sábado, 21 de maio de 2011

O pop não poupa ninguém

Quem me ensinou o que é o pop foi Paulo Coelho. Obrigado Paulão! Sou feliz em saber o que é o pop por causa dele. Muitos ainda não se tocaram que o pop, o que quer que ele seja, é um movimento muito significativo. Talvez importante demais para estar na mão de uns poucos intelectuais metidos à besta, que logo escreveriam um manifesto para justificá-lo. O pop não precisa de justificação. O papa é pop. O pop é o que vier, é o que o povo quiser. Não é como o rock, engajado, sério, cheio de segundas intenções. Se há alguma intenção no pop, é aproximar, diminuir as barreiras que separam as pessoas. Num mundo onde poucos querem promover a união, e pouquíssimos o conseguem, é excelente que um movimento cultural da atualidade tente fazê-lo. Ainda melhor que o pop não se restrinja à música. Na literatura, já mencionei Paulo Coelho, que já se declarou pop, mas há outros. Na televisão, há muitos. Até mesmo o sisudo William Bonner se esforça por ser pop no seu twitter. Salvo os vinhos, e alguns destilados, todas as bebidas querem ser pop, embora ninguém o seja como a imbatível Coca-Cola, um café servido gelado e com gás. Em suas últimas propagandas, o Itaú tem se preocupado mais em parecer pop do que em parecer sério, o que não deixa de ser extremamente ousado, possível somente a uma marca muito sólida, de modo que até mesmo os bancos estão procurando ser pop. Nas artes plásticas, Andy Warhol e suas sopas continuam muito mais interessantes que a imensa maioria das manifestações contemporâneas, absurda e sem sentido, um verdadeiro insulto à inspiração que une as pessoas. De fato, o pop é naturalmente avesso a toda intelectualidade que separa as pessoas. Pode se questioná-lo se promove a alienação, mas que alienação pode ser pior do que ideologias que só querem impor suas regras aos outros sem sequer consultá-los se concordam ou não? Também se pode questionar o pop se superficial, mas o que pode ser menos profundo do que uma exposição de arte onde apenas o artista pode compreender e usufruir de suas criações extremamente egocêntricas e, em muitos casos, infantis? Deve-se, então, perguntar se não é positiva toda a força que aproxima as pessoas, tornando-as sempre mais tolerantes umas com as outras? Através de perguntas extremamente simples como estas se vê como o pop tem influenciado positivamente o mundo. Não importa que seja industrializado para gerar lucro. Não é ele que se curva ao dinheiro, mas o contrário, são os departamentos de marketing das empresas que o utilizam para se aproximar das pessoas. Eles se associam a algo que emana das pessoas, que é criação delas, criação coletiva, de modo que há um pouco de Michael Jackson em todos nós, ainda que só ele mesmo consiga ser o original, inimitável. O pop só é possível num mundo onde se reconhece o valor de cada um. Ele não pode existir num mundo onde alguns sejam mais importantes que outros. Por isso nada pode ser menos pop do que o autoritarismo, ou do que a imposição unilateral, pois ele não é monocromático, como as pessoas não o são. Ele pode ser tudo que quisermos, como nós mesmos. Pode ser um clipe musical de terror, pode ser um retrato de Marlyn Monroe, uma autoridade religiosa, ou ainda uma tequila, um filme sobre guerras nas estrelas, uma propaganda, um jogo de videogame, até mesmo um automóvel (como o New Beetle ou o novo Uno), ou ainda uma escola de samba (Unidos da Tijuca). O que importa é aproximar, quebrar barreiras e ser feliz. O resto não importa, é ruído que dificulta o entendimento. Caso você não goste do pop, perca logo esta ilusão, porque é lógico que você gosta dele: o pop não poupa ninguém.

3 comentários:

Marcos Ordonha disse...

Vale uma observação de que o Pop também pode ser usado para incutir e controlar. Como muitas ideologias.

Henrique Rossi disse...

Muito bem notado Marcos, apenas desconfio que o pop seja leve demais para uma função tão sombria como incutir e controlar, mas é só minha desconfiança! :)

Marcos Ordonha disse...

Leve o suficiente para nos deter a atenção.