sábado, 23 de julho de 2011

A incrível história do brutal assassinato de uma vaca

Se engenheiros, matemáticos e bibliotecários não têm histórias interessantes para contar de suas profissões, o mesmo não se pode dizer dos veterinários. Talvez nenhum outro profissional tenha histórias tão curiosas para contar, ainda mais em se tratando dos veterinários brasileiros, pois atuam em um país onde é notório que as coisas não funcionam como deveriam. Um grande amigo meu é veterinário e, como ele não tem blog, peço-lhe licença para narrar a forma incrível como ele matou uma vaca. Na condição de estudante destacado, este meu amigo sempre esteve próximo dos professores, auxiliando-os das mais diversas formas. Na veterinária, essa assistência significa desenvolver as mais inusitadas tarefas. Certa vez, ele estava na condição de mestrando acompanhando um professor em visita a uma fazenda de poucas condições financeiras, afastada de tudo. Fazia-lhes companhia toda uma turma de alunos da graduação em veterinária. Nesta fazenda havia uma vaca que, apesar de uma grave enfermidade contagiosa, ainda não estava debilitada. O professor vaticinou: - “Precisa ser sacrificada.” Mas não havia disponibilidade dos meios corretos, que evitam o sofrimento do animal. Diante disso, o professor tomou um facão e colocou-o nas mãos do meu amigo: - “Use isto.” Rapidamente meu amigo imaginou o horror que seria aquele sacrifício realizado em condições brutais, mas, diante da solicitação de um professor que confiava nele e de toda uma turma de futuros veterinários que merecia uma atitude profissional, ele não se negou a fazê-lo.

Com o auxílio dos capatazes da fazenda, meu amigo cuidou para que o animal fosse completamente imobilizado. Afinal, não queria que uma vaca enferma mortalmente ferida saísse pela fazenda espalhando sua doença contagiosa. Então, já assustado pela cena macabra que protagonizaria, ele olhou para seu reflexo borrado na lâmina daquele facão, esbranquiçado pela falta de polimento. Fez-se um instante de angustiante silêncio que não durou muito. Meu amigo logo respirou fundo e cravou uma facada violenta na jugular do animal que, imediatamente, lançou um desesperado urro gutural. Como veterinário formado, ele sabia que uma estocada estaria longe de ser suficiente, então, para evitar o sofrimento prolongado da vaca, ele continuou a esfaqueá-la brutalmente no pescoço diante de seu professor e da turma de veterinária. Diversas vezes precisou sacudir com violência o facão enfiado no animal, para forçar o seu sangramento. Os longos minutos que esta situação insana durou pareceram uma eternidade. Quando terminou, estava horrivelmente entristecido e ensangüentado como um psicopata, mas, como profissional responsável, procurou mascarar seu humor. Voltou-se ao professor e à turma para encontrá-la profundamente chocada. Várias meninas estavam escondidas atrás de mourões com expressão horrorizada. Que estariam pensando dele? Tacitamente, seu professor concluiu: - “Bom trabalho.” Mas meu amigo sentia-se mal, e continuou sentindo-se assim por uns dias. Mesmo agora, passados alguns anos, ele ainda fala dessa história com desconforto e angústia. Não é de se surpreender.

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