Pra que o tom épico nas propagandas da Brahma sobre a seleção brasileira? Pra quê? Que bicho terá mordido os caras que criaram estas centenas de filmetes péssimos que não param de ser exibidos? Quem aguenta ver mais uma só destas peças melosas que não têm um pingo de Brasil? Será que o pessoal que idealizou a campanha como um todo tem a menor idéia do que é o povo desta nação? Será que já leram Macunaíma, o clássico fundamental de Mário de Andrade? Será que não percebem que Robinho representa muito melhor o nosso povo que o "magnânimo" Luís Fabiano? As campanhas da Brahma não têm nenhum humor! É só sentimento magnífico, glorioso, de altas conquistas e altos empreendimentos. Mas essas coisas nunca foram ideais nacionais. Não representam nada das nossas particularidades. De fato, já perdi minha paciência faz tempo com estas porcarias que, quanto mais aparecem, mais chateiam. Relembrem o estilo infame no exemplo abaixo:
Eca. Dá vontade de atirar bandeirola verde-amarela na televisão e torcer pra Argentina. Quem pode suportar tanta tolice? Tanta mentira? Mas qual seria o antídoto para este equívoco fenomenal? Certamente uma campanha que nos representasse bem. Uma que contivesse o jeitinho brasileiro, sua ironia, sua malandragem, seu bom-humor. O pessoal da Kaiser teve essa sacada e lança, hoje, um filme baratíssimo, sem o menor requinte de magnânimidade, com Romário. Num lance verdadeiramente genial, eles colocaram o malandríssimo campeão de 94 zombando dos excessivos bons-modos de Dunga que, nas palavras do filme, nunca foi grande especialista em cerveja. Dá-lhe Macunaíma! Que nós nunca sejamos tomados por povo sério, batalhador e "brahmeiro"! Eca. Prefiro tornar-me argentino a ver o Brasil perder a malandragem. Qualquer um que desconsidere o nosso molejo merece o mesmo que a campanha ridícula, infame e absurda da Brahma: a sátira, a ironia, o deboche, ou seja, os antídotos perfeitos para qualquer espírito magnânimo e épico que jamais nos representaram.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Salve-nos da campanha da Brahma, Romário!
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5 comentários:
Kaiser é ruim demais. Sou mais as propagandas da Brahma com o Zeca Pagodinho.
Ah sim, muito melhor que as do Luís Fabiano e Dunga.. :) O Zeca Pagodinho tem também a "malemolência" que falta ao gaúcho! Só a "zeca-feira" que não emplacou.. :)
Então como comunicadora, ou futura, tenho que ver os dois lados. Não despreso assim a campanha da Brahma, eles pegaram uma linha diferente, "menos" abrasileirada como disse, ou não. Brasileiro não é guerreiro mesmo, só assim para sustentar uma família inteira com 1 ou 2 salários mínimos, acordar às 6 e dormir a 00:00h. Não deixo te lhes tirar a razão, talvez o tom pudesse ser menos dramático porque futebol é alegria e nesse momento ninguém quer mesmo pensar em tristeza, escrevi algo parecido esses dias também. Futebol é fuga, é fato, no caso da Brahma ela fugiu, só que do óbvio.
Brasileiro não é guerreiro mesmo, só assim para sustentar uma família inteira com 1 ou 2 salários mínimos, acordar às 6 e dormir a 00:00h.
Hum... Argumento forte! :) Lembro-me que utilizei-o contra o Clodovil Hernandes num antigo trabalho. Ele dissera que as mulheres brasileiras trabalham deitadas. Retruquei a quem o defendia o exemplo das senhoras da faxina da empresa que, em sua maioria, ficam umas 4 horas por dia no ônibus para colocar comida no prato. Ponto para os Brahmeiros, rs..
Mas, como você reconhece, "futebol é alegria", por isso talvez tenha sido exagerado o tom demasiadamente "dramático". Ponto pra Kaiser, rs..
Puts, será que essa partida acaba em empate?! Mas eu estava torcendo tanto pro Romário... É meu lado debochado me influenciando, eu acho, rs..
Paulo Mendes Campos escreveu, certa vez, que “a bola é o brinquedo mais perfeito que já inventaram”; ou jamais inventaram, apenas surgiu - do nada. O que Dunga, Jorginho, L. Fabiano, J. César e D. Alves, os publicitários da Brahma, com seus rompantes de patriotismo ridículo, por certo, não possuem é espírito de jogo, esporte e brinquedo; eles são guerreiros de uma estranha e guerra glorificada por nossa pátria carente de qualquer ideia ou algum emplastro milagroso que traga a identidade autêntica.
- Vá, toma cá a ampola e seja um vencedor! - é o que nos dizem.
Não iria tão longe ao ponto de desejar ser argentino, creio que não haja nada pior que isto. Mas prefiro ser um derrotado, muito fracassado, do que um cordeirinho adestrado para uma guerra inexistente, besta e que não reconheço no país onde nasci e cresci. Muitos apontam os defeitos vexatórios do Brasil, eu sempre tive um orgulho danado de toda a desgraça nacional; amo este povo como ele é, não como desejam uma parte da elite fútil que vive por estas bandas.
Amigos brasileiros e brasileiras, do sul e do norte, fidalgos e bobos-da-corte, estes jogadores são gente como a gente, da mesma cara marota e a mesma cor de terra batida, embora o suor deles tenham mais valor, são resignados e também alegres, saudemo-nos!, amigos, saudemos este nosso magnífico e autêntico futebol tupiniquim! – nem falando assim a batalha ficaria mais honesta, pois sabemos que estão tentando vender nossa aparência; e, genuinamente, somos tão somente a réplica de uma bola murcha por essas campanhas publicitárias.
Por favor, devolvam o meu Brasil!
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