quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por dinheiro, SBT reconhece que beijo gay é ofensivo

O SBT, canal de televisão brasileiro operado pelo magnata Sílvio Santos, apresenta uma novela de apologia à luta armada de radicais esquerdistas que, nas décadas de 60 e 70, levantaram-se contra a sociedade brasileira por um estado totalitário. Escrita pelo autor Tiago Santiago, essa peça de mistificação televisiva e glamourização da psicopatia se chama Amor e Revolução. Como a presidente Dilma foi guerrilheira naquele período, a imprensa oficial especulou que a veiculação de uma novela com tal enredo ocorrera em agradecimento pelo empréstimo de dois bilhões de reais do governo a Sílvio Santos, para que fosse evitada a falência do banco Panamericano, de sua propriedade. Mas Amor e Revolução não se limita a exibir os guerrilheiros sanguinários como pessoas amáveis e doces. Em um esforço sem paralelo para confrontar os valores do povo brasileiro, a novela de Tiago Santiago apresentou o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo na TV brasileira, no caso, mulheres. Uma coincidência no mínimo estranha, já que a presidente é conhecida por uma destacada masculinidade. Será que houve alguma ironia inconsciente do autor? De qualquer forma, não é à toa que, desde sua estréia, Amor e Revolução tem um desempenho ridiculamente baixo para uma produção tecnicamente esmerada.

Mas a história demonstra que a carteira é provavelmente o órgão mais sensível de Sílvio Santos, que nunca tolerou programas que não fossem rentáveis. No esforço pela viabilidade econômica das produções de seu canal, ele fechou e reabriu diversas vezes os núcleos de jornalismo e de dramaturgia de sua emissora. Com Amor e Revolução não seria diferente. Neste caso, porém, ele não apressaria o fim da novela, que existe para bajular o governo, mas está exigindo que, para ter maior audiência, ela não confronte inutilmente os valores do povo brasileiro. A Folha noticia que um segundo beijo gay, desta vez entre homens, foi vetado pela cúpula da emissora porque uma pesquisa interna revelou que os poucos brasileiros que assistem Amor e Revolução rejeitaram o primeiro beijo (reportam aqui). Apesar de gravado, o segundo beijo não irá ao ar. Pena que, para se constatar o óbvio, tenha sido necessário um estudo da percepção do público sobre a novela quando o simples bom-senso teria resolvido a questão antes. Porém, diante da percepção equivocada de que o beijo gay traria espectadores para a novela, a disputa pela audiência a qualquer preço não se intimida até mesmo diante de valores humanos fundamentais. É triste que uma pessoa com uma história tão admirável como Sílvio Santos esteja se dando a este papel deplorável.

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