sábado, 1 de maio de 2010

James Cameron, quem diria?, estava errado

Avatar é um dos filmes mais tendenciosos que existiu. Seu diretor, James Cameron, pretendeu retratar os avanços civilizatórios como naturalmente maus. Os agentes do progresso são, em seu filme estúpido, tipos obtusos, rasteiros, preconceituosos, manipuladores, interesseiros, em suma, a escória. Ao mesmo tempo, as populações autóctones são retratadas como detentoras de todo o bem e verdade. Seus indivíduos são autênticos, honestos, honrados, ecológicos, em suma, o retrato mais completo da virtude moral. O problema é que, com sua habilidade cinematográfica, Cameron talvez tenha enganado muitas pessoas. Só mesmo através da arte cinematográfica extremamente bem elaborada para se confundir as pessoas em matéria tão simples e fundamental, pois todos sabemos muito bem que este retrato maniqueísta da realidade é incorreto. Nem todos os nativos são santos, nem todos os defensores da civilização são exploradores insensíveis. Essa é uma leitura marxista muito simplista, ao gosto das preocupações ecológicas atuais. As ocorrências verdadeiras são muito mais complexas que isso.

Bem o demonstram o recente vídeo produzido por militares americanos sediados no Afeganistão. Ao invés da disciplina insensível e desumana que deles se espera, fizeram um vídeo onde parodiam as músicas de Lady Gaga e Beyoncé. Fizeram-no dançando escandalosamente como essas senhoras costumam fazer para chamar a atenção e vender discos. O vídeo virou hit na internet e mereceu reportagem do Jornal da Globo, que segue abaixo. Ao contrário da surpresa que muitos terão com este vídeo, eu não me surpreendi nem um pouco. Bem sei que nossos pensamentos não são determinados por nada. Nem a mais rígida disciplina é capaz de impedir-nos de fazer o que bem entendermos. Além do mais, não sou maniqueísta. Não separo o mundo em um nós composto apenas de bondade e de misericórdia e em um eles feito apenas de vilania e maldade. O ser humano é o que quer. Consideramo-nos corretos sempre que entramos em uma disputa. A redução da multiplicidade de saberes à um mínimo denominador reducionista e incompleto é obra de pessoas mal-intencionadas e mentirosas.



ps. Veja também estes outros dois textos escritos sobre Avatar:
- O rabo vistoso no Na'vi inocente e feliz.
- Avatar, de James Cameron: um elogio à delinquência.

4 comentários:

Márcia Luz disse...

Texto de conteúdo muitíssimo bom! Pena que poucos leiam e menos ainda o entendam!

Só discordo em um ponto, claro, não tão relevante assim, que possa vir a prejudicar a grandeza das ideias veiculadas. Quando você diz "Essa é uma leitura marxista muito simplista, ao gosto das preocupações ecológicas atuais.", acredito que não seja só na atualidade. Esse idealismo romântico, fortalecido por Rousseau, de achar que ou se é totalmente bom ou se é totalmente mau está muito enraizado na cultura brasileira é é forte em nossos livros de história. Mas a preocupação ecológica atual, a meu ver, pode quebrar esse paradigma em vez de reforçá-lo.

Um grande abraço!

Henrique Rossi disse...

Realmente nossa literatura é um pouco "contaminada" neste sentido. Discutiu-se o séc. XVI inteiro se o Brasil era o paraíso ou o inferno. Acho que até hoje não se decidiram! :)

Anônimo disse...

Comentário primoroso, inclusive em relação ao rastejante enredo de Avatar, uma mesmice marxista ridícula.

Os estereótipos que os livros didáticos brasileiros impõem às crianças e adolescentes é uma vergonha (ver site: escola sem partido).

O movimento ambiental mundial tem um só fundamento: As viúvas do muro de Berlim, continuam a luta contra o capitalismo (ver também o filme A grande farsa do aquecimento atropogênico).

abraços.

Albert Ihering

Henrique Rossi disse...

É Albert, eles continuam os mesmos! rs.. Obrigado pelo comentário.