Lembram-se das aulas de português do ensino médio? Lembram-se do que significa o termo ambiguidade? Nós o utilizamos para designar as coisas que têm mais de um sentido e que, por isso, não podem ser compreendidas corretamente. A frase título deste texto é, pois, propositadamente ambígua. Pretendo demonstrar os seus dois sentidos separadamente e, assim, deixar claro como um deles é verdadeiro e o outro falso. Para evitarmos a angústia das pessoas que se declaram amantes da ciência, tratemos primeiramente do sentido falso. A frase em questão, "a ciência não significa nada", pode ser dita com o intuito incorreto de afirmar que a ciência é algo desimportante. Mais uma vez vou afirmá-lo explicitamente: isto está incorreto. A ciência é muito importante. Foi com o seu desenvolvimento que se tornou possível o florescimento ininterrupto da humanidade. Através do seu contínuo aprimoramento nossa relação com este belo planeta que habitamos será cada vez mais harmônica. Foi através da descoberta de vários fenômenos fantásticos enunciados pelos cientistas que a expectativa média de vida no mundo só faz subir. A minha opinião sempre foi de confirmar, portanto, que a ciência é arte nobilíssima e precisa sempre ser fomentada e estimulada. A razão principal do atraso do Brasil em relação às demais nações se deve ao seu atraso tecnológico e científico, assim dizem os geógrafos.
Por outro lado, a frase "a ciência não significa nada" está corretíssima. Porém, este segundo sentido não é compreendido se a pessoa desconhece os múltiplos entendimentos do verbo significar, pois é nele que está a polissemia da frase. O sentido que o verbo significar tem na frase incorreta é, como já afirmado, o de que a ciência não tem importância. Toda a sua colaboração à humanidade ao longo de muitos séculos poderia ser desconsiderada pois nada significariam, ou seja, não teriam promovido nenhuma melhora verdadeira. Por razões óbvias, devemos desconsiderar e refutar este tipo de colocação incorreta. Mas o verbo significar, além deste sentido mais próximo da linguagem quotidiana, possui, entre os eruditos, um sentido mais complexo, que é o de ser capaz de dar sentido a algo. Portanto, se substituirmos esta expressão na frase título teremos a correção da ambiguidade e a afirmação de uma grande verdade: "a ciência não é capaz de dar sentido a nada". Isto está corretíssimo, pois a ciência tão somente analisa, mede e quantifica as coisas materiais que, tendo uma existência comprovada por leis físico-químicas, podem ter suas propriedades estudadas. Tudo o que não pode ser cientificamente aferido está, por definição, de fora do campo de estudos científicos. Estão excluídos, portanto, todos os fenômenos que não podem ser quantificados e descritos.
Então se pergunta: o que é que dá sentido às coisas? Quais fenômenos são capazes de estimular nossas paixões, atiçar nossos medos, reforçar nossos bons modos, etc? Oras, todos sabemos que somos nós mesmos que damos sentido às coisas através das ideias correntes em nossa cabeça. O que é, então, uma ideia? Eu não faço a menor ideia! (sem trocadilhos). Sei apenas que não há instrumento no mundo capaz de medi-las. Alguns textos atrás menciono a criação da televisão para se comprovar a inexistência das ideias. Perguntei em que momento o televisor fora inventado. Teria sido apenas no momento em que se conseguiu a primeira transmissão de imagens por ondas eletro-magnéticas? É certo que não! Montou-se um consórcio gigantesco com vários cientistas das mais diferentes especialidades para o desenvolvimento da televisão. Ou seja, a ideia do que um televisor deveria ser existiu muito antes da sua concretização efetiva. Note, portanto, que a TV existiu antes de existir. Havia uma imagem bastante aproximada do televisor antes que sua efetivação fosse concluída. A essa imagem mental chama-se ideia. E quantas não são as imagens em nossa cabeça! O tempo todo recorremos a elas. Inclusive, já comentei algumas vezes que as coisas ao nosso redor também são ideias! Mas como seria isso possível? Um automóvel não é algo objetivo que tem verdadeiramente existência material? Como pode ser ele também uma ideia?
Oras, é porque nós nunca vemos automóveis propriamente ditos. Não existe um automóvel. Existe a ideia do que um automóvel é. A ela recorremos quando vemos um objeto qualquer que a ela se assemelha. Perceberam? Em nossos processos mentais a imagem, ou ideia, vem muito antes da coisa objetiva. Todos os carros do mundo apenas são carros porque evocam a imagem mental que as pessoas têm do que um carro deva ser. Não existe carro em si. Não existe algo que seja verdadeiramente um carro. Posso pegar o metal que compõe um carro e fazer com ele uma cadeira, uma janela, uma caixa de ferramentas. Ou seja o metal que compõe um automóvel não é ele próprio um automóvel. Para ser possível a observação de algo a que se chama carro, nossa mente retoma a imagem mental do que um carro deva ser quando vê algo semelhante. Notem que este carro mental não pode ser cientificamente aferido. Como extrair uma ideia da cabeça de alguém? Em nossa cabeça existem apenas sinapses. Nossas células nervosas, os neurônios, trocam impulsos elétricos entre si. Estes impulsos elétricos efetivamente existem, pode-se medir-lhes a intensidade, a duração, o sentido, etc. Se eu abrir uma cachola não encontro pensamentos lá dentro, eu encontro miolo! Portanto, nossa visão de mundo não depende de algo que a ciência descreva. Depende tão somente das nossas escolhas voluntárias e libérrimas.
Caso nosso pensamento fosse determinado pelos mais variados estímulos externos que nos cercam, não teríamos liberdade alguma. Sabemos, por experiência própria e intransferível, que temos a escolha livre de fazer as coisas de um modo ou de outro. Um cachorro não tem essa escolha. Ele não desobedece um treinador por escolha, mas por imperícia do treinador. Basta aproximar-se de um cão com algo que ele goste de comer para se começar o treinamento dos mais variados truques que eles podem aprender. O ser humano não é assim. Mesmo diante dos estímulos mais positivos podemos agir negativamente. Da mesma forma podemos agir positivamente diante dos mais negativos estímulos. Nossas ações não são determinadas por estímulos externos. Somos nós que decidimos o que fazer livremente. Portanto, damos às coisas o significado que desejamos. A ciência tão somente explica os fenômenos naturais. O juízo que fazemos a partir daí é propriedade nossa, não do fenômeno! Se consideramos algo bom ou ruim é devido ao nosso imaginário, não às faculdades físicas de um determinado objeto. Elaboramos mentalmente o nosso mundo conforme o nosso aprendizado ativo, ou seja, as coisas que vemos ao nosso redor são nossas invenções. Relegar à ciência a demonstração do sentido da vida é tão infantil quanto acreditar em Papai Noel. O sentido da vida é tão somente aquele que para ela escolhemos. Pintamos o mundo com as cores do nosso interior.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A ciência não significa nada
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A ignorância praticada ativamente
Por acaso você acha que alguém nasce burro? Estou falando sério. Você é dessas pessoas que acham a burrice uma característica de pessoas pouco inteligentes? Para vocês o oposto da burrice, a inteligência, é uma característica inata que as pessoas possuem por pura sorte? Se a sua resposta é positiva para todas essas perguntas você está erradíssimo. Nem a burrice, nem a inteligência são inatas. Ninguém nasce destinado a brilhar em Harvard. Tampouco existe quem seja destinado a passar toda sua existência como se fosse personagem de propaganda de cerveja: obtuso, primário, rasteiro, simplista e imediatista. Ninguém nasce destinado a nada. Vamos nos tornando quem somos aos poucos através da conjugação de nossa liberdade irrestrita e o repertório que adquirimos no trato com as outras pessoas. Portanto, é a partir do que nos é oferecido que fazemos nossas escolhas. Deliberadamente vamos nos tornando de um tal jeito. Dito isso, pode parecer um contra-senso que haja pessoas estúpidas. Isto está correto. De fato, a existência de pessoas estúpidas é um contra-senso e a razão é simples: não existem pessoas estúpidas. Todas são capazes de tudo. A pessoa que se afirma burra tão somente procura a atenção alheia. Dizer-se incapaz é uma forma induzir o interlocutor a dizer que isso não é verdade. Mesmo a pessoa que aparenta ser estúpida está mentindo. Salvo a exceção de um transtorno neurológico, ninguém tem capacidades menores que ninguém. Fazer-se personagem de comercial de cerveja é um projeto de vida. A pessoa nega deliberadamente a procura pelo saber e abraça um estilo de vida inconsequente porque assim lhe parece melhor. Ou seja, se faz burra porque é inteligente. Portanto, quando você vir o sujeito estacionado a beira-mar, o som do automóvel no máximo, a barriga de chope à mostra, a cerveja na mão, saiba que, até aquele instante, somente este estilo de vida pareceu-lhe atraente. Alguém que repudia o saber simplesmente ignora suas virtudes, não vê beleza na capacidade de entender os fenômenos naturais. Ou seja, não basta abraçar um estilo de vida fútil para fazer-se burra, a pessoa também se nega a aprender. Más notas na escola são problema de psicólogo, não de inteligência. Más notas são uma forma da criança chamar a atenção do seus pais o que, aparentemente, não aconteceria se ela estivesse indo bem na escola. A criança que vai bem na escola geralmente é incentivada pelos pais, elogiada pelo bom desempenho, reforçado no comportamento positivo. A criança que vai mal torna-se viciada na atenção parental, ainda que negativa.
Tudo o que o ser humano faz é feito com liberdade. Ainda que alguém se engane dizendo que agiu de tal forma porque foi coagido, a verdade é que concordamos com tudo o que já fizemos em nossas vidas porque, veja bem, se não concordamos com algo simplesmente não o fazemos. Vocês ficaram sabendo do experimento psicológico francês que media a capacidade das pessoas de se colocar no lugar da outra? Isso foi notícia alguns dias atrás. A equipe de psicólogos montou um estúdio de TV falso onde se encenava um programa de auditório. Um ator fazia as vezes de parcipante que tinha de responder algumas perguntas. A pessoa estudada era colocada diante de um dispositivo com o qual deveria punir o ator com choques elétricos caso ele errasse alguma resposta. Pois bem, antes da gravação do programa a pessoa estudada era informada por um especialista que o grau máximo de choque poderia lesionar gravemente a pessoa que dava as respostas. A direção do programa, todavia, recomendava que a intensidade dos choques fosse sendo aumentada à medida que o falso participante errasse as respostas. Apesar desses dois avisos, a maioria das pessoas estudadas, adultos franceses alfabetizados, decidiu-se por utilizar a carga elétrica máxima no ator sob pressão da direção do programa. Como se tratava de um estudo, o ator não recebia choque elétrico algum. Oras, a maioria decidiu-se a agir de modo delinquente e perigoso. Apenas uma minoria pouco expressiva decidiu não aplicar a carga máxima do choque. Ou seja, quem não concordou em expor outra pessoa ao perigo de danos neurológicos simplesmente não aplicou o choque máximo. Não tem mistério. A maioria das pessoas mexe-se pelo sabor da pressão social. Imagine-se na situação de contrariar o diretor de um programa televisivo durante a sua gravação! Somente pessoas de muito caráter conseguiriam fazê-lo! Só pessoas muito decididas, de muita fibra moral, teriam altivez de dizer não ao aconselhamento perverso que lhe exigia a participação ativa em um ato fundamentalmente mal. Ou seja, requer-se muita coragem para ser bom, enquanto não se requer coragem alguma para fazer tudo o que os outros lhe dizem. Por isso, apesar da nossa completa autonomia psíquica, apesar de podermos decidir fazer somente o que nos dá na veneta, é tão difícil escolher ir contra a opinião da maioria. No caso brasileiro, todos os que se decidem por ser inteligentes estão indo contra a opinião da maioria das pessoas. Em nosso país valoriza-se as pessoas que parecem viver em um comercial de cerveja.
Portanto, mesmo sendo burros como um porta, mesmo odiando o saber e o estudo como tão avidamente o fazemos, mesmo transformando o personagem de comercial de cerveja no arquétipo máximo do que deve ser o bom comportamento, sentimo-nos no direito imundo de considerar os portugueses burros! Vá lá pra Portugal ver se têm favelas. Vá lá ver se têm as ruas imundas. Vá lá ver a taxa de analfabetismo deles. Burros somos nós! Somos nós, brasileiros, que achamos lindo o que frequentemente se expõe nos programas dominicais. Somos nós que não mudamos de canal quando expostos ao pior tipo de vilania e corrupção moral. Somos nós um dos povos menos afeitos à leitura no mundo. E não tem ninguém nos coagindo à burrice. Ninguém nos proibe de ler livros. Ninguém nos proibe de ser estudiosos. Somos nós que deliberadamente nos afastamos do saber, preferindo, em seu lugar, os estímulos mais imediatos e impulsivos. No meu ponto de vista, o mais triste é o fato de o escolhermos assim. Somos livres para escolher o máximo, mas o preterimos em função do mínimo. Pelo menos é assim que vejo esta questão. Imagino que a pessoa que se decidiu por um estilo de vida imediatista e inconsequente considere esta escolha mais sábia. Então vemos que, apesar do nosso pensamento ser radicalmente livre, o meio nos influencia. Quem sabe tivesse sido apresentado a esta pessoa um esquema de vida mais responsável e menos imediato ela o admirasse? Talvez ela tenha se decidido pela burrice por não ter visto atrativos na inteligência. Enquanto para ser burro basta a latinha de cerveja na mão, fazer-se inteligente demanda muito estudo. Vemos cada vez mais como esta questão é, no fundo, moral. Precisa-se de muitas qualidades morais para negar-se a fazer o mal. Precisa-se de muita fortaleza para contrariar a opinião da maioria. Precisa-se de muita sabedoria para escolher um estilo de vida que dê menos prazeres fugazes. Em suma, fazer-se uma pessoa inteligente tem um custo social alto. A maioria se decide por ser burra porque assim é mais fácil, dá menos trabalho, causa menos incômodo. Mas e quanto a você? Imagino que você não se queira burro(a). E para não sê-lo a primeira coisa a fazer é perder o medo de contrariar os outros. A isto chama-se autonomia. Você tem que se permitir ser dono do próprio nariz. Não se pode voar daqui pra lá e de lá pra cá como uma borboleta ao vento. Não preciso dizer que isto é para imbecis. Se você não se decidir por uma atitude firme e corajosa, sua vida até poderá ser bonita, mas será tão rasa e estúpida quanto um comercial de cerveja.
terça-feira, 27 de abril de 2010
A bárbara negação do eu
O afã de afirmar todos os fenômenos sob os desígnios da ciência acaba de fazer mais uma vítima: o eu. Sempre defendi neste blog o correto entendimento entre humanidades e ciências naturais. A primeira versa sobre o nosso universo psíquico, independentemente das leis físicas. A segunda estuda as ocorrências materias da natureza. Então alguém ingênuo poderá perguntar: "Mas não estamos nós, os nossos eus e os nossos corpos, mergulhados no universo natural? Isso não obriga os nossos eus a obedecer certas leis físicas da mesma forma que os nossos corpos obedecem à lei da gravidade?" Claro que não! Imagine que absurdo! Dizer que nosso eu obedece leis físicas seria o mesmo que dizer que as nossas reações aos mais variados estímulos são necessárias, quando, na verdade, são contigentes. O que isso quer dizer? Quer dizer que nosso eu independe dos fenômenos físico-químicos quando decide fazer qualquer coisa. Estivesse o nosso eu dependente das ocorrências naturais não teríamos liberdade nenhuma. Tudo o que fizéssemos e pensássemos seria o simples reflexo dos estímulos que recebemos anteriormente. Oras! Dizer isso seria uma tolice sem tamanho. A todo tempo percebemos como nosso comportamento pode ser contraditório. Não somos de modo algum adestrados por eventos que nos aconteceram. Sempre agimos de forma absolutamente livre, tanto é que, diante dos desafios da vida, pessoas de um mesmo país podem ter reações completamente diferentes a um mesmo estímulo. Pessoas de um mesmo estado podem reagir de maneira ainda mais díspare entre si. Pessoas de uma mesma cidade poderiam discordar mortalmente sobre como se deveria agir diante de uma tal situação. Talvez pessoas de uma mesma família jamais chegassem a um acordo sobre a maneira correta de se agir. Irmãos gêmeos poderiam nunca mais falar um com outro dependendo dos motivos que os levassem a se desentender. Mesmo uma única pessoa pode se ver na situação conflituosa de não saber o que fazer. E, no entando, um chinês e um africano poderiam se entender perfeitamente um ao outro sem que precisem trocar um só palavra. Nós nos damos a contigências. Em relação a nós, seres humanos, as coisas podem não ser o que são. Podemos enganar-nos deliberadamente. Oras! Um cachorro sempre sabe o que fazer! Ele não tem dúvidas, não faz elucubrações, não tem como se enganar a si mesmo. Ele age conforme o adestramento que recebeu. Para um cão, as coisas sempre são o que são. Ele age conforme necessidades momentâneas. Nós não! Nós contrariamos a educação que recebemos. Nós reformulamos a história. Nós criamos coisas novas. Achar que tudo é determinado cientificamente é coisa de quem não tem o menor estudo em humanidades. É coisa de quem não sabe separar necessidade de contingência.
Se as decisões do eu fossem determinadas por fenômenos físico-químicos então não haveria individualidade alguma! Essa visão cientificista já está superada há muitos anos. Essa pretensão de que a ciência pode explicar todos os fenômenos é coisa do séc. XIX. Um pouco vencidinha pros dias de hoje, não é não? Vejam, nada do que afirmei até aqui são coisas que inventei da minha cabeça. Se as decisões humanas são determinadas por fenômenos naturais pode-se fazer uma enorme fogueira com todos os livros de antropologia, psicologia, filosofia e sociologia. A pesssoa em conflito não necessitaria mais do psicólogo ou do pajé, bastaria o psiquiatra. Ela iria ao psiquiatra, reportaria o seu problema, sairia dali com uma receita e nunca mais sofreria de medos e hesitações. Se o problema começasse a voltar, isso certamente seria culpa de uma mudança nos padrões bioquímocos. Então, ela retornaria ao consultório e o médico trocaria de remédio. Mas os nossos conflitos não são todos frutos de desequilíbrios químicos! É certo que há doenças que se encaixam nesta definição, mas a imensa maioria de transtornos psiquiátricos nasce dos conflitos psicológicos. A medicação é apenas um suporte momentâneo para a pessoa. Para resolver verdadeiramente os seus problemas ela não deverá apegar-se ao medicamento por toda a sua vida. Ela deverá ir ao psicólogo e conversar sobre eles. Mas meu Deus do céu! Eu estou impressionado que ainda haja quem considere que as operações mentais sejam ocorrências necessárias, ou seja, determinadas por princípios verificáveis cientificamente. Isso é um completo absurdo. Nenhum dos nossos pensamentos é determinado! Nenhum! Penso as coisas que quero diante da realidade. Imagine só: o pensamento determinado! Disse no texto anterior que o verdadeiro surgimento da televisão se deu quando alguém a imaginou. Portanto, não foi somente no primeiro momento em que se conseguiu transmitir imagens por ondas eletromagnéticas que se inventou a TV. Foi através de um longo processo de desenvolvimento tecnológico que se chegou ao aparelho que desempenhava corretamente a função desejada. Oras! A função que o televisor desempenha foi desejada antes do seu desenvolvimento. Ela não existia como sinapses. Ela existia como ideia! Ou seja, ela existia sem existir. Se vocês quiserem provar-me errado terão que gastar muito mais tutano. Não estou afirmando estas coisas pela primeira vez; foram os grandes nomes da humanidade que o fizeram séculos antes de mim! Então, eu fico aqui me perguntando como a descrição de meia-dúzia de fenômenos naturais convence essa galera de ideologia cientificista a achar que dois milênios de filosofia estão definitivamente superados. Você quer provar que Platão está errado? Vai ter que ser no mínimo tão bom quanto ele. Repetir as bobagens de Richard Dawkins simplesmente não vai colar comigo.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Abaixo o pensamento pseudo-científico!
Já escrevi muitos textos que versam sobre os processos científicos. Percebo hoje que mesmo leitores quotidianos do blog não entenderam questões fundamentais, de primeira grandeza, sem as quais o entedimento das verdadeiras questões, bastante complexas, fica absolutamente comprometido. Há, pois, um princípio fundamental, que enuncia de modo bastante claro o objeto de estudo dos cientistas: a ciência estuda os fenômenos naturais. Se você não entende exatamente o que são fenômenos naturais você jamais entenderá o que é a ciência. Fenômenos naturais são as ocorrências da natureza, ou seja, tudo aquilo que acontece e que pode ser medido, descrito, analisado ou quantificado. Note que se deve concluir que nada que não possa ser medido, descrito, analisado ou quantificado pode ser objeto de estudo da ciência. A demonstração de que se compreendeu um fenômeno natural se dá pela descrição de padrões de comportamento, o que geralmente ocorre por meio de enunciados matemáticos. Utiliza-se a matemática pelo seu caráter universal. Através do recurso matemático demonstra-se o que se pretende explicar de modo que a experiência possa ser comprovada por cientistas de todos os lugares. Se não se puder verificar os resultados de uma experiência, então as proposições feitas não podem ser consideradas científicas. Não se pode, por exemplo, afirmar que glândula pineal é um instrumento de comunicação com o além sem que isto seja comprovado através de uma análise científica meticulosa e séria. Notem que é urgente a comprovação de um fenômeno por um cientista para que as suas proposições sejam aceitas por seus colegas.
Coisa absolutamente diversa da ciência são os estudos das humanidades. Como já demonstrei em muitos textos, as humanidades estudam e descrevem os fenômenos que não podem ser comprovados cientificamente. Ou seja, tudo aquilo que não pode ser descrito matematicamente. Ocorrências como dor, medo, alegria, entusiasmo, fé, coerência, lógica, razão, ódio, etc. são do campo de estudo das humanidades justamente porque não se pode medi-las, descrevê-las, analisá-las ou quantificá-las. Elas ocorrem em um não-lugar. Uma pessoa que esteja assistindo uma aula de bioquímica, por exemplo, pode ter seu pensamento voltado para a namorada. Um cachorro não faz isso. Ele simplesmente está onde está, não tem capacidade de criar nada. Se estivéssemos por necessidade presos somente às coisas que têm uma existência material jamais inventariamos qualquer instrumento. Instrumentos são, por definição, pensamentos aplicados sobre à natureza. Já escrevi, por exemplo, que a grama não existe. É o pensamento que manipula o mato, mantendo-o num tamanho contrário a sua natureza, dado que deveria crescer muito mais. Outro exemplo que dei foi que se não fossêmos capazes de pensar não existiria o concreto, pois o concreto existiu antes no pensamento do engenheiro-cientista do que na natureza. Foi através da manipulação ativa de componentes químicos que se desenvolveu uma fórmula que transformava materiais A, B e C em concreto, coisa que, de fato, não existe. Quando vemos uma barra de concreto ela não está ali. Os átomos que a compõem não estão preocupados se formam componente A, B, C ou concreto. É o pensamento que vê uma barra de concreto naquele objeto.
Oras, não é difícil perceber que o concreto que tem existência material é objeto de estudo da ciência. A equipe de engenheiros e químicos que o desenvolveu estudou cada um de seus componentes e procurou, assim, montar a melhor relação quantitativa entre eles de modo que fosse possível o surgimento de um material com as características procuradas. Eles já tinham em mente o que queriam antes de vê-lo pronto. Ou seja, antes de existir materialmente, antes de existir em uma forma que pudesse ser medida, descrita, analisada ou quantificada, o concreto existia enquanto pensamento! Ele estava lá! Quando a equipe de cientitas e engenheiros começou a se abraçar e a estourar garrafas de champagne, eles estavam comemorando a concretização de um objetivo mental. O mesmo aconteceu entre a equipe de engenheiros e cientistas que inventou o televisor. Antes que a TV existisse, ela já estava presente no pensamento deles. Ou seja, ela existia antes de existir. Enquanto eles estavam reunidos em sua pesquisa, procuraram diferentes meios de desenvolver aquilo que já conheciam em pensamento! A TV não passou a existir segundos antes da equipe de cientistas que a inventou começar a estourar champagne. A TV passou a existir no exato momento em que alguém pensou um objeto que pudesse levar imagens em movimento de um local para o interior das residências das pessoas, ou seja, muito antes da primeira transmissão de imagens por ondas eletromagnéticas. Como já disse, a ciência só pode estudar coisas quantificáveis. Em um aparelho de TV, ela pode medir as cargas eletromagnéticas, o calor dos choques de elétrons, a eletricidade necessária para ligar o aparelho, a intensidade da luz, etc.
O que a ciência não pode estudar é a TV que existiu no pensamento do seu verdadeiro inventor. A esta TV radicalmente imaterial os cientistas não têm acesso justamente porque imaterial. Fossem os nossos pensamentos quantificáveis a ciência poderia estudá-los sem problema algum. O problema é que a ciência não pode medir coisas sem uma existência efetiva. Como se pode, por exemplo, estudar um aparelho de TV antes do seu desenvolvimento? E, no entanto, como já demonstrado, ele existiu muito antes de sua efetiva criação. O campo de estudo das coisas que não podem ser medidas, descritas, analisadas ou quantificadas pertence às humanidades, pois são elas que estudam os fenômenos imateriais da existência. São antropólogos que se embrenham no meio do mato para o estudo de outros povos. São sociólogos que estudam maneiras mais eficazes de sociedade. Psicólogos que estudam maneiras de facilitar a vida das pessoas. Cineastas que estudam como fazer filmes cada vez mais sofisticados e atraentes. Filósofos que se questionam o que é a razão. Designers que invetam objetos de estética revolucionária. Poetas que falam dos mais profundos aspectos da nossa existência. Músicos que encontram os mais eficazes meios de expressar o que se passa em nosso interior. Juristas que continuamente se aprofundam no aperfeiçoamento da noção de Direito, a salvaguarda máxima das nossas liberdades individuais. Oras, todos estes saberes existem. Movem uma verdadeira multidão de pessoas. E, no entanto, nenhum deles pode ser medido, descrito, analisado ou quantificado. Logo, todas as escolas que os estudam pertencem às humanidades.
Portanto, ainda que as ciências naturais e as humanidades surjam ambas da inteligência do homem, conclui-se que têm diferentes objetos de estudos. A primeira afere com absoluta exatidão diferentes fenômenos físico-químicos. A segunda especula a partir das morais universal e individual como é a mente do homem e o que é melhor para ele. O corpo do homem, aquela parte física da sua existência, aquela que pode ser medida, descrita, analisada ou quantificada, é do campo de estudo das ciências biomédicas. O cientista-médico afere quais alimentos são melhores à saúde, quais os melhores exercícios para o coração, quais remédios se deve tomar, etc. Já o profissional responsável pela saúde da alma do homem, o psicólogo, não trabalha em absoluto com nada que tenha existência fisico-química. A parte bioquímica do nosso funcionamento psíquico é tratada pelo psiquiatra. Psicólogos lidam unicamente com o imaterial. Não existe psicólogo que manuseie balanças, fitas métricas, exames laboratoriais, estetoscópios, nada disso. A pessoa chega e diz o que a aflige. O trabalho do psicólogo é ajudar a pessoa a desatar os nós que a amarram a um modo de vida que a torna triste e improdutiva. Nem é algo que o psicólogo faça diretamente. Ele apenas procura conduzir a pessoa ao aprendizado de modos de vida mais saudáveis e que a tornarão mais feliz. De fato, é a pessoa que tem de mudar a si mesma por si mesma através de uma aplicação mais objetiva, eficaz e verdadeira das suas faculdades mentais. Quem se nega a fazê-lo mente a si mesmo. Reluta em aceitar a realidade de seu comportamento.
Já se passou o tempo de confundir ciência com humanidades. Dado o tremendo avanço tecnólogico dos nossos dias seria de se esperar que as pessoas soubessem separar o que é de estudo da ciência do que é de estudo das humanidades. A pretensão de que as ciências são capazes de descrever todos os fenômenos é apenas tormento pseudo-científico. A ciência estuda o que tem existência material. As humanidades estudam o que tem existência mental. Quem discordar de mim pode tentar fazer um estudo científico que explique a influência de Shakespeare, ou ainda escrever um tratado sobre a psicologia do concreto. Basta fazê-lo. Saiba que, caso o consiga, o mundo se prostrará aos seus pés. Você se tornará um dos maiores cientistas de todos os tempos e eu terei de calar-me envergonhado. Enquanto ninguém produz essas maravilhas, fico cá imaginando a equação que descreve o amor de Romeu e Julieta, ou ainda como se sente o pobre concreto diante da nossa indiferença. Sim, estou sendo irônico. Penso que a ironia seja mesmo uma das melhores atitudes que se pode ter diante da ignorância reiterada. Afinal, que se pode dizer a alguém insensível à verdade? Melhor tratá-lo com ironia. Quem sabe assim ele se abre ao aprendizado que nega de maneira tão relutante? Sei que é difícil abrir mão dos nossos preconceitos. Afinal, eles são, de certa forma, responsáveis pela nossa segurança e estabilidade diante da variedade de ocorrências que se dá diante de nós. Estivéssemos obrigados a teorizar a respeito de tudo o que nos rodeia não teríamos vida alguma. Apesar disso, não se é possível ser eternamente paciente com quem difunde erros primários. A pessoa esperta não apenas reconhece o que é certo, ela também o abraça e aprende com ele.
domingo, 25 de abril de 2010
Alea jacta est - o destino dos ateus
"A sorte está lançada!" exclavam os antigos romanos diante de momentos decisivos. Hoje, a simples visão dos dados rolando causa apreensão, mexe com nossos nervos. Em todos os tempos a humanidade tem-se perguntado como tornar as ocorrências favoráveis, como evitar os desastres, como domar o intangível. Nós, os seres humanos, detestamos o desconhecido. Gostamos muito da ideia de contorná-lo, tornando-nos assim, senhores do nosso próprio destino. Para isso construímos casas, evitamos situações perigosas, fazemos seguro de saúde, lavamos bem nossas saladas, investimos em educação, toda uma série de procedimentos para dificultar a ocorrência de acidentes. Em suma, queremos as coisas certas, montadas do nosso gosto, conforme os nossos desejos. E, no entanto, sabemos perfeitamente que, com todo esse esforço, estamos fazendo apenas a nossa parte, pois desconhemos por completo o modo como as ocorrências se darão. Armamo-nos contra o imponderável, mas sabemos que, de fato, ele está no comando. Ou não sabemos?
Os que não se sabem sob a influência do imponderável arvoram-se senhores dos acontecimentos. Tem a pretensão de dominarem tudo o que lhes ocorre. Fazem a própria sorte. Consideram-se os únicos responsáveis pelo próprio destino. A amplíssima maioria das pessoas não é assim. Ainda que invista o tempo todo em práticas que dificultem a ocorrência de desastres, a maioria sabe-se sob os desígnios ocultos da incerteza. Agem como se tudo dependesse delas, mas sabem-se reféns de fenômenos absolutamente fora do seu controle. Parece-me que agem muito bem. Quem, de fato, é capaz de evitar um acidente de carro? É certo que se diminuem muito as chances de sofrer um deles calibrando os pneus, trocando o óleo nas datas certas, fazendo a manutenção necessária, dirigindo com responsabilidade, mas quem é capaz de controlar como os outros motoristas se comportarão? Ou ainda, quem tem controle sobre a imprevisibilidade da natureza? Ainda que alguém tenha máximo cuidado em relação ao seu automóvel e à sua direção como poderá evitar o motorista de caminhão há 2 dias sem dormir?
Verificamos, então, que, em relação a maneira como se lida com o imponderável, há dois tipos de pessoas: a maioria que se sabe refém de incertezas, e uma minoria que se julga acima delas. Notem que se trata principalmente de uma atitude diante da vida. Ou seja, conforme o modo com o qual as pessoas escolhem se comportar diante do imponderável elas desenvolvem toda uma visão de mundo. Os que se sabem muito pequenos diante de ocorrências completamente fora do seu alcance são geralmente pessoas mais humildes que aquelas que, por deliberadamente desenvolverem uma atitude de superioridade em relação aos demais, sentem-se senhoras do que lhes acontece. Notem o curiosíssimo paralelo que existe entre esta simples descrição e a opção de se acreditar, ou não, em Deus. O crente é aquele que se coloca diante de um ser que lhe é muito superior, em parte responsável por tudo o que lhe acontece. O que se recusa a crer é como alguém que toma a si a responsabilidade pelo que lhe acontece. O primeiro se rende, o segundo é insubmisso.
Permito-me a seguinte afirmação fantástica: as pessoas que se arvoram responsáveis pelo próprio destino desenvolvem o ateísmo, as pessoas que se sabem pequenas diante de tanta imponderabilidade estão mais inclinadas a crer em Deus. É uma intrincada conjugação entre atitude diante da vida, visão de mundo e humildade. Aqueles que, de modo arrogante, arvoram-se senhores do que lhes acontece, naturalmente tornam-se ateus. A sua atitude de auto-suficiência faz com que não estejam abertos aos influxos da consciência que sugerem a existência divina. A maioria das pessoas, pelo contrário, sabe-se dependente de ocorrências fora do seu alcance - está mais aberta, portanto, às sugestões de consciência e à pregação religiosa. As atitudes dela não são de auto-suficiência. Crê em Deus mas, assim como ateus, tranca a porta do carro quando o estacina na rua. Não tem diante do imponderável uma atitude arrogante. Procura evitar as incertezas, mas sabe-se refém delas. Não sente que o seu destino está nas próprias mãos.
Dito tudo isto, poderá arguir o ateu que é absurdo não ser senhor da própria existência. A atitude de alguém que não tenha trazido para si as rédeas do que lhe acontece seria de extrema covardia, ou ainda, de pérfida pusilanimidade. O correto, para o ateu, é responsabilizar-se pelo próprio destino. Deve-se tomar com espírito valente a responsabilidade pelo que lhe ocorre, rejeitando assim qualquer complexo de inferioridade ou fraqueza. O religioso seria, portanto, o derrotado - aquele que, por falta de virtude, rende-se diante das dificuldades da vida, criando, assim, a fantasia de que há um Deus diante do qual se curva pateticamente, já que lhe falta um espírito decidido que o faça encarar a vida com coragem e determinação. Essa leitura equivocada é perfeitamente coerente com a visão de mundo segundo a qual o que lhe acontece é de sua própria responsabilidade. O problema é que, como afirmado anteriormente, ainda que se possa reduzir muito as chances de um infortúnio acontecer, as ocorrências externas não podem nos ser responsabilizadas.
Devo dirigir com cautela, mas não tenho como controlar o modo dos outros motoristas. Posso viajar nos horários mais favoráveis, procurar as melhores estradas e, mesmo assim, o meu destino não estará nas minhas mãos. Isso é fato inconteste. Reduz-se e muito as chances de uma desgraça acontecer através do paciente exercício da cautela, mas simplesmente não se pode prevenir, ou prever, o imponderável. Não sugiro que se cultive uma atitude irresponsável diante da vida. Trata-se apenas de julgar as coisas pelo seu devido valor. "A César o que é de César". Não é errado trazer para si a responsabilidade que nos cabe, mas nada além disso é necessário. A atitude de quem se pretende senhor do que lhe acontece é infantil e ridícula. Por mais cauteloso que seja, será invariavelmente frustado diversas vezes, pois muitas coisas fora do seu alcance acontecerão. A pessoa humilde frustra-se muito menos, pois sabe o devido alcance de suas atitudes. A verdade é que, no geral, somos todos muito fracos. Nossa fortaleza está em nossa vida comunitária. Se dependêssemos exclusivamente de nossas próprias forças estaríamos perdidos.
A humildade é, portanto, a verdade. Estaremos em equilíbrio com o mundo ao nosso redor se formos honestos no reconhecimento de nossa impotência. Isso não nos deve impedir de fazer a nossa parte. Pelo contrário, precisamos estar verdadeiramente em tudo o que fazemos, e devemos fazê-lo da melhor forma que pudermos. Apenas não nos podemos permitir a falsa impressão de que, pelo esforço de nossas próprias mãos, estaremos responsabilizados pela própria sorte. Simplesmente jamais o estaremos. As ocorrências independem de nós. Elas são suas próprias senhoras. Nós devemos assisti-las de longe, respeitosos diante de seu imenso poder - mas que isso não nos impeça de fazer a nossa parte. Gostemos ou não essa é a nossa situação: precisamos fazer as coisas como se tudo dependesse de nós, sabendo que nada depende nós. Somos desimportantes e substituíveis. Essa atitude certamente nos fará pessoas melhores. Com sorte, chegaremos até mesmo à maravilhosa percepção do infinito, de onde somos continuamente encorajados e incentivados.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mesmo quando for impossível sorrir
Lembrei-me de uma história interessante. Alguns anos atrás eu ainda estudava cinema na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. De vez em quando eu tomava o Sampaio e vinha pra Taubaté, minha cidade natal, terra de meus familiares e amigos. Algums vezes eu perdia o último ônibus direto para Taubaté. Quando isso acontecia, eu pegava o Cometa que ia para São Paulo e descia no meio do caminho. Em uma dessas ocasiões havia um grupo de rapazes um pouco mais jovens que eu conversando animadamente. Não me lembro porque comecei a conversar com eles mas, alguns momentos depois, eu também participava daquela conversa. Gostava muito de arrumar alguém com quem conversar pois estas eram viagens muitos longas. Eram todos jovens de uma mesma denominação protestante. Viajavam para algum encontro da sua congregação. Um deles estudava para ser pastor. Não eram desses crentes radicais. Eram rapazes normais, entusiasmados e simpáticos. Depois de algumas horas de viagem um deles me perguntou se eu tinha religião. Mal ouvi esta pergunta e intui que eles não gostariam da minha resposta. Pensei comigo mesmo que bastaria dizer-me católico para a conversa mudar de rumo e eles começarem a tentar me converter. Para minha surpresa, reagiram alegremente quando me disse católico. O que estudava para ser pastor disse-me que o catolicismo era uma fé muito bonita, de muita coerência. Aquela resposta me surpreendeu pois o tempo todo me pareceram muito convictos. Todos sabemos que os protestantes bastante convictos são notadamente intolerantes, especialmente com o catolicismo. Mas eles não o foram. Depois que chegou minha parada e eu desci, fiquei pensativo sobre aquela conversa. Estava contente com a atitude respeitosa deles. De fato, acho que me lembrei dessa história porque tenho pensado muito nessa questão do respeito. Inicei o blog num momento muito conturbado da minha vida. Eu estava absolutamente revoltado com a atitude odiosa da imensa maioria dos professores do Anglo Taubaté. Estava estudando para o vestibular de medicina pois havia me decidido a mudar de área. Os professores desta escola foram os tipos mais intolerantes e desrespeitosos que já conheci em toda a minha vida. Posso afirmar sem exagero algum que conheci as piores pessoas de toda a minha vida no Anglo Taubaté. A maior preocupação deles é com a disseminação dos ideais revolucionários. Acreditem. Eu estava pagando para receber formação marxista, abortista, hedonista, ateia e, no pior dos casos, nazista. De fato, trata-se de um episódio sombrio. O lado bom foi a criação deste blog que, em pouco mais de 10 meses, recebe mais de 400 visitantes diários de todo o Brasil e temos até mesmo alguns amigos estrangeiros.
Notem a diferença central entre os dois episódios narratos. No primeiro, descobri-me respeitado e aceito na minha posição de católico. No segundo, senti-me vilipendiado pelo que de pior há no mundo em matéria ideológica. Imaginem a minha surpresa quando percebi que a motivação central dos professores é convencer os alunos a abraçar um estilo de vida que prega a destruição de pessoas como eu. Não conseguia esquecer os absurdos que eles diziam em sala de aula. Constantemente me desconcentrava nos estudos. Sentia raiva e vergonha. Fiquei muito triste ao perceber que ali havia uma massa de jovens despreparados e imaturos cujas cabeças eram feitas por profissionais da intolerância e do desrespeito. Portanto, quando comecei o blog estava tomado por uma grande agitação interna. Ao invés da minha serenidade característica, eu deixava transparecer nos meus textos um ponto de vista exageradamente preciso, muitas vezes ácido. Sabia que não estava sendo eu mesmo mas, como não conseguia conter minha revolta, permiti-me destilá-la ao máximo na tentativa de aliviar meu incômodo. Algumas vezes fui mal interpretado, mas qualquer um poderá verificar como jamais fui intolerante. Mesmo os textos mais mal-humorados tratam as diferenças respeitosamente. Já faz alguns meses que estou mais tranquilo. Continuo decidido a combater as odiosas ideologias intolerantes, mas agora o faço com minha atitude costumeira. Certamente me relembrei daquela viagem para Taubaté porque retomo em minha vida tudo que aquele episódio significou: tolerância, cordialidade, civilidade e, acima de tudo, respeito. Sinto que estas palavras estão na boca de muitas pessoas que não as praticam. O prof. de redação do Anglo falava muito que deveríamos sempre defender a tolerância em nossos textos mas diversas vezes o peguei falando radicalmente contra os príncipios morais que norteiam minha vida. Para ele, um amanhã melhor só será construído depois da destruição do cristianismo. Saibam que este episódio não foi nada perto dos outros. Ainda me pergunto como podem meus conterrâneos ignorar completamente a absurda e escandalosa situação de uma das escolas de maior prestígio em nossa cidade. Não sem dificuldade vemos quão longe o mais pérfido e daninho mal consegue estender seus tentáculos diante da ignorância ou pouco caso das pessoas de bem. De fato, fiz uma opção deliberada por não me abalar com tudo isso, mas falo do Anglo Taubaté com grande sinceridade todas as vezes que tenho a oportunidade. Não acredito que devamos nos silenciar diante do mal. Quanto mais nos calamos por mais longe ele se estende. Devemos trabalhar pela construção de uma sociedade cada vez mais tolerante, onde pessoas diferentes possam divergir civilizadamente. Muitas vezes o ser humano nos surpreende para o bem, como naquela animada viagem para São Paulo. Mas não podemos nos calar covardemente quando o ser humano nos surpreende para o mal, como experimentei a duras penas no Anglo Taubaté. Mesmo quando for impossível sorrir devemos continuar. O silêncio é a arma dos covardes.
A prevalência da mentira nos cursos de História da Ciência
Até onde sei, os alunos de ciências naturais (física, química, etc.) estão obrigados a assistir na faculdade uma disciplina chamada História da Ciência. A princípio, se lhes fosse apresentada a verdade, não haveria problema algum em relação a esta disciplina. Mas ocorreu-me que, após conhecer um prof de História da Ciência bastante equivocado, convenci-me de que se dá o oposto: a maioria dos alunos de história da ciência está exposta à uma descrição mentirosa e mal-intencionada da atuação da Igreja no desenvolvimento das ciências. Ainda que este professor que eu conheci esteja bem-intencionado, ele só ensina absurdos sobre o papel que a Igreja desempenhou na história e, principalmente, no desenvolvimento das ciências no Ocidente. Para ele, a Igreja só fez oprimir tudo de bom e belo que os cientistas, estes sim detentores do verdadeiro saber, descobriram. A Igreja não passaria, segundo ele, de uma instituição obscurantista que a todo custo e a todo tempo tentou deliberadamente reprimir as novas e entusiasmantes descobertas científicas. Ocorre que a verdade é diametralmente oposta ao que aquele professor está dizendo. Mas como não sou historiador, nem dedico minha vida ao estudo de história da ciência, fiquei um pouco fragilizado no debate pois não me lembrava de cor do nome de historiadores não católicos que afirmam a posição correta. Apesar disso, soube ouvi-lo respeitosamente sem, com isso, acreditar em uma só das baboseiras que ele estava dizendo. Isto tudo se deu há alguns dias. Desde aquela conversa fiquei pensando muito se os leitores do blog estão imunizados a este tipo de ataque. Como desconfio que não, já faz alguns dias que venho me perguntando como lhes apresentar a verdade sem ter que escrever um livro completo. Infelzimente, sou obrigado de recorrer a uma apresentação muito abreviada. Apesar de conhecer há bastante tempo os programas de TV do historiador americano Thomaz E. Woods, só depois dessa conversa me animei a publicar na íntegra os três vídeos do YouTube que contém o segundo episódio da série Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental, produzido pela EWTN. Os mais curiosos poderão checar dado a dado se as afirmações dele são verdadeiras ou não e, assim, terão a liberdade de verificar a solidez de sua apresentação. O que não se pode aceitar é a triste condição de lavagem cerebral à qual a maioria dos estudantes de ciências naturais está exposta. No lugar de um saber sólido e verdadeiro, eles são apresentados a "verdades" absolutamente questionáveis. A maioria dos inimigos da Igreja deveria se convencer de que não se a superará pela mentira. O problema é que tampouco serão bem sucedidos com a verdade, que só a enaltece cada vez mais.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Uma mulher muuuuito femininaaaaah!
O Pânico na TV não é lá o programa mais construtivo da TV brasileira. Lá se apresentam um sem fim de baixarias visando exclusivamente a audiência. Mas quando o programa começou não era assim, as piadas não precisavam ser de baixo nível para serem engraçadas. Recentemente, por ocasião do dia internacional da mulher, algum deles se vestiu de Dilma Rousseff e fez simplesmente a melhor apresentação da história do programa. Imperdível.
A suavização das esquerdas, versão Dilma Rousseff
Escrevi há alguns meses um texto comentando a metamorfose sofrida pelas esquerdas que decidiram competir eleições. Aos que não sabem, a esquerda não necessariamente aceita a democracia. Ela gosta muito de matar todos os que lhe são contrários e instalar uma ditatura sanguinária. Em certos países surgiram partidos que largaram as armas para disputar eleições. Para que as chances de vitória se tornassem reais, esses partidos procuraram se maquiar de modo a parecerem mais palatáveis. Descrevi naquele texto que este processo de fato forjou uma nova identidade a estes partidos. Atualmente, no Brasil, vejo o caso de Dilma Rousseff. Acabo de assistir à entrevista que ela deu ao Datena, na tv Bandeirantes. Noto que o maior esforço da sua campanha foi humanizá-la, dado que ela tem fama de brigona e intransigente. Já no primeiro bloco da entrevista o Datena insinua essa característica, mas ela respondeu adequadamente. Mas há um limite. Ainda que você passe batom em um porco, ele continua um porco. Não que Dilma seja uma porca, ela até melhorou bastante, mas ainda me parece uma candidata bem pouco competitiva. De fato, a entrevista é constrangedora. Se José Serra carece de carisma, Dilma não possui nenhum. Ideia nenhuma se emenda e é o Datena que impede o vazio completo. Apesar disso tudo, ter um padrinho com 80% de aprovação irá influenciar bastante a cabeça do eleitor. Tomara que na hipótese bastante desagradável da sua vitória, Dilma tenha verdadeiramente se transformado em alguém mais suave, ou seja, tomara que esta campanha sirva mesmo para transformá-la. Quem sabe ela até não abandona aquela porcaria de PNDH III que o Lula assinou na surdina a 31 de dezembro do ano passado?
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Ideologia e ciência: irmãs inseparáveis
Às vezes não basta estar certo. Como a maioria das pessoas é absurdamente estúpida, o fato de você saber alguma coisa a mais do que elas, ao invés de te engrandecer, pode te trazer muitos perigos. Já apontei diversas vezes neste blog como ideologia e ciência são coisas inseparáveis. Ou seja, ainda que os fenômenos naturais em si não sejam adeptos de opinião alguma, as pessoas que os estudam geralmente o fazem movidas por ideias e ideais muito claros. Os cientistas se debruçam dia após dia sobre os seus objetos de estudo com intenções: desejam provar isto ou aquilo, corroborar com esta ou com aquela ideia. Não é minha opinião. É o consenso entre estudiosos das humanidades e das ciências. Mas, como afirmei acima, não basta estar certo. As hordas da ignorância feroz irão atacá-lo caso não você não repita de modo servil a estupidez que elas tão vorazmente defendem. Então, qual forma melhor de demonstrar tudo o que já afirmei do que ouvirmos atentamente um cientista de prestígio falando sobre este tema? Ainda que o mundo inteiro se engane, ainda que às vezes não baste estar certo, quando você está perfeitamente convencido do que aprendeu e estudou nenhum alarido estúpido e boçal será capaz de forçá-lo ao erro e ao ódio. Pelo contrário! O ódio de um inimigo é, muitas vezes, tudo o que a pessoa boa precisa para manter-se na defesa do bem e da verdade. Caso a estupidez cientificista não existisse certamente não me preocuparia em fazer e manter este blog. Avante falanges do mal! Vocês só nos fortalecem com seus gritos de horror afetados, com seus falsos escandâlos, com suas mentiras, e com tudo o mais com que nos planejam destruir! O ódio que nos dispensam transformamos em combustível para combatê-los. Vocês invariavelmente beberão do próprio veneno.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Só falta o bigodinho
O sujeito acima é o malfadado Richard Dawkins, uma das pessoas mais ranzinzas do planeta. Ao procurar uma foto dele para ilustrar este texto percebi ainda mais quão protecionistas são seus admiradores. Dawkins é horrivelmente mal-humorado - isso pode ser verificado em qualquer vídeo onde ele apareça falando. No entanto, ao menos no Google, encontram-se apenas fotos sorridentes dele. Por que será? Oras, é certo que se deseja esconder ao máximo sua real personalidade. A campanha ateia sempre sofreu com tipos rancorosos e rabugentos. Seu maior expoente atual certamente não poderia sofrer da mesma pecha. A indisponibilidade de fotos rabugentas de Dawkins, ao invés de negar sua personalidade amarga, reforça-a ainda mais, pois a fama de seu mal-humor já é generalizada. Com muita facilidade, pois, atribue-se a ele um vídeo da já famosa série de adaptações da cena em que Hitler percebe a derrota iminente da Alemanha no filme As Últimas Horas de Hitler. Para os que não sabem, o inglês Richard Dawkins esteve planejando um modo de prender o papa em maio próximo, enquanto o pontífice estará em viagem pela Inglaterra. Dawkins não somente estudou caminhos legais para fazê-lo como também alardeou para a imprensa o que pretendia fazer. Para seu desgosto, alguns jornais chegaram a atribuir-lhe a frase: "Eu vou prender o papa", o que ele prontamente negou em seu website. O problema é que ainda que esta frase não tenha sido dita, toda a sua retórica a afirma. Ou seja, ainda que Dawkins não a tenha pronunciado, todo o resto das suas atitudes faziam transparecê-la. Portanto, um vídeo que o associasse a Hitler não poderia deixar de ser brilhante, pois suas personalidades manipuladoras e ferozes são muito parecidas. Não sem dificuldades percebemos que falta a este honorável cientista de Oxford apenas o bigodinho para que seu exterior reflita perfeitamente o seu interior.
ps. Aos que desejarem conferir por si próprios se o que eu digo a respeito da personalidade de Dawkins é verdade, sugiro que vejam o vídeo publicado neste outro texto do blog: Um ovo muito babado para Richard Dawkins - o picolé de jiló.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Para se distinguir os gritos histéricos
O Clauze, meu falecido prof. de psicologia, dizia que os loucos são perfeitos. Queria dizer, com isso, que no pensamento da pessoa insana não há lugar para contingências, apenas necessidades. Ou seja, o louco guia-se por algo mais forte que a mais absoluta certeza: a imperiosidade. As pessoas comuns estão naturalmente mais dadas às incertezas, às imperfeições, às flutuações de humor, ou seja, às contingências. A pessoa saudável se entristece com a morte de um parente, se alegra ao ganhar na mega-sena. O doente é menos maleável. Neste sentido é mais perfeito. Como já escrevi algumas vezes, o animal faz somente o que lhe parece melhor num dado instante. De certa forma, é assim que age o louco, tamanha a perda de liberdade em seu pensamento - ele vive em um mundo próprio. Ainda que não tenha alucinações, ele interpreta as coisas deste mundo de modo a satisfazer as necessidades de seu imaginário. O louco procura deliberadamente sinais de que está certo, pois receia que o mundo não seja exatamente como ele imagina. A pessoa saudável é, de certo modo, mais acomodada. Contenta-se em fazer as coisas da melhor maneira possível. De fato, digam-me vocês, que mais ela pode fazer? Que mal há em dar o melhor de si em tudo o que faz? Por que é que o mundo valoriza cada vez mais a loucura? A cada dia que passa, parece mais forte a ideia de que o correto é ser louco, pois só assim se poderia mudar o mundo verdadeiramente. A cada dia que passa, parece diminuir o prestígio da pessoa mentalmente estável. O correto seria viver uma vida desregrada, dada a excessos de todo tipo, prazeres fantásticos, conquistas invejáveis. Onde está o gosto pela normalidade? Onde está o reconhecimento pelo esforço quotidiano? Propõe-se a todo instante soluções mágicas, risos histéricos. Ninguém parece mais admirar o trabalho silencioso, a discrição. Ninguém mais vê beleza na imperfeição de um sorriso gratuito. Todos parecem viver somente o desejo de gritar um prazer infinito que nunca vem. Todos nutrem a ilusão de viver uma completude irretocável, como se de algum modo pudessem obtê-la. É um mundo de cristais e espelhos: um labirinto onde se procura uma realidade que caiba com perfeição nos olhos. Ninguém parece disposto a encarar-se como de fato é. Todos nutrem um desejo de ser algo que não são. Eis o que as pessoas deste mundo vivem a todo instante: uma mentira infernal. É a ela somente que obedecem. Fazem dela a sua necessidade. Esquecem a beleza de uma vida feita de alvoradas e crepúsculos. Querem apenas o que é mais brilhante e imediato. Deixam-se enganar pela sereia. Abraçam a própria ruína. Recusam-se a pensar. Vivem o que a sociedade impõe. Fazem da voz alheia a própria voz. Antes vegetassem, pois estariam fazendo apenas o que lhes era próprio, mas como são gente, deixam-se conduzir ao mais triste engano que existe: aquele cometido contra si próprio.
domingo, 11 de abril de 2010
A arrogância e a estupidez do cineasta "arrojado"
Tem gente que acha que, para um filme ser bom, ele precisa ser necessariamente revolucionário. Ou seja, para estas pessoas, ainda que um filme "feijão com arroz" (aquele que não introduz novidades estéticas) tenha sido feito com muito esmero, contando uma história pertinente e significante, se ele não se presta à tarefa de "renovar a linguagem cinematográfica" então ele é uma porcaria descartável. Já faz um tempo que enjoei desse trololó. O povinho que idolatra filmes de arte nunca para de dizer estas mesmas coisas. Ao contrário deles, para mim, qualquer filme pode ser bom. Afinal, já vi filmes de arte que foram, na minha opinião, muito bons, e outros que foram muito ruins. O mesmo se aplica ao cinema narrativo: já vi filmes bons e ruins. Quem parece não perceber isso são os idólatras do cinema experimental. Eu não tenho nada contra os filmes de linguagem "avançada". Até gosto de muito deles. Admiro com especial intensidade os cineastas que conseguiram mesclar ambas correntes, fundindo filmes narrativos com linguagem revolucionária. O problema está na obrigação de gostar somente de filmes de arte que muitos admiradores do cinema experimental obrigam sobre seus colegas cineastas. Para essa gente, o cinema narrativo nada mais é que um dos braços ideológicos do capitalismo.
De fato, não sei nem por onde começar a responder a uma asneira deste tipo. Somente idiotas completos poderiam defender uma tremenda injustiça como esta. A narração de histórias edificantes acompanha a humanidade desde que ela existe, assim o têm registrado os antropólogos. Se o capitalismo tem feito uso "perverso" de uma nobre faculdade humana isso não é problema meu. Essa arte nobilíssima não deve ser abandonada por isso. Se estivéssemos obrigados a abdicar de tudo o que o capitalismo influencia então deveríamos parar de comer, pois é o capitalismo o sistema que melhor produziu comida boa e barata. Oras, assim como não preciso parar de comer para criticar o capitalismo que produz a comida da qual me alimento, não há necessidade de parar de assistir filmes narrativos apenas para não colaborar com o regime "perverso" que a tudo "destrói". No entanto, ainda que se possa refutar todos os argumentos dos defensores do filme de arte com poucas palavras, são eles que pautam o que se deve pensar em termos artísticos na atualidade. São eles que dominam os cadernos de arte dos grandes jornais. São eles que aplaudem quase que exclusivamente os filmes que fazem aventuras de linguagem cinematográfica. São eles que defenestram todos os filmes excelentes que, do ponto de vista estético, não introduzem novidades.
Mas as pessoas que gostam verdadeiramente de cinema não são assim! No coração do amante do cinema sempre há espaço para um bom filme "café-com-leite", da mesma forma que há sempre espaço para filmes mais inteligentes e esteticamente dotados. Por que, então, a lei besta que obriga a idolatrar somente os filmes inovadores? Porque o capitalismo, visando lucro, apropriou-se do cinema narrativo - só por isso. A mesma atitude de rebeldia que obriga o moderno a gostar somente de bandas de rock alternativas que não cederam ao "sistema" obriga que se ame filmes que não visam o lucro. Agora eu pergunto: quanto custa a manutenção de uma banda amadora de rock e quanto custa a realização de um filme? Se é o povo brasileiro que sustenta o nosso cinema com seus impostos por que é que se deve fazer com seu dinheiro somente filmes que ele, em absoluto, não quer ver? Afinal, vocês sabem que, para uma pessoa sem instrução artística, o filme de arte é um verdadeiro tapa na cara! A pessoa ignorante em termos artísticos repudia o filme de arte violentamente. Considera-o confuso, intrincado, hermético - e isso só prova como ela é capaz de entendê-lo, pois, no geral , o filme de arte é sim confuso, intrincado e hermético. São justamente estas as características que o cineasta "ambicioso" procura.
E é ambicioso o cineasta que as procura porque deseja, com isso, escrever o seu nome na história. É exatamente isso que vocês leram: porque desejam entrar para a história como "grandes artistas" que vários cineastas procuram ativamente fazer filmes de arte, visto que contar histórias é tido, por eles, como arte inferior. E é por isso que eles não vão entrar para a história. Porque transformaram a sua revoluçãozinho burguesa em um cânon, um dogma, quando, na verdade, o que se procura em arte na contemporaneidade é a ruptura dos dogmas. São apenas chatos. Quem honestamente gosta dos filmes do Glauber Rocha? Quem é que pode assistir um destes embrulhos altamente indigestos e dizer ao fim da sessão que se divertiu? Ainda que os filmes tenham o propósito declarado de incomodar, ele poderia fazê-lo sem abandonar o intuito de seduzir o espectador. Já vi filmes experimentais extremamente sedutores. Filmes de arte e sedução não são coisas que se excluem necessariamente. Pode-se perfeitamente seduzir enquanto se lança os mais sérios e profundos questionamentos, como a obra de Ingmar Bergmam magistralmente o demonstra. É através da sedução que se prende a atenção do espectador, forçando-o a conhecer o seu ponto de vista. A elevação de filmes incapazes de sedução à estatura de grande arte foi o que tornou o cinema brasileiro insuportável.
O que foi um verdadeiro desastre, porque o nosso cinema já era tradicional antes das rebeldias que começaram na década de 60. O cinema brasileiro movia multidões antes de se tornar infinitamente aborrecido. A obrigatoriedade de se criticar o capitalismo simplesmente aniquilou o cinema narrativo no território nacional. O gênero narrativo acabou relegado a artistas de menor talento estético, o que tornou o cinema brasileiro duplamente ruim: por um lado, artistas competentes fazendo filmes obrigatoriamente chatos, por outro, artistas menores maltratando uma arte milenar com sua falta de talento. Vê-se que se trata, no fundo, de um imbrólio surgido da mistura de disputas ideológicas e estéticas. Então proponho um exercício que desconsidere a disputa ideológica, afinal, não é do meu feitio considerar o marxismo rabugento um interlocutor legítimo. Para mim todas as tentativas totalitárias precisam ser destruídas. Não reconheço, pois, a autoridade de ninguém que queira me dizer o que fazer. Reconheço menos ainda a autoridade de quem queira destruir-me, como se eu fosse um mal-feitor que estivesse escravizando as camadas mais pobres da população pois, no meu entender, elas são escravas da cachaça e do analfabetismo. Se elas nada produzem é porque não o querem, não porque há um capitalista malvado sugando-lhes o sangue e a "alma".
Vendo a questão somente do ponto de vista estético simplifica-se tremendamente a questão, pois notamos que o centro da disputa é o embate entre "o quê dizer" versus "como dizer". O problema é que, de agora em diante, precisarei utilizar diversas vezes ambos os termos, então se faz necessário adequá-lo ao tipo de comentário que pretendo realizar. "O quê dizer" torna-se significado, "como dizer" torna-se significante. Pois então, não é muito difícil perceber que, no cinema brasileiro a partir da déc. de 60, privilegiou-se quase que exclusivamente o significante. O quê dizer, ou significado, tinha praticamente nenhuma importância - qual é, pois, a história de Deus e o Diabo na Terra do Sol? O que importa neste filme são as suas qualidades estéticas pois interessava mais ao seu diretor, Glauber Rocha, a fundação de um novo modo de enxergar a realidade, completamente oposto a que ele considerava a estética "burguesa". Não sem razão, chamava-se esta novo modo de enxergar a realidade de estética "revolucionária", pois se pretendia com ela a criação de um novo estado mental. Eles imaginavam que o casal burguesinho entraria no cinema num domingo à tarde para ver o filme em questão e sairia de lá com a camisa do Che Guevara no corpo, um megafone na mão e muitas ideias maldosas na cabeça. Mas como convencer os outros do que se devia fazer se ninguém conseguia depreender um significado da sua obra? Como estimular alguém a adotar esta ou aquela política se elas sequer entendiam quais políticas o artista recomendava?
Não à toa este modo "revolucionário" de cinema serviu apenas para destruir e afundar a já combalida indústria cinematográfica brasileira. Imaginem a reação das pessoas diante daquela "obra"! Dado o seu "produto", não sem exagero podemos chamá-la de "cinema de estômago". Mais uma vez acho necessário dizer que não sou contra avanços estéticos, pelo contrário, eles são extremamente bem-vindos. O problema é quando somente eles são levados em consideração, como se o significado não tive importância alguma. Como se o quê se pretendia dizer devesse estar exclusivamente na estética. É uma burrice sem fim. Não surpreende que ninguém goste destes filmes. Nem mesmo os mentirosos que afirmam admirá-los gostam verdadeiramente deles. Ninguém põe um filme de Glauber Rocha para curtir com os amigos ou com a namorada. Se o faz é um louco que mente aos outros e, principalmente, e mais tristemente, a si mesmo. Não há nestes filmes a menor concessão ao espectador. O cineasta não se julga um artista. Ele tem a certeza de ser uma divindade com uma mensagem. Como sequer conversar com alguém que pensa assim? Cinema é, sobretudo, diálogo com o imaginário de cada um dos espectadores. Apela-se o tempo todo a um patrimônio comum a todos - só assim se constrói o significado, só assim a obra pode ser inteligível.
Portanto, como se pode chamar quem não se preocupa em torrar milhares, milhões de reais, com uma obra que só fala ao próprio eu? Ainda que imbuído de um grande espírito altruísta, pois deseja melhorar o mundo com o seu filme, trata-se de um grande egoísta. Donde perguntamos: qual a contribuição de um egoísta? Decerto a imposição unilateral do seu ponto de vista! Pode-se, então, perceber que há, em arte, a necessidade de comunicação, de diálogo com o receptor. Imaginem, pois, como é difícil a situação do cinema nacional: a um só tempo ele aniquilou sua herança comunicativa, satanizando-a com a elevação da exigência do filme de arte, como também não se ressente em gastar milhões de reais do contribuinte para a realização de algo que será visto por não mais que 100 mil pessoas. Para se resolver esse imbrólio necessita-se somente de bom senso. Pode parecer uma receita absurda para um problema tão complicado mas, de fato, espero ter demonstrado que se trata apenas um problema de arrogância artística. Antes de elevar a sua arte com obras "difíceis", se o faz por gratuitade o artista egocêntrico a diminui. Arroubos de destempero ficam bonitos em gênios verdadeiros como Beethoven. Nos outros é apenas loucura, medo, desespero e alienação. Dinheiro do contribuinte é algo que precisa ser tratado com respeito e carinho. Se o artista em questão é um milionário independente, ele que faça seus filmes herméticos e descaradamente absurdos, mas se é o dinheiro do povo que será usado, que o seja com responsabilidade e parcimônia.
O cheque-mate que Lula está para dar em nós
Chamei o "presidente" de "lixo imprestável" no texto abaixo. É, de fato, um termo um tanto forte. Por conta dele, ainda que ninguém tenha submetido um só comentário ainda, talvez haja quem o tenha considerado um exagero. Mas será que foi exagero meu? Lula propôs uma sociedade onde políticos possam fazer o que lhes for conviniente sem que estejam subordinado à Justiça. O presidente do Supremo Tribunal Federal chamou-lhe a atenção em rede nacional de tv dizendo que todos estão sujeito a lei. No meu modo de ver o mundo, espera-se do homem que ocupa o cargo de Presidente da República um comportamento exemplar; ainda que por motivos de temperamento um sujeito possa extravasar mais que outro, o sumo respeito pelas leis jamais deve ser questionado, jamais deve ser posto em dúvida, pois são as leis que impedem a ascensão de alguém à tirania absoluta. Pois é precisamente porque Lula fica deslumbrado com suas altíssimas taxas de aprovação que ele se julga merecedor desse privilégio supremo: estar acima das leis. Ocorre que em todo o lugar onde alguém esteve acima das leis o resultado foi absolutamente desastroso. A cada dia que passa, mais e mais articulistas se levantam para denunciar a tentativa autoritária de Lula que pretende a continuidade de seu projeto perverso de sociedade com a eleição de Dilma Rousseff.
Surge então uma pergunta: como pode alguém com comportamento tão imoral e deliinquente ter taxa de aprovação tão alta? São várias as causas, a maior delas é, sem dúvida alguma, a baixa educação do brasileiro pois ninguém questiona o apreço da nossa sociedade, mesmo das camadas mais baixas, pela democracia. Então vê-se que a pergunta deve ser reformulada: como pode alguém com tão pouco respeito pela democracia gozar de tanto privilégio em uma sociedade democrática? Essa é a pergunta real, e é ela que irei responder agora. Os brasileiros simplesmente ignoram a falta de apreço pela democracia por Lula pois ele atua de modo absolutamente genial. Em função dos diversos questionamentos suscitados pela sua fala delinquente, ele respondeu que jamais havia pretendido questionar o Judiciário, que sua intenção foi criticar a classe política por não ter regras exatas que estabeleçam o que pode e o que não pode ser feito durante as campanhas eleitorais, de modo que as atitudes deles todos não precisem ficar sendo questionadas na Justiça o tempo todo. Mas isso também está fundamentalmente errado! Pois por estarmos em um Estado Democrático de Direito qualquer um pode ser questionado na Justiça por seus atos!
Com sua resposta retórica, Lula pretendeu se desvencilhar da pecha de inimigo da Justiça, mas na própria defesa ele novamente se equivoca. O problema é que com este tipo de resposta muitos consideram o problema resolvido afinal, se "ele nunca esteve questionando o Judiciário", se "tudo o que ele quis foi promover a reforma política", então "agora tudo está esclarecido" O problema é que com respostas deste tipo ele vai ao pouco demolindo o prestígio de cada uma das instituições republicanas. Por querer ficar indefinidamente no poder com seu partido é parte essencial do seu plano um Executivo desequilibradamente forte em relação aos demais poderes. Não é apenas política de bater e depois assoprar. Com todas as suas demais políticas a clara intenção totálita fica cada vez mais evidente. Através da sua invejável lábia política ele vai enganando a sociedade, dando a falsa percepção de que tudo vai bem, de que "nunca antes na história deste país" houve alguém que "fizesse tanto pelo povo" quanto ele. Oras, quando um presidente se pretende indefinidamente no poder tudo vai mal. Quando a sociedade inteira não percebe essa intenção e confere ao líder em questão altos indíces de popularidade, então tudo vai péssimo.
Eis o nosso desastroso estado atual: um presidente populista que engana o povo de que tudo vai bem quando, na verdade, tudo vai mal, porque, de modo discreto, ele mesmo está minando nossa democracia para que seus amigos fiquem definitivamente no poder. Estamos assistindo a um dos mais sombrios momentos de toda a nossa história pátria. Lula e seus companheiros estão destruindo o país e somente uns poucos gatos pingados parecem estar se dando conta do que está acontecendo. Parte central do problema passa pelo talento oratório de Lula, pois se soubesse o que está realmente acontecendo, todas as tentativas de controle completo da vida pública dos cidadãos, a começar pelo rígido controle partidário dos meios de comunicação, o povo brasileiro nunca endossaria as suas atitudes. É porque se sente embalado num falso sonho de prosperidade "como nunca antes na história deste país" que os brasileiros não se percebem no horrível pesadelo totalitário que está se armando. Ou desperta logo para a tragédia pátria que aos poucos o PT desenha ou o Brasil deixará de existir. Em mais poucos anos de governo petista o Brasil terá deixado de existir. Estaremos, conforme eles planejam, na mesma situação lastimável de Cuba e Venezuela. Seremos o nada, o desastre completo, a falência sem comparação.
sábado, 10 de abril de 2010
Lula, retrato da bestialidade, prega a desobediência civil
Lula é o retrato da bestialidade. Em recente ato do PCdoB em favor de Dilma Roussef, ele reclamou do judiciário pelas multas que recebeu por campanha antecipada. É, de fato, algo diante do qual se fica sem palavras. Como pode o presidente da nação, o primeiro que deve zelar pelas leis, reclamar da atuação daqueles que vigiam o seu reto cumprimento? Fica bem claro, na fala dele, o seu desejo de implodir o atual modelo constitucional. Para Lula, lei boa é lei que serve aos propósitos de um partido central. Como pode ser que os brasileiros ainda não tenham se dado conta da gravidade da situação? Lula é um monstro, um ser humano deplorável, um lixo imprestável. Vejam vocês mesmos:
E para concluir, vejam o que a criatividade do cartunista Nani produziu por ocasião desta fala deplorável de Lula (parece-me a melhor tradução em imagens da situação):
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O cadáver carioca que o PT sacraliza e o cadáver paulista que o PT pisoteia
Morei seis anos da minha vida no Rio de Janeiro, mais especificamente em Niterói, palco maior da grande tragédia que se abateu sobre aquela região nos últimos dias. Estou sentido por tudo o que tem saído no noticiário. Hoje, passada a fase inicial do susto em relação às maiores chuvas dos últimos quarenta anos, começa-se a prestar atenção ao resgate de pessoas presas nos escombros. São inúmeros relatos de pessoas, geralmente pobres, que perderam seus familiares por morarem em casas construídas de maneira irregular, mais sujeitas às intempéries. Mas, como paulista, estou duplamente triste. Noto, com grande pesar, que se reserva para com o Rio de Janeiro o respeito por sua desgraça. Não foi isso que aconteceu em janeiro aqui em São Paulo. A mídia aparelhada pelo PT fez questão de insinuar o tempo todo que o desastre de chuvas colossais que duraram mais de quarenta dias era responsabilidade dos governantes da oposição. Que mentira! Que calúnia vergonhosa. Assim como no Rio de Janeiro, as chuvas de janeiro em São Paulo extrapolaram todos os limites históricos, nenhum governante comanda os céus!. Mas houve sim uma grande diferença: com um só dia de chuva no Rio morreram mais de 100 cariocas, com mais de quarenta dias de chuvas em São Paulo morreram pouco mais de 30 paulistas. Esta é a diferença: o PT mente sempre, o PT é imundo - trata-se da força mais negativa em operação que eu jamais conheci. Quando o desastre é com um aliado trata-se de tragédia, quando o desastre atinge uma área governada por seu oponente político trata-se de incompetência.
Ou seja, o cadáver do aliado tem maior valor para o petista, pois chegar ao poder e manter-se lá é tudo o que importa para ele. Petistas são seres imundos, sem honra alguma, sem ética nenhuma, são a escória da nossa sociedade. O cadáver do adversário o petista chuta, zomba. Por causa das chuvas em São Paulo, Paulo Henrique Amorim apelidou José Serra de Zé Alagão e ninguém fala nada. Ninguém considera uma fala como esta indecente. Todos acham normal. Todos se calam. Qual será o apelido que Amorim dará ao governador do Rio agora? Certamente nenhum! Ele dirá que o acontecido no Rio é tragédia. E por que não fora tragédia o que aconteceu em São Paulo? Pois certamente as chuvas de São Paulo foram muito piores que a chuva no Rio e, no entanto, morreu-se muito menos porque São Paulo é um lugar muito mais organizado e preparado que o Rio de Janeiro, notadamente atrasado sob qualquer ponto de vista, seja social, político, administrativo, etc. Mas é aliado do PT, e isso faz toda a diferença. Seu cadáver é mais precioso, a dor por sua perda é mais pungente; precisa ser respeitada. Não se tem feito nenhum uso político da tragédia carioca, e como dói para um paulista inteligente ver que não se dispensou respeito algum por seus cadáveres. À medida que a chuva não parava em São Paulo, e os cadáveres começavam a se somar, o PT tratou de armar um verdadeiro circo político para destruir a reputação de José Serra, como se ele pudesse controlar as chuvas. É urgente que a sociedade brasileira se conscientize a respeito do PT pois, só assim, ele será completamente aniquilado, esmagado, destruído, como o bem, a justiça e a verdade o exigem.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Já não se fazem torres como antigamente
Conhecem a Torre Eiffel? Bonita, né? Ainda que alguns tenham protestado sua construção, considerou-se adequado mantê-la até os dias atuais. A princípio, ela estaria montada apenas durante os dias de uma feira internacional que acontecia em Paris, no fim do séc. XIX. Por ser de ferro, sua manutenção é constanste e custa bem caro. De qualquer forma, ela é um perfeito retrato da mentalidade estética do seu período e, como isso significa certa semelhança com os ideais românticos, não é à toa que costuma inspirar os corações apaixonados. Mas aí veio o séc. XX e tudo mudou. Picasso e cia. deram a qualquer rabisco o status de arte. Hoje em dia, requer-se apenas a amizade de algum curador de museu para ser exposto. Mérito artístico é coisa que, se existe, nunca me foi apresentada.
Considerem então a monstruosidade que será erguida em Londres ao lado do estádio olímpico de 2012.
Parece-me uma bactéria ciliada alienígena auto-consciente programada para destruir o mundo. É feia de dar dó - uma aberração. É certamente algo diante do qual nós, ocidentais, poderemos nos perguntar: "Onde foi que erramos como civilização?" Até o nome dessa bagaça é um desastre: ArcelorMittal orbit. Tô falando que é coisa de ET. Mas não me entendam mal. Não sou da opinião que as coisas tem de ser "bonitinhas" para serem aceitáveis. Em arte, por força de expressão, por liberdade estética ou intelectual, deve se poder muito. Mas há que se reconhecer que há limites de comunicação. Não se pode forçar padrões estéticos duvidosos goela dos outros abaixo. Hoje em dia, para serem tidas como modernas, as nações parecem obrigadas a apresentar o produto das mentes perturbadas como símbolo de avanço e coragem. É uma pena pois, em muitos casos, trata-se apenas de loucura e perturbação.