Já faz alguns dias que estou meditando certos aspectos psicóticos da cabecinha dos modernos. Como o raciocínio final será um tanto complexo, convém adiantar alguns pormenores, como a inspiração aconselha. Não sei se todos estão a par desta informação fundamental, mas a mente moderna é marcada por uma profunda sensação de derrotismo: o tempo todo o moderno afirma que é impossível ser feliz, que há um grande mal-estar na contemporaneidade, que o sistema é opressor, terrível e, assim, impede qualquer liberdade. Acabam concluindo que, na falta de coisa melhor, o correto é viver uma vida de excessos hedonistas, satisfazendo o estômago, fugindo de todas as verdades inquietantes que a eles assaltam a consciência. Essas são as soluções propostas a nível individual. Como limitam-se às vidas deles, não as considero ameaças a ninguém. O problema está nas regras que, discretamente, eles estão impondo ao resto da sociedade através da sua atuação quotidiana.
Conforme explicitado em vários textos elencados ao fim deste, os modernos propõem um regime de elogio da loucura. Segundo eles, as forças sociais não serão transformadas por indivíduos ajustados, pois estes adequam-se às situações, permitindo-se transformar pelo sistema. A salvação estaria, pois, nos indivíduos que não se permitem adequadar. Portanto, a modernidade considera os doentes mentais os melhores agentes de transformação da sociedade. Pregam, assim, um regime de instabilidade completa onde todas as certezas não seriam apenas questionadas, mas efetivamente combatidas ao custo de muitas vidas pela via terrorista, conforme muitos professores advogam aos seus alunos nas principais universidades do Brasil. Parece muito fantasioso, por isso é sempre pertinente relembrar os vários textos sobre o "sociólogo" Slavoj Zizek que o jornal O Estado de S. Paulo permitiu-se publicar (exemplo desta insanidade institucional aqui).
Meu desejo é tão somente tornar estas coisas conhecidas. Penso que a maioria das pessoas tem o direito de saber o que se tem tramado contra elas. A modernidade considera-se tão derrotada que não está mais pregando a via institucional. Como estão convencidos da sua absoluta falta de alternativas, advogam a favor dos atos mais insanos que se possa imaginar. Conforme se vê no texto linkado acima, por autoria de um prof. do departamento de filosofia da USP, qualquer solução eficaz só é viável através do extremismo mais irracional e desumano. Ao contrário dos belos valores humanistas com que justificam seus atos terríveis, esta gente planeja a destruição de muitas vidas humanas pois, somente assim, o surgimento da "humanidade verdadeira" seria possível. Não é difícil perceber que esta humanidade feita de virtudes é somente aquela que eles imaginam. Qualquer outra coisa deve ser destruída.
Será difícil perceber o real desapreço que essa gente tem pela liberdade efetiva? Afinal, aceitam apenas o próprio ideal do que deva ser o ser humano. O resto não somente pode como deve ser destruído. Como não ficar chocado com o apoio direto que O Estado de S. Paulo lhes proporciona? Na sua carta de intenções, este jornal não afirma que entre os seus valores fundamentais estão a democracia e a liberdade? Quem é, pois, o Estadão para questionar a "censura" que lhe foi recentemente imposta pelo filho do José Sarney através do Judiciário? Um veículo de informação que se presta ao papel de defender a tirania mais explícita não somente não representa os valores da sociedade brasileira como se declara contra eles. Vejam a que ponto chega a mentira instituicional de um dos nossos maiores jornais. Como não se interessar em tornar estes fatos sombrios conhecidos pelas pessoas?
Textos relacionados:
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
Pequena nota sobre a psicose da mente moderna
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