quinta-feira, 15 de julho de 2010

A perversa obsessão dos neo-ateus por religião

Talvez você já tenha ouvido falar dos neo-ateus. Trata-se de um grupo que gosta de fazer bastante barulho contra as religiões em geral. Para o movimento neo-ateu, todos os frutos das religiões são sórdidos e malignos. O mundo ideal deles não inclue nenhum tipo de crença em quaisquer entidades sobrenaturais. Para um neo-ateu, só se pode acreditar em algo que possa ser cientificamente demonstrado. O mais é abominação e perda de tempo. Um dos neo-ateus mais proeminentes é o biólogo britânico Richard Dawkins para quem a crença em Deus é um delírio. Dawkins escreve livros e dá palestras no esforço de desmerecer completamente a crença em Deus. Um de seus livros em especial, Deus - um delírio, esteve por vários meses na lista dos best-sellers. Dawkins também deu o seu aval à campanha londrina do "ônibus ateu", que expôs em vários destes veículos a mensagem "Provavelmente não há Deus. Pare de se preocupar e curta a vida". Não sei que resposta eles esperavam da parte dos religiosos, mas o curioso é que as grandes religiões organizadas, aquelas com vários séculos de existência, não deram a menor importância ao "ônibus ateu" e tampouco se preocupam com o movimento neo-ateu como um todo. Pelo contrário. Os clérigos das denominações cristãs mais tradicionais, como o catolicismo, o anglicanismo ou o luteranismo, citaram diversas vezes que a campanha atéia nos ônibus londrinos rendeu muitos bons frutos espirituais. Segundo eles, muitas pessoas que andavam indiferentes à religião na qual foram educadas sensibilizaram-se pela campanha, que serviu como uma eficaz "sacudida" espiritual, talvez mais eficaz que um belo sermão muito correto que cause sono. De fato, se há uma coisa que atrapalhe o sono é o barulho. Ou seja, ao trazer o assunto religião para o centro de um acalorado debate, tudo o que a campanha atéia fez foi despertar para a religião pessoas que andavam um tanto indiferentes à ela. Já escrevi sobre este assunto aqui no blog, mas hoje gostaria de desenvolver esta mesma idéia aprofundando-me um pouco mais em certos aspectos.

Façamos uma breve comparação com o universo das artes. Todos os que já frequentaram o ensino médio devem ter ouvido, em algum momento, que os movimentos artísticos se sucederam uns ao outros. Em língua portuguesa, a totalidade dos primeiros registros foram classificados como pertencentes à escola trovadoresca. Sucedeu-lhe a tradição humanista que, posteriormente, foi substituída pelos ideais renascentistas. E, prosseguindo, tivemos ainda os movimentos barroco, árcade, romântico, realista e, por fim, a escola moderna, da qual ainda sentimos fortes influências. Essa mobilidade toda de estilos demonstra a inquietação do ser humano e sua sede de saber pois, quando uma tradição não conseguia mais dar vazão ao espírito de sua época, era preciso substituí-la por uma nova estética, que conseguisse traduzir com maior fidedignidade as idéias que se desejavam transmitir. Vejamos, por exemplo, a transição do romantismo para o realismo. O primeiro é marcado por todo um excesso de sentimentalismo. O universo romântico é voltado quase que completamente para o interior do artista, suas inquietações e seu imaginário próprio. Para um romântico, mais interessante que os problemas da atualidade eram tempos remotos, que ele idealizava em seu egocêntrismo radical. Porém, as radicais transformações sociais e tecnológicas do séc. XIX fizeram emergir uma nova mentalidade, que desse mais atenção à realidade imediata e trabalhasse pelo seu progresso. Começava, assim, a sair de cena a burguesa mentalidade romântica, pois o realismo reformou toda a estética. Fossem nas artes plásticas, ou na literatura, importava comentar a realidade do homem no mundo, suas contradições, seus desafios e sua natureza física e psicológica. Percebam que a substituição de um paradigma pelo outro não se limitou à crítica ao padrão antigo. Os artistas do realismo, ao invés de dedicarem sua energia à demonstração de que o romantismo estava errado, preferiram ocupar-se da nova estética. Ou seja, o centro de seus esforços não estava em demonstrar que o paradigma anterior estava errado mas sim em demonstrar que a nova proposta era melhor.

Pensemos agora no universo das ciências. Os primeiros registros de questionamentos científicos na civilização ocidental datam da Grécia Antiga, onde muitos pré-socráticos procuraram explicações racionais para os fenômenos da natureza. À exceção da matemática, que nunca precisou comprovar nada materialmente, a ciência pouco avançou até Newton, que foi o autor de uma radical guinada de paradigma. As considerações de Newton sobre os fenômenos naturais são de uma tal qualidade que permaneceram praticamente inalteradas até o séc. XX, quando as ciências, com a física em especial, sofreram outra e radical mudança de paradigmas. Substituiu-se a mecânica clássica newtoniana pelo modelo quântico. Não foi uma mudança simples, tanto que seu maior responsável, Albert Einstein, apesar do tanto que fez a física avançar, não conseguiu admitir em plenitude a nova proposta. Einstein passou o fim de sua vida procurando um modelo que conseguisse aliar as propriedas quânticas às gravitacionais, explicadas por Newton. Um esforço tremendo que não se traduziu em nada, visto que os cientistas em peso aceitaram o modelo quântico como superior, demonstrando, assim, pouco caso das inquietações teóricas de um dos maiores físicos de todos os tempos. Percebam que, mais uma vez, quando há a substituição de um paradigma por outro, esta mudança não se dá apenas pela falta de qualidade do paradigma anterior, mas pelo excesso de virtude do paradigma novo. A física clássica de Newton foi substituída como o mais bem acabado modelo de entendimento da natureza não porque estivesse recheada de erros infantis ou imbecilidades, mas sim porque o novo modelo explica com maior riqueza de detalhes fenômenos que o modelo anterior não conseguia demonstrar. Ou seja, tanto na arte, quanto na ciência, a adoção de um novo padrão depende mais de suas qualidades do que dos defeitos do padrão antigo. Esta é uma lei que vale para todos os saberes humanos. Não há sobre a terra uma população sequer que abra mão de seus conhecimentos adquiridos e comprovados por séculos de experiência em favor de um modelo novo do qual se duvida.

Ou seja, a emergência de um novo paradigma em qualquer área do conhecimento exige a superação do paradigma anterior não apenas pela sinalização de sua ineficácia, ou insuficiência, mas pela demonstração de um novo modelo mais satisfatório, seja porque mais completo ou verdadeiro. Só diante de uma tal apresentação as pessoas abrem mão das coisas em que acreditam para adotar algo novo. Uma troca deste tipo não se faz apenas porque há pessoas irritadas com os padrões atuais. Não importa, por exemplo, que haja gente irritada com as atuais regras do futebol, por exemplo. Só se adotarão outras regras se ficar claro para a entidade que regula este esporte, a FIFA, que a substituição das regras atuais irá favorecer a expansão do mesmo. Como exemplo, diga-se que a FIFA se recusa a adotar a averiguação de lances polêmicos por vídeo porque acha que este procedimento levaria à uma elitização do futebol, um esporte notadamente popular por causa de sua simplicidade, o que arruinaria a sua espontaneidade e imprevisibilidade. Portanto, pode-se dizer que assim como nas artes, nas ciências, nos esportes, e no que quer mais que seja, a troca de paradigmas só ocorre quando o novo modelo suplanta definitivamente o antigo por suas virtudes. Assim também na religião, onde só há uma troca de paradigmas quando o modelo novo demonstra ser mais eficaz que o antigo. Tanto é assim que a história relata conversões maciças de diversos povos. Os romanos, por exemplo, abriram mão de suas crenças milenares porque o cristianismo lhes pareceu mais virtuoso, não porque suas crenças fossem péssimas. O mesmo se deu na América, onde o cristianismo se espalhou com velocidade avassaladora apesar do mau exemplo de muitos dos conquistadores. Da mesma forma, os árabes politeístas abriram mão de seus deuses pela pregação de Maomé, pois assim lhes pareceu melhor. Ou seja, o cristianismo é hoje a religião da maior parte da humanidade porque ainda não apareceu outra que lhe fosse mais satisfatória. Se alguém deseja substituí-lo por qualquer outra coisa, terá não apenas de criticá-lo, mas sim propor algo melhor para por em seu lugar.

No que chegamos ao equívoco central das tentativas dos neo-ateus de superação da religião. Eles não apenas não têm nada para colocar em seu lugar como, por limitarem-se a criticá-la, mantém o foco da questão sobre ela. Trata-se de uma atitude completamente contraproducente. Um verdadeiro tiro no pé. Quisessem os neo-ateus verdadeiramente aniquilar a religião da vida das pessoas (como se propõem verbalmente a fazer) seu foco central deveria estar no sistema ideológico que a suplantaria definitivamente. Como demonstrado, falar de religião apenas atrai a opinião das pessoas que estavam afastadas de Deus sobre o assunto, mantendo a crença religiosa no centro da discussão. Isto acaba despertando as pessoas de sua indiferença sobre o tema. Como resultado disto, elas procurarão se informar sobre os dois lados, afinal, imagino que queiram decidir bem, não é? Ora, isto será oportunidade para muitas conversões, como os clérigos das principais religiões têm relatado. Parece que dizer que Jesus é um zumbi, que a transubstanciação é um delírio, que a Virgem Maria não poderia ter concebido sem uma relação sexual, não são argumentos suficientes para a maioria das pessoas. Elas precisam sentir verdadeiramente a superioridade do sistema do ateísmo antes de decidirem-se pelo abandono de quaisquer crenças. Se há algo que o movimento neo-ateu precisa aprender é que frases de efeito não são argumentos. Eu até preferiria que o ateísmo tivesse proposições efetivas para o ser humano. Acredito que isto colaboraria com o progresso das religiões. Mas enquanto o máximo que um neo-ateu puder fazer for criticar as religiões, o movimento ateu como um todo estará fadado à insignificância histórica que tão bem o tem assinalado ao longo das eras. Ou seja, ou os ateus melhoram suas propostas, demonstrando efetivamente que a ausência da crença em Deus favorece uma vida melhor constituída e realizada ou eles continuarão o que sempre foram: os patinhos feios das ideologias, zombados e ridicularizados por todas as gerações históricas.

Senão, o quê têm eles ensinado? Qual é o centro de sua visão de mundo? O que eles têm de efetivo para convencer as pessoas de que a mentalidade religiosa como um todo não se justifica? Ora, qualquer um que já ouviu Richard Dawkins falando ou leu um de seus livros sabe que, além das críticas às religiões, ele não tem mais nada a oferecer. Suas colocações a respeito da vida sem religião são extremamente vagas. Não há um corpo de idéias minimamente capaz de parar em pé por si só. Há apenas um monte de generalidades ocas, sem nenhuma substância intelectual. Dizer que a vida de quem não crê é mais legal que a vida de quem crê não convence ninguém, pois as pessoas que têm religião acham sua vida ótima. Além do mais, Dawkins é obrigado a reconhecer que, como os ateus são geralmente pessoas de personalidade muito forte, é muito raro que cheguem a um consenso sobre o que quer que seja - tanto que há um capítulo inteiro de Deus - um delírio para analisar a questão de que uma reunião de ateus equivale a um saco cheio de gatos. Como não conseguem se unir para propor uma visão do mundo sem religião, a atitude atual deles de pretender a superação da mentalidade religiosa sem sugerir nada para colocar no seu lugar equivale a exigir da FIFA e dos torcedores dos clubes de futebol a destruição deste esporte. Ou ainda equivaleria a exigir dos físicos a destituição completa dos princípios quânticos visto que eles ainda não explicam nem como o universo existe nem porquê. Ora, essas não seriam atitudes risíveis, ridículas pelo seu enorme grau de infantilidade e neurose? Também o seriam (como o são) em relação à religião. Já que não conseguem uma mínima união sobre o que quer que seja, o esforço obsessivo dos neo-ateus contra as religiões mantém o centro dos seus esforços na religião, o que acaba tornando-os seus porta-vozes ainda que de modo indireto. Para que nada disso fosse verdade, bastaria que o centro dos esforços dos ateus estivesse no novo paradigma. Se ao menos eles tivessem algo para mostrar, algo que se pudesse conhecer e avaliar, as pessoas poderiam então dar-se ao trabalho de considerar se valeria a pena mudar de lado.

Podemos, então, perguntar-nos se os neo-ateus são verdadeiramente livres de religião. Afinal, ninguém mais do que eles se afirma independente de quaisquer princípios religiosos que sejam. Segundo eles mesmos, em suas cabeças há lugar apenas para coisas que podem ser verificadas racionalmente. Mas acho que, mais uma vez, eles estão gravemente equivocados. Percebam que só somos livres de assuntos que desconhecemos por completo. Eu, por exemplo, sou radicalmente livre das engenharias e da astronomia. Sei apenas localizar o Cruzeiro do Sul e nada mais. Tampouco faço a menor idéia de como se começa a construir uma ponte ou um edifício. Ignoro completamente estes assuntos. Nunca penso neles. Este é um exemplo correto de independência verdadeira. Da mesma forma, para ser livre de Deus e de religiões, a pessoa deve nunca pensar nestes assuntos, como, por exemplo, no caso de quem se dedica exclusivamente a juntar dinheiro. Se, todavia, a pessoa tem a destruição das religiões como principal objetivo de sua vida, ela é tudo menos livre de religiões, pois ainda que as negue, elas dominam completamente o seu imaginário e o seu quotidiano. Portanto, o movimento neo-ateu, ainda que lute dia e noite para negar todo pensamento religioso, nada mais faz que orbitar ao redor do assunto religião, com a diferença de que orbitam olhando para fora, enquanto os que se professam religiosos orbitam-no olhando para dentro. Ou seja, o referencial deles é a religião. Por isso os neo-ateus não assustam os clérigos das principais religiões, pois, para estes estudiosos, perigosa mesmo é a atitude de quem passa a vida sem pensar em religião, como no caso já citado de pessoas que dedicam todos os seus esforços para ganhar dinheiro, por exemplo, e nunca param para avaliar se o que fazem está correto. Segundo eles, esta é uma atitude verdadeiramente daninha, tanto que falam continuamente nela, tentando alertar os fiéis a nunca adotarem este estilo de vida que se esquece completamente de Deus. Um neo-ateu pode até se esquecer de si mesmo, mas de Deus ele não se esquece jamais - Deus é o centro absoluto da sua vida.

18 comentários:

Henrique Rossi disse...

Juliana,
Contanto que você dê a sua opinião ao invés de ficar em revolteios você pode dizer o que quiser. Mas ofensas gratuitas eu não permito no blog. Como o texto diz, já passou da hora dos ateus acharem que frases de efeito são bons argumentos.

Adriano disse...

Acredito que você não tenha lido direito as principais obras dos "neo ateus" pra poder criticá-los com tanta paixão. Eles possuem propostas mais racionais para a sociedade contemporânea, ao invés da crença em mitos inúteis. Eu já fui um ateu mais "praticante" mas hoje dou atenção para outras prioridades. Mas veja só o paradoxo, vc critica os ateus porque eles só sabem criticar as religiões e não tem nenhuma proposta, então, por que perder tempo escrevendo sobre eles? Se vc escreveu é porque eles te incomodam e esse texto tenta desqualificá-los, de alguma forma vc tem a obsessão de se afirmar contra os ateus. E nem li o comentário da Juliana, mas dizer que ela fica em revolteios?? e o que é cerca de 80% desse texto, senão revolteios??? Só mais uma coisa: eu não chamo o desconhecimento de certo assunto, como vc citou a engenharia e a astronomia, de "liberdade" ou "independência", mas sim ignorância.
Grande abraço

Henrique Rossi disse...

Mas veja só o paradoxo, vc critica os ateus porque eles só sabem criticar as religiões e não tem nenhuma proposta, então, por que perder tempo escrevendo sobre eles?

Essa pergunta é ótima (e muito justificada)! Você entendeu exatamente o que eu disse e aplicou sobre mim! Fico contente com isso. A resposta está neste texto:

http://www.polimatico.com.br/2009/08/pesadelos-com-o-inferno-mais-uma-vez.html

o que é cerca de 80% desse texto, senão revolteios???

Aqui vc errou. Cadê o revolteio? Pega uma frase sem significado e me mostra.

eu não chamo o desconhecimento de certo assunto, como vc citou a engenharia e a astronomia, de "liberdade" ou "independência", mas sim ignorância.

Bobinho... Você tem a ambição de saber tudo? Mesmo demonstrando a típica arrogância atéia, você está parcialmente certo. Veja um exemplo: os índios eram completamente ignorantes em cristianismo antes da chegada de Cabral, não é? E eles não eram absolutamente livres do mesmo antes de aprenderem a seu respeito? Ou seja, você não gostou do que leu mas entendeu direitinho. Sim, estamos livres das coisas que ignoramos e somos escravos das coisas que conhecemos, pois jamais estaremos livres delas. Vou exemplificar: como cineasta nunca mais serei capaz de assistir um filme como um espectador leigo, que não percebe as diversas nuances na história e no tratamento da imagem. Como estudante de medicina, nunca mais poderei deixar de perceber o funcionamento do meu organismo. Reconheço com absoluta precisão os movimentos peristálticos, os batimentos cardíacos, as oscilações do sono, etc. Nunca mais experimentarei meu próprio corpo como um leigo, porque agora o conheço em profundidade. Portanto, muito cuidado com o que você estuda, pois você acaba se tornando escravo destas coisas. Sim, ignorância é liberdade.

Cleydyr 'Zambo' Bezerra de Albuquerque disse...

Tenho algumas considerações sobre seu texto. Na verdade, trata-se de uma primeira impressão.

1) O que você quer dos ateus é que eles apresentem uma alternativa às religiões? Isso seria propor um novo sistema de dogmas, certo? Bem. Você deve saber que o ateísmo combate exatamente isso. Seu desejo não será realizado não importa o quão habilmente você argumente.

2) Eu acho que você fica batendo na mesma tecla do "se você não tem religião, não tem moral", mesmo que implicitamente. O bom é que ateus também vivem em sociedade (dã!) e podem chegar às suas próprias conclusões a respeito de vários assuntos sem precisar consultar uma referência religiosa superior como o Papa, o pastor-presidente, a Bíblia Sagrada, os aiatolás, o que quer que seja. A respeito disso, aliás, porque não simplesmente se inspirar em grandes pensadores da filosofia, da sociologia, etc? Você acha necessário que seja elaborado um documento sagrado estabelecendo isso como ordem ou recomendação, para que, enfim, você se convença de que os ateus têm algum conteúdo, alguma razão de viver? Não, né?

3) Talvez o seu problema seja o de não aceitar que pessoas possam viver sem essa "alternativa" citada no texto, que nada mais é que outra religião, um outro sistema de dogmas.

É isso por enquanto.

Henrique Rossi disse...

Muito boas as suas colocações, Cleydir.

De fato, eu sabia que os pontos que você levantou estavam em aberto. Só não procurei resolvê-los no texto para que ele não ficasse incovenientemente grande.

Isso seria propor um novo sistema de dogmas.

Então. Não entrei neste pormenor no texto. Não acho que os ateus devessem propor um sistema de dogmas. Isso seria outro tiro no pé, afinal, os ateus se pretendem sem crença. O que eu acho é deveras simples: o foco dos ateus tem de estar nas virtudes do "novo modelo", o que quer que ele seja. Este novo modelo não precisa ser dogmático, como a medicina e as artes não são dogmáticas. Este novo modelo seria um condensado da visão de mundo atéia e as recomendações consequentes. É evidente que, ainda que essas recomendações não sejam dogmáticas, elas devem haver. Afinal, ainda que a obesidade não mate em 100% dos casos, ela é desaconselhada pelos médicos porque na maioria dos casos ela mata.

porque não simplesmente se inspirar em grandes pensadores da filosofia, da sociologia, etc?

Justamente! Por que não? Eu também não sei porque os ateus preferem falar de religião. Eles têm de preferir falar das suas virtudes - isso vai fazer mais ateus.

Talvez o seu problema seja o de não aceitar que pessoas possam viver sem essa "alternativa" citada no texto, que nada mais é que outra religião, um outro sistema de dogmas.

Mas veja, acredito que os ateus possam viver sim sem alternativas dogmáticas - tanto que vivem! O que eu critiquei, e repito aqui para você, é que o foco dos ateus, assim como o foco das artes, da medicina, das ciências e dos esportes, deve estar nas coisas positivas que se propõem a substituir as coisas negativas. O problema é que ateu nenhum consegue fazer este movimento. Vocês só fazem falar das supostas invirtudes da religião, o que, como afirmei no texto, só mantém o foco sobre elas. Ora! Isso é uma tremenda contradição. Se os ateus querem um mundo sem religião, eles devem superá-la, da mesmo forma que os movimentos artísticos se superam uns aos outros, da mesma forma como os movimentos científicos se superam uns ao outros. Tanto num caso quanto no outro, a superação de paradigmas se dá pelas virturdes da nova proposta. E é justamente isso que os ateus não conseguem fazer. Eles simplesmente não propõem nada. Só fazem falar de religião, mantendo o foco sobre ela quando, na verdade, vocês não deveriam falar de religião nunca. Isso sim seria superá-la. Falar nela só faz reforçá-la.

Henrique Rossi disse...

hahaha! Ah, ademir,

Você não sabe como é um prazer descontentar gente ranzinza e amarga como você!

Se o seu estômago for forte para a contrariedade, não deixe de olhar os outros textos do marcador 'Richard Dawkins'.

Só tome o cuidado de preparar um copo de água com açúcar antes, e deixá-lo ao lado de prontidão..

Regis Augusto disse...

Inteligente, articulado e com argumentos lógicos e irrefutáveis: é assim que você se apresenta. Parabéns!!!!

Sim, sou teísta, mas não no sentido de nenhuma grande religião tradicional.

Você desenhou muito bem o que o neo-ateísmo representa e professa. E o neo-ateísmo é apenas uma versão "espelhada" do fanatismo: grita-se, divulga-se acaloradamente e no fim eles terminam tornando-se tão chatos e desrespeitosos quanto aqueles que eles criticam (sob o disfarce de "humildemente quero debater..."). Nota-se no fundo de muitos argumentos ateus que eles são anti-científicos inclusive: ou existe o dogma ou não existe mais nada. Por exemplo, Deus: ou existe o Deus antropomorfizado ou não existe mais nada. Não pode haver, nessa discussão, nenhum outro modelo de inteligência, por universal que seja, que possamos chamar Deus. Aí está outro tiro no pé. Vejo que o homem do passado (tão dotado de raciocínio quanto o de hoje, e mais filosófico inclusive)chegou à conclusão de que existe uma inteligência organizadora e moldou-a à proporção do conhecimento de mundo que tinha na época: ou seja, na forma humana. Mas não quer dizer que por deus não ser assim, que ele não exista. Aliás, cientificamente falando, há evidências no sentido de que exista sim uma inteligência como essa e na perpetuidade da conciência individual post-mortem.

O problema do mundo não é a religião. Nem Deus. Nem o ateísmo em si. É o fanatismo e a vontade de empurrar goela abaixo uma idéia como sendo superior e modelo de vida.

É assim que passamos o cetro dos religiosos fanatizados (esses sim, intelectualmente perigosos) aos neo-ateístas com louvor!!!!

Henrique Rossi disse...

Muito obrigado pelos seus comentários, Régis. Belas palavras!

Andre disse...

Primeiramente, me falta tempo, por ora, pra rebater esse texto tão longo.

Por enquanto, digo apenas que:

"Para um neo-ateu, só se pode acreditar em algo que possa ser cientificamente demonstrado."

De alguma forma vc é cético, mas não percebeu. Será que vc acreditaria se eu dissesse que já existe a cura contra a AIDS?
Não importa que vc seja estudante de medicina. O fato é que estou afirmando que a cura da AIDS já existe. Pode manter relações sexuais com quem quiser, sem preservativo, pois se vc se contaminar, é só comprar um remédio 'baratinho' e vc fica fica saudável.

Isso é fé. Vc crê sem necessidade de prova.
A fé é cega, por mais que se fale --especialmente os espíritas -- em fé "raciocinada", isso não existe, simplesmente.

Por que eu deveria acreditar num deus bondoso, onipotente e tantos outros adjetivos que vcs adoram propagar? Só porque a natureza existe não quer dizer que existe um criador. Seguindo a lógica, deveria haver o pai de Deus.
"Não existe criador, Deus é o começo de tudo", dizem os senhores sapientes. Bem, acontece que isso é um contra-senso. Vc não pode quebrar a lógica de um raciocínio em benefício próprio.

Outra questão oportuna é dizer que os ateus não se ocupam com a religião 24h por dia, como vc alega, e sim são perseguidos pelos teístas. É preciso se defender de alguma forma.
A discriminação contra ateus supera o ódio contra gays. Não existe outra categoria tão odiada.

Henrique Rossi disse...

Andre,

Achei seu comentário bastante interessante, a começar pelo tom civilizado. De fato, obrigado pela participação. Mas são tantas coisas legais que você disse, gostaria de fazer vários comentários sobre várias delas, então peço licensa para comentá-las isoladamente, ok? Vejamos:

De alguma forma vc é cético, mas não percebeu. (...) Isso é fé. Vc crê sem necessidade de prova.
A fé é cega, por mais que se fale --especialmente os espíritas -- em fé "raciocinada", isso não existe, simplesmente.


Concordo com este trecho mais do que você imagina. De fato, é claro que sou cético para várias coisas. Isto é óbvio. Concordo também que a fé é algo em que se crê sem necessidade de prova. Inclusive, esta sua frase parece citação direta de uma passagem de São Paulo. Apenas acho que a fé, apesar de ser uma instância do pensamento que não necessita de prova científica, pode ser examinada através da razão, o que não a torna, nisso concordamos, uma manifestação exclusivamente racional, senão ela não seria fé pela própria definição do termo.

Por que eu deveria acreditar num deus bondoso, onipotente e tantos outros adjetivos que vcs adoram propagar? Só porque a natureza existe não quer dizer que existe um criador. Seguindo a lógica, deveria haver o pai de Deus.

Mais uma vez concordo contigo mais do que imaginas. De fato, você não deveria acreditar em nada que lhe é imposto por um ente externo. Tampouco acho que existência da vida, da matéria ou da natureza sejam os motivos principais para se acreditar em Deus. Considero-os motivos razoáveis, mas a melhor justificativa para a crença em Deus eu penso que está no homem, mas não é o caso de entrar neste particular agora. O que importa é que respeito seu raciocínio. Apenas o repudiaria se ele me fosse imposto como a única verdade possível.

Outra questão oportuna é dizer que os ateus não se ocupam com a religião 24h por dia, como vc alega, e sim são perseguidos pelos teístas. É preciso se defender de alguma forma.
A discriminação contra ateus supera o ódio contra gays. Não existe outra categoria tão odiada.


Já aqui estou em pleno desacordo contigo. Não concordo, em absoluto, que ateus sejam perseguidos. Eles sofrem, pelo contrário, de auto-perseguição. São vocês que se veem como frágeis perseguidos o tempo todo. Ora, ninguém é obrigado de abdicar de suas crenças apenas para agradá-los. Tampouco vocês deveriam se sentir tão ofendidos porque outras pessoas dispõem do enorme consolo que é a religião. Senão, onde está a perseguição contra ateus? Onde? Contra gays há o exemplo daquele vídeo já famoso do playboy que acerta um homossexual no rosto com uma lâmpada, mas e contra os ateus? Sei.. Eu bem consigo imaginar um careca do ABC correndo atrás de um pobre ateu no centro de SP: "Pega, pega! Ele é ateu!" Quando o indefeso descrente fosse dominado eu bem consigo imaginar o insólito desfecho: o careca chefe ia retirar um crucifixo do bolso e forçar o ateu a beijá-lo! A-hãm.. Bem razoável.. Não seja louco de continuar professando esta besteira. No mais, aprovado.

Regis Augusto disse...

"A discriminação contra ateus supera o ódio contra gays. Não existe outra categoria tão odiada."

ironia mode on - bem informado o cidadão hein? - ironia mode off

A falta de compostura e de informação realmente correta acabam com qualquer argumento. Uma boa dose de Ciência propriamente dita e um pouco de Filosofia cairiam bem a essa gente. Talvez eles devessem ler mais seus posts, encontrarão isso aqui!!!!

Henrique Rossi disse...

Muito obrigado, Regis,

E olha que este comentário do André nem passa perto de estar entre os piores. Só mesmo a aleagação de que os ateus são perseguidos está erradíssima. Eu fico honestamente me perguntando daonde eles tiram isso.

Já ouvi uma pessoa mais religiosa que eu dizer que isso ocorre por inveja dos crentes. Em outras palavras, porque não têm o conforto de sentirem-se guardados por um ente superior, invejam, mesmo inconscientemente, os que possuem este auxílio. Confesso que tenho me esforçado por acreditar que não é assim, mas os ateus estão se esforçando bastante para que eu concorde com este raciocínio! rs..

Anônimo disse...

A odiosa obsessão dos teístas pelos ateístas.

Tudo que você escreveu no texto “A perversa obsessão dos neo-ateus por religião” se resume em um só contra argumento: afinal o que vocês ateus ou neo-ateus tem para apresentar ao mundo em lugar da religião? A resposta não pode ser outra. Nada, é o que um teísta responderia. Mas eu também tenho direito de responder e dizer tem tudo, e tudo significa libertar no sentido lato da palavra a humanidade que tem vivido em quase toda sua totalidade há mais de dez mil anos, acreditando em ilusões, inventando deuses para fiscalizar, proteger e garantir uma vida melhor pós morte. Se o ateísmo tiver que apresentar para a humanidade algo que se compare a isto, então se tornará uma religião como qualquer outra. Um ateu convicto pode sim ter algo em comum com o mais empedernido religioso com vocação para levar suas convicções ao próximo pensando em salvá-lo, e então o ateu, também tem o direito de querer expor suas idéias ateístas que na verdade estão mais para criticas às religiões, aos dogmas, às crenças no sobrenatural, enfim tudo isso que entorpece mentes e corações por hipotecar suas esperanças em vãs promessas de paraísos prometidos por deuses inexistentes. Um ateu se tem consciência do que é ser ateu, sabe muito bem que nem precisa combater a religião ou as religiões no sentido de fazer com que os religiosos caiam na real e abandonem os seus credos. Isto porque, as próprias religiões estão colaborando para isto muito mais do que qualquer discurso ou livro ateísta possa fazer, até porque os rebanhos ou as massas religiosas são preparadas através de lavagem cerebral para não dar ouvidos, não ler e não dar atenção às obras ou homens que pregam contra religião. E pior, estão muito mais preparadas ainda para não contestar qualquer dogma de sua religião, ou qualquer incongruência teológica, querem é acreditar em seus livros sagrados por mais absurdos que possam conter em suas páginas. Então, o que está acontecendo no universo religioso é um paradoxo sem limite, pois as religiões estão a cada dia mais e mais angariando adeptos no mundo e, no entanto, por outro lado, estão sendo minadas por dentro e não é por causa do ateísmo. Veja o que expressa a minha tese através de algumas perguntinhas banais: l) Pergunte a um corintiano, flamenguista ou torcedor de qualquer outro time o que ele prefere assistir num domingo, a um culto, missa ou evento religioso qualquer, ou ir ver o seu time do coração jogar? E pergunte mais, por qual dos dois, sua religião ou seu time ele é capaz de conversar, argumentar e discutir por horas e horas seja com amigos ou torcedores adversários. Onde está a maioria dos jovens de qualquer classe social, por acaso estão nas igrejas rezando, estão procurando seguir os passos de seus lideres religiosos? Ou estão nas baladas, nas festas, na bebedeiras de bares e boates? Tirando as carolas, os fanáticos e os religiosos profissionais que são os padres, pastores, mulás, bispos, etc., que realmente dedicam tempo quase que exclusivo a religião, quando não estão gozando das deliciosas mordomias proporcionadas pelos dízimos angariados nas igrejas, quanto tempo de verdade os religiosos em geral, estão dedicando às suas respectivas crenças? 10%, 5% ou 1%? As pessoas religiosas estão mesmo ansiosas para irem logo para o paraíso? Ou estão preferindo viver das ilusões terrenas do ter e possuir bens, gozar das delicias das tecnologias modernas, sonhar com casas luxuosas, carros, enfim viver dos prazeres que mesmo estando distante para a maioria, no entanto se apresenta como uma perspectiva muito mais real do que a oferecida pelas religiões pós morte! Fique tranqüilo o ateísmo jamais terá força, ou algum tipo de pregação para romper ou ajudar a humanidade a romper com este lastimável estado de coisas. Não necessitam atacar os ateístas de forma tão obsessiva, nós não somos uma irmandade ao estilo das irmandades religiosas, mas estamos presentes em todo o mundo, afirmam as estatísticas que já passamos a casa do bilhão de ateus. Esdras Azarias de Campos

Henrique Rossi disse...

Esdras,

Seu comentário é muito digno e tem vários pontos interessantes a se comentar.

Mas destaca-se uma afirmação exageradamente absurda: a de que os ateus já somam mais de um bilhão de pessoas.

Será que você quis escrever milhão?

O mundo tem pouco mais que 6 bilhões de pessoas. Você está dizendo que um sexto da humanidade é atéia? Isso seria simplesmente um delírio inequívoco.

Há ateus que acham que todos esses europeus moderninhos sem religião são ateus. Mas isso também é absurdo. O fenômeno em ascensão não é o ateísmo, mas a religiosidade self-service: o sujeito tira de cada religião aquilo que lhe interessa e, neste contexto, não pertence a nenhuma delas. Mas isso não faz dele um ateu, em absoluto.

A Elba Ramalho, por exemplo, que acredita em gnomo, E.T., Nossa Senhora, não é atéia porque não participa de uma religião organizada.

Outra coisa importante: os "teístas" não andam obcecados os ateus. Basta ler Richard Dawkins para ver que se trata do exato oposto disso.

Quanto ao que o ateísmo tem para oferecer, você foi honesto: a simples crítica da religião e nada mais. E, como você percebeu, é isto que o texto afirma. A consequência lógica é a insuficiência, por parte desta ideologia, em satisfazer os naturais anseios de transcendência da personalidade humana, conforme herdado de nossos pais pelo mecanismo da evolução, que parecer preferir os religiosos.

Esdras Campos disse...

H.Rossi, bom dia,

Sei que posso ter exagerado sim na estatística, até porque englobei mesmo agnósticos, sem religiões e outros religiosoos só da boca para fora, mas e daí, acredito que tem até mais de um bilhão de não religiosos no mundo, afinal as religiões estão perdendo terreno em espiritualidade para os bens materiais e outros apetrechos oferecidos pela tecnologia. Ou você acha que a juventude de hoje serão os religiosos de amanhã? O que é mais importante hoje, passear nos shoppings ou ir a missa, a um culto religioso qualquer? Tirando os shows de fé e eventos em que as igrejas sejam católicas ou ditas evangélicas fazem para impressionar os incautos, quem está levando religião a sério neste mundo? Sei não, mas quanto mais avança as melhorias materiais no mundo menor fica o espaço para religião. Não defendo que o ateísmo seja a solução para mundo, mas também cheguei a conclusão de que a religião teve tempo suficiente para melhorar o homem e o mundo e não o fez, continua pregando que a solução é pos vida ou pós morte e de que Deus proverá tudo. Está bem, podemos não ser um bilhão de pessoas e mesmo que fosse não faria nenhuma diferença por que o mundo só vai melhorar se é que vai um dia, quando independente de religião, ateísmo ou ideologia entendermos que estamos no mesmo barco à deriva e de que somente a solidariedade e o despreendimento é que de fato poderá fazer deste mundo um mundo melhor para todos, tenho dito Esdras.

Henrique Rossi disse...

Esdras,

Você então arriscaria dizer que a personalidade humana não possui uma natural sede de sentido para a realidade? E, se ela o tiver, qual das opções seguintes poderia ser mais reconfortante: 1) a religião self-service, onde a pessoa monta seu lego religioso conforme seu bel-prazer para, como você notou muito bem, tentar conciliar espiritualidade e vida moderna, ou 2) seguir uma religião tradicional que, apesar de levar à repressão de vários paradigmas da vida moderna, oferece um sistema de crenças mais coeso, culturalmente experimentado e teologicamente estudado?

esdras campos disse...

Henrique Rossi,

Arriscaria dizer que a personalidade humana não possui uma natural sede de sentido para a realidade? Se entendi bem tua pergunta, é claro que não arriscaria e é por isto mesmo que consegui abandonar as ilusões, todas as possíveis e a mais resoluta delas a religião por completo. Você oferece apenas duas opções que poderiam ser reconfortantes para o ser humano poder viver (de ilusões?) de religiões, mas posso apresentar outras opções semelhantes a estas, aliás, elas existem até mesmo dentro do próprio universo religioso ou espiritual. Está aí o complexo cardápio religioso no mundo a disputar fiéis ou adeptos. Por exemplo, se você nascesse em um país muçulmano sua possibilidade em não ser muçulmano seria próximo de zero. Se na Índia, possivelmente uma hora dessas, você estaria se banhando na águas pútridas e sumamente poluídas do rio Ganges para se purificar e talvez limpando cocô de vaca na porta de sua casa. Se em Israel, você estaria de frente para o muro das lamentações orando e colocando bilhetinho para Yavé entre as pedras do famoso muro. Mas como você teve a sorte de nascer no Brasil (estou certo?), então você teve 75% de chances de ser católico, 16% de ser evangélico, incluindo as linhas pentecostais, uns 3% para uma das várias religiões afro-brasileiras, 0,1% para as linhas espiritualistas Kardecistas e por aí afora. Então eu pergunto é isto que você se refere de: oferece um sistema de crenças mais coeso, culturalmente experimentado e teologicamente estudado? Se for, então lamentavelmente fico com uma terceira ou quarta opção que é de não me deixar iludir com nenhum sistema de crença coeso que antes de preferir um sentido para a realidade procura no transcendental, na metafísica e no sobrenatural as respostas para indagações idem transcendentais, etc, etc... é isso aí, meu caro. Ass. Esdras

Henrique Rossi disse...

A sua pergunta é excelente! De fato, estes que você enumerou são os tais sistemas de crença culturalmente experimentos e teologicamente estudados, MAS ( e esta é a adversativa mais deliciosamente gostosa - e pseudosacana - que conheço) pode-se qualificá-las objetivamente quanto às suas qualidades! Sim, afinal, não está a razão a guiar-nos nas nossas decisões e/ou percepções de mundo? O incrível é aonde poderemos chegar! "Acredite!" hehe Abraço