<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260</atom:id><lastBuildDate>Fri, 01 Jun 2012 14:43:20 +0000</lastBuildDate><category>Individualidade</category><category>Ciência</category><category>Marx / Gramsci</category><category>Televisão</category><category>Processo social do saber</category><category>Publicidade</category><category>Cinema</category><category>Religião</category><category>Medicina / saúde mental</category><category>Liberdades individuais</category><category>Jornalismo / construção da verdade</category><category>Arte</category><category>Ateísmo / Richard Dawkins</category><category>Política</category><category>Sexualidade moderna</category><category>Criminalidade</category><title>polimático</title><description>VICIADO EM LIBERDADE</description><link>http://www.polimatico.com.br/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>358</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-3764030921363529112</guid><pubDate>Fri, 01 Jun 2012 02:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-06-01T11:43:20.242-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Religião</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Liberdades individuais</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><title>Nietzsche e a perversão do homem</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-H4aqEyzCEq8/T8hi-On5cxI/AAAAAAAABB8/TuWU9A9WgaA/s1600/o+anel.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="238" src="http://3.bp.blogspot.com/-H4aqEyzCEq8/T8hi-On5cxI/AAAAAAAABB8/TuWU9A9WgaA/s320/o+anel.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ao longo da história, as esquerdas sempre pretenderam fundar um novo homem. Para elas, o homem natural é insuficiente; uma besta alienada facilmente controlada pelo capital. Neste sentido, elas trabalham pela conscientização da luta de classes e a consequente participação popular no processo revolucionário, que, supostamente, haverá de trazer luz, justiça e liberdade para todas pessoas, independentemente de suas classes sociais de origem. Porém, como a tal revolução tem tardado muito, e a maioria dos pressupostos marxistas não se confirmou, as esquerdas logo desenvolveram o hábito de se reinventar continuamente, sempre na tentativa de reforçar a ideia de que para se criar um mundo novo era preciso criar uma nova humanidade, esclarecida e conscientizada, que fizesse contraponto à humanidade natural, atrasada, que se permite subjugar passivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intuito de acelerar o processo revolucionário, as esquerdas fizeram do cristianismo um de seus alvos preferenciais. No ponto de vista delas, o cristianismo no Ocidente e as demais religiões mundo afora atrasavam a revolução por, supostamente, predisporem as pessoas a aceitar as injustiças, tornando-as mais passivas. Em certo sentido, a crítica procede; por tornar as pessoas mais felizes, o cristianismo torna-as menos afeitas a lutar por melhores condições de vida, ainda mais se esta luta exigir que sejam cometidos assassinatos em massa em nome do bem social, ferindo-se, assim, os princípios cristãos. Porém, por outro lado, não é verdade que o cristianismo tenha impedido as pessoas de cobrar situações sociais mais justas. Citem-se, como exemplos, no primeiro século, as críticas ao Império romano, e, recentemente, o movimento Solidariedade na Polônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, a felicidade não aliena. Pelo contrário, ela fortalece o espírito; predispõe a pessoa à coragem. O homem a busca naturalmente; ele é inclinado à ela por suas faculdades intrínsecas. Por isso, ainda assombra que muitas tendências de esquerda tenham pretendido acelerar o processo revolucionário oprimindo ainda mais o povo, tornando as contradições sociais ainda mais dramáticas e injustas. No raciocínio destes ideólogos, o povo se revoltaria mais facilmente nestas condições, e lutaria por sua libertação. Porém, a tristeza e a amargura deprimem o espírito, enfraquecem a vontade; afastam o homem da própria natureza. Deste modo, as pessoas normais nunca se seduziram pelos ideias marxistas como se esperava, pois não se pôde esconder delas a completa incompatibilidade deste sistema ideológico ao homem natural, tamanha a violência de sua oposição à natureza humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, diante dos contínuos fracassos dos ideólogos marxistas, outras correntes de saber procuraram atender aos anseios higienistas da intelectualidade europeia, que, a partir do iluminismo, imaginou-se cada vez mais detentora do privilégio da verdade. Neste contexto, a partir das primeiras décadas do séc. XX, destacou-se a figura de Friedrich Nietzsche, um obscuro professor universitário que pretendeu construir um saber sobre o homem a um só tempo original e desafiador. Morreu louco em 1900, com apenas 55 anos, antes de suas obras obterem sucesso entre os intelectuais. Nietzsche refutou com virulência o marxismo e o cristianismo, mas, ao mesmo tempo, abraçou algumas ideias destes sistemas. Do marxismo, rejeitava a ambição de criar uma nova humanidade; para ele deveria se ressaltar o homem natural, como no cristianismo, mas de um modo completamente diferente do ideal cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Nietzsche, um homem de terríveis contradições, não deveriam haver ambições de transformações idealizadas (assim, refutou o marxismo afirmando-o fruto de covardia oriunda do espírito cristão, origem de toda idealização); para ele, o homem natural deveria se fazer a si mesmo instintivamente, de modo animalesco. Ignorando ativamente que suas propostas eram idealizações como todas as outras, afirmou que seu desejo para o ser humano era que ele se tornasse novamente natural, despindo-se da civilização e da história, de modo que se fizesse, mais uma vez, ladrão, estuprador e assassino. Seus admiradores jamais se espantaram que Nietzsche negasse o caráter francamente ideológico de suas propostas; ele&amp;nbsp;disfarçou tão habilmente suas intenções, que muitos preferiram acreditar em sua retórica inflamada sem perceber que realizavam um gesto de pura fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo o roubo, o estupro e o assassinato como as mais nobres atividades que um ser humano pode praticar, Nietzsche teria de afirmar que o ideal cristão de amor e compaixão era digno de uma humanidade covarde e fraca. Neste sentido, afirmou que o cristianismo foi a maior corrupção da real natureza humana jamais concebida; nunca a humanidade teria tanto se desviado tanto de si própria. Para Nietzsche, olhar para dentro de si mesmo e considerar se o que se faz é correto ou não seria próprio de homens que não têm coragem de ser violentos. Deste modo, o cristianismo surgira como manifestação neurótica da fraqueza moral dos apóstolos, que, para explicarem a morte de Cristo, pretenderam ser este o sentido original de sua encarnação. Segundo Nietzsche, a natureza humana é violenta, e deve ser praticada enquanto potência natural do homem; ocultá-la seria destruir o ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, é compreensível que Nietzsche tenha pretendido abolir o cristianismo. Em sua ascendente espiral de loucura, ele chegou a propor a si mesmo como o novo Ungido, aquele que haveria de revelar à humanidade o oculto do qual não se poderia escapar: a natureza necessária e suas virtudes acima de qualquer crítica. Era imperativo em sua personalidade a superação do cristianismo, fundador de uma humanidade afeiçoada ao "vício horrendo da caridade". De fato, o cristianismo prega a caridade como a mais alta virtude humana, da qual se originariam atos de amor e altruísmo autênticos. Para Nietzsche, ao fundar uma ética que, surgindo do indivíduo, direciona-se ao bem de seus próximos,&amp;nbsp;o cristianismo&amp;nbsp;destruíra o "saudável culto de si" dos guerreiros da antiguidade, que promoviam horríveis carnificinas muitas vezes por puro prazer de matar, o mais alto ideal humano para este autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma verdade inconveniente que muitos ignoram (ou escondem) é que este cristianismo rejeitado por Nietzsche normalizou a proporção de homens e mulheres nas populações do Ocidente. Na antiguidade, praticava-se o infanticídio das meninas, consideradas seres inferiores, como, aliás, se pratica ainda hoje na China, onde existem, atualmente, 108 homens para cada 100 mulheres. Ao nascimento, há aproximadamente 105 meninos para cada 100 meninas, diferença que é revertida na juventude a favor das mulheres, pois os homens jovens são as maiores vítimas de mortes violentas em todas as sociedades. Assim, 108 homens para cada 100 mulheres revela o assassinato de milhões de meninas recém-nascidas. Pensem nisso as moças que, para afirmar a própria intelectualidade, sustentam, em um gesto estúpido, que o cristianismo só fez perseguir as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo é certamente muito diferente dos ideais nietzschianos. Ele ensina que o homem é fraco, forçando-o, deste modo, a olhar para si antes de agir. De fato, o cristianismo propõe que o homem seja crítico de si mesmo; por isso assimilou tão facilmente a filosofia clássica, onde a crítica era valor fundamental. E, para anular a violência intrínseca do homem ignorante, o cristianismo reforçou com carinho a noção de pecado, que é, a um só tempo, uma força restritiva e libertadora. Um homem que ignore o pecado foge da responsabilidade sobre seus atos; no meu entendimento, esta é a verdadeira covardia: o homem que para colocar-se acima dos demais foge do seu próprio eu. Ao invés disso, só um homem que questiona seus atos cultiva em si, como o cristianismo, o conhecimento que liberta a personalidade humana para a responsabilidade e para a prudência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se a filosofia nietzschiana se resume ao elogio da violência e da bestialidade, não é difícil recusá-la em um mundo cada vez mais pautado por ideais de pacifismo na adversidade, de respeito ambiental e dignidade social na economia. O cristianismo é a origem destes valores! Como o jornalismo torna-se cada vez mais agressivamente partidário das esquerdas, não é de se estranhar que poucas pessoas saibam que, no mundo atual, o Vaticano é o único estado verde, pois sustenta uma floresta para reparar toda a sua emissão de carbono. Evidentemente, trata-se mais de um gesto simbólico, afinal, anular toda a emissão de carbono de um Estado tão pequeno é bem mais simples do que os Estados Unidos fazerem o mesmo. Ainda assim, é um importantíssimo sinal para o homem contemporâneo, cuja mentalidade, cada vez mais conflitante, oscila entre os mais totalitários ideais políticos e o consumismo desenfreado e inconsequente, que tanto mal causa ao meio ambiente e à sociedade, que, deste modo, torna-se cada vez mais refém de valores egocêntricos e superficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o marxismo erra, apesar de suas boas intenções, porque pressupõe que sua verdade iluminada deve ser imposta aos outros de modo totalitário; excluindo, deste modo, uma progressão verdadeira e legítima da percepção do próximo na sociedade. Como prevê inimigos naturais, o marxismo é contrário ao bem de todos. Ele não capacita o marxista à auto-crítica; conforme os ensinamentos desta ideologia assassina, tudo lhe é permitido contanto que a revolução seja desencadeada por quaisquer meios. Neste sentido, o marxista (ou revolucionário) é um completo alienado, um sujeito incapaz de avaliar se o que faz é certo ou não, porque a sua ideologia pressupõe que, contanto que a revolução se instale, tudo lhe é permitido. Por este motivo, tantos foram assassinados em nome desta ideologia. Os que matavam milhões, numa clara maioria de inocentes, estavam certos de que faziam o bem. A completa desonestidade intelectual os impedem de ver suas injustiças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como muitos adeptos desta ideologia gostam de fazer uma macabra competição de cadáveres, prefiro antecipar-me a quaisquer possíveis questionamentos à Inquisição. Ao contrário do que se diz por aí, a Inquisição foi um importante instrumento para a profissionalização das práticas jurídicas. Houveram muitos erros, é claro, mas é imprescindível saber separar um erro regional de uma diretriz central. Naquela época, a comunicação não era eficaz como hoje; muito do que se fez em nome da Inquisição não foi autorizado pela Igreja; mesmo Santa Joanna D'Arc foi condenada à morte em um julgamento irregular. Mas não se pode ignorar que a situação jurídica anterior era muito pior. Além disso, também não havia a separação entre a Igreja e o Estado, de modo que muitos governantes desonestos se aproveitaram do nome da Igreja para realizar seus maus intentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo; a resolução do&amp;nbsp;imbróglio&amp;nbsp;precisa passar pelo reconhecimento de que o ser humano não é dado por quaisquer ideologias, mesmo por aquelas que não se afirmam como tais. A verdade é que somos um complexo multifatorial, influenciado por diversos fatores biopsicossociais. Além disso, no mundo atual, faz cada vez menos sentido falar em sistemas que pretendam impor uma visão de mundo à totalidade de pessoas. Este desejo é forte indício para avaliarmos se algo que nos é proposto é lícito ou não. De fato, só podemos tolerar ideias que não incluam a imposição de sistemas ideológicos ou valores aos outros. É perfeitamente aceitável que não concordemos com todos; talvez seja até desejável, pois não somos robôs que se pode controlar. Precisamente pela dignidade e nobreza das nossas faculdades precisamos aceitar as divergências; a única exceção é quando elas pretendem exterminar nossa liberdade. Neste caso, precisamos denunciá-las.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-3764030921363529112?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/05/nietzsche-e-perversao-do-homem-versao.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-H4aqEyzCEq8/T8hi-On5cxI/AAAAAAAABB8/TuWU9A9WgaA/s72-c/o+anel.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-5364700294218587322</guid><pubDate>Wed, 30 May 2012 03:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-30T01:41:06.665-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>Darwin contra a Marcha das Vadias</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tlxLR_9OjWw/T8WZ3Vw-O9I/AAAAAAAABBw/-H8_mIRiDG4/s1600/Marcha+das+Vadias.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="202" src="http://4.bp.blogspot.com/-tlxLR_9OjWw/T8WZ3Vw-O9I/AAAAAAAABBw/-H8_mIRiDG4/s320/Marcha+das+Vadias.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A Marcha das Vadias iniciou-se no Canadá em abril de 2011; foi inspirada por uma palestra dada por um policial em uma universidade, durante a qual ele afirmou que, para evitar serem violentadas, as moças não deveriam se vestir como vadias. O comentário dele gerou revolta em algumas moças que, pouco depois, organizaram um protesto no qual se apresentaram seminuas, com palavras de ordem pintadas no corpo a favor da emancipação da mulher e do reconhecimento pleno de sua sexualidade, ainda que exibicionista. Moças de outros países se inspiraram com o protesto canadense e estão internacionalizando a Marcha das Vadias. Sábado passado, algumas moças brasileiras fizeram uma versão tupiniquim do protesto, reunindo milhares de pessoas em várias capitais, principalmente Rio e São Paulo (galeria de fotos&amp;nbsp;&lt;a href="http://g1.globo.com/brasil/fotos/2012/05/marcha-das-vadias-e-celebrada-em-diversas-cidades.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Elas que façam o que quiserem, mas será que têm alguma razão em suas reclamações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, façamos um breve histórico. Lembremos o principal argumento a favor da chamada revolução sexual dos anos 60: afirmou-se então que os instintos do corpo são da natureza e, como tal, refreá-los constituiria uma atitude anti-natural, uma verdadeira traição ao corpo, que, na lógica tradicional, seria injustamente satanizado. Daí cumpria revolucionar os costumes, liberando e aceitando plenamente os instintos naturais, incorporando-os à cultura. No plano intelectual, aprofundou-se o debate remetendo-o às considerações de Charles Darwin, biólogo evolucionista cuja obra foi usada como justificativa para a aceitação integral do aspecto animal da sexualidade humana. Assim, sugeriu-se que quaisquer mecanismos culturais de controle sobre a sexualidade eram artificiais e, como tal, precisavam ser descontinuados em favor de uma sexualidade humana menos neurótica, mais verdadeira, espontânea e natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, estas ideias foram amplificadas pelo surgimento dos anti-concepcionais, que, de fato, tornaram tecnicamente viável a efetiva liberação sexual feminina, não mais obrigatoriamente restrita à reprodução ou à criação de um lar. Seguiu-se a esta liberação técnica uma transformação cultural; como as mulheres estavam livres para exercer sua sexualidade, que não precisava mais estar restrita ao casamento, elas sentiram-se à vontade para se vestir de um modo menos discreto, com o intuito de incitar a libido masculina mais diretamente. Foi a época do aparecimento do bíkini e da minissaia. Desde então, os novos hábitos foram incorporados pelas novas gerações, mas o movimento feminista têm experimentado expressiva perda em sua capacidade de mobilização. Muitos apontam que assim tem sido porque a emancipação feminina não é percebida como necessariamente positiva pela maioria das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a Marcha das Vadias surge em um momento de aprofundamento da perda da identidade do movimento feminista, que se deve ao contínuo esvaziamento das propostas dos anos 60, seja pela transformação cultural já ocorrida, ou pela crítica ao feminismo que muitas mulheres instruídas têm feito. Só sobrou à militância restante a realização de manifestações apelativas, de evidente instrução polemista, na tentativa, um pouco patética, de manter o feminismo em evidência, ainda que ao custo da qualidade da crítica. De fato, pela sua absoluta falta de agenda política, a Marcha das Vadias só pode ser encarada como um movimento sem nenhuma substância intelectual. A proposta de que as mulheres merecem respeito integral independentemente do modo como se vistam não constitui nenhuma novidade; não há nenhum grupo político no Ocidente que defenda agenda contrária a esta solicitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, restou ao movimento radicalizar em cima das considerações de um profissional de segurança pública, que, convenhamos, não têm nada de excepcional. É claro que, em um mundo ideal, não haveria estupradores, mas enquanto os houver, não parece sensato provocá-los, não é verdade? Essa é a dimensão óbvia da crítica à Marcha das Vadias; mas podemos nos aprofundar com considerações darwinianas, fazendo um paralelo às teorias da década de 60: àquela época, disse-se que o instinto sexual humano era puramente animal, e que as inserções culturais que procuravam controlá-lo seriam intromissões indevidas. Tudo bem, mas, se o instinto sexual humano é intrinsecamente bom, o que haveria de errado no desejo masculino de possuir as moças à força; ainda mais porque, na atualidade, são diretamente provocados em suas faculdades sexuais por uma considerável parcela delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, estes dois raciocínios estão errados, pois ambos partem da mesma premissa equivocada: a de que a sexualidade humana seria puramente biológica, e, como tal, não poderia ser regulada culturalmente. Ao afirmar unicamente o aspecto biológico da sexualidade humana, estas duas ideias bestializam a nossa sexualidade, que, para ser efetivamente ela própria, precisa de humanidade.&amp;nbsp;Assim, impõe humanizar a sexualidade humana, incluindo, em sua avaliação, os amplos aspectos biopsicossociais que a compõem; dentre os quais a cultura e o psiquismo, reconhecendo-se, assim, a importância da vida emocional na sua composição. No fundo, cumpre reconhecer que a sexualidade humana é naturalmente diferente daquela dos animais, pois, sendo capazes de amar, se não amássemos, nossa sexualidade seria mais bestial que aquela de uma galinha, que é por natureza incapaz de amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-5364700294218587322?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/05/darwin-contra-marcha-das-vadias.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-tlxLR_9OjWw/T8WZ3Vw-O9I/AAAAAAAABBw/-H8_mIRiDG4/s72-c/Marcha+das+Vadias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-4496996886096798229</guid><pubDate>Sun, 20 May 2012 18:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-20T15:41:24.432-03:00</atom:updated><title>Pepsi se compromete formalmente a não usar embriões humanos em suas bebidas</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-chu-tTrW6iU/T7k6BexTnCI/AAAAAAAABBk/gedwidLAYso/s1600/Pepsico%2Bresponde%2Bacusa%25C3%25A7%25C3%25A3o.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="211" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-chu-tTrW6iU/T7k6BexTnCI/AAAAAAAABBk/gedwidLAYso/s320/Pepsico%2Bresponde%2Bacusa%25C3%25A7%25C3%25A3o.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Após uma batalha de mais de um ano de duração, a Pepsico, empresa fabricante da Pepsi, outros refrigerantes e vários salgadinhos, finalmente respondeu conforme a gravidade das acusações que pesavam sobre ela. Pra quem não sabe, estava em vigor um grande boicote a todos os seus produtos sustentado por 27 organizações pró-vida americana, que faziam uma acusação gravíssima contra esta grande multinacional: a Pepsico estaria formulando realçadores de sabor para adoçantes em parceria com uma empresa conhecida por usar proteínas de fetos humanos abortados em seus produtos, a Senomyx. Ao longo deste período, a organização líder do boicote, a "Children of God for Life", tentou contactar diversas vezes a empresa, mas nunca obteve uma assertiva satisfatória; só respostas evasivas e imprecisas, numa vergonhosa atitude de descaso, considerando-se a gravidade da acusação. A empresa ignorou até mesmo os apelos de um acionista que exigiu esclarecimentos sobre o assunto. Durante o embate, contatou-se também o ministério da agricultura do governo Obama, que se limitou a afirmar que os estudos da Senomyx com embriões humanos abortados encontram-se amparados legalmente e cumprem as exigências da pasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a disseminação do boicote mexeu, como não poderia deixar de ser, com a parte mais sensível da Pepsico: a carteira. Então, assim que a mobilização começou a se tornar conhecida nos Estados Unidos, irradiando-se, inclusive, para o exterior, rapidamente a Pepsico mudou sua atitude. Finalmente, ela se posicionou de modo enfático e esclarecedor a respeito da acusação, comprometendo-se publicamente a não usar células de embriões humanos abortados em suas pesquisas de realçadores de sabor. Paul Boykas, vice-presidente para políticas públicas globais da Pepsico, emitiu um documento com o novo posicionamento da empresa para a "Children of God for Life", no qual afirma que a empresa não utilizará "tecidos humanos ou linhas celulares derivadas de fetos ou embriões humanos para pesquisas" (documento&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.cogforlife.org/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/pepsiresponse042012.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Ainda impressiona que a Pepsico tenha levado tanto tempo para tomar esta atitude. Assim, a "Children of God for Life" pôde declarar oficialmente o fim ao boicote (comunicado&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.cogforlife.org/2012/04/30/an-end-to-the-pepsi-boycott/"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Desta forma,&amp;nbsp;pelo menos por enquanto você pode curtir sua Pepsi à vontade, com a consciência tranquila. Ninguém teve que morrer para você aproveitá-la. Mas se você, como eu, preferir a Coca-Cola, não vou me importar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-4496996886096798229?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/05/pepsi-se-compromete-formalmente-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-chu-tTrW6iU/T7k6BexTnCI/AAAAAAAABBk/gedwidLAYso/s72-c/Pepsico%2Bresponde%2Bacusa%25C3%25A7%25C3%25A3o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-8845816446018093339</guid><pubDate>Sun, 13 May 2012 19:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-13T16:47:17.396-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Televisão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>O aquecimento global e o capitalismo, segundo um professor da USP</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2ccbOBxwbGU/T7AJ8wvSMzI/AAAAAAAABBU/XWIcih8Pc_c/s1600/Ricardo+Augusto+Felicio.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://3.bp.blogspot.com/-2ccbOBxwbGU/T7AJ8wvSMzI/AAAAAAAABBU/XWIcih8Pc_c/s320/Ricardo+Augusto+Felicio.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Por valorizar a educação, acredito que podemos avaliar as opiniões alheias conforme o grau de chancelas acadêmicas das pessoas. Certamente, pessoas esclarecidas haverão de considerar mais as palavras dos médicos sobre a sua saúde do que as do primo que sequer concluiu o ensino médio. Assim, não posso deixar de influenciar-me pelas opiniões que me parecem mais exatas a respeito da tão alardada questão do aquecimento global. Antes de informar-me com o devido cuidado, pensava como a maioria das pessoas: o aquecimento do planeta seria uma realidade objetiva, confirmada por cientistas de renome internacional, que estaria colocando em risco o futuro do meio ambiente e da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, antes que eu continuasse acreditando em histórias da carochinha, tive a felicidade de outras opiniões cruzarem o meu caminho. Primeiro, foi uma entrevista do climatologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, para alguma TV regional. Nela, Molion procurou desmontar completamente o que definiu como farsa do aquecimento global. Com propriedade científica, ele rebateu a argumentação que supostamente justificaria o aquecimento global. Pena que nunca obtive um vídeo desta entrevista, senão o teria publicado há muito tempo. Apesar disso, ainda estava um pouco inseguro por se tratar de um acadêmico de instituição menos reconhecida em um meio de comunicação muito pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tive sorte ainda maior. Soube de uma entrevista de um climatologista da USP, Ricardo Augusto Felicio, ao Jô Soares. Com um linguajar um pouco mais informal, estavam lá as mesmas informações sobre o aquecimento global: uma farsa do capitalismo para forçar a troca contínua dos bens de produção. Poderia transcrevê-la, mas é melhor que você a veja com seus próprios olhos, e tire suas próprias conclusões. Numa feliz coincidência, enquanto procurava a entrevista do Felicio, encontrei outra entrevista do prof. Molion, esta ao programa Canal Aberto, da TV Bandeirantes. Também a recomendo a todos aqueles que querem estar bem informados sobre esta inquietante questão da contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="359" src="http://www.youtube.com/embed/winWWplmyMk" width="485"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="359" src="http://www.youtube.com/embed/Pqz4yMzbwF0" width="485"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-8845816446018093339?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/05/o-aquecimento-global-e-o-capitalismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2ccbOBxwbGU/T7AJ8wvSMzI/AAAAAAAABBU/XWIcih8Pc_c/s72-c/Ricardo+Augusto+Felicio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-688633500874861983</guid><pubDate>Sun, 29 Apr 2012 05:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-04-29T03:03:56.676-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Religião</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ateísmo / Richard Dawkins</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Liberdades individuais</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Arte</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><title>Emergência e superação do egocentrismo moderno</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OTngh2tfAnY/T5zVCl0j4PI/AAAAAAAABBI/pL9_6aCg8Kc/s1600/Burgu%C3%AAs.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="198" src="http://1.bp.blogspot.com/-OTngh2tfAnY/T5zVCl0j4PI/AAAAAAAABBI/pL9_6aCg8Kc/s320/Burgu%C3%AAs.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Excetuando-se a Antiguidade, podemos dizer, de modo resumido, que houve duas civilizações ocidentais: a cristã e a moderna. Na primeira, a identidade humana nunca era compreendida fora dos limites estreitos da autoridade coletiva, a Igreja, reguladora da maioria das instâncias sociais. Neste contexto, o humano existe como parte de uma identidade maior, cósmica; ele não pode ser resumido à unidade física de um corpo descontextualizado. Pelo contrário, a unidade é coletiva; estende-se às fronteiras da cristandade, e sua garantia é a religião institucionalizada, que sustenta a civilização para além das diferenças culturais acentuadas em um mundo sem internet. Ou seja, a identidade humana na civilização cristã se encontra estreitamente unida à condução da Igreja; não há espaço para um "eu" burguês interessado apenas no seu bem próprio. A noção de nobreza, como o próprio nome indica, é completamente diferente da personalidade apequenada do indivíduo que se afasta do espírito coletivo com a intenção de se destacar. Ao contrário deste, o nobre é um sujeito à serviço da coletividade; ele é o guerreiro que defende materialmente o território sagrado da identidade coletiva com seu sangue e com seus bens, por isso, o seu direito é divino. Também é sagrada a Igreja, salvaguarda moral e intelectual do Ocidente, tabernáculo dos grandes tesouros do cristianismo. Por ela, única unidade de identidade possível, o Ocidente todo haverá de guerrear. Ao contrário do que muitos pensam atualmente, a Igreja não se impunha à sociedade; ela era também produto da sociedade. Há uma dialética que a sustenta. Um estudante talentoso de história verá que ela foi elevada sobretudo por necessidade; a Igreja finaliza a Antiguidade como única instituição capaz de sustentar alguma ordem no caos absoluto da queda do Império, atacado por hordas contínuas de bárbaros. Deste modo, a Igreja articulou a continuidade do legado grego e romano, evidentemente, adaptando-o ao cristianismo; além de defender a integridade das pessoas que buscavam sua assistência. Assim, a construção da civilização cristã ocorre ao seu redor, naturalmente, sem as imposições que muitos hoje em dia inocentemente pressupõem. Deste modo, à medida que o cristianismo se espalha sobre a Europa, para além das grandes diferenças culturais entre os povos, a Igreja é o elo de união em torno dos mesmos princípios e valores sob os quais estão sujeitas todas as pessoas, do mais humilde trabalhador ao papa. Neste contexto divinizado, qualquer autoridade existente, seja leiga ou eclesiástica, é entendida como serviço, e não como trampolim para o sucesso e o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ocorre uma dramática inversão destes valores com o advento da modernidade. Com o domínio da Igreja sobre o continente europeu, o que levou a sua relativa pacificação, abrem-se as estradas, restabelecem-se as comunicações e fundam-se as universidades. Logo surgem importantes questões administrativas. O comércio encontra-se atravancado pelos inúmeros ducados entre as regiões de troca, frutos do passado feudal. Deste modo, um mesmo produto é tributado várias vezes ao longo de seu transporte. Os artesãos e comerciantes, respectivamente, criadores e distribuidores dos bens materiais, clamam por uma administração centralizada que unifique a cobrança dos impostos. Por conta de sua situação geográfica e administrativa única, o condado portucalense é alçado à condição de primeiro estado nação. Seu sucesso retumbante serve de modelo para a instauração de outros regimes administrativos semelhantes: um Estado centralizado em um Rei que o personifica, máxima instância executiva, legislativa e judiciária. Assim, desaparecem por completo os entraves burocráticos ao comércio. Os artesãos e comerciantes cada vez mais se profissionalizam e ganham destaque na sociedade. Deste modo, foi natural quando passaram a reivindicar títulos de nobreza, apesar de ser questionável se o seu trabalho prestava um serviço nobre à coletividade, afinal, trabalhavam sobretudo em causa própria. Na defesa dos interesses econômicos que o sustentavam, o Estado aos poucos foi cedendo à causa dos artesãos e dos comerciantes. A figura da nobreza guerreira à serviço da civilização cristã deu espaço à figura do burguês que, com o comércio de seus produtos, sustenta o poder de um Rei que, cada vez mais, existe para legitimar o poder do capital. Assim, ao longo de alguns séculos, a noção de serviço em favor do coletivo foi substituída pela noção de sucesso individual às custas do coletivo; ou seja, ocorre uma descaracterização do Estado, que deixa de servir aos interesses da maioria que o sustentava em favor dos interesses da minoria econômica que passa a sustentá-lo. Esta descaracterização não tardará a chegar ao campo das ideias. Assim como o Rei passa a advogar a favor da burguesia, o intelectual passará a defender os interesses de uma individualidade reduzida a seu denominador mínimo: uma só pessoa. Ou seja, onde antes havia a preocupação pelo interesse coletivo, e a compreensão de humano através de sua inserção na sociedade, passa a haver a preocupação pelo interesse individual, e a compreensão de humano através de sua individualização. O burguês torna-se o modelo de sucesso a ser adotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, como uma sociedade é composta por todas as suas partes, e estas se interrelacionam dinamicamente, a inversão individualista rapidamente atinge outras esferas sociais. Na religião, por exemplo, o coletivo eclesiástico é abolido em favor da interpretação pessoal das escrituras com o advento do protestantismo. Não foi à toa, portanto, que a criação de Lutero logo se tornou a religião oficial do capitalismo ascendente. Afinal, as principais correntes protestantes pregam desde suas origens que o homem abençoado por Deus é rico materialmente. Não tardou que reis apoiados por burgueses protestantes se rebelassem contra Roma e impusessem esta nova religião aos seus povos. Também na Academia ocorre a inversão individualista; onde antes havia respeito e admiração pela herança cristã e seu senso de coletividade, logo surge a desconfiança e o interesse pelo indivíduo isolado. O ápice desta revolução é, evidentemente, o Iluminismo, que apenas sintetizou o espírito da burguesia ascendente de sua época em favor de uma ética centrada nas potencialidades econômicas do indivíduo. O próximo passo da modernidade no assalto contra o chamado "Antigo Regime" seria a eliminação do último vestígio da civilização cristã: a Igreja nos países onde ela ainda era influente, pois sempre condenara o lucro e a exploração. Dá-se a Revolução Francesa e, com ela, a coroação solene do burguês e do dinheiro como principais preocupações do Estado. De modo variável, a Revolução espalha sua influência por todo o continente, determinando o surgimento de uma era centrada no espírito burguês: a Modernidade. Perde-se cada vez mais a noção de coletividade; a sociedade passa a ser centrada em indivíduos autônomos, a noção de serviço cede lugar à noção de conquista. Esteticamente, essa opção pela individualidade é radicalizada no movimento romântico, com seus autores cheios de dores e sofrimentos em relação à vida materialista e sem sentido que levam. A única fuga que vislumbram teria de ser, naturalmente, para um mundo dotado de valores nobres, onde houvesse ainda um senso de heroísmo. Desenvolveram, então, paralelamente à lamentação da vida presente, uma idealização de tempos passados, de nobres cavaleiros que defendem damas em perigo, de cruzados salvaguardando a fé.&amp;nbsp;É, certamente, uma bela fuga; mas, ainda assim, uma mera tentativa de driblar a dura realidade opressora de uma vida voltada somente às obrigatoriedades do dinheiro e da fama. Por fim, haveria de prevalecer a realidade, evidentemente; e ao autor, acurralado, restava somente a melancólica entrega à tuberculose, sacerdotisa da morte redentora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo surgiu a percepção de que estes valores modernos eram contrários ao bem, seja dos indivíduos isoladamente ou da sociedade como um todo. Então, emergiram teorias que, com suposto respaldo científico, buscaram reparar as injustiças cometidas contra as pessoas e contra a sociedade. Escrevendo contra a exploração da mão de obra operária pelo burguês, Marx pregou a conscientização da classe trabalhadora em relação aos abusos que ela sofria. Já destituído do espírito cristão, este autor propôs violentas revoluções como principal alternativa para tomada do poder pelo proletariado, e, deste modo, construir uma civilização sem injustiças sociais. Felizmente, os trabalhadores nunca se entusiasmaram muito com a ideia. No geral, imperou entre os marxistas o desentendimento e a disputa política; talvez porque, como bons burgueses em desacordo, importava mais tornar-se notável do que promover um mundo melhor. Nas raras ocasiões em que chegaram ao poder, os marxistas mataram milhares, quando não milhões de pessoas. Igualmente perigosa foi a psicanálise, o método supostamente terapêutico para psicopatologias desenvolvido por Sigmund Freud. Como o marxismo, a psicanálise pretende-se um sistema para entendimento da realidade; neste caso, do universo psíquico de uma pessoa. Porém, Freud perdeu-se em uma infinidade de graves generalizações, como no caso do complexo de Édipo. Ainda escandaliza que estes delírios foram considerados científicos. Esta grave injustiça só está sendo reparada na atualidade, onde a psicanálise continuamente perde seu prestígio entre os profissionais de saúde, estando cada vez mais relegada às fantasias amalucadas dos cursos de humanidades. Todavia, a retórica violenta e autoritária da auto-crítica burguesa atingiu sua máxima expressão de sede de poder e arrogância na obra de Friederich Nietzsche, um filósofo que pregava a violência como a mais nobre manifestação humana. Para Nietzsche, o espírito cristão aniquilava a humanidade ao subtrair a agressividade de seus adeptos. Então, seria necessário refundar o Ocidente, instaurando uma sociedade de homens violentos; e ele pretendeu fazê-lo sobre si mesmo, propondo-se como o mais acabado modelo de humano, a quem se deveria imitar, no maior delírio egocêntrico de que se tem notícia. Seu ideário violento e sua sede de poder tornam-no, em certa medida, um precursor do nazismo. Infelizmente, estes três sistemas que mais se notabilizaram na crítica ao espírito burguês e sua desnaturalização do ser humano, revelaram-se, no fim, igualmente egocêntricos e contrários à dignidade humana; em outras palavras, promoveram a mesma desumanização que pretendiam combater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mesmo os autores mais abertamente anti-cristãos evidenciam o esgotamento da modernidade e seus valores burgueses. A busca desenfreada de poder e notoriedade desfalece ao desenvolvimento de uma consciência humanista universal que, aos poucos, tem restabelecido certa normalidade ao senso comum. Percebam a agonia mortal do nacionalismo e do imperialismo, através dos quais uma sociedade burguesa pretendia subjugar a outra, tornando-se a mais poderosa. Quantas vidas não foram estupidamente aniquiladas porque, preocupadas apenas consigo mesmas, algumas nações desejaram destruir-se umas às outras?A contemporaneidade tem outras preocupações: valorização do ser humano, promoção da saúde, das comunicações, da diplomacia, do ecumenismo, da democracia mundo afora. Salvo a loucura do aborto, vislumbra-se cada vez mais o progresso de um humanismo efetivo, que rejeita os gestos intolerantes, fundamentalistas, extremistas e, sobretudo, exploratórios, contrariando, assim, a visão de que um povo pode subjugar o outro por razões econômicas. Nunca na história humana a escravidão e a transformação do outro em objeto de lucro causaram tanto escândalo. Também são cada vez mais criticadas as democracias de fachada e a corrupção, considerando-se verdadeiramente progressistas as nações mais democráticas e transparentes. O mais importante é que todos estes avanços não pertencem aos políticos, mas às pessoas; são transformações que emanam do povo, cada vez mais horrorizado diante da guerra e do terrorismo. E este povo aproveita-se dos avanços tecnológicos para criar um aldeia global, onde pessoas das mais diferentes culturas quotidianamente trocam suas experiências, levando a progresso nas mais diversas áreas, destacando-se a científica. Assim, emerge a conscientização pelo bem comum e a percepção de que somos todos iguais. O fortalecimento destes avanços colaboram, cada vez mais, pela superação de uma visão financista e utilitarista do ser humano, que é substituída por outra, integralista e holística. Todas as pretensões de dominação e poder se esvanecem continuamente, persistindo apenas na cabeça das poucas pessoas que não têm medo de ser autoritárias, inspiradas que são por seus ideais modernos. Sua visão de que a humanidade existe para atender certos interesses externos é cada vez menos aceita diante da maturidade de uma consciência que ensina o contrário; os interesses é que devem estar a favor do ser humano. Assim, arroubos amalucados como os ensinamentos de Marx, Freud e Nietzsche têm cada vez menos lugar, porque os espaços são cada vez mais ocupados pelo bem, pelo sorriso e pela esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-688633500874861983?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/04/emergencia-e-superacao-do-egocentrismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OTngh2tfAnY/T5zVCl0j4PI/AAAAAAAABBI/pL9_6aCg8Kc/s72-c/Burgu%C3%AAs.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-3368488058389647357</guid><pubDate>Mon, 16 Apr 2012 21:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-04-16T18:14:06.102-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><title>Os bebês anencéfalos e o capitalismo</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wZacf9IEV7U/T4yIu7q12tI/AAAAAAAABA4/rDIzXqdx4bg/s1600/Beb%C3%AA+dinheiro.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" nda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-wZacf9IEV7U/T4yIu7q12tI/AAAAAAAABA4/rDIzXqdx4bg/s320/Beb%C3%AA+dinheiro.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Numa decisão esperada, o Supremo Tribunal Federal validou, semana passada, o aborto dos bebês anencéfalos, por 8 votos a 2. De modo geral, os votos a favor da medida apelaram para a situação de irreversível doença do anencéfalo, que, em geral, vive por poucas horas ou dias, e para as supostas repercussões traumáticas que a continuidade da gravidez de um anencéfalo pode ter sobre a mulher que o espera. Contrariaram a opinião da maioria os ministros Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski, que, em apresentações brilhantes, recordaram diversos motivos pelos quais a vida do anencéfalo não pode ser descartada, sobretudo porque, apesar da deficiência marcante que os assinalda, continuam seres humanos iguais a nós. Tanto é assim que, se um bebê anencéfalo vier a nascer, mesmo agora após a liberação para o seu aborto, a Constituição garante-lhe direitos iguais aos nossos. Tomado de grande inspiração, o ministro Peluso perguntou, então,&amp;nbsp;como seria possível haver a autorização para abortar o anencéfalo enquanto no útero de sua mãe, mas a proibição de matá-lo assim que nascesse. Com este raciocínio, ele apontou a grave incoerência jurídica presente na liberação para o massacre destas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, as razões pelas quais não se deve matar crianças indefesas e doentes são bastante extensas. Um mundo onde se possa descartá-las como objetos de desagrável aparência apenas para evitar o sofrimento parece-me deveras desumano. Como bem reconhecem mesmo os médicos que defendem a prática, estão abertas as portas para a eugenia em nosso país (reportagem &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/meuolhar/1076055-medica-geneticista-esclarece-questoes-sobre-anencefalia.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Ou seja, a aprovação do aborto de anencéfalos inaugura a corrida para a inclusão de outras doenças que justifiquem a interrupção da gravidez. Assim, parece menos distante o dia em que será liberado o aborto de fetos diagnosticados com síndrome de Down, por exemplo. Nos Estados Unidos, onde o aborto é completamente liberado, apenas 8% dos fetos com síndrome de Down chegam a nascer; a maioria deles é abortada (artigo &lt;a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/(SICI)1097-0223(199909)19:9%3C808::AID-PD637%3E3.0.CO;2-B/abstract"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Então, é razoável perguntar-se o porquê de tamanha matança. Qual seria a transformação ocorrida na cabeça dos pais dessas crianças ao serem informados de que, ao contrário de suas alegres expectativas de saúde, seus filhos são portadores de uma grave doença irreparável?&amp;nbsp;Por que&amp;nbsp;passaram a considerar&amp;nbsp;a morte do filho tão aguardado uma solução mais humana que a sua aceitação, apesar de seus defeitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, não havia este problema; bem como não haviam os diversos exames pré-natais disponíveis atualmente. A evolução tecnológica tornou possível a detecção de mal-formações fetais. Além disso, ao longo do séc. XX, o Ocidente viveu uma reformulação dos valores morais, cada vez menos&amp;nbsp;significativos diante da sede por dinheiro e poder. O séc. XX foi o período no qual se reduziu o valor da vida humana às suas potencialidades econômicas. Se antes a vida era considerada um bem sagrado a ser respeitado por vontade divina, hoje ela é um valor que pode ser relativizado conforme as contingências financeiras. No contexto atual&amp;nbsp;de grande competitividade, parece natural dispor-se da vida de crianças indefesas quando a existência delas representa um possível dano econômico às suas mães. A continuidade deste raciocínio aponta à completa inutilidade de fetos incapazes de se desenvolver em adultos economicamente ativos. Então, para evitar os possíveis danos financeiros que suas famílias podem sofrer, permite-se que o desespero comum aos diagnósticos incapacitantes seja transformado em ódio contra um ser totalmente indefeso, incapaz de pagar pelo próprio champagne, razão pela qual se considera justo que seja fatiado vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-3368488058389647357?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/04/os-bebes-anencefalos-e-o-capitalismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wZacf9IEV7U/T4yIu7q12tI/AAAAAAAABA4/rDIzXqdx4bg/s72-c/Beb%C3%AA+dinheiro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-7530070587068788894</guid><pubDate>Wed, 11 Apr 2012 04:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-04-11T01:24:31.254-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Televisão</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>O jogo imundo da Folha de S. Paulo contra uma criança</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jNyKXafyk38/T4UHdl0riII/AAAAAAAABAw/EV3EwawALCM/s1600/crian%25C3%25A7a%2Bmaltratada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="209" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-jNyKXafyk38/T4UHdl0riII/AAAAAAAABAw/EV3EwawALCM/s320/crian%25C3%25A7a%2Bmaltratada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Até onde um veículo de comunicação é capaz de ir para se destacar? Muitos reclamam de programas popularescos da televisão, como Gugu e Ratinho, os quais, supostamente, desvalorizam o ser humano ao expor suas piores fraquezas com fins comerciais. Muitos articulistas de jornais sérios citam tais programas como exemplos do mau uso que se pode fazer dos meios de comunicação. Mas estes mesmos articulistas covardemente se calam quando o jornal para o qual trabalham explora de modo igualmente grosseiro as fragilidades de alguém, no caso, uma criança possivelmente doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha de S. Paulo, em mais um arroubo absurdo, tem coberto com grande destaque as manifestações do empresário Roberto Justus a respeito da saúde de sua filha de três anos, a quem são atribuídos problemas de saúde. Sempre que Justus expõe publicamente a menina e reafirma a sua saúde, a Folha lança uma reportagem a respeito, acompanhada de uma foto da garota (reportagem &lt;a href="http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1071724-minha-filha-nao-tem-problema-diz-roberto-justus-sobre-rafaella.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). De fato, Justus colabora com a exploração da imagem de sua filha, mas, havendo a séria suspeita a respeito da saúde dela, é ético do jornal abordar uma situação tão particular apenas para chamar atenção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os médicos, é sabido que há pais que negam as doenças de seus filhos, afirmando-os perfeitamente saudáveis, apesar de todas as evidências contrárias. Agem assim na tentativa de protegê-los, e nem se dão conta de que os estão expondo ainda mais aos comentários maldosos das outras pessoas. Assim, é uma grosseria absurda a Folha de S. Paulo explorar um acontecimento familiar possivelmente sério apenas para vender jornais ou ganhar cliques. Em se tratando de assunto da área da saúde, a Folha deveria ter se informado a respeito com um médico antes de publicar tais reportagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, ironicamente, jornalistas que se consideram arautos da decência e da civilidade compactuam com monstruosidades da pior espécie calados. São rápidos para condenar os trejeitos amalucados do Marquito no Programa do Ratinho, ou o sensacionalismo piegas do Gugu, mas, quando chega a hora de se manifestar contra a redação na qual trabalham, silenciam covardemente, afinal, só são valentes para criticar os erros dos outros. Por tudo isso, sou mais a anarquia sincera do Ratinho, com suas falsas baixarias, que a hipocrisia de jornalistas pseudo-intelectuais metidos à besta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-7530070587068788894?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/04/o-jogo-imundo-da-folha-de-s-paulo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jNyKXafyk38/T4UHdl0riII/AAAAAAAABAw/EV3EwawALCM/s72-c/crian%25C3%25A7a%2Bmaltratada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-2267543722293663651</guid><pubDate>Sun, 08 Apr 2012 18:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-04-08T15:13:36.208-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Religião</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ateísmo / Richard Dawkins</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>Ateus ridicularizam ator que se enforcou por acidente</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RtkA-82Q0FY/T4HVR-3p6MI/AAAAAAAABAk/qG_WYvXbYyc/s1600/hiena%2Brindo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="201" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-RtkA-82Q0FY/T4HVR-3p6MI/AAAAAAAABAk/qG_WYvXbYyc/s320/hiena%2Brindo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Durante uma encenação da Paixão de Cristo na pequena Itararé (SP), um ator de 27 anos que representava Judas Iscariotes enforcou-se acidentalmente. Suspenso à corda pelo pescoço, esteve desmaiado por quatro minutos, durante os quais seus amigos pensaram que ele estava representando. Assim que perceberam que ele estava inconsciente, levaram-no ao hospital, onde se encontra em estado grave no momento. Em pessoas normais, imagino eu que casos como este despertem compaixão pelo sofrimento desnecessário. Porém, já há quem celebre alegremente a infelicidade do jovem ator, associando-a à uma suposta estupidez comum a todos aqueles que professam uma religião; ou seja, a depender do contexto, há quem considere a desgraça alheia muito engraçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, alguns ateus já estão se divertindo com esta história, comparando-a, inclusive, à morte do padre dos balões, que não sabia operar o aparelho de GPS que portava. De fato, estes episódios poderiam ser evitados com um pouco mais de cuidado e informação. Mas tal zombaria gratuita sobre a miséria humana bem demonstra o caráter destes ateus que se consideram tão acima da maioria das pessoas. Essa gente pretende substituir o primado das religiões na sociedade instaurando um regime guiado unicamente pela razão e pela ciência. Talvez um pouco mais de razão e ciência não faça mesmo mal algum ao mundo, mas, a julgar pela atitude grosseira, estúpida e mesquinha destes ateus, bem se vê que, no mundo ideal deles, não haveria espaço para humanidade e respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-2267543722293663651?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/04/ateus-ridicularizam-ator-que-se.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RtkA-82Q0FY/T4HVR-3p6MI/AAAAAAAABAk/qG_WYvXbYyc/s72-c/hiena%2Brindo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-8980073288898574011</guid><pubDate>Sat, 31 Mar 2012 16:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-20T19:05:16.362-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Publicidade</category><title>Grupos pró-vida dizem que Pepsi pode conter proteínas extraídas de embriões abortados</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-s0GXEkeBgu4/T3cwJmrtZfI/AAAAAAAABAY/iZAzDCgt_dY/s1600/boicote%2Bpepsi.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-s0GXEkeBgu4/T3cwJmrtZfI/AAAAAAAABAY/iZAzDCgt_dY/s320/boicote%2Bpepsi.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Circula na internet a informação de que os refrigerantes da Pepsico, que fabrica a Pepsi, possivelmente contém proteínas humanas extraídas de embriões abortados. Segundo a alegação inicial, feita pelo grupo pró-vida "Children of God for Life", a Pepsico assinou em 2010 um contrato para o desenvolvimento de adoçantes com a empresa Senomyx, que faria pesquisa de novos sabores a partir dos rins de embriões. Assim que se tornou conhecida tal suposição, em outubro de 2011, a Pepsico passou a ser questionada por vários grupos pró-vida e por um acionista, cujo processo junto à uma secretaria de regulamentação industrial do governo americano tornou-se notícia em alguns meios de comunicação. Ao invés de negar a alegação, a Pepsico se limitou a dizer que usa somente produtos da mais alta qualidade em suas bebidas, e que, por isso, elas têm sabor delicioso. Dois dias atrás, a secretaria do governo procurada pelo acionista negou a solicitação dele de que a Pepsico não use embriões humanos em seus produtos. No presente momento, 27 grupos pró-vida recomendam o boicote a todas as bebidas do grupo Pepsico. Esta alegação é tão extraordinária que exige uma análise cuidadosa. Por ora, se o assunto lhe interessa, informe-se no site do grupo pró-vida que lidera o boicote:&amp;nbsp;&lt;a href="http://cogforlife.org/"&gt;http://cogforlife.org/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;*ATUALIZAÇÃO&lt;/b&gt; (20/05/2012): A Pepsico finalmente respondeu as acusações de que usaria embriões humanos em seus refrigerantes. Através do seu vice-presidente para políticas públicas globais, a empresa se comprometeu formalmente a não utilizar proteínas humanas em suas bebidas, o que levou ao fim do boicote. Maiores detalhes no texto "Pepsi se compromete formalmente a não usar embriões humanos em suas bebidas" (link &lt;a href="http://www.polimatico.com.br/2012/05/pepsi-se-compromete-formalmente-nao.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-8980073288898574011?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/03/grupos-pro-vida-dizem-que-pepsi-pode.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-s0GXEkeBgu4/T3cwJmrtZfI/AAAAAAAABAY/iZAzDCgt_dY/s72-c/boicote%2Bpepsi.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-2630890423015863453</guid><pubDate>Sat, 24 Mar 2012 17:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-30T01:18:27.042-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Individualidade</category><title>O câncer que tirou a dona da Daslu da Disney</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nb_iU08KEng/T24rDwKdlEI/AAAAAAAABAE/_woWtDW5Xp0/s1600/Walt%2BDisney%2BWorld.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="234" src="http://1.bp.blogspot.com/-nb_iU08KEng/T24rDwKdlEI/AAAAAAAABAE/_woWtDW5Xp0/s320/Walt%2BDisney%2BWorld.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eliana Tranchesi, a dona da Daslu, a&amp;nbsp;maior loja de vestuário de alto luxo do país,&amp;nbsp;lutou duramente contra um câncer de pulmão por seis anos. Infelizmente, ela não resistiu a um agravamento por pneumonia, e morreu no fim do mês passado. Em uma declaração surpreendente feita à época do diagnóstico, Tranchesi disse que o câncer a fizera "sair da Disney". Até então, ela afirma, encarava a própria vida como uma grande brincadeira. Em suas palavras: "A Daslu é a Disney, onde tudo é lindo, as vendedoras são lindas, o cabelo é lindo, a roupa é linda, é tudo bonito. É tudo agradável. Então, de repente, você sai desse mundo da Disney e cai lá dentro do [hospital Albert] Einstein já com um monte de pacientes com câncer" (reportagem &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1052979-corpo-de-eliana-tranchesi-e-enterrado-apos-missa-com-capela-lotada.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Sua percepção do câncer pareceu-me muito adequada. Compará-lo à uma saída súbita da Disney ultrapassou a óbvia dimensão de desprazer e dor causada pela doença, demonstrando a percepção de que tal diagnóstico muda por completo o referencial de toda uma vida; no caso dela, marcada até então pela alegria; afinal, Tranchesi vivia em um mundo cor de rosa onde nada dava errado. O câncer despertou-a para a fantasia de seu estilo de vida; trouxe-a para a dura realidade de um mundo tomado por dores e angústias atrozes. Imagino que sofreu terrivelmente durante estes seis anos; muito mais do que padecera em toda a sua vida até então. Como ela mesma admite, estes sofrimentos foram ainda agravados pela investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades na importação das roupas da Daslu. De fato, Tranchesi sofreu um choque de realidade. Todas as suas expectativas fantasiosas de prazer e alegria se desfizeram subitamente, obrigando-a a olhar para si mesma doente, muito doente, e encrencada com a Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como suas palavras demonstram, estes episódios dramáticos, apesar de extremamente dolorosos, levaram Tranchesi à reflexão, e, felizmente, a um olhar mais sóbrio sobre a vida, tão pobre de Disney, tão rica de cânceres. Provavelmente nunca saberemos se ela experimentou grandes transformações em sua vida a partir destas reflexões forçadas. Podemos presumir, pelo exemplo de outros, que ela passou a valorizar mais o carinho e a presença de familiares e amigos. Talvez tenha também se tornado mais sensível ao sofrimento alheio. De qualquer forma, saiu de um mundo onde apenas o seu próprio prazer importava para outro, onde precisava compartilhar suas grandes dores e pequenas alegrias com os demais. De fato, apesar de nos causar dor, o sofrimento, mesmo o mais atroz, tem a sua face amiga: ele nos faz perceber que o mundo não é feito de vãs expectativas infantis de alegria e sucesso; na verdade, ele nos obriga a ver-nos como um pequeno elo de uma grande corrente. Desta forma, o sofrimento nos torna mais úteis e disponíveis ao nosso próximo. Ele abre as portas da Disney onde tínhamos nos escondido, e convoca-nos para o duro embate com a realidade. Se pensarmos bem, veremos que só podemos ser úteis se nos confrontarmos com a dureza da vida. Enquanto estivermos obcecados por pequenos prazeres infantis, estaremos encerrados na mais obscura Disney World; o mundo estará lá fora, clamando por nós, mas fingiremos que não o escutamos. Porém, o exemplo de Tranchesi nos mostra que um dia ele poderá nos chamar. Resta saber se teremos humanidade para perceber quando o sofrimento chama por nós, como Tranchesi teve, e maturidade para aproveitar os seus difíceis ensinamentos. Só estaremos à altura de seus desafios se formos pessoas de critério e reflexão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-2630890423015863453?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/03/dona-da-daslu-sai-da-disney.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-nb_iU08KEng/T24rDwKdlEI/AAAAAAAABAE/_woWtDW5Xp0/s72-c/Walt%2BDisney%2BWorld.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-3249056217466833381</guid><pubDate>Mon, 19 Mar 2012 23:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-19T23:09:26.666-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><title>A genialidade matemática dos espermatozoides</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-10w7NAPxvRo/T2fBDWhFUqI/AAAAAAAAA_4/AnfuSCDTLmo/s1600/espermatozoides.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-10w7NAPxvRo/T2fBDWhFUqI/AAAAAAAAA_4/AnfuSCDTLmo/s320/espermatozoides.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todos sabemos que a vida das espécies sexuadas começa em uma alucinada corrida, onde pequenas células chamadas espermatozoides, os gametas masculinos, esforçam-se ao máximo por encontrar o óvulo, o gameta feminino. Quando um espermatozoide entra no óvulo, ele desencadeia uma série de reações químicas que impedem a entrada de outro. Além disso, ele funde seu material genético ao do óvulo, determinando a formação de um outro organismo, de código genético absolutamente original. Porém, este processo aparentemente simples envolve uma infinidade de detalhes curiosos. Por exemplo, até hoje os cientistas não sabem explicar porque, no caso da fecundação humana, a ampla maioria dos espermatozoides sobe para a tuba uterina correspondente ao ovário que recentemente liberou um óvulo. Especula-se a existência de sinalizadores químicos específicos, que indicam ao espermatozoide o rumo a seguir. Hoje, pesquisadores do Centro Europeu de Estudos e Pesquisa Avançadas de Bonn divulgaram os resultados de uma interessante pesquisa sobre a movimentação dos espermatozoides (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1063997-espermatozoides-sabem-fazer-calculos-complexos-dizem-cientistas.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;): segundo eles, o óvulo recém-liberado emite uma substância química que altera a concentração de cálcio no interior dos espermatozoides. Até aí, tudo bem. O curioso é que, ao invés de se guiarem pelos níveis da substância, os espermatozoides guiam-se pelas variações da concentração da substância. Nas palavras de Luis Alvarez, coordenador da pesquisa: "O que eles medem são as taxas de mudança ao longo do tempo, a rapidez ou a lentidão da alteração da concentração de cálcio que entra nos espermatozoides de seu exterior. (...) Em função do valor da taxa de mudança, alteram a forma como movimentam a cauda e mudam de direção. Em outras palavras, a direção dos espermatozoides é regulada pela velocidade da mudança de cálcio. (...) Resulta bastante cômico pensar que o cálculo diferencial não era realizado até o século 18, mas os espermatozoides já faziam isso há mais de 400 milhões de anos." Sim, o coordenador da pesquisa comparou a habilidade dos espermatozoides em discernir seu rumo a partir de variações do íon cálcio em seu interior ao cálculo diferencial, ramo da matemática que estuda as taxas de variação de grandezas e a acumulação de quantidades, porque, afinal, é o resultado destas variações de cálcio que determina a direção de movimentação da cauda do gameta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comparação é pertinente, e, imagino, não se aplica apenas aos espermatozoides. Outras células guiam seus movimentos conforme estímulos químicos, como os leucócitos, por exemplo, que passam da corrente sanguínea para os tecidos no local exato onde ocorrem infecções, para então combatê-las.&amp;nbsp;Também os neurônios estendem seus axônios na direção quimicamente mais favorável.&amp;nbsp;Estes fenômenos de sinalização química são chamados de quimiotáxicos. Em se tratando da pesquisa anunciada hoje, sua originalidade está justamente na avaliação matemática das variações químicas do cálcio dentro dos espermatozoides e o reflexo fisiológico (a determinação da quimiotaxia que dá o rumo à célula). Em outras palavras, descobriu-se que a matemática dos espermatozoides está 400 milhões de anos à frente da nossa. Então, é de se perguntar se estamos minimamente pertos de conhecer todos os fenômenos naturais, se desconhecemos mesmo as ocorrências mais simples que nos rodeiam. De fato, apenas pessoas ignorantes em ciência acham que os cientistas podem explicar qualquer fenômeno; qualquer pessoa que verdadeiramente estude alguma ciência sabe que, ao menos por enquanto, a ignorância ainda é muito, muito maior que o conhecimento. Surpreende, porém, que, apesar da nossa ignorância quase completa, haja tantas pessoas convencidas de que a ciência tem respostas para tudo. De fato, ainda nem temos uma resposta convincente para a existência dos átomos; tanto que se construiu aquele imenso acelerador de partículas na fronteira franco-suíça justamente para se tentar provar a existência do Bóson de Higgs, que seria a partícula fundamental a compor todas as coisas existentes. Infelizmente, talvez se possa compreender estas expectativas irreais das pessoas sobre a ciência devido às afirmações exageradas de alguns cientistas que, na busca por notoriedade e fama, fazem parecer que fenômenos totalmente ignorados são plenamente conhecidos. Deste modo,&amp;nbsp;ao promover a ignorância e a mistificação, prestam um grave desserviço à causa científica. Assim, cada vez que fico sabendo de algum alucinado proclamando que a ciência tem respostas para tudo, chego a desejar que a quimiotaxia do espermatozoide que lhe deu origem tivesse sido um pouco menos eficaz, de modo que não ocorresse a fecundação que o originou. De fato, é uma pena que os espermatozoides ainda sejam muito mais inteligentes do que nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-3249056217466833381?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/03/espermatozoides-fazendo-calculo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-10w7NAPxvRo/T2fBDWhFUqI/AAAAAAAAA_4/AnfuSCDTLmo/s72-c/espermatozoides.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-1344888337725026613</guid><pubDate>Wed, 14 Mar 2012 02:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-13T23:14:14.955-03:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Liberdades individuais</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>"A Divina Comédia", de Dante Alighieri, sob risco de censura</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dSRA1E61yao/T1_64HLHYtI/AAAAAAAAA_s/1ThX4sgxey8/s1600/Divina%2Bcom%25C3%25A9dia.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://1.bp.blogspot.com/-dSRA1E61yao/T1_64HLHYtI/AAAAAAAAA_s/1ThX4sgxey8/s320/Divina%2Bcom%25C3%25A9dia.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sim, há uma ONG esquerdista que quer censurar "A Divina Comédia", de Dante Alighieri, em todas as escolas italianas. Pra quem não sabe, trata-se do maior clássico em italiano, a primeira grande obra literária neste idioma. O equivalente para nós seria "Os Lusíadas", de Luís de Camões. A justificativa dada para tal solicitação despropositada é que, além de racista e homofóbica, a obra incentivaria o preconceito religioso ao mostrar líderes judeus e muçulmanos no inferno (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.corriere.it/cultura/12_marzo_12/divina-commedia-eliminare-gherush92_674465d8-6c4e-11e1-bd93-2c78bee53b56.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Desta forma, visando a integração destes povos à comunidade italiana, cumpriria excluir "A Divina Comédia" do currículo escolar, na tentativa de tornar as crianças italianas mais tolerantes e receptivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, cabe perguntar algumas coisas: o banimento de uma obra literária com a qual a imensa maioria de jovens não se importa teria mesmo o poder de alterar a cultura geral? Assim sendo, proibindo-se "A Divina Comédia" não se estaria punindo injustamente os poucos jovens que se interessariam em conhecê-la? Ora, não é certo que é perfeitamente possível ler um livro sem concordar com ele? Ainda mais em se tratando de uma obra do século 14 redigida em linguajar que, aos leitores atuais, certamente soará estranha e datada? Por sua vez, tal proibição não esconderá a intenção questionável de policiamento cultural pela imposição forçada de valores externos à maioria das pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, esta tentativa de censura forçada à um dos maiores clássicos da literatura mundial em seu próprio país de origem revela uma intensa campanha de revisionismo histórico e cultural, onde se pretende a substituição completa dos valores culturais dos países ocidentais. A esquerda lidera o movimento, mas mesmo líderes conservadores, como o primeiro ministro da Inglaterra, David Cameron, têm-se dado a perseguir símbolos culturais históricos do Ocidente. No caso, ele estará contra duas mulheres inglesas que recorreram à Corte Europeia de Direitos Humanos após a Justiça inglesa aceitar que fossem demitidas por se recusarem a retirar o crucifixo (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/1060384-crucificar-os-crucifixos.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os países ocidentais há esforços neste sentido, inclusive no Brasil. Em outubro de 2010 veio à tona a tentativa, pelo Ministério da Educação do governo Lula, de proibir a distribuição do livro "Caçadas de Pedrinho" de Monteiro Lobato para as crianças. A justificativa era de que esta obra do renomado escritor é racista (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/saber/822230-conselho-de-educacao-quer-vetar-livro-de-monteiro-lobato-em-escolas.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Após grande polêmica nos meios de comunicação, a tentativa foi abortada. Mais recentemente, os magistrados do Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul ordenaram a retirada de todos os crucifixos das repartições jurídicas daquele estado atendendo à solicitação de uma ONG do movimento gay, a Liga Brasileira de Lésbicas (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/1058048-justica-gaucha-manda-retirar-crucifixos-de-reparticoes.shtml"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde isso vai acabar? Não sei. Em todas estas ocasiões de questionamento têm se levantado pessoas corajosas posicionando-se contra tais tentativas absurdas de revisionismo. Elas lembram que a herança cristã é natural aos países ocidentais, e que, desta forma, removê-la à força, sob a ridícula justificativa de que o Estado é laico, seria impor vontades minoritárias à maioria, cujo direito à própria cultura deve ser garantido, em nome da representatividade democrática. Afinal, como seria democrático um país onde os valores da maioria fossem proibidos em nome de minorias? O nome exato para regimes desta natureza, onde poucos podem impor suas vontades a muitos, é tirania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, a campanha pelo revisionismo cultural é cada vez mais forte, também porque a imprensa gosta de fomentar a polêmica. O problema é saber até quando haverá vozes se levantando contra tais iniciativas. A cultura ocidental permanecerá enquanto surgir uma ou outra pessoa capaz de se levantar em sua defesa. Neste sentido, será que temos feito algum esforço em tornar conhecidas estas tentativas de cerceamento da liberdade da maioria? Não será que estes ideólogos da modernidade contam com a nossa indiferença para combater os valores tradicionais do Ocidente? Assim, será que estamos fazendo pouco caso da democracia e da liberdade de sermos nós mesmos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-1344888337725026613?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/03/divina-comedia-de-dante-alighieri-sob.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-dSRA1E61yao/T1_64HLHYtI/AAAAAAAAA_s/1ThX4sgxey8/s72-c/Divina%2Bcom%25C3%25A9dia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-2121756491665332216</guid><pubDate>Fri, 24 Feb 2012 19:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:19:40.661-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>A Folha de S. Paulo e os pelos pubianos</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SLJ3jGGaGL4/T0fnxfZm-8I/AAAAAAAAA_c/v_wkz0i_6nI/s1600/Depila%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bradical.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="229" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-SLJ3jGGaGL4/T0fnxfZm-8I/AAAAAAAAA_c/v_wkz0i_6nI/s320/Depila%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bradical.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que devemos esperar de um jornal? O simples relato dos acontecimentos mais importantes? A crítica especializada sobre situações complexas? A difusão de fofocas e banalidades televisivas? Enfim, pra que serve um jornal? Qual sua função social, seus objetivos? Não precisamos divagar muito pra perceber que a principal função de um jornal é informar a população sobre os fatos mais significativos; um serviço de grande importância. Neste sentido, como não se pode noticiar tudo, tampouco todos os pontos de vista sobre uma mesma questão, os editores dos jornais devem privilegiar os fatos mais relevantes conforme os interesses da população atendida, senão, precisaria-se de um jornal tão grande quanto o mundo. Desta forma, não faria sentido que os meios de comunicação brasileiros cobrissem os campeonatos americanos de baseball com o mesmo destaque que cobrem o nosso futebol. Tampouco importariam os festivais folclóricos dos aborígenes australianos diante do nosso carnaval. Assim, não é muito difícil perceber que, na missão de levar à sociedade os fatos mais relevantes, os jornais precisam selecionar os acontecimentos, noticiando apenas aqueles de maior importância para uma dada sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, qual terá sido a reação das pessoas interessadas nos fatos mais relevantes ao olhar à primeira página da Folha de S. Paulo de um mês atrás, que, dentre as notícias de sempre, continha duas chamadas para artigos sobre, acredite, a estética dos pelos pubianos? As mesmas chamadas também foram expostas na primeira página do portal Folha.com. Uma delas entitulava-se "DEPILAÇÃO RADICAL - Nova estética faz de pelos pubianos espécie em extinção", e a outra, por um articulista, chamava-se: "Mundo limpinho não tem graça; sexo sem pelo não é sexo". Fiquei cá em dúvida se a ideia era influenciar-nos na forma como cuidamos de nossos pelos pubianos. Como houve certa contradição nos títulos, não sei se, segundo a Folha, o certo é depilá-los ou cultivá-los. Mas não; a Folha não pretendeu ensinar-nos coisa alguma. Antes, sua intenção foi manipular traiçoeiramente os desejos humanos com fins comerciais, que, como já denunciava Foucault alguns anos atrás, seria a forma do poder financeiro apropriar-se da vida das pessoas; ensinando-lhes como devem agir em relação ao próprio corpo segundo padrões de saúde, higienização, e, mais recentemente, de taras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penso que pessoas normalmente constituídas leram estes textos que sequer podem ser chamados de reportagens; eu pelo menos não li. É evidente que se trata mais de crônica de alcova que de notícia relevante. É certo que em uma sociedade cada vez mais sexualizada e hedonista há gente que se interesse pelo tema; para isso há as revistas de sacanagem. Espanta que um jornal que se pretende "a serviço do Brasil" considere este assunto de interesse. Este exemplo ressalta mais uma vez como os estranhos hábitos comportamentais da minoria vanguardista são usados, por meios de comunicação de esquerda, para combater a posição da maioria, cujo conservadorismo natural é considerado entrave para os projetos de revolução dos costumes sociais e das relações econômicas. Deste modo, por seu posicionamento ideológico, a Folha aproveita-se da intensidade do impulso sexual e do potencial de controvérsia dos temas desta natureza para deslegitimar a decência e o pudor na sociedade. Assim, procura-se rotular de retrógradas as pessoas que refutam a desmoralização do debate sobre os costumes, fazendo parecer que só aqueles sem vergonha de debater esquisitices sexuais são pessoas bem-humoradas e resolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há um aspecto ainda mais sombrio na discussão da estética dos pelos pubianos pela Folha de S. Paulo: ao privilegiar este tipo de conteúdo, diminuiu-se o espaço para discussão de outros assuntos, como política, saúde e educação. Deste modo, enquanto publicação de grande circulação e destaque, a Folha de S. Paulo contribuiu para a alienação da sociedade ao mesmo tempo em que evidenciou as discussões dos alienados. Em ambos os casos, rebaixou-se ao nível das publicações de caráter sensual. Afinal, ao tentar criar um evento midiático dando destaque a dois textos sobre um assunto absolutamente desnecessário, a Folha pretendeu influenciar os formadores de opinião, fazendo parecer que há pertinência na discussão pública de tal assunto. Ora, apesar destes contínuos ataques à normalidade, ainda podemos tentar viver normalmente. O que acontece com os pelos pubianos de cada um continuará sendo assunto privado até chegar o dia de involuirmos à nudez coletiva obrigatória. Imaginem os músicos da filarmônica de Berlim realizando seus concertos pelados, ou ainda os atletas voltando ao séc IV a.C. disputando nus as competições; seria o fim do futebol. Eu pelo menos não o veria mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-2121756491665332216?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/02/folha-de-s-paulo-e-os-pelos-pubianos.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SLJ3jGGaGL4/T0fnxfZm-8I/AAAAAAAAA_c/v_wkz0i_6nI/s72-c/Depila%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bradical.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-4874520670900139893</guid><pubDate>Fri, 17 Feb 2012 01:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.890-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>Para tornar-me um abortista</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Fiihb0i3lsY/Tz2n4JVtheI/AAAAAAAAA_E/Ryo5uVEK59Q/s1600/fetos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="218" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-Fiihb0i3lsY/Tz2n4JVtheI/AAAAAAAAA_E/Ryo5uVEK59Q/s320/fetos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No meu entendimento, uma das mais importantes características da pessoa inteligente é sua abertura intelectual. Uma pessoa capaz de grandes raciocínios deve estar aberta às divergências, ainda que inquietantes, às diferenças, mesmo as mais profundas, e aos matizes, apesar de infinitos. Assim, a preguiça, a indiferença, o marasmo e o preconceito nunca serão características de uma pessoa dinâmica, inteligente e perspicaz, aberta às novidades. Por estes motivos, acho razoável abrir-me até mesmo à questão do aborto. Será que, em determinadas condições, seria aceitável que uma mulher abortasse seu filho? De fato, acho que há sim um meio de legitimar o aborto em qualquer circunstância, se é o bem da humanidade que procuramos. Afinal, uma gravidez indesejada pode ser um grande fardo na vida de uma mulher. Além disso, obrigar alguém a cuidar de uma criança que nunca desejou é provavelmente um sério fator de risco para o surgimento de terríveis criminosos. Assim, não se pode negar que, havendo um meio de legitimar o aborto, tornando-o moralmente aceitável, seria muito importante a sua imediata aplicação. Então, qual é esse meio? Que argumento poderia ser infalível na defesa e justificação do aborto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, consideremos que o aborto deva ser aplicado para o bem da humanidade, evitando o prejuízo de mulheres descuidadas e a formação de futuros delinquentes, conforme pregam seus atuais defensores. É evidente que, para sua implementação ser válida, é necessário que ela não comporte graves contradições. Assim, se o fim da aplicação do aborto é fazer o bem ao ser humano, sua justificação só seria aceitável se, sob outro aspecto, ele não promovesse o mal ao mesmo ser humano. Talvez, para sua surpresa, há sim uma circunstância bastante simples na qual o aborto seria moralmente aceitável e eticamente válido: se o feto não for um ser humano; esta é a condição. Se o feto de uma mulher não puder, sob nenhum aspecto, ser considerado um ser humano, então o aborto não só pode, como deve ser implementado. Porém, se o feto é um ser humano, haveria uma contradição grave, pois, para se promover o bem a algumas pessoas, outras teriam de ser assassinadas. Assim, para tornar-me um abortista, ou para tornar qualquer pessoa um abortista, basta provar que o feto não é um ser humano, que, apesar de estar no ventre de uma mulher se preparando para nascer, não pode ser considerado gente. Provem-me isso, e eu me tornarei um abortista no instante seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-4874520670900139893?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/02/para-tornar-me-um-abortista.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Fiihb0i3lsY/Tz2n4JVtheI/AAAAAAAAA_E/Ryo5uVEK59Q/s72-c/fetos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-2556280321967361478</guid><pubDate>Tue, 14 Feb 2012 02:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.890-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Arte</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Individualidade</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Cinema</category><title>A grave contradição de um cineasta muito famoso</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qaBSjZwqCR4/TznFfhjxCSI/AAAAAAAAA-4/4a3gmlYMTMY/s1600/%25C3%25B3culos%2Bcineasta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="199" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-qaBSjZwqCR4/TznFfhjxCSI/AAAAAAAAA-4/4a3gmlYMTMY/s320/%25C3%25B3culos%2Bcineasta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Poucos profissionais gozam de prestígio igual ao dos cineastas; em todo lugar, eles parecem ser tratados com imensa distinção. Entre os colegas de comunicação, são quase tidos como profetas; sujeitos capazes de vislumbrar outros mundos, outras realidades; super-artistas da transmissão de ideias; magos capaz de somar imagem, interpretação, música e texto em uma unidade estética. O problema é que, na maioria das vezes, os cineastas são medíocres; buscam a profissão apenas pelo reconhecimento intelectual que ela confere. São poucas as pessoas de gênio capazes de encantar uma platéia de centenas, milhares ou milhões de pessoas. Além disso, mesmo alguns cineastas de muito talento assumem condutas bastante questionáveis, em clara contradição com os princípios de suas obras supostamente humanizantes. Assim, o endeusamento da profissão mascara muitas vezes tipos egoístas e mentirosos, dentre outras qualidades nada positivas. De fato, o prestígio é uma das melhores máscaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo estas linhas porque, há algum tempo, a imprensa noticiou novos detalhes sórdidos da vida particular de um cineasta de grande prestígio. O mesmo cineasta já havia aparecido com grande destaque em escândalos absurdos, que, estranhamente, não pareceram preocupar seus fãs, que acorrem loucamente aos cinemas a cada lançamento dele. De fato, eles ignoram que, por detrás do bom humor e da crítica social construtiva que marcam a obra deste artista, ele foi capaz de gestos muito duvidosos. Este recentemente divulgado descreve a completa ausência de relacionamento seu com um filho gerado em um de seus vários casamentos. Em entrevista, o jovem rapaz tornou conhecido que seu pai não o procura desde seus seis anos de idade apenas porque não se dá bem com sua mãe. Ou seja, seu pai deixou de relacionar-se com ele porque permitiu que as diferenças existentes com sua mãe fossem mais fortes que o amor e carinho que lhe eram devidos; um abandono sem sentido e egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, apesar de vários absurdos semelhantes, este cineasta é tratado com imensa distinção. De fato, seu cinema é interessante (apesar de prolixo), mas como não julgar sua obra a partir de sua pessoa? Como não perceber que ele utiliza o seu talento para distrair as pessoas de sua verdadeira personalidade? De que adianta o talento e a criatividade se, na vida pessoal, ele age como alguém desalmado e sem princípios? A contradição é grave ainda mais porque sua obra sempre versou sobre a humanização das relações sociais; ou seja, ele pretende ensinar-nos a agir como ele próprio não age em relação às pessoas mais próximas de seu convívio ou àquelas sobre as quais ele tem as mais sérias responsabilidades, como seu filho. Mas, que importa? Seus filmes continuarão fazendo milhões de espectadores mundo afora enquanto seu filho não recebe nenhuma atenção sua. Na sociedade onde apenas as aparências importam, mesmo as mais gritantes contradições podem ser ignoradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-2556280321967361478?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/02/grave-contradicao-de-um-cineasta-muito.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qaBSjZwqCR4/TznFfhjxCSI/AAAAAAAAA-4/4a3gmlYMTMY/s72-c/%25C3%25B3culos%2Bcineasta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-6488063001987737336</guid><pubDate>Wed, 08 Feb 2012 00:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.891-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Religião</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Política</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><title>Atenção católicos e evangélicos trouxas que votaram em Dilma</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_zzIPm0M_wg/TzG8jXhXoBI/AAAAAAAAA-s/D92rPJejjoM/s1600/homem+vendado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="221" src="http://3.bp.blogspot.com/-_zzIPm0M_wg/TzG8jXhXoBI/AAAAAAAAA-s/D92rPJejjoM/s320/homem+vendado.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sim, você que se declara católico ou evangélico que votou em Dilma; é contigo que eu quero falar. Você provavelmente é contra o aborto, como a grande maioria dos brasileiros. Talvez essa questão fosse capaz de influenciar o seu voto; talvez você não tivesse votado em Dilma se ela fosse a favor do aborto, não é verdade? Assim, você talvez tenha se dado por satisfeito quando ela emitiu um documento, durante a campanha presidencial, em que afirmou que não implantaria o aborto no Brasil caso fosse eleita. Muito bem; dada esta condição, você votou em Dilma tranquilamente, certo de que fazia o melhor pelo seu país, não é verdade? Mas, sinto-lhe informar, você é um trouxa. Sim, porque Dilma sempre foi a favor do aborto. Ah, você nem sabia disso? Mas há vídeos em que ela fala com seu tom notadamente forte a favor da legalização do aborto. Foi por este motivo que diversas correntes de católicos e evangélicos disseminaram-se pela internet pedindo que não se votasse nela. Essas correntes foram tão fortes que a direção da campanha de Dilma rapidamente formulou o documento em que a candidata afirmava-se totalmente contra o aborto. Mas, eu pergunto, será que se pode confiar numa guinada tão radical da parte de um político durante uma corrida eleitoral? Se você estava informado sobre a polêmica, e concluiu que sim, que dava para confiar numa reviravolta tão radical em assunto de tamanha importância em plena disputa eleitoral, você é um trouxa; quer uma prova disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, em substituição a Iriny Lopes, que sai do governo para concorrer à prefeitura de Vitória, Dilma nomeou Eleonora Menicucci, professora titular de saúde pública na Unifesp, para o cargo de ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres. Logo em sua primeira entrevista como ministra, Eleonora afirmou-se completamente favorável ao aborto, que deve, em sua visão, tornar-se rapidamente uma realidade para que seja, veja só, melhorada a saúde da mulher. Segundo ela, o aborto é um assunto de saúde pública "como o crack, as drogas, a dengue, HIV e todas as doenças infectocontagiosas." Isso mesmo, ela comparou um feto humano a alguns dos piores flagelos da saúde brasileira (reportagem&amp;nbsp;&lt;a href="http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/02/aborto-e-questao-de-saude-publica-diz-nova-ministra-das-mulheres.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). O que isso significa? Será que Dilma mudou subitamente de opinião? Ora, ela nunca mudou de opinião, a menos que você tenha acreditado no que ela disse durante a corrida eleitoral. De fato, a nomeação de Eleonora Menicucci como ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres significa muitas coisas, mas a mais importante delas é que você é um trouxa. Sim, você poderia ter acreditado em milhares de bons padres e pastores que lhe recomendaram que não votasse em Dilma, mas você optou por acreditar nela. Ao trocar a recomendação de sábias lideranças religiosas pelas mentiras de um partido político, você fez uma péssima escolha; votou contra seus princípios, contra os seus irmãos, contra uma sociedade mais fraterna e, sobretudo, contra o seu Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-6488063001987737336?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/02/atencao-catolicos-e-evangelicos-trouxas.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_zzIPm0M_wg/TzG8jXhXoBI/AAAAAAAAA-s/D92rPJejjoM/s72-c/homem+vendado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-1724207915472498082</guid><pubDate>Mon, 30 Jan 2012 17:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:19:40.661-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Política</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><title>O anti-americanismo de alguns americanos</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LpfrP1x6lxw/TyV54szR6QI/AAAAAAAAA-k/tiuNg_jS-3U/s1600/burning%2BAmerican%2Bflag.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://3.bp.blogspot.com/-LpfrP1x6lxw/TyV54szR6QI/AAAAAAAAA-k/tiuNg_jS-3U/s320/burning%2BAmerican%2Bflag.jpeg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No mundo atual, pode parecer-nos, enquanto latino-americanos comuns, que apenas por aqui e nos países muçulmanos é cultivado um verdadeiro anti-americanismo; a concepção que afirma ser negativa a influência dos Estados Unidos no mundo. De fato, na América Latina cada vez mais dominada pela extrema esquerda e nos países muçulmanos conduzidos por lideranças religiosas fanáticas o anti-americanismo floresce com vigor. O que poucos sabem é que há muitos anti-americanos nascidos e criados nos Estados Unidos; a maioria deles das classes altas. Como não poderia deixar de ser, trata-se de americanos inspirados por ideais de extrema esquerda. Durante a guerra fria, o governo infernizava-lhes a vida, com direito a extensas investigações pelo FBI. Hoje, eles aproveitam os meios de comunicação e as redes sociais para divulgar sua posição ideológica. Inspirados por esta nova situação, muitos deles combinaram pela internet o movimento "Occupy Wall Street", que montou um grande acampamento nas proximidades do coração financeiro de Nova Iorque, onde, sob a aparência de crítica aos abusos financeiros que levaram à atual crise econômica, pregam a destruição do capitalismo. Jovens de semelhante formação ideológica reproduziram esta experiência em outras grandes cidades do mundo, como Londres, Paris e Berlin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fossem apenas jovens idealistas protestando contra a exploração econômica e as injustiças sociais não haveria problema algum, afinal, a miséria e a exclusão são escândalos que devem ser denunciados. O esforço por uma sociedade mais justa e igualitária deve incluir ainda o debate sobre propostas que visem a superação destes desequilíbrios. Porém, como são influenciados por ideólogos extremistas, a posição destes jovens não comporta soluções de longo prazo; no lugar de opções razoáveis, que contemplem um progresso efetivo das relações sociais, eles propõem, com seus mestres, a revolução radical das relações econômicas, ainda que tal proposta seja naturalmente anti-democrática por rejeitar a opinião da maioria. Assim, é inevitável que surjam, em suas manifestações, expressões de radicalismo e intolerância não somente contra o sistema financeiro, mas contra os valores da sociedade. Sábado passado, 170 jovens do movimento "Occupy Oakland" foram presos ao tentar invadir o prédio local da YMCA, Associação Cristã de Jovens, e da prefeitura da cidade de Oakland. Durante a tentativa de invasão da prefeitura, os manifestantes queimaram uma bandeira americana no hall de entrada do prédio, demonstrando, assim, que, por debaixo de suas demandas aparentemente legítimas, estão ocultando os piores tipos de radicalismo e fanatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decerto estes rapazes sabiam que seriam presos, afinal, ao contrário do Brasil, as leis nacionais são cumpridas nos Estados Unidos. O que eles talvez não saibam é que os Estados Unidos não foram criados para exploração econômica das classes menos favorecidas; se o soubessem, não atentariam contra os símbolos de seu próprio país. Afinal, os criadores da nação, os "Founding Fathers", construíram os Estados Unidos para serem uma terra de liberdade e oportunidade, onde todos fossem iguais sob a Constituição. Deste modo, é certo denunciar a corrupção deste belo modelo de civilização pela pressão de grupos econômicos poderosíssimos, cuja influência é continuamente expandida pelo financiamento das campanhas eleitorais da maioria dos políticos. Absurdo seria negligenciar esta degeneração dos princípios pétreos da democracia americana. Mas é errado usar a necessidade de criticar estas injustiças para advogar uma completa revolução na sociedade americana, ou mesmo a destruição da nação (como o ato de queimar a bandeira indica), quando o certo seria restaurá-la. Tais despropósitos afastam ainda mais a opinião pública destas causas inadiáveis. Uma lástima; afinal, no mundo contemporâneo, conscientizar o americano comum da necessidade de defender os Estados Unidos de seus principais agressores é uma das causas mais urgentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-1724207915472498082?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/01/o-anti-americanismo-de-alguns.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-LpfrP1x6lxw/TyV54szR6QI/AAAAAAAAA-k/tiuNg_jS-3U/s72-c/burning%2BAmerican%2Bflag.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-3722790292986166750</guid><pubDate>Sat, 28 Jan 2012 22:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.891-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>Cartunista famoso quer entrar na Justiça para usar o banheiro feminino</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MnmsFq7DoKs/TyRPUxvNDvI/AAAAAAAAA-Y/Y4ku0lE72E0/s1600/kit%2Bde%2Bmaquiagem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="191" src="http://3.bp.blogspot.com/-MnmsFq7DoKs/TyRPUxvNDvI/AAAAAAAAA-Y/Y4ku0lE72E0/s320/kit%2Bde%2Bmaquiagem.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Surge mais uma polêmica envolvendo o homossexualismo. Pra quem não sabe, o cartunista Laerte está causando revolta por querer entrar na Justiça pelo direito de usar o banheiro feminino de estabelecimentos comerciais. Já faz alguns anos que ele ocasionalmente se veste de mulher. Esta iniciativa foi motivada por um episódio recente ocorrido em um restaurante. Uma senhora sentiu-se incomodada pela presença do cartunista no banheiro das mulheres e reclamou com o gerente da casa, que, por sua vez, avisou Laerte que ele deveria usar o banheiro dos homens. Então, insatisfeito com a situação, que lhe pareceu discriminatória, Laerte reclamou com a coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, Heloísa Alves, que lhe recomendou que entrasse na Justiça. Em resposta a esta situação surreal, estão surgindo na rede diversas manifestações contra o cartunista, várias delas da parte de homossexuais, que estão revoltados por achar que a atitude egocêntrica do artista colabora com a discriminação contra eles. De fato, não é difícil perceber que estão certos; se a sociedade já acredita que homossexuais são pessoas escandalosas e excêntricas, qualquer atitude que reforce esta percepção colabora com sua continuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte, concordo que tal solicitação à Justiça é completamente descabida. Afinal, Laerte continua sendo o homem que sempre foi, desde a sua aparência externa até as moléculas que compõem seu DNA. Não há kit de maquiagem ou item de vestuário capaz de alterar essa realidade. Portanto, é perfeitamente normal que qualquer mulher sinta-se incomodada pela presença de um homem em um recinto onde ela pode eventualmente ser vista em situação de exposição íntima. Assim, como todos parecem concordar, é justa a indignação da senhora que se incomodou com a presença de Laerte no banheiro feminino e reclamou com o gerente do restaurante. A campanha contra o cartunista está se tornando cada vez mais forte nas redes sociais e nos meios de comunicação onde o fato é noticiado. De fato, há de se lamentar pela exposição que o próprio Laerte está fazendo de sua situação; não bastasse andar por aí ocasionalmente vestido de mulher, ele ainda se afirma interessado em entrar na Justiça por um direito que lei nenhuma lhe dá: ser reconhecido por toda sociedade como alguém de gênero diferente do dele, tentando obrigar os demais a agir, na maioria dos casos, contra a própria consciência e contra os próprios valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, esta situação contribui para acirrar os ânimos em relação às reivindicações dos movimentos homossexuais. A muitos parece que Laerte se sente no direito de ir à Justiça por este motivo absurdo porque os homossexuais já se consideram acima das demais pessoas. Concordo; porque se a homossexualidade não estivesse sendo defendida sem cessar pela mídia, dificilmente alguém se sentiria justificado em solicitar o direito de usar os banheiros do sexo oposto; afinal, ninguém pode questionar o modo como os outros lidam com a própria intimidade. Felizmente, tentativas como esta são restritas aos poucos com maiores dificuldades de identificar-se com os valores da sociedade. Expor as provocações destas pessoas às demais, ao invés de ajudá-las, colabora com o aprofundando das diferenças existentes. Assim, uma abordagem ética de situações semelhantes deve pressupor discrição da parte dos meios de comunicação, para que, ao invés de se reforçarem as barreiras que separam o homossexual provocador da sociedade, tornando ainda mais difícil a sua identificação com os valores normais, seja facilitado um possível apaziguamento das tensões, auxiliando na cicatrização mesmo das feridas mais profundas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-3722790292986166750?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/01/cartunista-famoso-quer-entrar-na.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MnmsFq7DoKs/TyRPUxvNDvI/AAAAAAAAA-Y/Y4ku0lE72E0/s72-c/kit%2Bde%2Bmaquiagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-5350784320670764235</guid><pubDate>Tue, 24 Jan 2012 18:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:19:40.662-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Religião</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ateísmo / Richard Dawkins</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Marx / Gramsci</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>Abrindo 2012, Folha de S. Paulo insulta os cristãos</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-AcVjLtv8CpY/Tx2w-7VdmrI/AAAAAAAAA-M/QSfi8o2_5ow/s1600/Folha%2Bde%2BS.%2BPaulo.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="http://4.bp.blogspot.com/-AcVjLtv8CpY/Tx2w-7VdmrI/AAAAAAAAA-M/QSfi8o2_5ow/s400/Folha%2Bde%2BS.%2BPaulo.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Todos gostamos de uma boa festa, especialmente quando há bons motivos para comemorar. No meu caso, não sou exceção, mas confesso nunca ter gostado muito da festa de ano-novo; sempre me pareceu uma comemoração sem sentido. Afinal, por que estourar&amp;nbsp;champanhes&amp;nbsp;apenas pela mudança de um dígito no calendário? Nunca me pareceu lá um motivo muito bom. Mas, pelo visto, a maioria discorda, e considera esta mudança numérica uma grande razão pra festejar. Então, costumava ficar meio emburrado durante as passagens de ano. Mas, de uns tempos pra cá, evitando chatear-me, comecei a comemorar, mesmo que ainda um pouco constrangido em fazê-lo. Assim, aceitei o convite de meu pai de passar a "virada" pra 2012 em Ubatuba, o&amp;nbsp;réveillon&amp;nbsp;perfeito dos taubateanos. Cheguei um dia antes e, no dia 31, por volta das onze e meia, fui à praia ver os fogos. Pra variar, não foi nada demais. De qualquer forma, foi melhor que ficar emburrado. Cumprida a obrigação (afinal, festejar neste país é um dever cívico), fui para casa dormir a primeira noite em dias sem rojões&amp;nbsp;inconvenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei de minha primeira noite dormida em 2012 e o mundo não havia acabado. Resolvi passear na praia do centro enquanto minha família dormia. Não fazia sol, mas também não chovia. Havia uma atmosfera de paz. Caminhando, passei diante de uma banca de jornais e vi a capa da primeira Folha de S. Paulo de 2012, cuja parte superior vai exibida acima (se clicar na imagem, poderá ver todos os detalhes). Em destaque, uma charge do cartunista Angeli, que sempre admirei. Aproximei-me e vi a figura de um velho com um cajado, significando o ano de 2011. Ele estava fotografando os acontecimentos que se deram em sua existência. Logo me chamaram a atenção três pequenas figuras, um bispo, um pastor e um encapuzado gritando, em maiúsculas: "FORA ATEUS! FORA NEGROS! FORA GAYS!" A mensagem não poderia mais clara: segundo o cartunista, as igrejas cristãs são radicalmente contra ateus, negros e homossexuais, a ponto de merecer serem representadas junto de uma figura que remete à Klu Klux Klan, organização extremista americana que prega a supremacia branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio perdeu um pouco do seu brilho, tamanho destaque dado a tamanha mentira. Afinal, nenhuma denominação cristã sustenta semelhantes posições. O que uma ou outra seita de amalucados diz não pode ser atribuído aos cristãos, que tantos sacrifícios têm feito pela humanização da vida neste planeta em inúmeras obras de caridade espirituais e corporais.&amp;nbsp;Mesmo um pastor severamente contrário às práticas homossexuais como Silas Malafaia sempre sustenta que a pessoa com esta tendência deve ser respeitada e tratada com caridade cristã. Se nem ele prega a exclusão de homossexuais, que dirá os bispos católicos, geralmente tão cuidadosos e caridosos. O mesmo vale para a relação entre cristãos e ateus, com os quais as divergências nunca significaram o desejo de censurá-los ou exclui-los.&amp;nbsp;Mas a acusação de que os cristãos pedem a exclusão dos negros atingiu graus patológicos. Por um instante, parecia que 2011 não foi um ano do século XXI e que os Estados Unidos, este sim um país que sofreu com o preconceito racial, não são atualmente governados por um negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, os cristãos aceitam calados este tipo de acusação infundada. Estrategicamente posicionados, os ideólogos do secularismo aproveitam-se desta passividade para advogar a exclusão dos cristãos da vida pública, esforçando-se por fazer parecer anacrônicas as suas posições. Ou seja, fazem contra os cristãos justamente aquilo que acusam os cristãos de fazer. No momento atual, a situação lhes é tão favorável que mesmo a Folha de S. Paulo não se intimida em atacar brutalmente os cristãos com sérias acusações sem fundamento na capa de sua primeira edição do ano.&amp;nbsp;Seria apenas uma charge qualquer se estivesse dentro do jornal; assim, seria apenas a opinião do cartunista. Mas, pela forma como foi publicada, é impossível negar que a charge expressa também a linha editorial do jornal, propagando a ideia de que os cristãos são pessoas fanáticas cujas opiniões extremistas devem ser sempre combatidas.&amp;nbsp;Em outros tempos, a Folha talvez fosse mais discreta. Na sociedade contemporânea, não mais receia associar-se mesmo às mentiras e aos preconceitos mais evidentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cristãos precisam se atentar para a secularização agressiva da sociedade, cujo principal objetivo é negar-lhes a cidadania plena, desautorizando as suas posições. É de se perguntar se esta ainda é uma realidade distante, afinal, um grande jornal brasileiro demonstrou ser possível propagar mesmo as piores mentiras anti-cristãs como se fossem verdades sem que ninguém se importasse com isso. Trata-se de uma grave injustiça, afinal, não há maior força positiva no mundo que a cristandade, que sempre se alia aos mais desvalidos enquanto luta pela instauração de um mundo mais igualitário e fraterno. Porém, como a força que move o coração cristão origina-se de princípios sólidos, uma sociedade cada vez mais relativista, avessa às noções de certo e errado, não se envergonha de mentir a respeito dos cristãos, apesar do bem que eles fazem, contanto que a firmeza das posições deles seja questionada. Neste sentido, mesmo a mentira mais deslavada deve ser propagada desde que colabore com a decadência do cristianismo, um valor estranhamente absoluto para quem se pretende relativista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar destes pesares, depois que eu tirei os olhos do jornal, reparei como a praia continuava linda. Pra quem não sabe, Ubatuba é uma dádiva da natureza; centenas de praias entrecortadas pela exuberante mata atlântica. Sempre estará lá com suas belas pracinhas, suas ruazinhas apertadas e seus calçadões vistosos, nos quais é tão gostoso correr. Ubatuba é uma realidade; não é a fantasia perturbada de um ideólogo reformista. Assim também a fé cristã é real, palpável. Não é qualquer ventania rebelde que pode derrubá-la. Ainda que muitos cristãos se furtem ao dever de defender seus princípios, sua fé permanece por virtudes próprias, principalmente por não ser invenção de nenhuma mente humana, mas uma revelação do próprio Deus, que se dignou resgatar-nos apesar das nossas traições. Assim, não há fantasia que possa vencê-la porque não há ficção mais forte que a realidade. Não sou um cristão indiferente porque sei o preço que meu Senhor pagou na Cruz para que eu pudesse conhecer a verdade; e a verdade, meus caros, a verdade me libertou. Permitam que ela também os libertem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-5350784320670764235?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/01/abrindo-2012-folha-de-s-paulo-insulta.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-AcVjLtv8CpY/Tx2w-7VdmrI/AAAAAAAAA-M/QSfi8o2_5ow/s72-c/Folha%2Bde%2BS.%2BPaulo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-7693092706446065140</guid><pubDate>Thu, 12 Jan 2012 07:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-19T04:17:26.564-02:00</atom:updated><title>Aceitar o mundo</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-GN2U-l6vADw/Tw6NmN_evxI/AAAAAAAAA-A/cYa8Uv0FNQw/s1600/Planeta%2BTerra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-GN2U-l6vADw/Tw6NmN_evxI/AAAAAAAAA-A/cYa8Uv0FNQw/s320/Planeta%2BTerra.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O mundo, coitado, deve ser adolescente; ninguém o compreende, ninguém o aceita como ele é. Todos pensam ter o melhor dos planos para ele, como provavelmente acontece com os jovens de famílias muito exigentes; o pai quer seu filho engenheiro como ele, para a mãe, melhor seria que ele fosse médico, o avô desembargador quer vê-lo advogado, a madrinha espera que o afilhado não desperdice o talento artístico, e assim por diante. Nestes casos onde costuma haver muita pressão por desempenho excepcional, quase sempre se ignora a vontade do maior interessado no assunto: o próprio adolescente. Assim também acontece com este mundo em que vivemos: para todos os lados encontram-se entendidos nas mais diversas áreas com as mais fabulosas receitas de progresso e de melhorias. É tanta influência neste sentido, tanta pressão para que o mundo seja reformulado (ou mesmo recriado) segundo as mais variadas ideologias, que parece não haver espaço para a &amp;nbsp;hipótese de que não haja nada de errado com o mundo; que ele talvez seja assim mesmo e que, ao invés de transformá-lo por completo, talvez o ideal seria aprendermos a lidar com ele do jeito que ele é, e, deste modo, propormos alternativas de melhora mais assertivas e menos radicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ignoro que, diante da inteligência humana, o mundo pode (e deve) ser melhorado. Afinal, há muitos espaços para melhoras significativas, como bem o demonstra a história. De fato, o problema não está em querer melhorar o mundo. Estranho seria ignorar os vários problemas. Somente uma pessoa muito indiferente ao sofrimento dos outros agiria assim. Porém, há muitos&amp;nbsp;equívocos&amp;nbsp;em achar que o mundo está completamente perdido e, deste modo, necessitaria de uma reforma completa, segundo as leis invencíveis de alguma doutrina luminosa. O imaginário de quem sustenta semelhante atitude está dominado pelo fundamentalismo ideológico. Esta visão está errada por vários motivos; não apenas porque pressupõe que a vontade de um grupo deva ser imposta à maioria, mas, sobretudo, porque faz parecer que nenhum bem intermediário é possível enquanto o bem idealizado não for concretizado. Em outras palavras, porque acredita em um bem único que precisa sem implementado por completo, o visionário abre mão de fazer o bem possível, o bem pequeno de cada dia; aquele que se pode alcançar individualmente. Assim, ele troca o bem real que está ao seu alcance pela utopia infrutífera de uma idealização qualquer, que jamais se tornará real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar esta distorção devemos aceitar o mundo; este mundo imperfeito, inexato e tantas vezes paradoxal. Apesar de todos os problemas, mesmo os mais graves, não é verdade que este seja apenas um lugar de sofrimento e injustiças. Curiosamente, na maioria das vezes, os pobres parecem ser mais felizes e alegres que os idealistas revoltados que pedem ajuda em seu nome. Talvez os pobres possam dar-lhes umas aulinhas de bom humor e jogo de cintura. Também poderão ensinar-lhes a ater-se ao que é importante; a resolver os problemas reais. Quem vive de vento, perde-se em devaneios; no fim, não terá produzido nada. Por outro lado, quem reconhece os próprios limites, não se guia por planos mirabolantes, pode realizar alguma coisa concreta, real, que faça a diferença para alguém com problemas reais.&amp;nbsp;O mundo melhor, para existir, precisa começar dentro de nós. Somente assim serão verdadeiras quaisquer iniciativas externas. A pessoa que pretende reformar a realidade a partir de princípios ideológicos, como se o mundo todo fosse ruim menos ela, esquece que, se o mundo precisa ser melhor, é para que as pessoas sejam melhores; então, é ilógico que uma sociedade mais igualitária e fraterna não comece pelo coração dos homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-7693092706446065140?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2012/01/aceitar-o-mundo.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-GN2U-l6vADw/Tw6NmN_evxI/AAAAAAAAA-A/cYa8Uv0FNQw/s72-c/Planeta%2BTerra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-1577880642562884700</guid><pubDate>Thu, 22 Dec 2011 03:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.892-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Política</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Arte</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>Contra a esquerda, em favor dos funkeiros</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-HOcr4cb5Zi0/TvKo-Qvr1PI/AAAAAAAAA90/jxtLR9kykCw/s1600/funk.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="240" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-HOcr4cb5Zi0/TvKo-Qvr1PI/AAAAAAAAA90/jxtLR9kykCw/s320/funk.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Poucos gêneros musicais são tão execrados publicamente quanto o funk carioca. Se no Rio de Janeiro, que lhe viu nascer, ele é criticado duramente por pessoas de todas as classes sociais, que dirá no resto deste imenso Brasil que, cada vez mais, vê-se tomado por um estilo musical tão irritante, de versos tão estúpidos e pobres, facilmente encontrável em qualquer esquina onde haja mais um infeliz com um carro antigo cujo porta-malas foi transformado em balada ambulante. De fato, o funk é filho da pobreza, como o samba, que nasceu cem anos antes. Tanto um como o outro são idolatrados por intelectuais esquerdistas, tão afeitos a todas as manifestações culturais nascidas das favelas. Nenhum setor social parece tão interessado na aceitação social destes estilos quanto a esquerda; mesmo os artistas não estão lá tão preocupados em serem aceitos como propõem (ou exigem) os esquerdistas. Parece um plano lindo; a aceitação de todos os estilos musicais como demonstração de uma sociedade plural, rica e diversificada. Neste contexto, os esquerdistas sempre fazem parecer que apenas burgueses de mentalidade obtusa e atrasada rejeitariam a cultura da favela. Pra começar, é uma mentira porque mesmo na favela o funk não é unanimidade. Mas o problema do raciocínio deles é pior, pois faz parecer que apenas esquerdistas estariam interessados em defender os interesses dos favelados, como se o resto da sociedade estivesse indiferente à sorte ou à pobreza deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é uma tremenda hipocrisia fazer-se porta-voz da cultura da favela e, ao mesmo tempo, defender a legalização do aborto, como agem os esquerdistas. Senão, respondam-me, o que é mais importante: defender um gênero musical criado por pessoas desfavorecidas, ou defender que estas mesmas pessoas tenham direito irrestrito à vida? A implantação do aborto causará um verdadeiro genocídio entre os favelados; pessoas de classe social mais elevada, além de terem meios para criar uma criança, dispõem de maior acesso à informação, o que ajuda a evitar imprevistos. A legalização do aborto seria um dos mais duros golpes que o funk poderia levar, afinal, quanto menos pobres houver, menos criadores e consumidores para este estilo, essencialmente jovem. Na verdade, não é necessário considerar o funk um gênero musical aceitável para ser amigo dos favelados. De fato, as pessoas não precisam concordar em tudo para serem amigas. Mas é necessário que haja ao menos respeito pelo outro; em outras palavras, a aceitação integral de sua pessoa, de seus direitos e de seus deveres. Deste modo, não é amigo quem passa a mão na cabeça de alguém publicamente e, nos bastidores, arma estratégias para matar essa pessoa. Ao contrário dos esquerdistas, queremos muitos funkeiros no mundo, apesar do barulho que causam. Odiamos o gênero musical dessa gente, mas não queremos que sejam brutalmente assassinados sob quaisquer justificativas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-1577880642562884700?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2011/12/contra-esquerda-em-favor-dos-funkeiros.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-HOcr4cb5Zi0/TvKo-Qvr1PI/AAAAAAAAA90/jxtLR9kykCw/s72-c/funk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-2557070319705590697</guid><pubDate>Fri, 16 Dec 2011 20:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:01:02.892-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Sexualidade moderna</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>Quem é pior que a maníaca do yorkshire?</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Movw4cwGjWY/TuuqEArZkpI/AAAAAAAAA9o/Q66C9afZCZw/s1600/c%25C3%25A3ozinho.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="221" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-Movw4cwGjWY/TuuqEArZkpI/AAAAAAAAA9o/Q66C9afZCZw/s320/c%25C3%25A3ozinho.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Semana passada foi o vira-lata enterrado vivo. Salvo a tempo, o bichinho foi apelidado de Titã e, felizmente, recupera-se bem apesar de ter estado entre a vida e a morte. Agora é o yorkshire de uma enfermeira, espancado até a morte pela dona, segundo informado pelo delegado que investiga o caso. À primeira ocasião, discuti o que poderia ser pior do que enterrar um cachorro vivo. Afinal, segundo especulei, "a brutalidade humana parece não ter limites". Conclui que o aborto é muito pior que enterrar um cachorro vivo. Claro, pois uma violência contra um semelhante é naturalmente mais grave; uma agressão contra a própria espécie. Deste modo, será ainda mais grave o aborto, pois se dirige não apenas a um semelhante, mas à própria carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não se trata de condenar grosseiramente a mulher que intenciona abortar, ou que já abortou. É evidente que, na maioria dos casos (ao menos assim me parece), a mulher que deseja abortar vive um conflito emocional terrível. Não nego que uma gravidez indesejada possa ser um imenso transtorno para uma mulher de precárias condições materiais ou, principalmente, emocionais. É evidente que, se alguém nestas situações for obrigada a criar seu filho indesejado, é grande a chance de surgir uma pessoa muito infeliz e doente, pois se sabe que a rejeição materna é um dos principais fatores de risco para as mais graves psicopatologias. Assim, a humanização da reprodução humana não pode pressupor que uma mulher seja obrigada a criar seu filho indesejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se por um lado abortar é um ato muito pior que espancar um yorkshire à morte, e por outro uma mulher não deve ser obrigada a criar um filho pelo qual sente repulsa, qual poderia ser a solução mais humana? Felizmente, não precisamos olhar longe. A solução é colocar a criança para a adoção, que resolve ainda o problema dos casais inférteis. A adoção só apresenta um problema: não dá para a mulher esconder sua condição; só isso. Ela teria de aguentar exibir-se grávida diante dos outros para depois doar o seu filho a alguém que o deseje. Na maioria dos casos, imagino que seria uma situação humilhante; não nego que haveria um sacrifício. Mas sacrifício muito pior seria matar um inocente, alguém sem responsabilidade alguma pelos atos de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se o pior transtorno que a adoção pode causar é a exposição da mulher que não quer seu filho ao comentário alheio, só podemos concluir que, ainda que uma gravidez seja verdadeiramente indesejada, o principal motivo que leva uma mulher a abortar uma criança que pode ser adotada por uma casal sem filhos é o orgulho; é porque ela não quer ser vítima da maledicência alheia. Deste modo, percebe-se uma inversão de valores muito grave na cabeça de uma mulher que deseja abortar; ela coloca a sua honra acima da vida de seu próprio filho, cometendo, assim, desonra muito maior. A sociedade brasileira faz muito bem em repudiar semelhante absurdo, bem como os recentes casos de maus tratos de animais. Desumano seria se calar diante de tais brutalidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-2557070319705590697?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2011/12/quem-e-pior-que-maniaca-do-yorkshire.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Movw4cwGjWY/TuuqEArZkpI/AAAAAAAAA9o/Q66C9afZCZw/s72-c/c%25C3%25A3ozinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-6104537015261649129</guid><pubDate>Thu, 15 Dec 2011 23:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-24T18:00:01.863-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ateísmo / Richard Dawkins</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Liberdades individuais</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Ciência</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Jornalismo / construção da verdade</category><title>A partícula de Deus e a neurose de muitos ateus</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4c3uk6eWd5A/Tup_BMeiStI/AAAAAAAAA9I/xfXvjhs395Q/s1600/desespero.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="235" src="http://4.bp.blogspot.com/-4c3uk6eWd5A/Tup_BMeiStI/AAAAAAAAA9I/xfXvjhs395Q/s320/desespero.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Interessante ler as notícias sobre a partícula de Deus, o bóson de Higgs. Aos que não sabem, os cientistas esperam demonstrá-la materialmente, através de experimentos físicos realizados no super acelerador de partículas do Cern, na fronteira franco-suíça. Até o presente momento, o bóson de Higgs existe apenas em teoria, como parte de um intrincado quebra-cabeça que explica a natureza de um dos mais básicos fenômenos físicos: a massa. Não por acaso, o físico autor da teoria que prevê a existência da partícula de Deus chama-se Peter Higgs. As notícias dos últimos dias informam que os cientistas estão cada vez mais próximos da demonstração material efetiva do bóson de Higgs, que, se não for encontrado, exigirá uma reviravolta na teoria das partículas. A julgar pelo campo dos comentários das notícias a respeito, todos estão felizes pela proximidade da descoberta do partícula de Deus, menos os ateus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se sintam um pouco indignados por este apelido que o próprio Higgs deu à sua descoberta, não sei. Curiosamente, ao invés de comentarem as notícias, os ateus preferem falar de religião; sempre daquela maneira tão peculiar e carinhosa própria de quem tem muito amor no coração. Ora, é no mínimo estranho que fiquem resmungando contra as religiões em notícias científicas. É inevitável perceber mais uma vez que eles fazem da religião o centro de suas vidas; acusam as pessoas de fé a empurrar-lhes continuamente uma crença que eles não desejam (o que, em muitos casos, é verdade), porém, ao invés de esquecerem os inconvenientes e seguirem suas vidas, ficam neuroticamente reclamando de toda vez que alguém mencionou, na presença deles, a própria crença religiosa, como se isso fosse um crime irreparável, ou ainda uma manifestação de preconceito contra eles; um exagero evidente e absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda está faltando uma justificativa razoável para o estardalhaço que muitos ateus têm feito ultimamente; tanto que mesmo os meios de comunicação mais liberais não têm mais achado motivos para qualquer reportagem sobre Richard Dawkins, o líder do movimento neo-ateu, que esteve em evidência até pouco tempo atrás. Então, a estes ateus fanáticos restam somente os recantos sombrios da internet, onde se verifica como é triste a existência deles, pois se permitem pautar continuamente pelo assunto que mais detestam, mesmo quando não é ocasião de debatê-lo. Ora, qualquer pessoa normal se afasta daquilo que não gosta. Já um seguidor de Dawkins, que acha necessário combater as religiões de todos os modos e em todos os momentos, vê-se na obrigação moral de passar a vida discutindo um assunto que não gosta com pessoas que lhe são desagradáveis. Pode haver existência mais patética?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-6104537015261649129?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2011/12/particula-de-deus-e-neurose-de-muitos.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4c3uk6eWd5A/Tup_BMeiStI/AAAAAAAAA9I/xfXvjhs395Q/s72-c/desespero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-6342838744463693247</guid><pubDate>Sat, 10 Dec 2011 18:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-12T02:46:11.767-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Criminalidade</category><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Processo social do saber</category><title>O que pode ser pior que enterrar um cachorro vivo?</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-C9mQUbYqiNo/TuOjCBXdU8I/AAAAAAAAA9A/bhjfgECQYvs/s1600/cachorro%2Benterrado%2Bvivo.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="222" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-C9mQUbYqiNo/TuOjCBXdU8I/AAAAAAAAA9A/bhjfgECQYvs/s320/cachorro%2Benterrado%2Bvivo.jpeg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A brutalidade humana parece não ter limites. Seria ingênuo pressupor que nossa violência intrínseca não pode se tornar cada vez pior. Pelo menos é assim que concluo ao saber da história terrível de um cãozinho de quatro meses que ficou aproximadamente 12 horas enterrado vivo, mas que foi resgatado a tempo de ser salvo. Alguém da vizinhança do agressor denunciou o caso à Associação Mão Amiga, cujo vice-presidente foi averiguar a situação. O dono do animal afirmou que ele havia fugido. Mas o protetor dos animais voltou no dia seguinte e, ao reparar uma porção de terra remexida, conseguiu desenterrar o cachorro com as próprias mãos. Desde então, Titã, como foi apelidado o filhote, tem recebido contínuas manchetes na imprensa. Aparentemente, sua situação tem melhorado, apesar dele estar com uma grave infeção de pele e ter perdido uma das vistas. A gente então se pergunta: como pode alguém fazer isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inocente quem não souber responder. Ora, o agressor é provavelmente um psicopata, ou talvez apresente outras graves enfermidades mentais e psicológicas. Além disso, sua situação de vida deve ser de uma tal forma desestruturada que enterrar um cachorro vivo talvez nem seja o pior que ele já fez. É duro reconhecer, mas talvez ele nem seja verdadeiramente responsável por este ato cruel; se um psiquiatra o descrever como mentalmente incapaz, nenhum juiz o condenaria à reclusão entre presos comuns, como se fosse um criminoso qualquer. No máximo, ele seria condenado à uma reclusão compulsória em instituição psiquiátrica, o que, se formos sinceros, não seria injusto. Porém, se alguém de tamanha crueldade provavelmente não receberia uma dura condenação pela Justiça, quem haveria de merecer pena pior? Em outras palavras, o que pode ser pior que enterrar um cachorro vivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, enterrar uma pessoa viva é certamente pior, mesmo que se acredite que cães e homens tenham a mesma dignidade, afinal, uma pessoa realizar tamanha crueldade a um semelhante é mais grave do que em relação a outra espécie. E, se enterrar vivo alguém da mesma espécie é pior que enterrar um animal de outra espécie, percebe-se que o grau de parentesco maior torna ainda mais repulsiva a crueldade. Deste modo, muito pior que enterrar um cachorro vivo ou enterrar uma pessoa desconhecida viva é jogar a própria filha da janela para livrar a cara da esposa. Bem pior, não é verdade? Mas pode ser ainda pior, é claro. Lembrem-se que a brutalidade humana parece não ter limites. Uma mãe querer matar o próprio filho, por exemplo, apenas porque a gravidez veio em má hora, é ainda mais grave. O ser humano é incapaz de uma brutalidade maior; mesmo enterrar centenas de cães vivos seria inequivocamente menos grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos faz pensar no grau de distorção moral e ética de certos setores da sociedade. Se matar o próprio filho é muito mais grave que enterrar um cachorro vivo, por que está havendo grande revolta pela situação do cãozinho e uma sórdida e monstruosa indiferença às crianças assassinadas pelas próprias mães continuamente? Ora, trata-se, no mínimo, de um sintoma revelador de uma brutal desumanização dos valores, pois o aborto causa cada vez menos repulsa porque se valoriza cada vez mais o dinheiro; afinal, permite-se que uma moça mate o seu filho para que sua situação financeira não sofra uma reviravolta do dia para a noite. Ou seja, a vida humana vale cada vez menos diante das conveniências financeiras. Portanto, não é de estranhar que, em um mundo cada vez mais brutal, os bons sentimentos humanos sejam cada vez mais dirigidos aos animais e cada vez menos às pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-6342838744463693247?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2011/12/o-que-pode-ser-pior-que-enterrar-um.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-C9mQUbYqiNo/TuOjCBXdU8I/AAAAAAAAA9A/bhjfgECQYvs/s72-c/cachorro%2Benterrado%2Bvivo.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-7184142827957154260.post-7996936336115727571</guid><pubDate>Wed, 07 Dec 2011 21:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-08T04:25:30.349-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Medicina / saúde mental</category><title>Uma história (nada) engraçada</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-82HO9GCGutw/Tt_hLvIIMmI/AAAAAAAAA80/N4tqXbg2k_w/s1600/vassoura.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="224" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-82HO9GCGutw/Tt_hLvIIMmI/AAAAAAAAA80/N4tqXbg2k_w/s320/vassoura.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Certas histórias são naturalmente engraçadas. Outras não têm graça nenhuma. A história de hoje é engraçada, mas não deveria ser. De volta a Taubaté, minha cidade natal, para as férias do meu curso de medicina, eu havia tomado o dia para organizar meu quarto e comprar umas coisas no centro; nada demais. Precisava parar próximo a uma loja de eletrônicos para comprar um adaptador wireless, mas o centro de Taubaté está cada vez mais apertado; suas vagas de rua estão praticamente todas demarcadas em um destes planos de tarifação, a fim de gerar mais receita para a prefeitura. Queria ir a uma loja especificamente, cujos preços pareceram bem em conta pelo telefone. Assim que a localizei, fiquei atento às vagas de rua fora da zona de tarifação. Não havia nenhuma delas próxima à loja. Eis que viro à direita em uma rua e encontro uma vaga razoavelmente grande, onde meu pobre Palio 2002 caberia com facilidade. Passei um pouco a vaga, engatei a marcha fé e comecei a fazer a baliza. Até ali, tudo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, começo a ouvir uma voz enlouquecida pela fresta do vidro: "Aqui não! Aqui não! Você não vai parar seu carro na frente da minha casa!" Parei com a ré, olhei para o lado e vi uma senhora à frente de um pequeno portão, a única abertura em uma grande parede branca. Meu primeiro instinto foi o de tentar falar com ela, mas não houve meios: "Retire agora o seu carro da minha vaga. Aqui você não vai estacionar. Saia imediatamente." Diante de tamanho espetáculo de insanidade, não pude evitar certa ironia. Apesar de louca, aquela senhora não era burra; ela percebeu o meu olhar, mas foi logo concluindo absurdos: "Pare de me ameaçar. Saia agora!" E, sacando uma vassoura, fez que seria capaz de sair para cima de mim. Ri discretamente, fechei o vidro e continuei buscando uma vaga. Virei a próxima à direita e felizmente achei uma vaga. Mal sai do carro, perguntei-me como o agente de saúde local fora indiferente a grave situação de saúde mental daquela senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, os brasileiros, além de votarmos mal, também desconhecemos nossos direitos. É prerrogativa do SUS que um agente de saúde passe pelo menos uma vez por mês em todos os domicílios do país e se informe sobre a saúde de seus moradores. Para uma estratégia mais econômica, costumam-se ignorar os locais mais ricos, onde geralmente há acesso a planos de saúde, mas não era este o caso da moradia daquela senhora. Talvez o posto do Programa de Saúde da Família responsável por aquela área desconheça a situação dela, não sei. De fato, ela parece morar na única casa mais simples de uma vizinhança de classe média. Ora, ainda que não sejam necessárias visitas constantes a casas ricas, os agentes do programa devem conhecer minimamente os habitantes de sua região de atendimento. Por ignorarem a região onde pretendi estacionar meu carro, ficou de fora uma senhora em necessidade urgente de atendimento em saúde mental. Quanto sofrimento não seria evitado se ela recebesse o auxílio médico necessário!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7184142827957154260-7996936336115727571?l=www.polimatico.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.polimatico.com.br/2011/12/uma-historia-nada-engracada.html</link><author>noreply@blogger.com (Henrique Rossi)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-82HO9GCGutw/Tt_hLvIIMmI/AAAAAAAAA80/N4tqXbg2k_w/s72-c/vassoura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></item></channel></rss>
