A talentosa Amy Winehouse, cantora viciada em drogas e álcool, foi encontrada morta hoje, em seu apartamento em Londres. Sua morte foi divulgada há pouco. Infelizmente, pelo que já circula na internet, este era o desfecho esperado para sua vida de tantos excessos e descontroles. Ao longo de sua curta carreira meteórica, além do talento como musicista, Winehouse deu provas, diversas vezes, de que não conseguiria recompor-se. Internou-se algumas vezes nas tais clínicas de reabilitação, mas, porque não aderia ao tratamento, acabava retornando à sua vida desgovernada. De modo um tanto patético, flertou ininterruptamente com a tragédia, preterindo a saúde. Em um século onde a maioria dos jovens certamente passará dos 100 anos, Winehouse é declarada morta aos 27.
Este desfecho trágico lembra, de imediato, o fim precoce de outro grande talento musical: Michael Jackson. Como ele, Winehouse recusou-se a aderir a qualquer tratamento médico sério. No lugar deste compromisso que a salvaria, mas que requeria disciplina, ela preferiu o prazer que não necessitava de reflexão alguma, e que a fazia esquecer das obrigações que tinha para consigo mesma. Porque se recusou ao sacrifício de viver com um pouco de ordem, sofreu as consequências do uso indiscriminado de psicotrópicos que, se utilizados sem assistência médica, podem matar, ao contrário do que alegam os movimentos pela liberação das drogas. Enfim, Winehouse morre precocemente porque foi incapaz de qualquer gesto de constância e maturidade.
Talvez seu maior vício fosse a publicidade que suas recaídas recebiam. Se suas idas à clínicas de reabilitação recebiam pouca atenção, seus desmaios ao meio-fio eram fartamente divulgados. Talvez se sentia mais justificada como pessoa por seus gestos tresloucados, enquanto não conseguia se reconhecer no espelho de seu quarto quando se encontrava internada. Foi também vítima destas expectativas horríveis que fizeram dela, pois, ao contrário do que a boca miúda poderia supor, enquanto pessoa, por mais tresloucada que fosse, Winehouse poderia se reerguer, como o fizeram tantos outros artistas antes dela. Se ao menos aceitasse o compromisso de tratar-se adequadamente! Mas não, como Michael Jackson, Amy Winehouse preferiu seus próprios caminhos.
Enfim, se tanto ela quanto o rei do pop tivessem se tratado com o profissional médico de que necessitavam, o psiquiatra, eles ainda estariam por aí encantando multidões com o grande talento que assinalava a ambos. Talvez tenham se sentido ridículos por necessitarem deste auxílio. E não seriam os únicos, pois muitas pessoas só procuram o médico desta especialidade quando o problema já está bastante grave. Talvez a genialidade que os caracterizava fez com que se sentissem onipotentes; levou-os a concluir que não necessitavam de um médico que os tornaria comuns. De fato, para se requerer a ajuda do psiquiatra necessita-se ser humilde, reconhecer que não consegue ir adiante pelas próprias pernas.
Assim, em outro sentido, talvez a própria arte que os caracterizava os tenha matado, porque, se não fosse ela, na condição de pessoas comuns, talvez teriam sido menos arrogantes e aceito o tratamento que os teria salvado. Muitas vezes, os medicamentos psiquiátricos com que se inicia o tratamento são mais forte que os posteriores, que apenas administram a saúde. Deste modo, se o impulso artístico de Amy Winehouse e Michael Jackson provinha de instâncias psicológicas ocasionadas pela doença, estando dopados eles talvez sentissem medo pelas suas carreiras, pois viram-se sem criatividade alguma. Por isso provavelmente preferiram o rumo de suas próprias cabeças. Ruíram também porque se recusaram a não ser especiais.

15 comentários:
olá criei uma pagina no Facebook e estava procurando algo na internet que tivesse a ver com o nome que coloquei e achei essa matéria perfeita.
Como tive que relacionar o seu blog lá , achei próprio avisar.
O nome da minha pagina é DESFECHO DA VIDA.
VOU DEIXAR O LINK E ESPERO QUE CURTA.
https://www.facebook.com/pages/Desfecho-da-Vida/209502745777464
Sem problema algum Natali.. :)
Desculpe, meu caro, mas tanto Amy quanto Michael estavam cercados de profissionais que não puderam ajudá-los.
A verdade é que tanto Amy como Michael estavam cercados de profissionail que não puderam ajudá-los
Talvez estes profissionais fossem pessoas mais interessadas em aproveitar do fato que atendiam famosos do que realmente em ajudá-los, não é?
Estou dizendo que mortes como a de Amy e Michael apenas provam as limitações da psiquiatria. E quanto a ajudá-los, qualquer psiquiatra teria excelentes motivos para ajudar alguém famoso.
Falar nisso, o responsavel pela morte de michael foi um médico,que por sinal não se deu muito bem.A doença de Michael era insistir até o fim em fazer suas próprias leis. Ele enveredou até pela pedofilia e, se não fosse assim, não seria Michael Jackson. Um tipo tão complexo não se reduz à sua morte. E Amy também não seria Amy sem as drogas.Nenhum drogado pode se livrar das drogas enquanto tem medo de deixar de ser quem ele é,e isso é um pouco como morrer. Nenhum deles foi vítima do preconceito contra a psiquiatria, é isso o que eu quero dizer.
Mas será que eles foram tratados por psiquiatras? Caso sim, fico em dúvida se seguiram o tratamento. Este tipo de preconceito, o do paciente em relação ao tratamento, é bem mais perigoso que o preconceito da sociedade, de um modo geral, em relação à psiquiatria. Entendi o que você quis dizer, mas fico em dúvida se o Michael não teria tido uma melhor qualidade de vida, sem tantas esquisitices, se tivesse se tratado devidamente...
Continuo achando que Michael e Amy não são bons exemplos. Eles com certeza não compartilhavam de preconceitos sociais contra a psiquiatria. Com certeza eles alguma vez foram atendidos por psiquiatras, especialmente Amy. Não sei se seguiram ou não tratamento, o fato é que não deixaram de fazer mal uso de drogas. Falar nisso, é compreensivel desconfiar de medicação psiquiátrica, a menos que vc se entupa de coisa muito pior - nesse caso, recusar tratamento é ridículo. O mais provavel é que ambos tenham sido vítimas de si mesmos. Ironicamente, foi em parte o que os fazia tão especiais, de mistura talvez com uma boa dose de prepotência, o que os matou. E o caso do Michael é bem intrigante. Sem dúvida o cara era excêntrico, mas o que conhecemos dele é uma imagem que ele próprio construiu e que não podemos saber em que medida corresponde à pessoa que ele era. Ou seja, não dá para diagnosticar o cara, muito menos depois de morto.
Ah, sim, mais uma coisa: respeitavel ou não, antipsiquiatria é uma corrente psiquiátrica, por isso, a expressão "preconceito antipsiquiatria" é incorreta
Ai, jesuis, erro meus. Antipsiquiatria é uma corrente da psicanálise
Interessante o primeiro dos seus três últimos comentários. Veja, não podemos falar que alguém de fato aderiu ao seu tratamento médico em saúde mental caso persista no uso de psicotrópicos de lazer, ou seja, de drogas entorpecentes. É neste contexto que digo que não foram bons pacientes psiquiátricos, na hipótese otimista de que procuraram ajuda na área, é claro! :)
Me desculpe a insistência, mas esse é talvez um dos limites da psiquiatria: se o sujeito é suficientemente irresponsavel para, por exemplo, injetar cimento na veia, como vc espera dele que leve o tratamento direitinho, com drogas que não têm graça nenhuma? e afinal se eles não aderiram ao tratamento, o problema é deles ou do tratamento?Também acho que o preconceito aqui é menos contra a psiquiatria e muito mais contra o paciente psiquiátrico. É o paciente, e não o psiquiatra, que é malvisto pela sociedade, daí a dificuldade de aceitar tratamento. Pelo menos, a droga ilegal tem para alguns aquele "charme contestador"(ridículo, mas tem).
Tô achando seus comentários muito interessantes! Pode insistir à vontade, hehe :) Você não poderia ter colocado em melhores termos os limites da psiquiatria.. Afinal, como qualquer obra de mãos humanas, ela tem seus limites.. Minhas colocações partem do pressuposto de que eles não estavam tão doentes a ponto de rejeitar o tratamento em função da doença em si. Se eles estivessem doentes ao ponto de injetarem "cimento na veia", concordo plenamente que não teriam como aderir ao tratamento. Neste aspecto, você está bem certa. Mas como, apesar dos pesares, eles levavam a vida, penso que se tivessem tido mais boa vontade (o que, em parte, dependeria de nenhum preconceito em relação à psiquiatria) talvez não tivessem o fim trágico que tiveram.. Claro.. Nunca saberemos ao certo o que aconteceu.. Apenas considero esta hipótese a mais provável..
Obrigado. Na verdade, eu concordo com suas colocações mas acho mais provavel que eles tenham recusado tratamento não por preconceito, mas por extrema rebeldia e prepotência - aliás, acho que vc mesmo aventou essa hipótese. Michael e Amy eram tipos que não aceitavam limites, não tinham humildade. Ambos aceitaram as drogas que os mataram, justamente porque isso era contra qualquer forma de bom senso.
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