Escrevi há alguns meses um texto comentando a metamorfose sofrida pelas esquerdas que decidiram competir eleições. Aos que não sabem, a esquerda não necessariamente aceita a democracia. Ela gosta muito de matar todos os que lhe são contrários e instalar uma ditatura sanguinária. Em certos países surgiram partidos que largaram as armas para disputar eleições. Para que as chances de vitória se tornassem reais, esses partidos procuraram se maquiar de modo a parecerem mais palatáveis. Descrevi naquele texto que este processo de fato forjou uma nova identidade a estes partidos. Atualmente, no Brasil, vejo o caso de Dilma Rousseff. Acabo de assistir à entrevista que ela deu ao Datena, na tv Bandeirantes. Noto que o maior esforço da sua campanha foi humanizá-la, dado que ela tem fama de brigona e intransigente. Já no primeiro bloco da entrevista o Datena insinua essa característica, mas ela respondeu adequadamente. Mas há um limite. Ainda que você passe batom em um porco, ele continua um porco. Não que Dilma seja uma porca, ela até melhorou bastante, mas ainda me parece uma candidata bem pouco competitiva. De fato, a entrevista é constrangedora. Se José Serra carece de carisma, Dilma não possui nenhum. Ideia nenhuma se emenda e é o Datena que impede o vazio completo. Apesar disso tudo, ter um padrinho com 80% de aprovação irá influenciar bastante a cabeça do eleitor. Tomara que na hipótese bastante desagradável da sua vitória, Dilma tenha verdadeiramente se transformado em alguém mais suave, ou seja, tomara que esta campanha sirva mesmo para transformá-la. Quem sabe ela até não abandona aquela porcaria de PNDH III que o Lula assinou na surdina a 31 de dezembro do ano passado?
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A suavização das esquerdas, versão Dilma Rousseff
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