segunda-feira, 18 de julho de 2011

E Chico Buarque descobriu que não é unanimidade

Conhecido à exaustão, Chico Buarque admitiu recentemente, em entrevista, que se sente muito confortável com os constantes elogios que recebe na rua. Ele reconhece, sem falsa modéstia, que os frequentes elogios elevam sua moral, faz com que se sinta uma pessoa querida e admirada. De fato, Chico Buarque é um grande músico e letrista. Seu talento como cantor, porém, é altamente discutível. Mas, pelo visto, isso não tem atrapalhado seu reconhecimento como artista de talento inegável. Ocorre apenas que Chico Buarque não é unanimidade. Na entrevista supramencionada, ele comenta suas primeiras incursões na internet, nas quais descobriu que há muitas pessoas que, ignorando sua grande contribuição à música brasileira, chegam até mesmo a odiá-lo.

De fato, ninguém é unanimidade; e Chico Buarque não seria exceção. Ocorre, talvez, que ele seja odiado por motivos um tanto fúteis. Na mesma entrevista, ele afirma que algumas das críticas à sua pessoa mencionam um suposto vício etílico, que ele alega não possuir. Para mim, Chico Buarque pode beber até cair que isso não diminuiria seu mérito artístico. Porém, há um lado de sua personalidade amplamente ignorado pela maioria de seus fãs que não possui mérito algum; é, antes, altamente criticável. Ao longo de muitos anos, Chico Buarque tem mantido suporte público irrestrito ao cruel regime comunista cubano que, ignorando as diversas críticas e sanções internacionais, até hoje massacra covardemente todos os seus opositores.

Assim, ainda que muitas senhoras continuem se encantando com o sorriso e o bom humor de Chico Buarque, não se pode ignorar que o caráter desse artista é assinalado por uma impressionante desumanização, por um incompreensível espírito de indiferença. Se o álcool não o faria perder prestígio artístico, o apoio inconseqüente ao regime cubano o diminui como ser humano, evidencia a sua face sombria, suas intenções totalitárias escondidas sob inocentes versos de amor. Então, sendo uma pessoa de opções políticas inaceitáveis, há um limite claro para admirá-lo. Suas posições são incompatíveis com um mundo justo, igualitário e democrático; desvios tão graves que é impossível não se afetar o juízo sobre sua pessoa.

Afinal, não é porque sabe harmonizar letra e música elegantemente que Chico Buarque está acima do bem e do mal. Seu inegável talento não pode ser desculpa para que se ignorem sua personalidade obscura e seu gosto pelo totalitarismo. De uma forma ou outra, esses aspectos sombrios contaminam não somente sua arte, mas a sociedade, por força de sua fama e de sua influência, ainda mais em se tratando de um sujeito simpático e espirituoso, a quem dificilmente seria atribuído o gosto pelo macabro. Deste modo, desmascará-lo é esclarecedor. Não se pode consentir que pessoas inocentes sejam contaminadas por ideologias mortais discretamente disseminadas por hábeis versos de um sedutor mestre da canção. Evitá-lo é tarefa de toda pessoa de bem.

4 comentários:

Anônimo disse...

Chico Buarque no passado, fez muita coisa que presta. Dos anos 80 pra cá, nada...

Carol disse...

Opinião sem exageros. Gostei bastante.

Andressa Nunes disse...

Acho sua argumentação inconsistente, visto que ele, através das suas músicas, lutou contra a ditadura militar. Como teria caráter totalitário a obra de alguém que lutou contra a ditadura? Talvez ele defenda o regime comunista por este ser o que resta de algo no qual um dia ele acreditou. E comunista ou não, continuo admirando-o.

Henrique Rossi disse...

Sim, Andressa, ele lutou contra a ditadura militar. A pergunta que eu te faço, então, é: qual regime ele gostaria de ver instalado no lugar da ditadura? Será que Chico Buarque defenderia uma democracia republicana? Ou será que ele estaria aliado à militância de extrema esquerda que nunca pretendeu transformar o Brasil em uma democracia efetiva? Ou seja, ele combateu a ditadura pelos motivos errados! Na verdade, ele queria uma ditadura de esquerda, onde os seus amigos diriam quais de nós poderiam viver e quais deveriam morrer; método político que se pratica ainda hoje em países como Cuba (que ele também admira) e Coreia do Norte (que ele deve admirar).