sábado, 26 de novembro de 2011

A grave insuficiência das campanhas anti-tabagismo

No mundo atual, nenhuma campanha é aceita tão passivamente quanto a anti-tabagismo, que supostamente conscientiza as pessoas a respeito dos malefícios do cigarro. Parece haver uma certeza absoluta a este respeito, como se nada pudesse ser tão ruim quanto o cigarro. Porém, apesar das fortunas que muitas nações têm gasto contra o tabagismo, ainda há milhões de pessoas que fumam, mesmo sabendo que este hábito leva ao câncer na ampla maioria dos casos. Então, pergunta-se: como pode alguém ainda fumar sabendo que, deste modo, caminha para o câncer?

De fato, o problema não se limita a pequenas campanhas educativas que mostrem fotos de pessoas com câncer. Ao contrário do que estas inocentes campanhas fazem parecer, o cigarro não é apenas um problema comportamental; ele é uma doença multi-fatorial, como muitas outras. Pretender erradicá-lo através da ameaça é útil em muitos casos, apesar das limitações deste modelo, como demonstrarei. De qualquer forma, não acho ruim que a população seja alertada; pelo contrário, o conhecimento sobre o cigarro é essencial no processo de conscientização de seus malefícios.

Ocorre apenas que, em função de ser uma doença multifatorial, é lamentável que se pretenda tratar o tabagismo apenas através de ameaças terríveis. Aí está a minha discordância. Se os fumantes não abandonam o tabagismo apesar de saberem dos inúmeros tipos de câncer que ele acarreta, é certo que o problemas deles não é a ignorância, mas outro fatores, provavelmente psicológicos. É triste que as campanhas de esclarecimento sobre os malefícios do cigarro até hoje nunca tenham mencionado que fatores psicológicos são a principal causa do tabagismo.

Campanhas que combatam o hábito de fumar com eficácia também precisam explicar às pessoas que o principal fator que as torna dependentes do cigarro é psicológico. Deste modo, o fumante poderá procurar o auxílio do profissional de saúde mental, que certamente irá ajudá-lo na difícil tarefa de abandonar um vício que lhe causa tanto prazer. Deste modo, a abordagem contra o tabagismo se tornaria mais ampla, e as chances dos fumantes largarem o seu vício seriam maiores. Quanto não se economizaria no sistema público se saúde se o número de fumantes fosse reduzido?

Por não abordarem a dependência psicológica, as campanhas atuais limitam-se à intromissão desagradável na vida das pessoas para quem fumar é um hábito muito prazeroso, apesar do claro horizonte cancerígeno. E, se alguém fuma, apesar de conhecer os malefícios do cigarro, como uma abordagem multi-fatorial anti-tabagista poderia existir sem a menção aos aspectos psicológicos da dependência, os verdadeiros responsáveis pelo tabagismo? É certo que o cigarro é o menor dos males de quem fuma, senão, as atuais campanhas já teriam abolido o tabagismo há décadas.

Do modo como vão, as campanhas anti-tabagismo limitam-se a reproduzir ditames politicamente corretos, sem se aprofundarem. Por esta insuficiência, os fumantes não conseguem se libertar mesmo sabendo que o cigarro causa câncer. Deste modo, por que uma pessoa ciente dos limites das atuais campanhas deveria se preocupar? Ela pode, no máximo, alertar os seus próximos. Quanto aos demais, infelizmente, ela não pode fazer nada. Quanto a mim, contanto que ninguém fume perto de mim, não tenho razão alguma para me preocupar com o que os fumantes fazem da própria liberdade.

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