquanto pensamento! Ele estava lá! Quando a equipe de cientitas e engenheiros começou a se abraçar e a estourar garrafas de champagne, eles estavam comemorando a concretização de um objetivo mental. O mesmo aconteceu entre a equipe de engenheiros e cientistas que inventou o televisor. Antes que a TV existisse, ela já estava presente no pensamento deles. Ou seja, ela existia antes de existir. Enquanto eles estavam reunidos em sua pesquisa, procuraram diferentes meios de desenvolver aquilo que já conheciam em pensamento! A TV não passou a existir segundos antes da equipe de cientistas que a inventou começar a estourar champagne. A TV passou a existir no exato momento em que alguém pensou um objeto que pudesse levar imagens em movimento de um local para o interior das residências das pessoas, ou seja, muito antes da primeira transmissão de imagens por ondas eletromagnéticas. Como já disse, a ciência só pode estudar coisas quantificáveis. Em um aparelho de TV, ela pode medir as cargas eletromagnéticas, o calor dos choques de elétrons, a eletricidade necessária para ligar o aparelho, a intensidade da luz, etc.

O que a ciência não pode estudar é a TV que existiu no pensamento do seu verdadeiro inventor. A esta TV radicalmente imaterial os cientistas não têm acesso justamente porque imaterial. Fossem os nossos pensamentos quantificáveis a ciência poderia estudá-los sem problema algum. O problema é que a ciência não pode medir coisas sem uma existência efetiva. Como se pode, por exemplo, estudar um aparelho de TV antes do seu desenvolvimento? E, no entanto, como já demonstrado, ele existiu muito antes de sua efetiva criação. O campo de estudo das coisas que não podem ser medidas, descritas, analisadas ou quantificadas pertence às humanidades, pois são elas que estudam os fenômenos imateriais da existência. São antropólogos que se embrenham no meio do mato para o estudo de outros povos. São sociólogos que estudam maneiras mais eficazes de sociedade. Psicólogos que estudam maneiras de facilitar a vida das pessoas. Cineastas que estudam como fazer filmes cada vez mais sofisticados e atraentes. Filósofos que se questionam o que é a razão. Designers que invetam objetos de estética revolucionária. Poetas que falam dos mais profundos aspectos da nossa existência. Músicos que encontram os mais eficazes meios de expressar o que se passa em nosso interior. Juristas que continuamente se aprofundam no aperfeiçoamento da noção de Direito, a salvaguarda máxima das nossas liberdades individuais. Oras, todos estes saberes existem. Movem uma verdadeira multidão de pessoas. E, no entanto, nenhum deles pode ser medido, descrito, analisado ou quantificado. Logo, todas as escolas que os estudam pertencem às humanidades.

Portanto, ainda que as ciências naturais e as humanidades surjam ambas da inteligência do homem, conclui-se que têm diferentes objetos de estudos. A primeira afere com absoluta exatidão diferentes fenômenos físico-químicos. A segunda especula a partir das morais universal e individual como é a mente do homem e o que é melhor para ele. O corpo do homem, aquela parte física da sua existência, aquela que pode ser medida, descrita, analisada ou quantificada, é do campo de estudo das ciências biomédicas. O cientista-médico afere quais alimentos são melhores à saúde, quais os melhores exercícios para o coração, quais remédios se deve tomar, etc. Já o profissional responsável pela saúde da alma do homem, o psicólogo, não trabalha em absoluto com nada que tenha existência fisico-química. A parte bioquímica do nosso funcionamento psíquico é tratada pelo psiquiatra. Psicólogos lidam unicamente com o imaterial. Não existe psicólogo que manuseie balanças, fitas métricas, exames laboratoriais, estetoscópios, nada disso. A pessoa chega e diz o que a aflige. O trabalho do psicólogo é ajudar a pessoa a desatar os nós que a amarram a um modo de vida que a torna triste e improdutiva. Nem é algo que o psicólogo faça diretamente. Ele apenas procura conduzir a pessoa ao aprendizado de modos de vida mais saudáveis e que a tornarão mais feliz. De fato, é a pessoa que tem de mudar a si mesma por si mesma através de uma aplicação mais objetiva, eficaz e verdadeira das suas faculdades mentais. Quem se nega a fazê-lo mente a si mesmo. Reluta em aceitar a realidade de seu comportamento.

Já se passou o tempo de confundir ciência com humanidades. Dado o tremendo avanço tecnólogico dos nossos dias seria de se esperar que as pessoas soubessem separar o que é de estudo da ciência do que é de estudo das humanidades. A pretensão de que as ciências são capazes de descrever todos os fenômenos é apenas tormento pseudo-científico. A ciência estuda o que tem existência material. As humanidades estudam o que tem existência mental. Quem discordar de mim pode tentar fazer um estudo científico que explique a influência de Shakespeare, ou ainda escrever um tratado sobre a psicologia do concreto. Basta fazê-lo. Saiba que, caso o consiga, o mundo se prostrará aos seus pés. Você se tornará um dos maiores cientistas de todos os tempos e eu terei de calar-me envergonhado. Enquanto ninguém produz essas maravilhas, fico cá imaginando a equação que descreve o amor de Romeu e Julieta, ou ainda como se sente o pobre concreto diante da nossa indiferença. Sim, estou sendo irônico. Penso que a ironia seja mesmo uma das melhores atitudes que se pode ter diante da ignorância reiterada. Afinal, que se pode dizer a alguém insensível à verdade? Melhor tratá-lo com ironia. Quem sabe assim ele se abre ao aprendizado que nega de maneira tão relutante? Sei que é difícil abrir mão dos nossos preconceitos. Afinal, eles são, de certa forma, responsáveis pela nossa segurança e estabilidade diante da variedade de ocorrências que se dá diante de nós. Estivéssemos obrigados a teorizar a respeito de tudo o que nos rodeia não teríamos vida alguma. Apesar disso, não se é possível ser eternamente paciente com quem difunde erros primários. A pessoa esperta não apenas reconhece o que é certo, ela também o abraça e aprende com ele.

16 comentários:

Petrucchio disse...

Confesso que não li todo o texto, mas o que li você aceita a Ciência apenas na sua faceta empirista.

Há o realismo, que nós economistas (eu estudante) e outras Ciências Humanas nos baseamos e elaboramos teorias, calcado na epistemologia herdado dos gregos.

Henrique Rossi disse...

Isso. Eu coloquei exatamente isso (preste atenção D). Disse com todas as palavras que são verdadeiramente científicas as proposições empiristas. O cara lá no Japão consegue confirmar o que eu estou dizendo aqui no Brasil.

Se a epistemologia herdada dos gregos te faz perceber a necessidade de expansão desta minha definição, gostaria muito de saber os argumentos propriamente ditos. Mais para o fim do texto eu comparo a atitude das ciências com a psicologia que, no meu entendimento, ainda que preocupada com resultados eficazes, não se pode pretender ciência no sentido estrito do termo.

Veja, a ciência é composta de leis. Ninguém pode desafiar a gravidade, por exemplo. Mesmo fora da órbita da Terra sua gravidade nos atinge. Newton definiu esta propriedade de todos os corpos através da fórmula:

F = G.m1.m2.r-2

(F = força exercida, G = constante universal da gravidade, m1 = massa do corpo 1, m2 = massa do corpo 2, r-2 = distância entre o centro dos corpos elevado à -2).

Isso vale para o universo inteiro! A Terra exerce força gravitacional em Júpiter por sua massa! Não é algo do qual se possa escapar.

As humanidades são compostas de normas. Todo mundo sabe que não se deve fazer cocô na rua. As pessoas considerariam este ato uma vilania. No entanto, não há nada na natureza que me impeça de fazê-lo. Portanto, defecar na rua é uma possibilidade concreta. Alguém pode fazê-lo qualquer dia desses e, dependendo a quantas anda o seu ou o meu instestino, podemos ambos fazê-lo por necessidade inadiável! rs..

No entanto, podemos ficar seguros que após atendermos ao chamado da natureza nosso cocô não sairá boiando à vista de todos por causa de uma lei verdadeira.

Pagar impostos, por exemplo, não é lei. É algo que pode ser evitado e muitas pessoas o fazem ainda que a Receita Federal esteja o tempo todo fiscalizando.

Humanidades, gostemos ou não, estão por definição presas a fenômenos mentais, que podem ser rastreados ao longo da História. Fenômenos naturais não têm história. São as regras com as quais o Universo foi escrito.

Mas valeu muito pelo comentário. Gostaria de saber mais sobre o que você mencionou. Ao contrário do que talvez pareça eu não mordo (muito menos faço cocô na rua! - quer dizer, até hoje nunca foi necessário fazê-lo) rs..

D disse...

No seu sentido mais amplo, ciência (do Latim scientia, significando "conhecimento") refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemático. Num sentido mais restrito, ciência refere-se a um sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, assim como ao corpo organizado de conhecimento conseguido através de tal pesquisa.

Ciência refere-se tanto a:
• Investigação racional ou estudo da natureza, direccionado à descoberta da verdade. Tal investigação é normalmente metódica, ou de acordo com o método científico – um processo de avaliar o conhecimento empírico;
• O corpo organizado de conhecimentos adquiridos por estudos e pesquisas.


A Ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico. (Wikipédia).


Problemas do seu texto:


“Note que se DEVE concluir que nada que nao possa ser medido, descrito analidado ou quantificado pode ser objeto do estudo da ciência.”

Como você pode afirmar que a dor, a alegria, o entusiasmo, a fé, a coerência, a lógica ( utilizada no método científico!!!), a razão, o ódio não podem ser analisados através do método científico? Você simplesmente limitou a razão humana ao que temos hoje e trata essas questões mentais como ligadas à “alma” sendo que a existência da alma não é reconhecida como verdade. Você diz que tais propriedades humanas ocorrem em um “não-lugar”. O que um neurologista acharia de tal afirmação? Os anos de estudos a respeito do cérebro pela ciência sao completamente ignorados por você. O pensamento é um ente quase que completamente desconhecido da ciência, mas de forma alguma podemos afirmar que não se trata de um fenômeno natural, como você mesmo definiu, que acontece na natureza. E Quem pode afirmar que o pensamento não pode ser analisado pelo método científico? Eu não me arriscaria a fazê-lo.


Espírito é definido pelo conjunto total das faculdades intelectuais. Ele é frequentemente considerado como um princípio ou essência da vida incorpórea (religião e tradição espiritualista da filosofia), mas pode também concebida como um princípio material (conjunto de leis da física que geram nosso sistema nervoso). (Wikipédia)


Pergunte a um psicólogo se ele não usa de estatística, matemática e propriedades do método científico para aperfeiçoar a sua análise do comportamento humano.


É isso.

Henrique Rossi disse...

Errado.

A sua interpretação do que o termo ciência significa é poética, metafórica.

Você fala de um ponto do discurso onde todos os saberes humanos poderiam ser de natureza científica, dado que você parte do princípio de que somente através da ciência poderíamos ter um retrato fidedigno da realidade. Você afirma em muitas de suas outras colocações que, se não se conhece alguma coisa através da ciência, o saber que foi produzido por esta coisa é muito questionável. O que tão somente demonstra que você não entendeu o texto. Não há ciência sobre a poesia, o que não significa que poemas não existam. Só mesmo através de uma expansão muito imprópria do termo ciência para relegar a ela o estudo de fenômenos que não podem ser quantificados.

Veja bem: a quantidade de impulsos nervosos transmitidos pelos neurônios pode ser medida. É uma coisa exata, está lá verdadeiramente. O que estes impulsos transmitem não é propriedade do próprio impulso. Seria o mesmo que dizer que somente teclas de piano podem tocar o instrumento piano. Oras, todos sabemos que, para que o instrumento piano seja tocado, precisa-se de um intérprete que não seje as próprias teclas.

A respeito do piano, posso medir a duração, a intensidade e a altura das notas, mas não posso mesurar as emoções que elas provocam quando expostas em sequência.

Mas sei exatamente qual é a fonte da sua confusão. Você sofre de uma doença velha e arcaica: o positivismo. Inclusive é a partir dele que nasce o espiritismo francês que, na sua gênese, pretendia-se uma religião científica.

Eu não expando o sentido do termo ciência para refenrendar as minhas opiniões pessoais, para confortar-me, para trazer-me esperança. Ciência é simplesmente o que é. (Cadê o André T. quando a gente precisa dele? rs..)

Mas, D, preste atenção ao que eu vou te dizer. Você não pode, em hipótese alguma, prender este conhecimento magnífico, esta nova visão do que é ciência, a você mesma. Não perca seu tempo comigo. Você precisa difundir este novo saber. O mundo precisa ouvi-lo! A mim restará somente a indiferença alheia. As pessoas olharão para mim e rirão consigo mesmas: "Eis o tolo que afirmou a indepedência do pensamento das leis naturais". Só não sei os neurologistas concordarão contigo, pois, ao perguntar a um deles o que é o pensamento, não sei se você ficará feliz com a resposta.

D disse...

Interessante você dizer que eu tenho uma interpretação poética ou metafórica do que seja a ciência. Aliás, temos uma dificuldade imensa em dialogar quando o próprio termo ciência abarca uma série de denominações e aplicações. Eu utilizei-me da mais clássica, aquela que aborda a metodologia científica. Veja que não sou eu que estou falando em emoções, em “humanidades”, em “não-lugar” conjuntamente com a noção de alma, que é um termo poético/filosófico/religioso do que sabemos ser o cérebro. Ou já comprovamos a existência da alma?

Você não expande o termo ciência para referendar as suas opiniões pessoais, mas o diminui. Eu tenho para mim que você quer colocar a dificuldade de qualificar e compreender emoções como forma de afirmar que só a religião tem a resposta para essa esfera do saber e assim corroborar a sua fé católica e tudo aquilo que deve permanecer na esfera do milagre, do místico, do etéreo. Eu sou uma pessoa que ACREDITA no espírito e acho que ele vai ser compreendido por meio da ciência, ou seja, através da curiosidade humana por busca de provas. Se o espírito não for descoberto assim, ao menos tenho certeza que se ele existir, a ciência não terá problema nenhum em corroborar a sua existência.

Eu sou uma evolucionista e acredito que por ser católico você não o seja. Tendo a idéia pronta na mente que após essa vida estaremos no céu ou no inferno conforme tenhamos vivido esta vida aqui, para todo o sempre. Mesmo sem a menor explicação do que represente estar eternamente em um céu, ou eternamente em um inferno. Você acredita. Eu quero provas.

Henrique Rossi disse...

O cérebro é um dado concreto. É um órgão do corpo humano. É a parte mais importante do nosso sistema nervoso. Nele estão uma infinidade de neurônios, células capazes de transmitir sinais elétricos. O cientista-médico tem acesso irrestrito a este órgão e suas células. Ele pode medir a frequência e a intensidade dos impulsos nervosos (como já o fez demonstrando a lei do tudo ou nada). Convencionou-se chamar de sinapses os impulsos elétricos entre células nervosas. São através delas que o sistema nervoso "informa" a todo o organismo as suas "decisões". Tudo isso é muito real e pode, portanto, ser medido e quantificado. O problema é que as sinapses são sempre as mesmas. Ou o neurônio é ativado ou não é. A existência de sinapses não demonstra em absoluto o fenômeno da inteligência, visto que ocorrem até mesmo nos anelídeos.

A refutação completa das suas afirmações não se poderia fazer exclusivamente com base no que foi afirmado neste texto. Escrevi, então, o texto acima "A bárbara negação do eu", que se aprofunda ainda mais nas justificativas que nos permitem afirmar a real natureza do pensamento: exterior ao universo físico-químico, independente das leis da natureza. Ou seja, ainda que dependa de sinapses, o nosso pensamento não é determinado por elas. Eu não sou o resultado das minhas experiências anteriores, eu sou o que eu quero ser o que é completamente diferente. Nenhum dos meus pensamentos é determinado pelas coisas que aprendi, senão eu seria um cachorro, um cavalo, uma estrela-do-mar. A minha liberdade é completa. Não é sequer determinada pela história. É, como já disse várias vezes, uma questão simples: ou se admite a liberdade do homem ou se o encara como determinado pelos processos anteriores. Ocorre que todos se sabem livres para querer a primeira coisa que lhes der na telha. Portanto, eu não apenas acredito, eu penso. Não sou determinado pelas minhas sinapses, eu é que as determino.

Já a sua colocação que questiona se eu acredito ou não na evolução das espécies só demonstra a seu descompromisso ativo em interpretar erroneamente o que eu escrevi. Jamais disse que a evolução das espécies não aconteceu. Pelo contrário, ela é comprovada por inúmeras evidências materiais, principalmente os registros fósseis e genéticos. Portanto, não se trata de acreditar ou não, mas de compreender uma questão verdadeiramente científica corroborada por uma infinidade de evidências. Ou seja, a evolução é demonstrada pela análise concreta de vestígios. Não é ficção pseudo-científica, não é conto da carochinha. Você diverge afirmando impropriedades sobre o que eu disse apenas porque não me quer questionando a fragilidade absoluta das suas ideias.

D disse...

“absoluta fragilidade das suas idéias” = ad hominem = falácia= ridículo.

Eu disse que sou uma evolucionista e que você por ser católico PROVAVELMENTE não o seja. Expressei-me mal. Evolucionista no sentido da evolução da alma (e no do corpo também), se o catolicismo prega a evolução da alma, perdão, ignorava tal fato.

A ciência engatinha no que tange à inteligência humana, então acredito que estamos discutindo algo aqui que vai além da nossa compreensão momentânea.

Para fechar o diálogo vou resumir de forma fácil e simples a maneira como vejo as coisas:

Acredito que exista um espírito e que ele comande o nosso corpo. Não tenho a menor idéia de como seja esse espírito. Acredito que ele evolua. Acredito em tudo isso porque é o que me parece mais lógico. Agora voltando ao mundo terrestre, não há a comprovação da alma ou do espírito pela ciência, apenas o estudo do cérebro e comportamento humano baseado em fenótipo e genótipo. Mais uma vez, a ciência engatinha no assunto, o que não significa que não vá se aprofundar em conhecimento na área. A ciência deve caminhar junto da religião. A religião com seus “profetas” professa “teorias”, cabe a ciência corroborá-las ou não.



Repense a sua afirmação:

“Nenhum dos meus pensamentos é determinado pelas coisas que aprendi”

Será que é uma afirmação sincera?

Tenha uma boa noite.

Henrique Rossi disse...

Há! :)

Estava decidido a não mais comentar neste texto, pois o mais importante agora é a continuidade na demonstração dos fatos afirmadosa aqui no texto seguinte: "A bárbara negação do eu".

Mas você parece que começa a entender o que eu disse! O que é muito bom! Você escreveu:

Repense a sua afirmação:

“Nenhum dos meus pensamentos é determinado pelas coisas que aprendi”

Será que é uma afirmação sincera?


Exatamente isso! Nenhum dos meus pensamentos é determinado pelas coisas que aprendi! A pessoa pode ser uma devassa, aprender tudo em matéria de devassidão e, depois, converter-se ao cristianismo e abandonar o estilo de vida imoral. Nada daquilo que ela aprender com a vida devassa determinará as coisas que ela pensa depois da conversão. Da mesma forma, a pessoa pode ter crescido muito moralmente correta até o dia em que decide "soltar a franga". Depois dessa decisão drástica, tudo o que ela aprendeu em matéria de moral no passado não determina o que ela pensa hoje.

Ocorreu-me o caso de Fernando Henrique Cardoso. Foi professor de sociologia na USP a maior parte da sua vida. Quando chegou à Presidência da República adotou medidas econômicas extremamente austeras, tão incoerentes com as coisas que ensinava que a imprensa começou a cobrar-lhe coerência. Diante disso FHC exclamou: "Esqueçam o que eu escrevi!" Ou seja, tudo o que ele aprendeu e ensinou ao longo de vários anos como professor doutor de sociologia na USP não determinaram os seus pensamentos.

Há também o caso de um geólogo de imenso prestígio que, ao converter-se ao pentecostalismo protestante mais radical, renegou todas as suas descobertas anteriores. Enquanto geólogo, ele concordara com todas as descobertas científicas na área que afirmam a idade da Terra em milhões de anos. Após a conversão, jogou todos os livros que publicara no lixo e começou a ensinar que o mundo foi feito há 7 mil anos atrás. Até montou um grupo de expedição protestante ao Grand Canyon onde ele supostamente consegue demonstrar a idade "verdadeira" da Terra.

Tomara mesmo que você esteja começando a entender que nada determina pensamento algum. É exatamente isso. Não poderia estar mais correto.

D disse...

"Nada determina pensamento algum" O pensamento é a expressão "imaterial" do Eu. Então o que o determina é o Eu. E o que é o Eu?

Bola de neve né?
Que a ciência nos salve!

Henrique Rossi disse...

Tá esquentando!

Tá esquentando!

Veja, ainda que não saibamos o que é o eu, ainda que ele nos pareça radicalmente distante, parece-me demasiado incorreto negar a sua realidade. Eu sei que é incômodo aceitar princípios não verificáveis, mas mesmo nas ciências exatas eles existem. Como, por exemplo, o princípio da inércia. A natureza do movimento é daquele jeito. Os cientistas simplesmente se calam diante dele. O máximo que se limitam a fazer é descrevê-lo.

Portanto, o eu talvez jamais venha a ser compreendido. Talvez o nosso destino eterno enquanto civilização seja o radical deslumbramento diante deste princípio que opera nossas próprias decisões. Ainda que não se possa conhecê-lo, sabemos que ele está lá. Nós o experimentamos todos os dias..

D disse...

Não existem princípios não verificáveis. A inércia foi verificada e classificada como inércia (linguagem). Os cientistas não estão acima da natureza assim como os ditos profetas também não estão. Talvez o nosso destino seja nos tornar um pouco mais humilde diante do Universo, principalmente os religiosos.

Henrique Rossi disse...

Veja bem. Eu verifico o princípio mas não o explico. Isso vale tanto para a inércio quanto para o pensamento. Portanto, dizer que não existem princípios não verificáveis está, de certa forma, correto. Verifico no funcionamento da minha mente a existência de pensamentos que, como já enunciado, sequer são consirados coisas existentes. Este é um assunto que você talvez gostaria de conversar com a Patrícia, minha irmã. Acho que você sabe que ela faz mestrado em psicologia na USP. O que você talvez não saiba é que ela é psicóloga comportamental, ou seja, trabalha apenas sobre as coisas que podem ser quantificáveis. A psicologia comportal, ou behaviorista, é o único ramo da psicologia que se pretende científico. O trabalho de um behaviorista se limita ao campo de coisas que podem ser mensuráveis. Tanto é assim que é ele, o behaviorismo, a única corrente da psicologia que se preocupa em estudar outros mamíferos, notadamente os ratos. Para um behaviorista (preste bastante atenção) o pensamento não existe! Pergunte a um deles! Ligue para minha irmã e pergunte a ela: "O que é um pensamento?" Ela talvez lhe responda: "Não acredito em pensamento nem em papai noel". Por quê? Porque, cientificamente falando, pensamentos não existem Note bem! Esta não é minha opinião! Esta é a opinião dos behavioristas. Eles vão te dizer que as coisas que se passam em nossa cabeça são meros reflexos involuntários. Para o behaviorista não existe pensamento, mas existe determinação comportamental! Como o behaviorista não trabalha com coisas que não podem ser medidas (como, por exemplo, o pensamento), sua esfera de pesquisa se limita às coisas que podem ser medidas. Avaliando-se como age um mamífero, pode-se medir suas respostas positivas ou negativas a um determinado estímulo. Por isso tantas experiências com ratos.

Preste bastante atenção ao que vou dizer agora: todas as outras correntes da psicologia renegam o behaviorismo afirmando-o positivista!! Psicanalistas dizem que o behaviorismo é bobagem porque positivista. Humanistas dizem que o behaviorismo é bobagem porque postivista. Sob este segundo nome (humanista) reune-se a maioria das tradições da psicologia que, se fosse ciência, seria apenas behaviorista. Como não são cientificas todas as outras escolas há um verdadeiro embate ocorrendo neste instante no campo dos estudos da psicologia.

Veja bem, você está a somente um telefonema da verificação sobre o que estou dizendo, se é bobagem ou não.

Ariel Wollinger disse...

"Os anos de estudos a respeito do cérebro pela ciência sao completamente ignorados por você"

e voce ahda D, que o henrique tem noção disso? nope. Ele vive no mundo dele, onde ele é o detentor de todo conhecimento humano.

Henrique Rossi disse...

É?

Cadê os estudos?

Vocês estão afirmando algo sem o menor conhecimento de causa. Isso se chama fé.

Ariel Wollinger disse...

entao fé é ruim? Eu concordo plenamente.
o que voce diz da sua?

Henrique Rossi disse...

Pra quê a retórica afetada se você já sabe que não é assim que eu penso? Afinal, eu nunca disse que afirmações sem conhecimento de causa são ruins. Você nunca viu um experimento de fisiologia e, no entanto, sabe que a obesidade faz mal ao coração. Portanto, é uma afirmação sem conhecimento de causa. Você "sabe" que é verdadeira pelo prestígio que você atribui aos estudiosos que a afirmam. Mas uma pessoa de fora do nosso contexto social, por exemplo, pode desacreditá-la.