quarta-feira, 16 de junho de 2010

Escravos da liberdade e da verdade

Nos meus últimos dois textos extensos, dei continuidade à discussão sobre a suposta animalidade do ser humano. Os que tiveram a chance de lê-los viram que não faltam excelentes argumentos para se demonstrar com firmeza a hipótese de que o homem não é um animal. Ainda que seja muito semelhante a eles do ponto de vista material, o homem possui faculdades que o diferencia sobremaneira dos mesmos. Os que leram estes textos viram a que requintes argumentativos se pode chegar. De fato, esta é uma questão onde se pode aprofundar muito sem se incorrer em equívocos. Porém, esse aprofundamento leva à diversas complicações de comunicação. Especialmente os dois últimos textos mais aprofundados sobre este tema acabaram muito extensos e, infelizmente, enquanto eu os escrevia, não foi possível tornar a linguagem mais acessível. Prejudicou-se, portanto, o pleno conhecimento de uma das idéias que me são mais caras aparecida pela primeira vez, desde que mantenho o blog, no último deles, imediatamente interior a este, resumida na frase: "como convencer as pessoas a modificar o modo com o qual já estão acostumadas a agir se já estão confortavelmente adaptadas aos equívocos consagrados pelo hábito?"

Esta pergunta explicita, segundo a opinião da maioria dos sábios, a questão principal da vida sobre este mundo. Para demonstrá-lo, evoquei os questinamentos feitos pelos principais filósofos e pelas religiões majoritárias que concordam maravilhosamente neste tema: é muito difícil se convencer o homem a fazer o que é certo quando ele já esta acostumado a fazer o que é errado. O hábito reiterado rouba a inteligência do homem tornando-o incapaz de julgar corretamente as questões importantes. Por isso são tão recorrentes as críticas, pelos filósofos e religiosos, à indiferença do ser humano acomodado em seus princípios e egoísta em seus objetivos. Esta questão é tão imediata que qualquer iniciado em filosofia ou religião consegue identificar seu caráter universal. Imagino que não haja filósofo ou religioso que não se ressinta, ao menos um pouco, da energia que o povo brasileiro consegue mobilizar em favor do futebol mas que ele não dedica a mais nada. Já escrevi no blog sobre este assunto. Não vejo problema algum em se torcer de maneira apaixonada. Mas, como a maioria dos sábios, sou um tanto crítico à incapacidade brasileira de se mobilizar por qualquer outro motivo.

Concordo, portanto, com aqueles a dizer que se o brasileiro se dedicasse a outras questões com a mesma paixão do futebol o país seria outro. No que chegamos a questão que remete ao problema levantado nos outros textos: e por que o brasileiro não se dedica a outros assuntos com a mesma paixão do futebol? Ora, porque não quer! Toda essa mobilização extraordinária demonstra a capacidade de união sobre um mesmo assunto. Por motivo recente, sabemos que mesmo uma pequena parcela desta mobilização é capaz de induzir à promulgação de leis extremamente importantes à nação. Em outros países, paixões de intensidade muito menor levaram à reformas fantásticas. No que concluimos que o brasileiro só não se dedica com afinco à melhoria do seu país porque este é um tema que não lhe interessa. O brasileiro é indiferente aos rumos políticos do seu país. De modo desavergonhadamente preguiçoso, o brasileiro declara que nada jamais irá mudar e, portanto, não é necessário esquentar a cabeça. Ou seja, o brasileiro é não somente estúpido como gosta da própria estupidez. De maneira reduzida, este é o problema dos filósofos e dos religiosos: como convencer as pessoas a abandonar a estupidez que abraçam com tanto carinho?

Proponho uma resposta a esta delicada questão nos textos anteriores, mas neste desejo comparar esta atitude de orgulhosa estupidez humana ao modo como os animais se comportam. De fato, você conhece algum animal que se orgulhe da própria estupidez? Existe animal que persista fazendo alguma coisa que lhe cause prejuízo? Existe ratinho de laboratório que prefira o botão que dá choque àquele que dá comida? Existe cachorro que prefira um dono que lhe espanque diariamente àquele que lhe cobre de carinho? Ora, é claro que não. Animais respondem de maneira imediata aos estímulos que recebem. Serão seus amigos se você os tratar bem, e o evitarão se você os tratar mal. Isso na hipótese deles serem mais fracos que você, porque se forem mais fortes irão atacar. Não há dúvida alguma sobre isso. Voltemos agora à ignorância e estupidez que o brasileiro cultiva com tanto carinho. É certo que poderiam agir de maneira diferente, afinal são pessoas com as quais se pode conversar e, muitas vezes, convencer. O problema está justamente no fato de que, ainda que os argumentos a favor de uma idéia contrária a deles sejam muitos superiores aos próprios, eles podem continuar praticando a idéia pior.

Ao contrário do animal, o ser humano pode não se deixar vencer por um estímulo positivo. O homem é capaz de agir com alegria diante de adversidades terríveis e com tristeza diante de comemorações espetaculares. Porque ele não é determinado. É, antes, ele que se auto-determina! É possível, portanto, como já tantas vezes vimos em nossa vida, que alguém continue fazendo as coisas da maneira errada mesmo depois de aprender a fazer da maneira certa. Uma das categorias que mais sofre neste aspecto é a dos profissionais de saúde. A maior dificuldade da educação física não é convencer as pessoas a fazer exercício físico, mas convencê-las a não abandoná-lo! Todos sabem como médicos sofrem com pacientes arrogantes e persistentes em sua desobediência quanto aos horários de tomar os medicamentos. Não importa dizer que o tratamento descontinuado é perigoso, pois muitas pessoas se consideram maiores especialistas no assunto que os próprios médicos. Por conta disso quanto não se favorece o desenvolvimento de bactérias cada vez mais resistentes aos antibióticos! Temos ainda o nutricionista incapaz de convencer o cliente a comer menos, o psicólogo cujo paciente insiste no relacionamento amoroso doentio, etc.

Os exemplos são infinitos. Ao contrário dos animais, o ser humano é capaz de persistir no erro por vontade própria! A pessoa é livre para dar ouvido a outros e aprender novas maneiras de lidar com seus problemas, mas geralmente prefere continuar fazendo as coisas da maneira equivocada que só lhe rende dor e sofrimento. Ora, ela pode fazê-lo justamente porque não é animal, pois se o fosse não teria liberdade nenhuma. O bicho simplesmente faz a primeira coisa que lhe ocorre diante de algum estímulo. Não existe cachorro faminto que recuse sorvete, mas há pessoas que fazem jejum por motivos políticos, um ato evidentemente contrário à natureza biológica do corpo. Os animais nunca fazem nada contrário à natureza físico-química que determina todas as suas reações. O homem, por sua vez, não é somente capaz de contrariar sua natureza biológica - é exatamente o fato de que o homem nunca é determinado por fenômeno biológico algum que o caracteriza. Vejam que se pode dizer que os animais são naturais; respondem aos estímulos conforme estão programados pela sua natureza biológica. Já a própria definição do que seja o homem é dada pela contínua recusa dele em obedecer a natureza físico-química.

Já demonstrei isso antes! Todos nós controlamos o esfíncter para não defecarmos em qualquer lugar. Animal algum faz isso. Mal sente a necessidade de defecar, o cãozinho adestrado deve correr para o jornal, porque ele não tem controle do próprio esfíncter. A afirmação de que o homem é um animal é, por estes e por vários outros excelentes argumentos, uma estupidez grosseira digna de pessoas radicalmente ignorantes em filosofia e psicologia. Reparem como é mentirosa a afirmação de que a sexualidade é algo que deve ser vivido de maneira animalesca, pois não há nada em que o homem seja animalesco. Mesmo a pessoa mais promíscua é capaz de utilizar preservativo, e não há animal algum que se possa convencer da necessidade de algo tão contrário à natureza. A dura verdade é que estamos verdadeiramente presentes em tudo o que fazemos. Quando decidimos ser promíscuos estamos tomando uma decisão consciente. Não é verdade que estejamos cedendo ao apelo da sexualidade animal inevitável. Estamos inevitavelmente fadados à liberdade total. Razão pela qual podemos dizer que, ao contrário dos animais, que são naturais por definição, o ser humano é artificial, constrói-se a si mesmo como lhe parecer melhor.

Ocorrem, porém, conclusões gravíssimas a partir desta afirmação tão simples quanto evidente e, infelizmente, como demonstrarei a seguir, estamos obrigados a elas. Se o homem é livre para fazer o que quer, se é livre para persistir em um erro evidente assim como é livre para abandoná-lo e começar a agir de uma maneira correta (por exemplo, tomando os antibióticos na hora certa), pode-se falar em erro deliberado, aquele que se comete de livre e espontânea consciência contra o que é certo. Para a maioria das pessoas essa é uma grande surpresa: se o homem é livre e indeterminado, se é diferente dos animais, então ele é capaz de pecar. Percebam que são necessários apenas dois princípios para chegarmos a inequívoca percepção de pecado: a liberdade para agir mal e a existência concreta do bem e do mal ou, em outras palavras, do certo e do errado. Dadas apenas estas duas condições pode-se falar em pecado sem se incorrer em equívoco algum. Sei que se trata de uma afirmação gravíssima. Ainda mais porque o mundo de hoje prefere apagar a noção de pecado das consciências, mas se há liberdade e certo e errado, há pecado. É uma duríssima conclusão inevitável da qual não se escapa.

Todavia, se qualquer uma dessas condições estiver equivocada não existe pecado. Se for impossível ao homem conhecer o certo e o errado não há um paramêtro com o qual estabelecer uma comparação. Por outro lado, se o homem não for verdadeiramente livre em suas escolhas ele não seria responsável pelas próprias atitudes. Daí a gravidade da constatação de que as noções de verdade e liberdade naturalmente indicam a existência do pecado, mesmo que não seja sequer necessário falar de Deus. O pecado é, pois, a responsabilidade com que se transgride algum princípio positivo ao funcionamento do próprio eu e da sociedade. Ele é um ato contrário ao bem de si e ao bem dos outros. Por ser irremediavelmente livre só o homem é capaz de cometê-lo. Somente sobre seres conscientes do que estão fazendo se podem aferir responsabilidades. Caso não houvesse pecado não seria necessário nenhum sistema legal. Como já disse algumas vezes, se o homem fosse um animal, se certo e errado não existissem, deveria se descriminalizar o estupro, pois ele parece inerente à nossa biologia. Donde todas as críticas à noção de pecado surjem do raciocínio falso de que não se pode conhecer o bem e o mal.

Somente através da completa negação dos princípios de certo e errado se pode concluir que nada é objetivamente bom ou mau. Uma inverdade grosseira, paradoxal e contraditória em si mesma pois, se nada pode estar certo, como pode a frase de que nada é errado estar certa? Percebe-se uma atitude verdadeiramente infantil da parte dos negadores da verdade - uma sublimação neurótica profunda como resultado da negação de coisas fundamentais, como sempre ocorre com aqueles que procuram enganar-se a si próprios. Reconheço a dureza das coisas que proponho. De fato, não é fácil admitir honestamente a responsabilidade sobre os próprios atos maus, mas se esta é a verdade inequívoca, caso procuremos negá-la os maiores prejudicados seremos nós mesmos. Não parece mais fácil e eficaz procurar o progresso individual e a consequente remoção das neuroses? Em verdade, o moderno pode argumentar que, assim, tornamo-nos escravos da noção de verdade. E ele está certo! Se formos viver de acordo com a verdade, ela própria passa a importar mais que nossa própria opinião. Egocêntrico como um bom burguês iluminista, o moderno não pode aceitar isso. Ele prefere seguir a si mesmo, mas será que ele age bem em fazê-lo?

Não será a nossa própria opinião um tanto limitada sob qualquer perspectiva? Não é verdade que se seguirmos cuidadosamente as recomendações médicas nós nos curaremos de maneira mais rápida e eficaz? Não é verdade que obedecendo às instruções de trânsito evitamos diversos acidentes de carro que tantas vidas ceifariam? Não é verdade que aprendemos um oceano de coisas novas abrindo nossos ouvidos à opinião dos sábios que nos antecederam e nos legaram verdadeiras obras-primas? Não é verdade que ao contribuirmos com o avanço pessoal e profissional do nosso próximo a sociedade como um todo se beneficia? Não é verdade que fantásticas pesquisas tecnológicas têm criado uma infinidade de meios para a melhoria da vida do homem sobre a terra? De fato, eu poderia ficar aqui infinitamente celebrando o gênio humano e suas capacidades inesgotáveis. Nunca a humanidade pôde tanto. É verdade que ainda falta muito por fazer, mas não é correta a proposição de que tudo vai mal. Somente os profetas do copo "meio vazio" se desesperam diante do que está incompleto. Descabelam-se em rede nacional de televisão com os chavões mais batidos e superficiais como se o mundo fosse uma perfeita porcaria.

Pessoalmente, prefiro ser um profeta do copo "meio cheio". Não se trata de ser apenas otimista. Trata-se de ser positivo e grato por tudo o que já se conseguiu sem ignorar que ainda há muito por fazer. Além de ser muito mais honesto, sensato e equilibrado, creio que esta posição é correta por muitos outros motivos. Dizer que tudo vai mal é o primeiro passo para se acreditar que nada vai bem. Negar os avanços evidentes que nos cercam constitui uma atitude derrotista e afetada que terá como principal fruto a percepção de que nada vai bem, daí a posição escancaradamente ranzinza dos "profetas do apocalipse". Se estes alarmistas profissionais forem estudados em filosofia moderna o desastre completo está armado. Nada em absoluto os agrada. São especialmente críticos com a noção de liberdade advogada pelos profetas do copo "meio cheio". Portanto, discordariam de mim completamente. Eles só admitem a paradoxal liberdade de não ter liberdade. Para eles, a noção apolínea de liberdade é apenas uma sórdida máscara a esconder a reprodução da superestrutura que, segundo eles, só causa exclusão e acumulação de capital. Negam, assim, a noção psicanalítica de responsabilidade inequívoca sobre os próprios atos.

De fato, para o bem do sistema de idéias que defendem, os modernos fazem bem em negar tanto a liberdade efetiva quanto a concretude em se conhecer o certo e errado pois, se o fizessem, teriam de admitir a noção de responsabilidade individual, ou seja, de pecado. Como advogam um mundo vivido ao sabor de impulsos, pois a modernidade aniquila a concepção filosófica de razão, não podem aceitar nem a liberdade nem a verdade. Sabem que se o fizessem teriam de viver conforme parâmetros outros que não o próprio umbigo. Por vias tortuosas, acabam invejando as certezas dos metafísicos e dos religiosos assumindo, assim, uma atitude de inferioridade que só os tornam mais ranzinzas e amargos. Como não aceitam nenhum senhor perdem qualquer parâmetro com que se identificar. Vivem sem rumo e, ainda que admitam a dor que isso lhes causa, preferem-no à mínima humildade de um raciocício honesto e lógico. Evidentemente, esse tremendo recalque emocional gera uma atitude de radical desconfiança em relação àqueles de quem discordam. Numa desesperada tentativa de desmerecê-los, ainda que admirem o conforto mental que as certezas dos outros causam, afirmam-nas erradas e ultrapassadas por serem contrárias à natureza.

Para o moderno, o argumento principal com que se nega a liberdade e a verdade é a natureza biológica do corpo humano. Pois, sendo o homem animal, a verdade seria apenas um instrumento de poder com que se domina os demais e a liberdade seria apenas um conto da carochinha com que se convence os outros de que tudo está bem. Por isso a demonstração de que o homem é necessariamente diverso dos animais, e livre, é tão importante. Através dela afirmam-se faculdades que inegavelmente diferenciam o homem das demais criaturas. Havendo inteligência efetiva e princípios verdadeiramente corretos há atos de natureza boa e atos de natureza má. De fato, sendo esta a nossa condição, não há porque negar nossa efetiva escravidão da liberdade e da verdade. Não se pode fugir disso sem contradições incorrigíveis e irracionais. Pode-se apenas negar estes princípios através de mentiras fáceis de demonstrar mas jamais houve homem que estivesse verdadeiramente livre deles. A consciência nos assalta queiramos ou não, pois pensamos. A modernidade pós-kantiana é um desastre burguês infantil com o qual se pretendeu dizer que de algo horrível (a revolução francesa) podia sair algo bom (a transformação positiva da sociedade).

Todavia, isso não aconteceu em momento histórico algum. A revolução francesa foi um horrendo banho de sangue que em nada contribui para o avanço da sociedade européia. O congresso de Viena restabeleceu o poder antigo após os delírios de Napoleão e, de fato, houve como conclusão inevitável da revolução francesa uma postergação ainda maior da dinamização do estado e da igualdade entre os cidadãos. O mesmo vale para todas as outras revoluções de caráter semelhante, em especial a revolução russa. Sendo todos os homens livres, o progresso verdadeiro está em evoluções com as quais a maior parte da sociedade colabore ativamente. Ou seja, está em um processo inclusivo, e não exclusivo. A imposição unilateral de uma ideologia gera uma inevitável resposta da parte discordante. O ideal é que elas possam discutir entre si e irem, aos poucos, achando pontos comuns. É como têm acontecido nas democracias ocidentais para grande usufruto de suas populações. Vê-se sem grande dificuldade que são os sistemas tirânicos que estão em maus-lençois. E por que é assim? Afinal, não se era de esperar que após a tomada de consciência de parte do proletariado o estado burguês seria destruído para progresso geral de todos?

Ora, é assim porque a maioria do proletariado preferiu continuar trabalhando a pegar em armas. Preferiram o consenso, preferiram a negociação. Será que algum de nós que tenha visitado a Alemanha, ou a Suécia, ou a Dinamarca, ou o Canadá, terá a impressão de que foram mal-sucedidos? Não se esqueçam que meu copo está "meio cheio". O ideal é que as pessoas possam se manifestar, participar ativamente da construção da sociedade como um todo. Ou seja, deve-se partir do princípio de que essas vozes se manifestam porque querem, devem ser livres para fazê-lo. Não são macacos revoltados. São trabalhadores altamente especializados que lutam por salários mais justos, e estão certos em fazê-lo. Talvez fosse melhor se exigissem mais? Talvez sim. Talvez tenham pedido pouco. Talvez possam mais. Eu sei que, por serem pessoas pensantes, são capazes de tudo. Só me recuso a acreditar que soluções extremadas são a melhor alternativa. Penso que o maior erro da contemporaneidade seja a privatização do estado como um todo, que parece servir apenas aos interesses do capital. Ora, não há nada de errado em se exigir que o estado trabalhe para ajudar a sociedade como um todo e não apenas uma parte dela!

Portanto, não sou contrário à evolução da sociedade. Mas acredito em processo, em evolução. Afinal, não é assim que funciona a natureza? Vejam o resultado de grandes revoluções biológicas. São um desastre! Tudo neste mundo parece caminhar melhor quando se caminha sem exageros. Por isso preocupo-me às vezes com a ascensão de vozes notoriamente intorelantes, especialmente na minha querida América Latina, como Hugo Chavez, Evo Morales e Rafael Gonzalez. Não acredito no mundo odioso que eles propõem. Tampouco acredito em um mundo onde a experiência humana seja resumida ao que se tem e não ao que se é. Prezo muito pela simples autenticidade. As pessoas sendo reconhecidas e bem tratadas pelo que são, sem extremismos de qualquer tipo, sem fanatismos, sem radicalismos. Coloco-me contra estas propostas. De fato, apesar do que costumo dizer, acredito ter muitas razões para comemorar. Nunca o mundo pareceu tão avesso aos excessos. O problema dos intelectuais da modernidade está na negação das evidentes características que nos constituem. Apesar deles, o mundo vai bem. Se o mundo vai muito bem com eles, iria muito melhor sem eles. A diferença é que, enquanto os pacifistas mandarem, eles poderão falar as bobagens de sempre.

2 comentários:

Adao Braga disse...

Que eu tenho lembrança, é a primeira vez que leio um texto seu. Sigo @Henrique_Rossi no twitter, mas, só agora cliquei e vim ler seu blog. Também o adicionei aos feeds.

Quanto ao assunto, há pontos divergentes, no entanto, nada que impeça de entender e de aceitar sua posição.

Quanto a pecado, os teologos tem palavras e ideias iguais e também diferentes das que você apresentou, no entanto, levam ao mesmo entendimento.

Quanto a total liberdade, eu penso que não temos TOTAL LIBERDADE, nós temos liberdade de ESCOLHER entre um e outro, não de decidir pontos. Nós podemos, escolher fumar e não fumar. Não decidimos que matar é certo ou errado, pois, matar alguém, algum ser, já está estabelecido como errado. etc.

O que entendi, sua posição em relação a pecado, é semelhante a de João que afirma:

- Toda injustiça é pecado;
- Todo pecado é transgressão;
- Todo desvio do "caminho" é pecado;

@adaobraga

Henrique Rossi disse...

Quanto a pecado, os teologos tem palavras e ideias iguais e também diferentes das que você apresentou, no entanto, levam ao mesmo entendimento.

Muito legal isso que vc falou! É claro que sim! Há livros e mais livros sobre teologia moral (pena que não tenha lido nenhum ainda) rs..

O que é bacana dessa história, como vc parece ter percebido, é que a noção de pecado não é difícil de perceber. Ela é simplesmente consequência imediata da liberdade e da existência de parâmetros morais universais.

Eu só fiquei curioso em entender melhor o que você disse aqui:

Quanto a total liberdade, eu penso que não temos TOTAL LIBERDADE, nós temos liberdade de ESCOLHER entre um e outro, não de decidir pontos. Nós podemos, escolher fumar e não fumar. Não decidimos que matar é certo ou errado, pois, matar alguém, algum ser, já está estabelecido como errado. etc.

Pois penso que a liberdade total está dada justamente nesta liberdade de escolher que você reconhece.