Quando oramos por nós mesmos, a oração é inegavelmente positiva; modula todo o nosso ambiente cerebral induzindo a secreção de neurotransmissores de prazer e satisfação. Facilita, assim, o nosso convívio com o mundo, conforta-nos em nossas dificuldades e nos predispõem a sermos pessoas mais amorosas e menos insatisfeitas. Mas e a oração pelos outros? Será igualmente positiva, ou seria apenas uma tremenda perda de tempo a que se dedicariam somente os tolos que acreditam em um Deus hipotético?
Mas tiremos Deus da equação. Pensemos apenas se há alguma vantagem puramente humana em orar pelos outros. Que bem podemos causar a uma outra pessoa apenas orando por ela? Não será que a oração feita por motivos altruístas pode, assim como a oração feita por motivos pessoais, causar uma transformação química positiva no cérebro de quem ora? Muito provavelmente sim, mas como isso seria útil para um doente, por exemplo? Em outras palavras, como uma transformação positiva no cérebro de quem ora por um doente pode ajudá-lo a superar sua doença?
Na verdade, o doente se beneficiará muito se experimentar, em seu cérebro, uma transformação positiva. Se os seus circuitos neuronais de prazer e recompensa liberarem neurotransmissores causadores de alívio em seu córtex, sua recuperação será certamente mais eficaz. Mas como alguém poderia causar isso em seu cérebro apenas orando por ele? Antes, não seria necessário que o doente mesmo orasse? Será que, de algum modo, a transformação positiva que ocorre no cérebro de quem ora pode “passar” para o doente, auxiliando a modulação dos seus circuitos neuronais, colaborando, assim, para a sua cura?
Será que, após um primeiro momento mais preocupante (pensemos em algum parente internado após um grave infarto do miocárdio), a transformação positiva que ocorre no cérebro de quem ora pelo doente não irá transformar também a sua expressão corporal e facial, tornando-a menos negativa? Qual cenário será mais agradável a um doente? Receber a visita de um parente extremamente preocupado (aquele que não ora) ou de um parente com atitude mais positiva (aquele que ora)? Não é bastante óbvio que o paciente irá se beneficiar muito mais da presença de uma pessoa confiante?
Não somente a atitude corporal mais positiva de quem ora beneficiará o doente. Afinal, também não é certo que a pessoa positiva irá estimulá-lo verbalmente a ser ele mesmo mais confiante? Mesmo que uma pessoa negativa tente dizer coisas positivas, ou estimulantes, a verdade é que somos muitos hábeis em avaliar quem está verdadeiramente convicto do que diz. Além do mais, ainda que muito se esforce, a pessoa negativa não terá meios de sustentar uma atmosfera de confiança ao redor do doente pelo qual ela se preocupa.
Assim, a atitude global de quem realmente acredita ter motivos para pensar positivo não somente pode criar uma atmosfera de confiança e de esperança, que muito beneficia o doente, mas é também capaz de mantê-la elevada através das muitas orações que ainda serão feitas por ele. De modo que considerar a oração pelos outros uma inutilidade não passa de uma grande tolice. Se a oração pode fazer sozinha todo esse bem por um doente, o que não fará havendo um Deus que possa escutá-la e, em resposta a ela, decida manifestar-se?

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